Inaugurado em São Paulo projeto da APT para cultivo de Macrobrachium e Tilápia Vermelha

Foram inauguradas oficialmente no último dia 22 de abril as instalações da Fazenda Vale do Etá pertencente ao Grupo Sopoupe, o mais ambicioso projeto brasileiro de aqüicultura para criação de camarões de água doce Macrobrachium rosenbergii e tilápia vermelha. Fica localizada a 230 quilômetros da cidade de São Paulo no Município de Eldorado Paulista, na bacia do Rio Etá, afluente do Rio Ribeira do Iguape, na Região do Vale do Ribeira – uma das regiões mais pobres do Estado de São Paulo.

Dos US$ 18 milhões exigidos pelo projeto, que estará concluido em três anos, US$ 15 milhões foram financiados pelo BANESPA com recursos do Fórum Paulista de Desenvolvimento.

O projeto foi totalmente elaborado pela Aquaculture Production Tecnology – APT, empresa israelense também responsável pelo projeto da Capiatã Aqüicultura que opera em Coruripe – AL.

Apesar de ambas terem sido projeto da APT, a tecnologia implantada na Fazenda Vale do Etá é mais atual que a instalada no projeto alagoano com diferenças significativas decorrentes dos avanços tecnológicos visíveis no laboratório de produção de pós-larvas, berçários e no processamento. A APT vendeu ao Grupo Sopoupe os projetos de engenharia, instalações e tecnologia e participará também com um percentual fixo sobre a produção

A Fazenda Vale do Etá foi projetada para operar em monocultivo com monosexos de camarões e tilápias vermelhas revertidas sexualmente e, no futuro, se houver necessidade, será feito o consórcio camarão-peixe.

No projeto trabalham cinco especialistas brasileiros na área de biologia e engenharia de pesca que contam ainda com o apoio de mais 190 pessoas.

ENGORDA

A área total de viveiros prevista em projeto é de 260 hectares. Atualmente estão em funcionamento 24 berçários primários de 380 m3, 12 berçários secundários de 200 m2, 5 viveiros de engorda com 4.000 m2 cada e 3 viveiros de 8.000 m2.

Os berçá-rios primários e secundários já estão em operação desde janeiro com pro-dução de alevinos de tilápia vermelha revertidos sexual-mente.

Os vivei-ros de engorda também estão sen-do construidos mas o andamento das obras está lento devido a chuvas intensas que vem caindo na região desde o final do ano passado. Mesmo assim, o término das obras de terraplenagem está previsto para o final de 1993.

Ricardo E. Efeiche, presidente do Grupo Sopoupe, proprietário da fazenda, pretende produzir 300 toneladas de camarões e 1.200 toneladas de tilápias já em 1994 com produtividade de 35 ton/ha/ano para os peixes e 3 ton/ha/ano para os camarões. Mas no pico da produção, com todos os viveiros operando dentro da rotina estabelecida, Efeiche espera obter anualmente 800 toneladas de camarões e 3.600 toneladas de peixes.

Para alcançar estas metas, a Fazenda Vale do Etá está trabalhando no momento com quatro empresas fabricantes de rações. Estão sendo testadas rações extrusadas e peletizadas, com concentrações protéicas diferentes, tanto para os peixes como para os camarões em sua diferentes fases de cultivo. O desempenho dessas empresas está sendo avaliado e dele dependerá a decisão de construir ou não a própria fábrica de ração também com tecnologia da APT.

Os custos de produção dos peixes e dos camarões ainda não estão totalmente estabelecidos, mas Ricardo Efeiche espera obter no mercado internacional US$ 8.00 por quilo de peixe e US$ 14.00/kg como preço médio para os camarões que irá produzir. Com relação ao mercado interno, Efeiche ainda não estabeleceu os possíveis preços de venda classificando-o como “altamente oscilante”. Referindo-se ainda a maturidade do mercado de camarão, o presidente do Grupo acha que este está em fase de grande consolidação porque cada vez mais os grandes compradores querem garantia de entrega e boa qualidade.

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PÓS-LARVAS E ALEVINOS

A partir de maio as maternidades, como são chamadas as instalações para produção de pós-larvas e alevinos, estarão funcionando e produzindo 2 milhões de PLs.

Salvador Francisco Siciliano, gerente desse setor, espera produzir 36 milhões de PLs de maio a outubro quando as três maternidades estiverem fun-cionando. Com relação aos alevinos, Siciliano informa que com as atuais matrizes (estão sendo esperadas mais matrizes vindas de Israel), será possível produzir um total de 7,8 milhões de alevinos, dos quais 4,2 milhões serão utilizados na fazenda.O restante será vendido, em primeiro lugar, à produtores da região que se associarão ao pólo que está sendo formado em torno do projeto para estimular a aqüicultura na Região do Vale do Ribeira.

O início da comercialização das pós-larvas e dos alevinos está programado para agosto e os preços somente serão estabelecidos após apuração dos custos de produção até agora desconhecidos.

ESTÍMULO

Alguns anos de pesquisas foram necessários para que o Grupo Sopoupe se decidisse pela aqüicultura. Afinal os resultados mostravam uma expansão muito rápida à nível mundial com um grande caminho a ser percorrido. Ricardo Efeiche recomenda aos interessados em investir na atividade que procurem uma boa tecnologia e estude bem a área onde será implantado o projeto.