Embrapa e CNA debatem aproximação para fortalecer a aquicultura nacional

A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas, TO) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) continuam aproximação institucional com o objetivo de desenvolver trabalhos de maneira mais conjunta e eficiente. Em reunião realizada em 30 de junho, a chefia dessa Unidade da Embrapa e a Comissão Nacional de Aquicultura da CNA debateram as necessidades da cadeia produtiva de valor, com foco em soluções que o mercado precisa.

A chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura Danielle de Bem Luiz apresentou um panorama geral da aquicultura brasileira, apontando o ainda pequeno índice de exportação e, ao mesmo tempo, aumento do consumo interno de pescado. “O consumo de pescado no país aumentou cerca de 22% de 2008 para 2018 e, em comparação com o consumo global de pescado, ainda há um déficit de 11 kg por habitante por ano. Ou seja, realmente há uma ampla margem para crescimento ainda no mercado nacional”, afirmou.

Ela falou também do trabalho no observatório da aquicultura da Embrapa. Neste ano, foi elaborada nota técnica de inteligência estratégica que abordou tendências do setor e as principais implicações dessas tendências na agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa. Entre elas, a intensificação sustentável dos cultivos, a consolidação dos supermercados como principal canal de varejo, o fortalecimento da cadeia de valor da tilápia, o aumento dos investimentos do setor privado em novos programas de melhoramento genético e o crescimento da produção em águas da União.

Foco da pesquisa em inovação – Já a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura Lícia Lundstedt abordou soluções implementadas ou em processo de implementação nas quais a empresa tem trabalhado. Além do aumento de parcerias com o setor produtivo, o foco da Embrapa é na geração e na disponibilização de ativos que possam solucionar os problemas da cadeia de valor da aquicultura.

O foco da atuação da Embrapa é em quatro espécies: a tilápia (que é a principal espécie produzida hoje no país); o tambaqui (que é o nativo mais produzido no Brasil); o pirarucu; e o camarão. Há trabalhos também com outras espécies, mas de maneira mais pontual.  Hoje, praticamente todas as equipes que trabalham com aquicultura na Embrapa, independente da Unidade, estão interligadas por meio de três grandes ações em andamento: o projeto BRS Aqua; o projeto Aquitech; e os projetos ligados ao Fundo Amazônia.

Lícia destacou os ativos já disponíveis, como o banco de germoplasma de peixes nativos, situado na Embrapa Pesca e Aquicultura, a coleção de germoplasma de tambaqui, materiais de referência para tecidos de tilápia, uma sonda multiparâmetros, um abatedouro móvel de pescado, o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui) e o primeiro drawback da aquicultura, com a tilápia. “Além disso, os projetos permitiram a ampliação da infraestrutura de pesquisa da Embrapa”, complementou, citando a área de 5 hectares de viveiros experimentais e o Laboratório Experimental de Sanidade de Peixes, ambos na Embrapa Pesca e Aquicultura, e o Laboratório de Aquicultura Marinha, este situado na Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju-SE).

Além de Lícia e Danielle, durante a reunião com a Comissão Nacional de Aquicultura da CNA falaram pela Embrapa Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, e Jefferson Costa, pesquisador da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas, que fica na Sede da empresa em Brasília-DF. Manoel abordou a construção de uma agenda de inovação para o setor no Brasil e Jefferson falou sobre a construção de um fundo privado para promoção, proteção e inovação para aquicultura.

Avaliação positiva – O presidente da Comissão Nacional de Aquicultura da CNA, Eduardo Ono, avaliou positivamente a aproximação entre as instituições. Segundo ele, “é muito importante porque nós precisamos que a pesquisa tenha cada vez mais foco nas dificuldades do setor produtivo, sejam a curto, médio ou longo prazos. Questões estruturantes também, não só aspectos tecnológicos da produção em si, mas aspectos gerenciais do setor como um todo que ainda carecem de muita informação e muito conhecimento”. Já Danielle entende que “a aproximação é necessária para estabelecermos uma comunicação assertiva e transparente. Ter esse canal de comunicação aberto para conhecermos e unirmos nossas forças de forma a mitigarmos nossas limitações e ameaças, aproveitarmos as oportunidades e detectarmos sinais do mercado”.

A chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura faz um apanhado das discussões: “os resultados de pesquisa e de transferência de tecnologia foram apresentados, bem como as ações e os produtos em execução, com previsão de entrega nos próximos 12-24 meses. Houve a proposição para criação de uma agenda de inovação e de um fundo para subsidiar as demandas prioritárias e garantir a continuidade das ações de pesquisa em aquicultura. Exemplos de fundos de sucesso, vigentes em outros setores, e os caminhos para sua operacionalização foram apresentados. Agora, há uma grande expectativa para a consolidação de um Fundo para Aquicultura, que poderia inclusive contribuir para melhor organização e crescimento do setor”.

Para a chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, a agenda com a CNA “foi excelente para fortalecermos essa aproximação da Embrapa, como empresa pública de PD&I, com o setor produtivo para de fato estabelecermos ações para implementarmos os princípios de inovação aberta. Como encaminhamentos, acreditamos que a CNA tenha papel importante para articular a elaboração conjunta de uma agenda de inovação para a cadeia da aquicultura, estabelecendo prioridades e metas a curto, médio e longo prazos”.

Eduardo Ono tem percepção parecida. Ele entende que “a gente começa a construir uma agenda de inovação dentro da aquicultura nacional, que é uma luta nossa antiga que nunca se concretizou exatamente por causa do distanciamento entre a maioria das instituições de pesquisa com o setor privado. Na medida em que a gente consegue aproximar e unir mais essas duas frentes (da pesquisa e inovação com o setor privado), essa interlocução melhora e acho que o foco de todo mundo melhora, que é extremamente salutar para todos, sem dúvida nenhuma”.