Fronteiras Fechadas

Carcinicultores conseguem barrar importação de crustáceos vivos ou congelados


Ameaçados de terem seus viveiros contaminados com os vírus WSSV (White Spot Syndrome Virus) e YHV (Yellowhead Virus), os criadores de camarões marinhos, através da ABCC – Associação Brasileira de Criadores de Camarões, enviaram em 16 de abril último ao Secretário Nacional de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura, uma correspondência solicitando, entre outras coisas, a imediata proibição das importações de ovos, larvas, pós-larvas, juvenis e adultos vivos de qualquer espécie de crustáceo de água doce ou salgada. Pelos mesmos motivos, com relação aos cistos de artêmia salina, solicitaram que somente fossem permitidas as importações de cistos provenientes do Great Salt Lake – USA e, completaram solicitando a imediata proibição de qualquer crustáceo congelado, de água salgada ou doce, para fins de reprocessamento e consumo, por também serem perigosos vetores desses vírus.

Finalmente, em 24 de junho último, após dois longos meses de espera e muita pressão por parte dos carcinicultores, um fax contendo o ofício circular de número 20 assinado pelo diretor do DDA – Departamento de Defesa Animal, foi enviado a todas as Delegacias Federais de Agricultura de todos os estados brasileiros, “suspendendo temporariamente a importação de ovos, larvas, pós-larvas, juvenis, adultos vivos de qualquer espécies de crustáceo de água doce e salgada, bem como de seus produtos e subprodutos procedentes de países onde essas doenças foram registradas”.

Adiantando-se ao DIPOA, que trata dos aspectos de inspeção de produtos de origem animal, o DDA ao mencionar “produtos e subprodutos” em seu ofício circular proibindo as importações, inclui também na sua lista os camarões congelados para consumo ou reprocessamento.

A medida não é por si só a solução para impedir a entrada desses vírus. Mas com ela, o Brasil toma medidas semelhantes àquelas tomadas pelos demais países que explicitamente prezam pela carcinicultura marinha. Além disso, e apesar da razoável demora para que as decisões fossem tomadas, a medida mostra uma deferência jamais vista pelo governo para com o setor até porque, a proibição das importações de camarões para consumo representa um pisão no calo de muita gente importante.