Hábito alimentar do camarão indica formulação ideal de dieta

Por: Enox Paiva Maia – Gerente da Marine


Historicamente, os camarões peneídeos (camarões marinhos do gênero Penaeus) tem sido considerados como onívoros (se alimentam de tudo). Entretanto estudos recentes referentes a análise do seu conteúdo estomacal revelaram a presença marcante de pequenos moluscos, poliquetas e anfípodas, como suas principais presas, evidenciando dessa forma uma performance alimentar predominantemente carnívora.

Apesar desse comportamento, sabe-se entretanto que muitos ingredientes de natureza vegetal, tais como microalgas e até mesmo a matéria orgânica em deposição no sedimento, podem partilhar de sua dieta natural, no entanto, num volume de participação dependente da espécie, localização, sazonalidade, entre outros.

Recentemente, alguns estudos identificaram que Penaeus merguienses podem conservar suas características alimentares inicialmente herbívoras, sendo capazes de se alimentar de microalgas, mesmo durante a fase inicial do seu estágio juvenil. Apesar desses estudos não terem analisado o comportamento alimentar dos exemplares da mesma espécie em estágios de desenvolvimento mais avançados, os mesmos autores presupõem que tal habilidade alimentar se modifica para tais estágios. Observações realizadas com pós-larvas de P. subtilis, desde a fase de PL-1, demostraram o hábito fundamentalmente carnívoro dessa espécie, alimentando-se de exemplares de oligoquetas, até dez vezes superiores ao seu porte, mediante processo de ataque em massa e a retirada constante de fatias.

Por outro lado, Wyban e Sweeney, 1991, através de estudos desenvolvidos em laboratório com Penaeus vannamei, observaram que mesmo em cultivos intensivos, a produtividade natural dos viveiros em termos de microalgas e bactérias presentes na coluna d’água, proporcionam um expressivo aumento de crescimento dos camarões.

Embora não precisando exatamente quais são os fatores e/ou organismos que estimularam o crescimento dos camarões durante o seu processo de cultivo, os autores citados evidenciaram em repetitivos estudos que o desenvolvimento desses crustáceos em águas claras representava menos de 50% do rendimento obtido nas culturas realizadas em viveiros, embora recebendo o mesmo tipo de dieta artificial.

Tais informações confirmam que o crescimento dos camarões pode ser perfeitamente otimizado em viveiros, sob altas densidades populacionais, em correlação direta com o desenvolvimento sustentado da comunidade microbiológica.

Suportes técnicos de tal natureza, estão sendo levados em extrema consideração por carcinicultores e industriais da área de produção de alimentos para camarões de todo o mundo, daí, sugere-se que nas tentativas de formulação de dietas para camarões marinhos atualmente levados em efeito no Brasil, leve-se em consideração o conteúdo da produtividade natural de cada região, como forma de se racionalizar o uso dessas dietas.