ENTREVISTA com: Roland Wiefels – edição 135

Quatro instituições se encontram mobilizadas para a realização da Conferência Mundial de Tilápia, evento programado para acontecer nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 2013, na cidade do Rio de Janeiro. A revista Panorama da AQÜICULTURA conversou com Roland Wiefels, Diretor Geral da INFOPESCA, uma das instituições co-organizadoras do evento.


Panorama da AQÜICULTURA: O que é a Conferência Mundial de Tilápia, e o que motivou a sua realização?
Roland Wiefels: A Conferência Mundial de Tilápia é um evento realizado em conjunto com a FAO, motivada pela rápida evolução da aquicultura da tilápia no mundo, tanto do ponto de vista de sua tecnologia de produção quanto sob os aspetos de estratégias empresariais, fluxos de comércio internacional e desenvolvimento de mercados a nível mundial. As três primeiras conferências foram realizadas na Ásia, organizadas pela organização intergovernamental asiática INFOFISH. Estas conferências foram realizadas na cidade de Kuala Lumpur, na Malásia, nos anos de 2001, 2007 e a última em 2010, ocasião em que participaram 240 delegados de 34 países.

Panorama da AQÜICULTURA: Quais as instituições envolvidas com a realização do evento na cidade do Rio de Janeiro?
Roland Wiefels: São quatro as instituições que se encontram mobilizadas para o pleno êxito da Conferência Mundial de Tilápia: duas instituições internacionais, sendo a FAO a nível mundial e INFOPESCA a nível latino-americano e caribenho, e duas instituições brasileiras, sendo o MPA a nível federal e o Governo do Estado do Rio de Janeiro (SEDRAP) a nível estadual.

Panorama da AQÜICULTURA: Por que foi escolhida a cidade do Rio de Janeiro para a realização dessa edição do evento?
Roland Wiefels: Primeiramente foi escolhida a América Latina para a realização da 4ª conferência, em 2013, em reconhecimento ao forte desenvolvimento desta região, tanto na produção quanto no consumo e no comércio internacional desta importante espécie aquícola. Em seguida a escolha recaiu sobre o Brasil, tendo em vista o desenvolvimento já alcançado pelo país nestes últimos anos e o seu fortíssimo potencial de crescimento, tanto no âmbito da produção como no do mercado. Finalmente, no Brasil, a escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede do evento se deu pela facilidade do seu acesso internacional, conjugada à sua infraestrutura logística para eventos desta natureza, sua atrativa imagem internacional, assim como a sua importância como centro de comércio e de consumo de pescado e como crescente região produtora de tilápia.

Panorama da AQÜICULTURA: Sob que aspectos a Conferência Mundial de Tilápia tem importância para o mundo, para o Brasil e para o Rio de Janeiro? 
Roland Wiefels: A tilápia é uma das mais importantes espécies da aquicultura mundial com uma produção de 3.497.391 toneladas em 2010 (FAO), com um crescimento médio de 10,4% ao ano no decorrer desta última década. O mercado mundial da tilápia é estimado em USD 14 bilhões ao ano. Trata-se de uma produção ainda basicamente asiática, mas em plena expansão, com a inclusão da América Latina e da África entre as regiões de maior desenvolvimento, tanto em produção quanto em consumo. A tilápia já constitui, de longe, a espécie de maior produção da aquicultura brasileira, tendo alcançado um total de 155.450 toneladas em 2010 (Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura, MPA-2010), ou seja, 40% da aquicultura continental brasileira, com um valor de mercado (varejo) de R$ 1,3 bilhões ao ano. O recente lançamento do Plano SAFRA prevendo um aumento da produção nacional de pescado da ordem de 700.000 toneladas num prazo de dois anos reforça o papel central da tilápia na forte expansão do setor aquícola nacional. O Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, se encontra numa estratégica etapa de acelerada modernização e expansão de sua produção de pescado e, em especial, de sua aquicultura. O boletim estatístico do MPA indica uma produção aquícola fluminense de 7.257 toneladas em 2010, na qual a tilápia tem uma importante participação, ou seja: um crescimento de 82% em comparação às 3.988 toneladas produzidas em 2008. Os esforços realizados pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em reforçar as suas instituições de desenvolvimento do setor (SEDRAP, FIPERJ…) estão dando os seus primeiros resultados e deixam almejar um vigoroso desenvolvimento setorial no Estado, em questão de poucos anos. Neste contexto, a realização de uma Conferência Mundial de Tilápia no Rio de Janeiro reveste uma importância estratégica em qualquer das escalas observadas: mundial, latino-americana, brasileira e fluminense.

Panorama da AQÜICULTURA: Quais os principais enfoques da Conferência Mundial de Tilápia?
Roland Wiefels: Dois enfoques principais, o enfoque de estratégia empresarial, comércio internacional e desenvolvimento dos mercados da tilápia, que não impede que também sejam abordados temas de desenvolvimento tecnológico de maior impacto no desenvolvimento do setor, e o enfoque do crescimento da aquicultura e dos mercados da tilápia na América Latina, com as experiências empresariais e de fomento dos principais países produtores da região. As experiências latino-americanas serão complementadas com apresentações do desenvolvimento da aquicultura da tilápia nos principais países produtores da Ásia e da África. Estamos prevendo que cada apresentação será de 40 minutos, com 10 minutos mais de perguntas e respostas.

Panorama da AQÜICULTURA: A realização de um evento mundial desta natureza inclui a definição de vários parâmetros e de um cronograma bastante estrito. Como está a logística da Conferência? 
Roland Wiefels: A data do evento, de 16 a 18 de setembro foi definida em função do calendário mundial de eventos do setor da pesca e da aquicultura. Naturalmente, também se considerou o apertado calendário de grandes eventos de 2013 na cidade do Rio de Janeiro. O local do evento está sendo definido em função das possibilidades de auditórios para 600 ou mais pessoas, em uma área agradável, com facilidades hoteleiras e de fácil acesso na cidade do Rio de Janeiro. A definição e o convite aos palestrantes têm se realizado concomitantemente à preparação do programa da confêrencia, levando em consideração os enfoques e os temas que serão apresentados, assim como o conhecimento e a notoriedade internacional dos interventores. Naturalmente esta definição também considera a disponibilidade das pessoas convidadas. Os palestrantes, assim como os participantes de uma maneira geral, se exprimirão em inglês, espanhol ou português, tornando necessária a tradução simultânea nestes três idiomas.

Panorama da AQÜICULTURA: De que formas o evento esta sendo difundido?
Roland Wiefels: Entre os meios de divulgação, além da revista Panorama da AQÜICULTURA contamos com as publicações da “rede INFO”, incluindo os boletins INFOPESCA e a revista INFOPESCA Internacional, assim como as publicações de INFOFISH na Ásia, de INFOPECHE na África, de INFOSAMAK nos países árabes, de EUROFISH na Europa, INFOYU na China e GLOBEFISH/FAO numa escala global. No limite das informações disponíveis, esta divulgação já de 2013.

Panorama da AQÜICULTURA: A Conferência Mundial de Tilápia prevê a realização de eventos paralelos?
Roland Wiefels: Esse é um evento no qual se reunirão autoridades de diversas instituições e países que permite sim, a realização de reuniões paralelas (MERCOSUL, Assembleia Geral de INFOPESCA, etc…). Seria interessante também que o local pudesse contar com espaço para estandes os quais poderão ser utilizados em parte pelas instituições organizadoras e em parte por empresas do setor. Mas, isso só será possível afirmar a partir da definição do local. Uma visita de campo a estabelecimentos fluminenses (ou eventualmente de outros Estados também) de criação de tilápia poderá ser organizada ao final do evento como atividade complementar.

Panorama da AQÜICULTURA: Quem deve ser atraído a participar do evento? 
Roland Wiefels: A atualidade e a importância do cultivo da tilápia, aliadas à acessibilidade da sede da Conferência, possibilitam a inscrição de numerosos participantes de três grandes origens: participantes dos grandes países produtores mundiais, principalmente asiáticos, incluindo também alguns africanos. Do lado dos grandes países consumidores se esperam participantes dos Estados Unidos e da Europa e, participantes latino-americanos, provenientes tanto dos principais países produtores (México, Colômbia, Honduras, Costa Rica, Equador…) como dos países onde a atividade se encontra ainda em fase inicial (Peru, Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai…). Esperamos também a participação de empresários e também de autoridades pesqueiras/aquícolas destes países. E, claro, a participação de brasileiros, tanto produtores quanto comerciantes de tilápia ou ainda provedores de insumos para a atividade (ração animal, redes, aeradores, etc.), além de pesquisadores e estudantes. Estamos imaginando um evento que atrairá um total de pelo menos 600 participantes.