Frio provoca mortalidade de peixes

Bagres africanos e tilápias cultivadas nos viveiros do estado catarinense sofreram com o rigoroso inverno deste ano. As perdas de pisciculturas e pesque pagues, segundo informa Sergio Tamassia (EPAGRI), chegaram a 2000 toneladas na primeira semana de agosto. Para Mauro Roczansky, Lider Projeto de Aqüicultura da EPAGRI, as perdas de tilápias e bagres africanos representam aproximadamente 15% da produção estadual. As regiões mais atingidas foram as do Vale do Itajaí, Joinville e a do Extremo Oeste, pois são nestas regiões que se concentra o cultivo das tilápias. Do total de perdas, aproximadamente 50% ocorreram no Vale do Itajaí onde estima-se que no Alto Vale tenham morrido aproximadamente 561 toneladas e no Médio e Baixo Vale 500 toneladas, perfazendo um total de 1.061 toneladas.

Tamassia acrescenta ainda que as causas da mortalidade das tilápia parecem estar associadas ao choque térmico, já que ocorreram mudanças bruscas de temperaturas de -5ºC/hora, agravado por uma possível intoxicação por amônia e sedimentos em suspensão. Dados coletados em viveiros com mortalidade mostram a ocorrência de amônio associado à estratificação de pH e acúmulo de sedimento no fundo, o que pode ter determinado a não ocorrência de zona de refugio para os peixes dentro dos viveiros. Na superfície, pelo fato do pH se elevar muito (>8,5) durante o dia, a amônia torna-se tóxica, e na parte profunda, com ocorrência de temperaturas mais baixas, é elevada a ocorrência de matéria orgânica em suspensão, que vai se depositando nas brânquias em função da grande concentração dos peixes nesta região.

A onda de frio causou também prejuízos intensos nos pesque-pagues catarinenses, que por fornecerem maior número de opções de pesca para os usuários, estocam também peixes originários de regiões tropicais como os pacus, tambaquis, cacharas, pintados, etc. Para estas espécies a mortalidade foi quase total. Os donos de pesque-pague, porém, deverão ser beneficiados com recursos para que possam reestocar seus peixes e voltar a abrir suas portas ao público. ACAq – Associação Catarinense de Aqüicultura junto a Secretaria do Desenvolvimento Rural e da Agricultura está solicitando que sejam liberados recursos para que os produtores possam adquirir novos alevinos, e desta forma reiniciarem suas produções.

São Paulo e Rio de Janeiro

O Estado de São Paulo e Rio de Janeiro também registrou mortalidades neste inverno. Foram casos isolados e tudo indica que o pior já passou. Os peixes que mais sentiram efeitos da baixa temperatura paulista foram os bagres, tilápias e tambacus. Perdas de matrinxãs foram registradas apenas em um pesque-pague, que contabilizou 4000 mortes. Já no Rio de Janeiro, foram registradas mortalidades de curimatãs e tambaquis, que não resistiram a mudança abrupta de temperatura ocorrida no Estado. Numa fazenda em Xerém, na Baixada Fluminense, um aqüicultor e editor de conhecida revista especializada em aqüicultura, perdeu 1 tonelada e meia de peixes no curto espaço de três dias.

Para a EPAGRI, dentre os cuidados a serem tomados para um melhor enfrentamento do inverno, destaca-se a diminuição da densidade de povoamento das tilápias no outono/inverno, a diminuição do aporte de matéria orgânica e o uso mais intenso de aeradores para circulação e mistura de água.