Incubação Artificial:

Foto 2: Detalhe da coleta dos ovos em fase inicial

Técnica permite a produção de Tilápias do Nilo geneticamente superiores

Por: Sergio Zimmermann
Consultor, Professor e Coordenador do Núcleo de Pesquisas em Aquacultura e Hidrologia NPAH/ULBRA-RS
E-Mail: [email protected]


Nos últimos anos, junto com a intensificação e a multiplicação das criações de tilápias, houve uma melhora substancial nas técnicas de cultivo, no controle da qualidade de água, na qualidade das rações e no manejo da alimentação. Os desafios agora são outros, os produtores já começam a se preocupar com a diminuição das margens de lucro e estudam com maior cuidado as vantagens da aquisição de insumos de maior qualidade, principalmente alevinos que apresentem ganho de peso e rendimento de carcaça superiores. Como conseqüência, observou-se claramente na última safra uma “seleção natural” a favor das poucas larviculturas que investiram no uso de reprodutores selecionados e de linhagens superiores, bem como na moderna técnica de incubação artificial, única forma segura de se obter populações monossexo, praticamente 100% masculinas. Apesar dos custos de produção de um alevino incubado artificialmente serem superiores, os tilapicultores que investiram nesta “semente de qualidade superior” estão muito satisfeitos pelo aumento significativo em suas margens de lucro. Prova disso é a constante falta no mercado de alevinos de nilótica incubados artificialmente em contraste com a enorme oferta de tilápias produzidas pela técnica tradicional de coleta de nuvens.


Um Breve Histórico das Nilóticas no Brasil

As primeiras tilápias foram introduzidas no Brasil nos anos 50 e, da mesma forma que ocorreu em outras partes do mundo, eram das espécies mossâmbica, rendalli e zilli, zootecnicamente muito inferiores a nilótica.

A primeira introdução oficial da nilótica no país foi no início da década de 70, com um reduzido número de exemplares provenientes da África ocidental. Com o passar das décadas, descendentes destes peixes foram espalhados por todo o Brasil. Foi em meados da década de 90 que se começou a constatar que os estoques comerciais e institucionais de nilóticas praticamente não estavam mais puros, havendo a ocorrência de anomalias genéticas em 5 a 10% dos exemplares de algumas desovas. Esses animais apresentavam baixa velocidade de crescimento e rendimento de carcaça.

Em 1994, foram localizados em Israel, Florida, Filipinas e Tailândia, estoques de nilótica que apresentavam desempenho muito superior ao registrado pelos nossos melhores tilapicultores e, ao final daquele ano foi, solicitado ao IBAMA licença para realizar importação de uma população de nilótica para estudos genéticos. Em 1995, a situação de consangüinidade em grande parte dos estoques comerciais de nilóticas em diversas regiões do país, especialmente no oeste do Paraná, já atingia níveis alarmantes, cerca de 35% na maioria das desovas. O assunto começou a ser amplamente debatido em encontros e congressos, porém, a viabilização técnico-econômica do processo de importação ainda era um problema. Em maio de 1996 foi criada em Cascavel (PR) a ALEVINOPAR, cujo objetivo inicial foi viabilizar o processo de importação das tilápias-do-Nilo de elevado desempenho e a criação de um banco genético e de um programa para o uso dos reprodutores. O autor deste artigo foi convidado para coordenar esta importação junto a EMATER-PR, SEAB-PR, IAP-PR e ALEVINOPAR, que financiaram o processo. Após contatos com diversas instituições de pesquisa públicas e privadas que mantinham populações de ótimo desempenho zootécnico nos EUA, Israel, Filipinas e Tailândia, optou-se pelo Asian Institute of Technology (AIT) em Bangkok, Tailândia. Esta instituição foi a escolhida por ser a mais interessante sob o ponto de vista técnico e econômico.

Origem da Tilápia Nilótica Tailandesa (População Thai-Chitralada)

Segundo o AIT, na década de 40, no pós-guerra, o Imperador Hiroito do Japão foi presenteado com uma grande população de peixes de uma linhagem pura de Tilápias-do-Nilo trazidas de Alexandria, no Egito. O imperador japonês manteve esta linhagem de peixes em seu Palácio Imperial, tendo o cuidado de acompanhar, com técnicos de renomadas Universidades Japonesas, a seleção e melhoramento desta população, especialmente no ganho de peso, conformação corporal e docilidade. Vinte anos depois, no final década de 60, praticamente já não existiam populações de tilápias-do-Nilo em seu ambiente natural, uma vez que, nos anos 50, diversos governos da África e outras regiões do mundo promoveram introduções errôneas e massivas das tilápias aurea, hornorum, zilli, rendalli e mossâmbica nestes ambientes e o acasalamento entre as espécies acabou ocorrendo. Além das nilóticas do Japão, diversos aquários estocados na década de 40 acabaram sendo a única e limitada fonte de nilóticas consideradas puras para estudos genéticos posteriores desta espécie.

A linhagem de tilápia-do-Nilo introduzida na Tailândia foi doada pelo Imperador Hiroito nos final dos anos 60 e, nesses 30 anos, tornou-se a espécie de peixe cultivado mais importante da Tailândia. O estoque inicial foi mantido em viveiros no Palácio Real de Chitralada em Bangkok, onde existe uma excelente estação experimental. A partir dos estoques do palácio, foram produzidos alevinos para a distribuição em todo o país. A linhagem real foi adotada pelo AIT e passou a ser denominada de Chitralada ou Thai-Chitralada.

No momento está sendo concluído na Tailândia um estudo comparativo do desempenho zootécnico das linhagens Chitralada e do híbrido denominado de “Super-Tilápia”. Este híbrido foi desenvolvido pelo programa GIFT das Filipinas e a Noruega no ICLARM. Também neste programa foram desenvolvidos peixes “super-machos” (YY) em conjunto com a Universidade de Gales, Inglaterra e com a Universidade de Central Luzon, nas Filipinas. O mais interessante é que, até o momento, a linhagem Thai-Chitralada do AIT vem apresentado resultados superiores em termos de ganho de peso e conversão alimentar quando comparadas aos super-machos e as “Super-Tilápias” do ICLARM (Bhujel et al., 1998).

Importação da Tilápia Tailandesa e seu Desempenho a Campo

O processo desta segunda importação oficial de nilóticas ocorreu em setembro de 1996. Um grupo formado por representantes das instituições que financiaram o processo mais o autor deste artigo viajaram até a Tailândia para acompanhar todo o processo de seleção e embarque dos 20.800 reprodutores avós oriundos de 1.000 diferentes desovas de 20 famílias. A quarentena foi cuidadosamente realizada até dezembro do mesmo ano na Fazenda Araucária, Londrina, quando os animais foram distribuídos aos produtores associados da ALEVINOPAR.

O estudo genético comparativo das populações importada e local e ficou a cargo do Prof. Héden L. Marques Moreira da UEM (Universidade Estadual de Maringá), que está finalizando com este trabalho o seu doutoramento no Departamento de Genética da UFRGS. Os resultados indicaram que o grau de heterozigose é muito superior na população importada. Além disso, a UEM vem realizando testes comparativos entre populações juvenis de tilápias locais (comum) e tailandesa (Chitralada), constatando-se um desempenho superior a 50% em termos de ganho de peso diário em favor da população importada (Boscolo et al., 1998). Resultados semelhantes foram obtidos em outras pesquisas realizadas na ULBRA e na UNESP, porém ainda não houve a publicação dos mesmos. Ainda na UEM, Vargas (1999) constatou que existem diferenças, em favor da população tailandesa, em termos de resistência a patógenos. A maior resistência ao frio é outra característica verificada a campo em cultivos no oeste do Rio Grande do Sul e que é favorável à população asiática, um fato inesperado. A maior docilidade da linhagem Chitralada é de fácil constatação, provavelmente devido à constante manipulação dos reprodutores na fase de coleta de ovos (Little, 1996). A nilótica tailandesa apresenta uma forma arredondada, com um reduzido tamanho de cabeça, o que confere a esta linhagem um rendimento de carcaça superior.

Recentes cultivos em gaiolas flutuantes em São Paulo e Minas Gerais onde foi testado um programa de alimentação (Oshima, 1999), a substituição das nilóticas pela linhagem Chitralada diminuíram o período de cultivo de 8 para 4 meses e a conversão alimentar de 3:1 para 1,4:1. A população Chitralada foi desafiada em até 550 peixes/m3 e produziu nestas condições biomassas de 295 kg/m3 (animais com mais de 500 gramas em quatro meses). Em temperaturas médias de 26oC, alevinos com 2 cm (0,5 g) vem atingindo o tamanho comercial de 400 gramas em 116 dias. Em cultivos menos intensivos os resultados da Chitralada são igualmente impressionantes: em 8 peixes/m2 de viveiro foram obtidos em quatro meses animais com peso médio de 600 gramas. A uniformidade dos lotes de Chitralada incubados artificialmente chama a atenção dos produtores, que raramente constatam diferenças superiores a 10% dentro de um mesmo lote.

Talvez a maior realização desta importação de nilóticas na Tailândia tenha sido o aprendizado prático da tecnologia de incubação artificial criada pelo Dr. David Little no AIT. Trata-se da viabilização comercial de um processo que, desde o início da década de 90, já era tido em algumas instituições de pesquisa do Brasil como a única forma segura de realizar a reversão sexual de praticamente todas as fêmeas em machos. A principal vantagem da incubação artificial está na possibilidade de se obter larvas recém eclodidas que poderão sofrer reversão sexual de forma eficaz. Após a quarentena e distribuição dos reprodutores avós, foi realizado um treinamento na UNIOESTE (Toledo, PR) com a demonstração teórico-prática da técnica criada na Tailândia.

Atualmente são três as larviculturas brasileiras se destacam na utilização da incubação artificial de tilápias da linhagem Chitralada: no Paraná a Aquabel (Rolândia) e a Tupi (Guaira) e em Pernambuco a Aquamalta (Recife). Na safra de 98/99 as três larviculturas produziram juntas 14,7 milhões de alevinos, e a expectativa para esta safra que se inicia é um incremento de 100%. Portanto, estima-se que cerca de 25% dos alevinos de tilápias a serem comercializados na próxima safra serão incubados artificialmente.

Processo Tradicional da Coleta de Nuvens x Incubação Artificial: A Contribuição do AIT

A técnica tradicional de produção de alevinos de tilápias está baseada na estocagem de reprodutores em viveiros a céu aberto e coletas intermitentes de nuvens de larvas. A corte, a desova, a incubação, a eclosão, a larvicultura inicial e o recondicionamento dos reprodutores ocorrem num mesmo viveiro, sem controle por parte do larvicultor. Como desvantagens, o sistema apresenta um manejo complicado por coletas ineficazes, problema de retrocruzamentos (larvas crescem e acabam copulando com reprodutores), reprodutoras incubando acabam se esgotando fisicamente (alimentam-se somente dos próprios ovos que permanecem de 3-6 dias no interior de sua boca) e, por conta disso, acabam por reproduzir somente cerca de quatro vezes ao ano – baixando a eficiência reprodutiva pelo menor número de ovos eclodidos e menor freqüência reprodutiva. O sistema de coleta de núvens é ineficiente em termos de uso da terra, água e ração, e, mesmo com a seleção das larvas menores (técnica difundida por alguns pesquisadores norteamericanos), pode ocorrer a coleta e a seleção de fêmeas sexualmente diferenciadas (incapazes de sofrer a masculinização). Além disso, ao se eliminar com esta técnica os animais maiores, está se retirando uma grande quantidade de machos e animais com potencial genético superior. Somado a isso, animais maiores não são necessariamente os mais velhos (os que deveriam ser eliminados). O fato é que as taxas médias de alevinos machos neste sistema variam de 40-90% nas larviculturas comerciais brasileiras. Mesmo em instituições de pesquisas nacionais – onde o cuidado na freqüência de coleta de nuvens é maior e existe a troca periódica de reprodutores nos viveiros – o percentual de machos raramente ultrapassa 95%.

Na grande maioria das tilapiculturas brasileiras, é freqüente constatar o início de reprodução nos viveiros 3-4 meses após a estocagem dos alevinos. Esta reprodução prematura em animais de 30 a 40 gramas pode conduzir à ocorrência da indesejada superpopulação dos viveiros. Mas este não é o principal problema, uma vez que o produtor pode recorrer a estocagem de peixes carnívoros que eliminam as desovas indesejadas. A grande desvantagem em se utilizar essas populações é que a maturidade sexual prematura das fêmeas leva uma grande parte dos machos a formar ninhos e a buscar fêmeas ao acasalamento. A maturação das gônadas e a atividade do acasalamento consomem as energias que, numa população 100% masculina, estariam sendo utilizadas para o crescimento somático. Portanto, os animais em reprodução desaceleram seu crescimento e utilizam grande parte da ração para as atividades reprodutivas.

A incubação artificial, por outro lado, é uma técnica mais complexa e onerosa, dividida em cinco fases que serão a seguir caracterizadas. São elas: (1) condicionamento e acasalamento de reprodutores, (2) adaptação e incubação dos ovos, (3) absorção do saco vitelino em bandejas, (4) adaptação das larvas e treinamento alimentar em calhas e (5) reversão sexual em hapas.

No condicionamento dos reprodutores, é realizado um manejo de “descanso” das fêmeas, necessário para intensificar o número de alevinos produzidos e aumentar o controle daqueles animais que crescem em excesso. As reprodutoras são mantidas em hapas (tanques-rede feitos com tela de mosquiteiro) em densidades elevadas. Neste período de descanso de 10-14 dias, as fêmeas recebem um excesso de ração de ótima qualidade nos primeiros dias e a alimentação vai se tornando cada vez mais restrita até a véspera da troca das fêmeas aos hapas de acasalamento (foto 1).

Foto 1: Coleta de ovos. As fêmeas são concentradas no hapa de acasalamento (maior)  e tem seus ovos retirados passando para o hapa de descanso (menor)
Foto 1: Coleta de ovos. As fêmeas são concentradas no hapa de acasalamento (maior) e tem seus ovos retirados passando para o hapa de descanso (menor)

No acasalamento, as fêmeas permanecem em hapas especiais (maiores) durante 5 a 7 dias. A coleta e adaptação dos ovos é realizada nos hapas de acasalamento e as fêmeas retornam ao condicionamento (primeira fase). Portanto, são utilizados três grupos de fêmeas em rodízio (5 dias de trabalho para 10 de descanso ou 7 dias de trabalho para 14 de descanso). Os machos são estocados na proporção de 1-3:3 fêmeas e geralmente permanecem no hapas de acasalamento. Poderão eventualmente descansar. O condicionamento de reprodutoras melhora a sincronização das desovas, aumenta a eficiência da coleta de ovos pois as fêmeas se recuperam prontamente e reproduzem-se a cada 15 dias, ou 18 a 24 vezes por ano. Comparado à coleta tradicional, o sistema requer de 4 a 8 vezes menos reprodutores, alimentação e infra-estrutura. Como já foi anteriormente mencionado, a constante remoção dos ovos da boca das fêmeas (intervalos de 5 a 7 dias) também diminui as perdas daqueles ovos que serviriam de alimento à fêmea durante a incubação oral (foto 2 – na abertura do artigo).

Os ovos coletados de diferentes desovas são divididos em quatro lotes conforme a coloração (estágio) dos mesmos, sofrem desinfecção e lenta adaptação a uma solução especial utilizada no processo de incubação em circuito fechado, com reaproveitamento da água e do calor (foto 3).

Foto 3: Duas fases da incubação, fase inicial (esquerda), quando os ovos apresentam uma coloração creme-amarelada e fase final (direita) com ovos marrons eclodindo em larvas que são concentradas em bandejas
Foto 3: Duas fases da incubação, fase inicial (esquerda), quando os ovos apresentam uma coloração creme-amarelada e fase final (direita) com ovos marrons eclodindo em larvas que são concentradas em bandejas

Após a eclosão, que dura de 1 a 4 dias (depende do estágio em que os ovos foram coletados), as larvas caem em bandejas de alto fluxo.

A absorção do saco vitelino ocorre em sistemas de bandejas de alto fluxo de água, também com recirculação e reaproveitamento de água e calor. As larvas ali permanecem de 3 a 5 dias, até o início da alimentação.

A fase de adaptação das larvas e treinamento alimentar em calhas é opcional, e se dá com a gradativa substituição da água da larvicultura pela água do viveiro e do início do treinamento alimentar com uma ração comercial de 56% de proteína bruta, enriquecida com 17-alfa-metil-testosterona.

A última fase do processo é a reversão sexual (foto 4) propriamente dita, que acontece em hapas colocados em viveiros específicos destinados à reversão. As larvas permanecem de 28 a 35 dias nos hapas (dependendo da soma térmica da água – soma das temperaturas médias diárias) recebendo doses preestabelecidas da mesma ração utilizada no treinamento alimentar.

Foto 4: Após a absorção do saco vitelino as larvas são estocadas em hapas de reversão onde permanecem de 28 a 35 dias (dependendo da temperatura da água) recebendo dieta com hormônio masculino
Foto 4: Após a absorção do saco vitelino as larvas são estocadas em hapas de reversão onde permanecem de 28 a 35 dias (dependendo da temperatura da água) recebendo dieta com hormônio masculino
Resultados da Incubação Artificial

O acompanhamento de diversos produtores de alevinos pelo AIT demonstrou que a técnica de retirada dos ovos da boca das reprodutoras não pode ser muito sofisticada. Ao contrário, deve ser extremamente simples para evitar possíveis falhas de manejo.

Qualquer falha no cronograma do processo faz com que as taxas de masculinização caiam dos 99,8% médios (Bhujel et al., 1998). Observações do próprio AIT revelam que, apesar da tecnologia envolvida ser muito simples, o processo requer um manejo muito intensivo que só é possível em larviculturas que produzam mais de 5 milhões de alevinos/ano.

A sobrevivência durante a incubação artificial pode ser considerada muito elevada em duas das três propriedades brasileiras acompanhadas. Enquanto que na Tailândia as incubadoras eclodem 40% dos ovos estocados, as duas propriedades conseguem resultados médios sempre superiores a 90%. O bom desempenho das propriedades brasileiras se deve a um sistema de recirculação e reaproveitamento de água com o uso de biofiltros. Além disso, os ovos são tratados com fungicidas e a água das incubadoras é quimicamente condicionada para aumentar as taxas de eclosão dos ovos, diminuindo a ocorrência de ovos gorados.

A técnica de incubação artificial permite que, com pequenas adaptações, seja realizado um eficiente programa de seleção por famílias, importantíssimo no melhoramento genético da população de reprodutores, o que já acontece nas três larviculturas brasileiras que se utilizam da moderna técnica.

O uso de viveiros de acasalamento e reversão cobertos com estufas do tipo “tunel plástico” foi a solução inovadora encontrada para se trabalhar ao longo do ano nas propriedades do sul do Brasil.

Na fase de reversão, a sobrevivência obtida nas duas propriedades ao longo do ano é de 80%, superior aos 60% registrados na Tailândia. A explicação para isso está nas menores taxas de estocagem e na utilização de uma ração específica de excelente qualidade. Uma propriedade com menos de 1 ha de lamina d’água pode produzir mais de 1,5 milhões de alevinos/mês ou 18 milhões ao ano (Bhujel et al., 1998).

Enquanto no Brasil o preço dos alevinos das tilápias incubadas artificialmente é quase o dobro daquele das tilápias coletadas em núvens, na Tailândia essa diferença chega a três vezes (Bhujel et al., 1998).

Conclusões

Existem evidências muito claras de que a combinação do processo de incubação artificial com uma linhagem superior como a Chitralada poderá colaborar decisivamente numa nova fase de crescimento acelerado na tilapicultura brasileira. Produzindo resultados de reversão e crescimento consistentes nos cultivos mais intensivos, esta combinação apresenta as seguintes vantagens:

– taxas de reversão sexual consistentes e percentual de machos nos lotes superior a 99%;

 – lotes de alevinos homogêneos em termos de tamanho e crescimento (são da mesma idade, tamanho e linhagem);

– os resultados em termos de ganho de peso e conversão alimentar são os melhores registrados para uma tilápia;

– maiores rendimento de carcaça;

– maior docilidade;

 – maior resistência a patógenos e ao manejo intensivo;

– maior tolerância à diversos parâmetros extremos de qualidade de água (temperaturas, oxigênio dissolvido, etc.);

– plantel de origem conhecida, conduzido com cruzamentos controlados e seleção por famílias.

Como desvantagem, a incubação artificial apresenta maiores custos, porém, está ficando cada vez mais claro para o produtor que com a intensificação da piscicultura, a economia na “semente” está cada vez custando mais caro.


Referências

Boscolo, W.R.; Hayashi, C.; Soares, C.M.; Furuya, W.M. e Nagae, M.Y. 1998. Desempenho de machos revertidos de Tilápias-do-Nilo (Oreochromis niloticus), linhagens tailandesa e comum, na fase inicial. In: Resumos do Aqüicultura Brasil’98 (ed. Valenti, W.C. et al.), Recife, 2 a 6 de novembro de 1998. 248 p.

Bhujel, R.; Turner, W.; Little, D. 1998. Quality monitoring of Sex-reversed tilapia fry. Fish Farmer, September/October, 1998, p. 34-36.

Little, D. 1996. Comunicação pessoal.

Oshima, H.H. 1999. Comunicação pessoal.

Vargas, Lauro. 1999. Comunicação pessoal.