FEPPISHOW 2018 reuniu o setor produtivo em torno dos principais temas da piscicultura mineira

A piscicultura, a pesca e as inovações tecnológicas do setor produtivo da cadeia do pescado, foram temas da 1ª Feira de Pesca e Piscicultura de Minas Gerais (Feppishow), realizada nos dias 29 e 30 de junho em Felixlândia, na região central de Minas Gerais. O evento foi uma iniciativa do município de Felixlândia, e contou com o apoio de entidades privadas e públicas, entre elas Emater-MG. Segundo a assessora técnica do órgão, Vanessa Gaudereto, a 1ª Feppishow foi um grande sucesso na medida em que abriu um espaço para que, uma vez ao ano, produtores mineiros e de outros estados possam trocar experiências, compartilhar conhecimentos, e conhecer as novas tecnologias voltadas para a produção de peixes. O Feppishow 2018 também cumpriu o papel de dar visibilidade à piscicultura, além de ter sido uma excelente oportunidade para fazer negócios. A feira contou com a presença de empresas vindas de diversos estados, que ofereceram seus produtos e serviços.

Crescimento Chinês

A Feppishow aconteceu num momento peculiar para os piscicultores da represa de Três Marias, divididos entre a “comemoração” pelo crescimento “chinês” da produção do município de Morada Nova de Minas e a dor de cabeça decorrente do impacto que isso teve no mercado. Em 2017, Morada Nova despescou 14.256 toneladas de tilápia, mais 68% em relação a 2016, e as despescas continuaram crescentes neste primeiro semestre de 2018! Na ocasião não havia, e ainda não há processadoras locais em número suficiente para abater todo esse volume e, como novos compradores não são conquistados da noite para o dia, os preços caíram de forma dramática. Há quem diga até que tilápias têm sido comercializadas com preço abaixo do custo de produção.

PEIXE MG

Um destaque do Feppishow foi a apresentação da palestra do piscicultor e coordenador da Câmara Técnica de Aquicultura do Estado de Minas Gerais, Leonardo Romano, que falou da criação da PEIXE MG, uma associação que representará os interesses dos piscicultores mineiros, nos moldes da PEIXE SP. Entre as várias atribuições, a PEIXE MG reunirá os principais pleitos para encaminhá-los, através de um canal de comunicação direto e permanente, aos setores governamentais responsáveis pela gestão da piscicultura no estado. Leonardo também comentou o decreto estadual que permite e estimula a municipalização do licenciamento ambiental. “Todos sabemos que o estado não tem braços suficientes para atender a tantas demandas na área de licenciamento. Se cada município tomar para si a tarefa do licenciamento, vai ser benéfico pra todos. No entorno de Três Marias, a piscicultura é a principal atividade econômica. Se os prefeitos fizerem um esforço para agilizar o licenciamento, certamente estarão dando um passo muito importante para efetivar o desenvolvimento econômico e social da região”, disse Leonardo. O coordenador da Câmara Técnica está otimista com os resultados da ação conjunta que está sendo preparada, envolvendo a Secretaria Estadual de Agricultura, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP) e a Agência Nacional das Águas (ANA), com o objetivo de solucionar o impasse dos parques aquícolas e das outorgas. Esse é o assunto que tira o sono dos piscicultores da região, e é o que obstrui o licenciamento da piscicultura. As consequências disso, todos conhecem.

Gestão da piscicultura

A palestra mais esperada do evento foi a do biólogo e médico veterinário mineiro, Marco Tulio Peixoto, convidado para falar sobre o tema “Gestão integrada de um empreendimento de piscicultura”. Marco Tulio é proprietário da 3D Aqua, empresa que desenvolve e comercializa produtos, equipamentos e serviços para aquicultura, e que, ao lado de Miguel Pizziolo, também é sócio da Multi Fish, principal fornecedora de alevinos para os piscicultores da região de Três Marias. Ao falar da relevância de uma boa gestão, Marco Tulio buscou o exemplo da situação atual dos piscicultores da represa, que se depararam com uma enxurrada de peixes no mercado, por conta do crescimento surpreendente de dois produtores da região, surpreendendo a todos e fazendo os preços despencarem. A boa gestão prevê que todos os empreendimentos locais tomem conhecimento, com a devida antecedência, da quantidade de alevinos que serão, ou foram estocados. Isso permite que a safra seja previamente conhecida, algo semelhante ao mercado futuro para algumas commodities. A partir daí o produtor fica livre para traçar estratégias e tomar decisões. A gestão integrada abordada por Marco Tulio é muito mais do que isso, e prevê aumento de produtividade, economia de tempo e custos, padronização dos processos, redução e controle de custos e maior controle do estoque.