Empresário viabiliza de maneira criativa a venda de camarão no espeto

Quem um dia já forneceu camarão para restaurantes, sabe a dificuldade que se tem para receber o pagamento das vendas. Os gerentes querem grandes prazos, adiam as datas dos cheques e costumam até mesmo desmerecer o produto, como justificativa para não pagar em dia. Por conta dessa triste realidade, nasceu a Camaretto, uma idéia do empresário baiano Eduardo Lemos, que surgiu como uma alternativa para a comercialização. Eduardo, que há dois anos e meio resolveu virar a própria mesa, trocou o fornecimento de camarões para os restaurantes, por um comércio independente, que visa atender o cliente final.

Ao montar a nova empresa, “Camaretto” foi o nome escolhido para batizar os espetinhos de bambu com seis camarões sem casca e sem cabeça, que depois de temperados com azeite de oliva e alho, são preparados numa chapa quente de uma estrutura ambulante (foto). Para aumentar seus ganhos, Eduardo vislumbrou oportunidades em diversos setores promissores, onde pudesse oferecer os seus camarões. Assim, procura distribuir seus carrinhos personalizados em praias, shoppings, clubes, parques e em eventos populares realizados em Salvador, Vitória e Rio de Janeiro, cidades onde são vendidos ao preço médio de três reais cada. Entre os planos para o futuro, o empresário baiano pretende conquistar também o consumidor de São Paulo, Brasília e Florianópolis. Para isso já conta com uma frota de 100 carrinhos prontos para serem utilizados, montados com chapa para preparo, semelhantes às usadas para fazer sanduíches quentes. Planeja também, para breve, colocar seus carrinhos distribuídos pelo estádio do Maracanã, apostando que a dobradinha Camaretto/cerveja gelada será um sucesso junto aos torcedores que costumam lotar o estádio de futebol carioca. Além disso, espera fechar negócios com o Rio Orla, um projeto de revitalização da orla marítima da Cidade do Rio de Janeiro, que normalmente leva milhares de pessoas a ocupar a pé as avenidas das praias cariocas nos domingos e feriados.

Como empreendedor, Eduardo já sabe que é complicado ampliar o negócio mantendo um mesmo padrão de qualidade, daí não pensar por hora em franquear sua marca, preferindo fechar parcerias em que ele próprio possa fornecer os carrinhos já abastecidos com os camarões produzidos na Lusomar e na Maricultura da Bahia. A Camaretto utiliza camarões da classificação 61-70/ libra, ou 143 camarões por quilo e, segundo o empresário, a empresa já atingiu a marca de duas toneladas de camarões comercializadas mensalmente.

A péssima reputação dos espetos de camarão tradicionalmente vendidos nas ruas, fez com que o empresário tivesse que adotar critérios rígidos de higiene na manipulação do espeto. Segundo Eduardo, a vigilância sanitária no Brasil é muito severa e para circular o produto teve que cumprir inúmeras exigências, entre elas, que tivesse SIF. Isso não foi problema pois o produto é fabricado na Maricultura da Bahia especialmente para a Camaretto. O fato curioso é que as exigências sanitárias levou a Camaretto a ter que importar espetos de bambus da China, pelo fato de possuírem atestado fitosanitário, fato que não ocorre com os espetos feitos no Brasil, onde até a mão de obra infantil muitas vezes é utilizada.