FDA autoriza pela primeira vez o uso de proteína bacteriana como ingrediente para dietas de peixes

A proteína seca da bactéria Gram-negativa Methylobacterium extorquens atingiu e excedeu padrões GRAS (Generally recognized as safe ou Geralmente reconhecido como seguro) do FDA (Administração de Medicamentos e Alimentos do governo dos EUA) para ser utilizada como um ingrediente em alimentos para peixes.

A empresa de biotecnologia KnipBio foi encarregada de obter a proteína bacteriana com a proposta de sirva para substituir em até 10% a farinha de peixe nas dietas de peixes cultivados.

A KnipBio chegou ao produto a partir da cepa (KB203) geneticamente modificada da bactéria. A proteína é obtida através de um processo de fermentação aeróbica usando matérias-primas apropriadas. A bactéria é cultivada em uma solução de sais minerais à qual o metanol é adicionado como fonte de carbono para o crescimento. Após a fermentação, a biomassa é centrifugada e a suspensão resultante é seca por pulverização.

Em nota, a KnipBio revelou que a proteína das bactérias mostrou à FDA que é nutritiva e apresentou numerosos testes de nutrição com peixes. Quando produzida sob um processo de fermentação, com equipamento industrial padrão, pode ser produzida em grande escala e com rastreabilidade. Além disso, são utilizados subprodutos de baixo valor, o que a torna “uma alternativa protéica segura, acessível e sustentável.

Esta é a primeira vez que esta proteína microbiana pode ser usada como ingrediente em rações para peixes nos Estados Unidos.

Para obter o GRAS, a empresa de biotecnologia teve que comprovar a inocuidade e eficácia nutricional da Methylobacterium extorquens com ensaios em peixes. Para isso mostrou os resultados obtidos em peixes da espécie Haemulon chrysargyreum, alimentados durante 41 dias com ração em que a proteína seca substituiu em 25% a farinha de peixe, sem fosse afetadas de forma significativa a taxa de mortalidade, comprimento, peso, taxa de crescimento específica e o teor de proteína do peixe, quando comparado com o controle.

Um outro estudo foi realizado utilizando a truta arco-íris. Nele foi incorporada a biomassa das bactérias para substituir 10% da farinha de peixes por um período de 12 semanas, sem consequências negativas em relação ao grupo controle.

Inadequada para Crustáceos

A proteína, porém, ainda não pode ser usada para alimentar crustáceos. Como os estudos realizados não são públicos, sabe-se apenas que o produto não atingiu os níveis esperados de desempenho. Em um teste com níveis de substituição de 12,6%, a perda de peso foi observada nesses animais.

A KnipBio informou também que já está trabalhando para obter um novo GRAS para uma nova aplicação de outra versão da sua proteína de bactérias, incluindo a obtenção de astaxantina, o pigmento carotenoide utilizado na salmonicultura para atingir a cor final do salmão cultivado.

Apesar de considerar necessário comprovar a inocuidade desses ingredientes, a empresa criticou em nota o fato de ter que esperar tantos anos pela autorização de uso de ingrediente com essas características. “Não podemos esperar vários anos cada vez que um novo ingrediente precisa ser revisado para estar disponível e finalmente aprovado. O ritmo de inovação, junto com a demanda do setor, são duas apostas muito altas “.

Fonte: Mispeces.com