Espírito Santo e Santa Catarina desenvolvem Experimentos com Robalo em Água Doce

O Robalo, peixe comum do litoral do Brasil, tem como limite o Estado de Santa Catarina e, embora exista uma espécie que pode alcançar até 25 quilos, normalmente quando adulto, proporciona um peso entre um quilo e 1,5 quilo. Classificado como tropical e subtropical, o robalo gosta de freqüentar águas estuarinas (região marinha que fica próxima às desembocaduras de rios) para procurar alimento e, a sua facilidade de transitar tanto em água salgada quanto em água doce tem despertado o interesse de pesquisadores capixabas que constataram a sua presença no Rio Doce, na altura do município de Colatina-ES, localizado a mais de 100 quilômetros do mar.


Para fomentar seus estudos com robalos Centropomus spp, a EMCAPER – Empresa Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, fundada com a fusão da EMCAPA, EMATER-ES e UFES adquiriu cerca de 6.000 alevinos de robalos Centropomus parallelus, com comprimento médio de quatro centímetros, provenientes de desova induzida realizada na UFSC – Universidade do Estado de Santa Catarina. Brevemente porém, a viagem de Santa Catarina para o Espírito Santo não será mais necessária já que, segundo a pesquisadora de Recursos Pesqueiros da EMCAPA, Márcia Vanacor, já foi estabelecido um acordo entre o Centro de Pesquisa de Barra do Sahy, a Associação dos Aqüicultores do Espírito Santo, UFES e a Prefeitura de Aracruz que possibilitará a reprodução de robalos no Estado.

Os alevinos catarinenses foram aclimatados da água salgada para água doce no laboratório da Fazenda Experimental da EMCAPA e repassados a oito produtores capixabas dos municípios de Alegre, Castelo, Guarapari, Serra, Aracruz, Colatina e Conceição da Barra para que sejam desenvolvidos os primeiros experimentos de campo com engorda de robalo em tanque-rede, viveiros e tanques de alvenaria. A Fazenda Experimental da EMCAPA propôs também ao governo do Espírito Santo o repovoamento de rios do interior, bastando para isso o interesse das autoridades públicas e a disponibilização de verbas para que sejam realizados estudos prévios.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, o laboratório da Barra da Lagoa já realiza anualmente a reprodução do robalo Centropomus paralellus e está tentando agora, o cruzamento com o Centropomus undecimalis, para fazer o híbrido. Com a ajuda da UFF – Universidade Federal Fluminense, já foram feitas as caracterizações genéticas das duas espécies e a formação de híbridos parece perfeitamente viável. Está programado para a época da próxima maturação sexual das duas espécies o congelamento do sêmen de C. undecimalis ou de C. paralellus para que, quando a fêmea de uma das duas espécies desovar, seja feita a hibridação entre ambas, visando melhorar a performance de produção e do manejo.

A “BMLP” Brazilian Mariculture Linkage Program está planejando também a instalação de tanques-rede para peixes marinhos em Bombinhas – SC. A base experimental de cultivo será povoada com robalos Centropomus paralellus fornecidos pelo Laboratório de Peixes Marinhos da Barra da Lagoa.- UFSC. Os cercados que serão utilizados em Bombinhas foram desenvolvidos na Memorial University em Newfoundland-Canadá, e consistem de uma gaiola flutuante quadrada com sete metros de cada lado e uma passarela de um metro de largura, instalada ao redor de toda a estrutura flutuante. Os quatro lados da estrutura são independentes e no meio de cada passarela existe uma articulação para que haja flexibilidade com os ventos e as ondas afim de se evitar problemas estruturais com as ondulações. As múltiplas gaiolas terão trincas, correntes e juntas amortizadas com pneus de carros. A rede será fixada acima da superfície da água com 8 pinos verticais de aço por gaiola. Cada rede terá o volume de 62,5 metros cúbicos (5 m x 5 m x 2,5 metros), uma baixa profundidade necessária devido a batimetria do local. As unidades serão montadas por pescadores locais com a supervisão da EPAGRI e da empresa Engepesca, fabricante de redes.