GESPE chama lideranças a Pirassununga

Nos primeiros dias de julho passado, o CEPTA/IBAMA em Pirassununga-SP abrigou o Workshop “Plano de Ação para o Desenvolvimento da Aqüicultura Nacional” que teve como objetivo estabelecer prioridades, metas, custos e um cronograma de trabalho a serem executados pelo Grupo Executivo do Setor Pesqueiro – GESPE, para os próximos cinco anos.

A busca de uma maior produtividade e sustentabilidade para a aqüicultura brasileira, entendendo-se por sustentável o desenvolvimento tecnicamente factível, economicamente viável, ambientalmente adequado e socialmente justo, colocou lado a lado em Pirassununga representantes de diversos segmentos que compõe o setor, tais como presidentes de diversas associações de produtores, empresários e representantes do governo. Após tomar conhecimento das necessidades da aqüicultura, considerando as mudanças que vem ocorrendo em todo país, o GESPE deu inicio a um processo de planejamento para estabelecer um novo modelo de gerenciamento para o setor. Isso porque cabe a ele propor à Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, uma Política Nacional de Pesca e Aqüicultura contendo um modelo de gerenciamento além de coordenar e implementar suas ações.

Durante o Workshop, praticamente todos os pontos que compõem o universo da produção aqüícola nacional foram revisados pelas lideranças presentes, como também foram identificados os muitos pontos de estrangulamento do desenvolvimento da atividade.

Após os três dias de amplas discussões, foram elaborados pelos participantes nada menos que 55 projetos, com respectivos orçamentos e cronogramas, todos encaminhados ao GESPE.

Modelo

Segundo Geraldo Bernardino, chefe do CEPTA/IBAMA e coordenador do Grupo de Aquicultura do GESPE, em nosso país já existem padrões técnicos razoavelmente bem definidos para sustentar a criação de organismos aquáticos dentro de bases empresariais. Não são mais as questões básicas que emperram o processo. É mais uma questão de ordenamento e de orientação da construção de todo um espaço emergente, com um traçado coerente para gerar resultados.

As grandes transformações que vem ocorrendo nos cenários nacional e internacional, como as mudanças nos subsídios governamentais, a abertura do mercado e a eliminação dos dispositivos de proteção ao setor produtivo nacional, exigem de fato um modelo de desenvolvimento que assegure os avanços competitivos para nossa aqüicultura e aqua-indústria. Ainda segundo Bernardino, a competitividade do setor vai depender da capacidade de estabelecer um elevado padrão de produtividade para tornar lucrativa a atividade e, por sua vez, a lucratividade vai depender da qualidade dos produtos e de sua diversificação. Frisou também que, além disso, deve-se ter uma preocupação explícita com o meio ambiente e os diversos ecossistemas, de forma a satisfazer as exigências da aqüicultura e do consumidor final.

Bernardino lembrou ainda, que os produtores de camarões, de moluscos, de pescado, de alevinos, plantas de beneficiamento e pesque-pague, estão alavancando cada um o seu próprio negócio, sem contudo interligarem-se produtivamente, multiplicando suas capacidades. Daí a necessidade de se conhecer o tamanho desse universo que cresce pontualmente. É preciso que todos entendam que atualmente a aqüicultura não é mais uma atividade em potencial, como era vista até há bem pouco tempo.

Assim sendo o GESPE, atualmente empenhado nessa transformação da atividade potencial/negócio rentável, precisa cumprir seu papel, se fortalecendo cada vez mais. Seus integrantes e parceiros, formadores de opiniões dentro e fora do grupo, precisam abandonar o conforto do estabelecido e a visão direcionada a seus feudos, para correr todos os riscos de compor uma linha de frente. Do contrário, corre o risco de torna-se mais um plenário vazio, fadado ao descrédito. Bernardino fez ainda questão de enfatizar que foi por acreditar nisso que aceitou com entusiasmo a coordenação do Grupo, elegendo para tal o caminho da parceria.