Embrapa leva tecnologias e produtos a um dos principais eventos do país em aquicultura

Fenacam, antes focada em camarão marinho, discute várias cadeias produtivas

Entre 15 e 18 de novembro, a Embrapa participará em Natal-RN da Fenacam, a Feira Nacional do Camarão. O evento contará com palestras, discussões, exposições de trabalhos técnicos e estandes dos setores público e privado que trarão novidades sobre diferentes cadeias produtivas da aquicultura.

Será lançado o curso on-line e gratuito “Compostos nitrogenados em cultivo de camarão marinho”. Voltado tanto a produtores como a técnicos da extensão rural e a profissionais ligados ao ensino, o curso é dividido em oito módulos. Destes, sete são técnicos (que tratam de temas como quantidade de nitrogênio da amônia total produzido pela ração, ciclo do nitrogênio na carcinicultura, qualidade da água e sua importância no controle dos compostos nitrogenados e uso de fertilização mineral na água para sistemas de baixa salinidade) e o último módulo é de revisão de todo o conteúdo. A carga horária total é de 40h. Para mais informações, acesse a página do curso.

Outro lançamento é do livro “Manejo de compostos nitrogenados na carcinicultura”. Com conteúdo parecido com o curso on-line, a publicação também é gratuita e pode ser acessada nesta página. Na apresentação do livro, a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura, Lícia Lundstedt, aponta que “em uma linguagem bastante didática, esta obra traz aspectos da cadeia produtiva do camarão, abordando conceitos como os principais sistemas de cultivo, as doenças que mais acometem os animais, entre outros”.

E segue: “por ser um dos pontos mais críticos do cultivo, a qualidade de água e sua manutenção são abordadas de forma mais detalhada, destacando-se as formas de controle de compostos nitrogenados, as principais estratégias de fertilização de viveiros e os microrganismos envolvidos no consumo dos compostos tóxicos aos animais cultivados”. A publicação e o curso foram desenvolvidos em conjunto pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju-SE), pela Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) e por instituições parceiras.

Tecnologias – A Embrapa mostrará ainda três tecnologias voltadas à aquicultura. Uma delas, em fase de pré-lançamento, é o NIR ProximateTM, que permite análises sobre a qualidade de rações de peixe a um custo cerca de 10 vezes menor e de maneira extremamente rápida. Desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) em parceria com a empresa Büchi Brasil, o novo método não usa reagentes químicos nem gera resíduos para o meio ambiente. A previsão é de que a partir de 2023 a tecnologia esteja disponível para o mercado. Mais informações nesta matéria específica sobre o NIR ProximateTM.

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Outra tecnologia da Embrapa que estará presente no evento é a Sonda Acqua Probe, desenvolvida em conjunto pela Embrapa Instrumentação (também de São Carlos-SP) e a empresa Acquanativa Monitoramento Ambiental. É um equipamento que mede 12 parâmetros relacionados à qualidade da água, como oxigênio dissolvido, pH e temperatura. De uso bastante simples, a medição é feita em tempo real e pode acontecer remotamente (por meio de celular ou computador, por exemplo). Mais informações neste link.

Ambas as empresas privadas parceiras no desenvolvimento das tecnologias estarão no estande da Embrapa durante o evento. Também será apresentada a Plataforma aquaPLUS, conjunto de ativos tecnológicos que realizam análises genéticas de matrizes e de reprodutores de diferentes espécies aquícolas. Na Fenacam, o foco será no serviço VannaPLUS, um desses ativos. Ele compreende ferramentas genômicas para análise, qualificação, certificação, manejo e melhoramento genético do Litopenaeus vannamei, principal espécie de camarão marinho cultivado no Brasil. A plataforma foi desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF); mais informações nesta página.

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Oportunidade – Daniele Klöppel, engenheira de aquicultura e analista de inovação da Embrapa Pesca e Aquicultura, estará na Fenacam. Segundo ela, “a Embrapa estar neste evento com um estande é um grande avanço e fruto de um trabalho de articulação e aproximação institucional que foi intensificado nos últimos anos”. Referindo-se à abertura do evento a outras cadeias produtivas além do camarão marinho, Daniele entende que “o evento cresceu ainda mais. São dois simpósios internacionais, que trazem temas relevantes para a aquicultura nacional, com palestrantes de renome, nacional e internacionalmente”.

Ela vai fazer uma palestra em que apresentará informações institucionais e tecnologias como os testes de sexagem genética para tambaqui (mais informações aqui) e para pirarucu (mais informações aqui), o Sistema de Inteligência Territorial Estratégica para Aquicultura, SITE Aquicultura (mais informações aqui) e o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura, CIAqui (mais informações aqui).

Além de Daniele, estarão na Fenacam a pesquisadora Andrea Muñoz e o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia Roberto Flores, ambos da Embrapa Pesca e Aquicultura, a pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros Alitiene Pereira e o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Alexandre Caetano.

Assim, a participação da Embrapa na Fenacam deste ano envolverá cinco Unidades: Embrapa Pesca e Aquicultura, Embrapa Tabuleiros Costeiros e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia de maneira presencial; e Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste por meio de empresa parceira licenciada.

Os resultados que a empresa mostrará no evento estão relacionados ao BRS Aqua, projeto que envolve mais de 20 Unidades e cerca de 270 empregados da Embrapa, além de bolsistas. Com forte caráter estruturante, já que por meio dele a empresa está incrementando sua infraestrutura de pesquisa em aquicultura, o BRS Aqua também se destaca na formação de recursos humanos especializados na área, sobretudo por conta das bolsas disponibilizadas.

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São três as fontes de financiamento: o Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Funtec/ BNDES); a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SAP/ Mapa), cujo recurso está sendo operacionalizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e a própria Embrapa. Mais informações sobre o BRS Aqua nesta página.

Por: Clenio Araujo 
Foto: Luciana Fernandes