Entrevista: Mauro Vianna Araripe de Macedo

O Almirante Mauro Vianna Araripe de Macedo, Secretário-Executivo do GESPE – Grupo Executivo do Setor Pesqueiro, se fez presente em inúmeras palestras e debates no WAS ’97. Pela primeira vez um representante graduado do governo brasileiro participa de um evento desse porte, em que se pode medir a importância da aqüicultura no atual cenário mundial.

Araripe de Macedo fala a seguir aos leitores da Panorama da AQÜICULTURA .


Panorama – É a primeira vez que vemos um representante graduado do governo num encontro da WAS. O que representa para a aqüicultura brasileira a sua presença em Seattle?
Araripe de Macedo – A nossa presença na “World Aquaculture 97” teve como propósito, principalmente, estabelecer um paralelo entre as atividades de pesquisa em aquacultura que vêm sendo executadas nos outros países e aquelas realizadas por pesquisadores brasileiros, de forma a aquilatar o estado da arte da pesquisa nacional neste setor. Também propiciou verificar as possibilidades de comercialização, políticas internacionais de proteção ambiental e as perspectivas internacionais de desenvolvimento da aqüicultura.

Panorama – Traçado o paralelo, como o Sr. definiria o estado atual da aqüicultura brasileira diante desses aspectos que o Sr. acaba de mencionar?
Araripe de Macedo – No que diz respeito à pesquisa aplicada à aqüicultura, creio que não estamos longe do que foi apresentado pelos países mais desenvolvidos. Haja vista o grande número de expositores e painéis sobre trabalhos desenvolvidos em nossas universidades e o interesse por eles despertado. Acho, no entanto, que falta uma coordenação, a nível nacional, para que não haja uma dispersão de esforços e de recursos. A divulgação dos conhecimentos é fundamental para o desenvolvimento da aqüicultura. Não basta a divulgação do trabalho em uma revista especializada; é preciso que se dedique maior cuidado às atividades de extensão, a meu ver ainda muito incipientes no que diz respeito à pesquisa na área de pesca e aqüicultura. No momento um Grupo de Trabalho do GESPE está estudando o assunto para propor as ações que forem adequadas. No tocante ao desenvolvimento da aqüicultura no Brasil, ele tem se dado, até hoje, graças à iniciativa privada, com pouca ou quase nenhuma interferência estatal. O modelo tem funcionado e vem se ampliando, mas ainda tem um ritmo lento e longe das possibilidades que oferece o volume de água aqüiculturáveis. O acesso do pequeno aqüicultor aos créditos do PRONAF, bem como as medidas que se pretende por em práticas, visam acelerar, de forma sustentável esse desenvolvimento.

Panorama – Podemos concluir que aumentou a importância da aqüicultura dentro do GESPE?
Araripe de Macedo – A aqüicultura sempre desfrutou de prioridade no âmbito do GESPE. Basta dizer que o primeiro ato governamental, baixado no mesmo dia da criação do GESPE, foi o decreto 1695, de 13/11/95, que regulamentou a exploração da aqüicultura em águas públicas pertencentes à União. O primeiro Plano Básico que comporá o sistema “Plano Diretor para Pesca e Aqüicultura” é o Plano Básico para o Acompanhamento Gerencial do Setor Aqüícola Nacional, já praticamente pronto e em fase de aprovação.

Panorama – Em linhas gerais quais são as metas do GESPE em relação a aqüicultura para um futuro próximo?
Araripe de Macedo – As próximas ações do GESPE em relação a aqüicultura serão no sentido de dar prosseguimento do Planejamento Integrado da Ação Política do Setor Aqüícola, visando a realização de estudos e ações básicas; desenvolvimento do sistema de produção; aperfeiçoamento dos sistemas de beneficiamento, comercialização e marketing dos produtos da aqüicultura, bem como a integração da aqüicultura com os programas sociais do governo (merenda escolar, comunidade solidária, cesta básica e outros).