IBAMA divulga as estatísticas de 2004

Foram divulgadas em dezembro último, pelo IBAMA, as estatísticas da aqüicultura e da pesca para o ano de 2004, o segundo ano de atuação da SEAP – Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca.

Os números apresentados pelo IBAMA mostram que a produção total da aqüicultura brasileira (marinha e de água doce) no ano de 2004, sofreu uma pequena redução de cerca de 3%, passando de 278.128,5 t em 2003 para 269.697,5 t em 2004 (uma redução de 8.431 toneladas).

Fonte: IBAMA, 2005 / Aqüicultura Continental 2004 – Produção estimada
Fonte: IBAMA, 2005 / Aqüicultura Continental 2004 – Produção estimada

Foi observada uma queda de cerca de 12% na produção proveniente da aqüicultura marinha, que passou de 101.003 t em 2003 para 88.697 t em 2004, enquanto que a produção proveniente da aqüicultura de águas continentais passou de 177.125,5 t em 2003 para 180.730,5 t em 2004, o que representou um pequeno aumento de cerca de 2%.

A análise isolada dos resultados de produção proveniente da aqüicultura marinha, indica que a carcinicultura marinha foi a grande responsável pela queda na produção no ano de 2004, quando passou de 90.190 t em 2003 para 75.904 t em 2004, representando uma redução de aproximadamente 16%. Por outro lado, a produção de moluscos no ano de 2004, teve um aumento expressivo (cerca de 21%) em relação ao ano anterior, tendo passado de 10.807 t para 13.063 t em 2004.

Os resultados de produção da aqüicultura de água doce indicam um pequeno aumento de cerca de 2% na produção total de 2004 com relação ao ano anterior, sendo que este incremento, se deve ao fato de ter sido creditado erroneamente ao Estado do Rio de Janeiro para o ano de 2003, uma produção de camarões de água doce de 5.313 t. Esta produção certamente é equivocada, uma vez que o Estado do Espírito Santo, cuja área de produção desse camarão é bem maior que a do Rio de Janeiro, apresentou para o mesmo ano uma produção de 254 t. No caso da rã, a produção em 2004 (630,5 t) foi praticamente a mesma do ano de 2003 (626 t), com um aumento menor que 1%.

Fonte: IBAMA, 2005 / Aqüicultura Marinha 2004 – Produção estimada
Fonte: IBAMA, 2005 / Aqüicultura Marinha 2004 – Produção estimada
Regiões

Analisando os resultados de produção, de acordo com as regiões e unidades da federação, pode-se observar o seguinte:

REGIÃO NORTE

A produção total proveniente da aqüicultura de água doce passou de 14.085 t em 2003 para 17.531,5 t em 2004, um aumento de cerca de 25%. Este resultado foi decorrente do aumento da produção de peixes neste período, que passou de 14.073 t para 17.495,5 t, ou seja, um aumento de cerca de 24%. A produção de camarões de água doce nesta região teve um incremento de 218% no ano de 2004 com relação ao ano anterior, tendo passado de 11 t para 35 t. A produção de rãs se manteve estável em 1,0 t.

A produção proveniente da aqüicultura marinha na Região Norte sofreu uma redução de cerca de 25%, tendo passado de 324 t em 2003 para 242 t em 2004. Este resultado reflete a redução ocorrida na produção de camarões marinhos nesta Região, uma vez que não existe nenhuma produção de peixes e moluscos na Região Norte.

REGIÃO NORDESTE

Nesta Região a produção total proveniente da aqüicultura de água doce passou de 32.459 t em 2003 para 39.153,5 t em 2004, um aumento de aproximadamente 21%, graças ao incremento da produção de peixes. A produção de camarões de água doce, ainda que pequena, teve um aumento de 20% no ano de 2004 com relação ao ano anterior, tendo passado de 48 t para 57,5 t.

A produção de rãs na Região Nordeste teve um incremento de 25%, alcançando 7,5 toneladas no ano de 2004.

Os resultados referentes à produção total da aqüicultura marinha na Região Nordeste, indicam uma redução de aproximadamente 18%, passando de 85.858,5 t em 2003 para 70.695,5 t em 2004. Da mesma forma como ocorreu para a Região Norte, este resultado reflete a redução ocorrida na produção de camarões marinhos nesta Região, uma vez que a produção de moluscos se manteve estável (0,5 t) e a produção de peixes marinhos, erroneamente apontada para o Estado de Sergipe nos anos de 2002 e 2003, foi finalmente excluída do relatório do IBAMA, uma vez que não existe no país, até a presente data, cultivo de robalos, tainhas, carapebas, pescadas e meros, conforme havia sido apontado pelo IBAMA.

REGIÃO SUDESTE

A produção total proveniente da aqüicultura de água doce na Região Sudeste caiu de 35.723,5 t em 2003 para 30.723 t em 2004, uma redução de aproximadamente 14%. A produção de peixes neste período, se manteve praticamente estabilizada em 30.017 t. Já a produção de camarões de água doce nesta Região teve uma redução de aproximadamente 95% com relação ao ano de 2003, passando de 5.254 t para 270 t. Este dado, conforme mencionado anteriormente, reflete uma falha na coleta e apresentação dos resultados de produção, uma vez que a carcinicultura de água doce no Estado do Rio de Janeiro encontra-se atualmente resumida a apenas uma fazenda que opera com o camarão como a espécie principal, além de outras duas pequenas propriedades que cultivam o camarão em policultivo com peixes. Este erro foi corrigido na estatística do ano de 2004, que então atribuiu ao Estado do Rio de Janeiro, uma produção de 20 t. A produção de rãs na Região Sudeste, também teve uma queda de 3,5%, tendo passado de 452 t em 2003 para 436 t no ano de 2004.

No que se refere à produção total da aqüicultura marinha na Região Sudeste, ocorreu um incremento de aproximadamente 11%, passando de 884,5 t em 2003 para 984 t em 2004. A produção de camarões marinhos nesta Região, se manteve estável (370 t) enquanto a produção de moluscos cresceu cerca de 20% em 2004, alcançando 614 t.

REGIÃO SUL

Para a Região Sul, os resultados da produção total proveniente da aqüicultura de água doce indicam que houve uma queda de quase 10%, passando de 67.802,5 t em 2003 para 61.252 t em 2004. Este resultado reflete a produção de peixes, que passou de 67.800,5 t em 2003 para 61.252 t em 2004.

A produção total da aqüicultura marinha na Região Sul, teve um aumento de aproximadamente 22%, passando de 13.936 t em 2003 para 17.045,5 t em 2004. A produção de camarões marinhos nesta Região, cresceu cerca de 26%, passando de 3.644 t para 4.597 t em 2004. Já a produção de moluscos nesta Região, cresceu cerca de 21% em 2004, passando de 10.292 t em 2003 para 12.448,5 t em 2004. Ainda que pequena, a produção de camarões marinhos do Rio Grande do Sul destacou-se por ter crescido 566%, tendo produzido 3 t em 2003 e 20 toneladas em 2004.

REGIÃO CENTRO-OESTE

Para a Região Centro-Oeste, os resultados da produção total proveniente da aqüicultura de água doce indicam um crescimento de aproximadamente 10%, passando de 27.055,5 t em 2003 para 30.070,52 t em 2004. A produção de peixes de água doce, no entanto, passou de 26.890,5 t em 2003 para 31.884,5 t em 2004, o que representou um crescimento da ordem de 18% neste período.

IBAMA e a SEAP

Os dados de produção da aqüicultura e da pesca, recém divulgados pelo IBAMA, poderiam até ajudar na avaliação do segundo ano de atuação da SEAP. Entretanto, a redução das 8.431 toneladas na produção aqüícola de 2003 para 2004 não pode ser levada em consideração, visto que os dados de 2003 do IBAMA estavam inflados com 5.000 toneladas de camarões de água doce que, na verdade, não foram produzidas no Estado do Rio de Janeiro naquele ano.

Ocorre que as estatísticas recém divulgadas ganham o peso e a responsabilidade de serem os dados oficiais da aqüicultura do país, visto que foram geradas e divulgadas por uma instituição idônea, que nos últimos anos centrou a sua imagem na correção da condução da política de preservação dos recursos naturais. Por ser um órgão com este perfil, não causa nenhuma estranheza vê-lo acompanhar os dados da pesca extrativa como forma de avaliar a situação dos estoques naturais de pescados dos nossos rios e de todo o nosso litoral.

Soa estranho, porém, ver o IBAMA levantando e divulgando os dados da aqüicultura, da mesma forma que soaria muito estranho vê-lo levantando e divulgando os dados da bovinocultura e da avicultura brasileira. Ademais, a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP) possui em sua estrutura, uma Diretoria de Ordenamento, Controle e Estatística que poderia estar dando conta dessas informações, quem sabe até com mais precisão, a partir do contato direto com os aqüicultores, e não por informações repassadas por órgãos sem nenhuma ligação com a atividade aqüícola. Mas é assim que tem sido.

O arquivo PDF completo da estatística de 2004 pode ser baixado do site do IBAMA. E quem tiver curiosidade, irá constatar que nas 136 páginas do documento a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca é citada apenas uma única vez.