Indústria vai enlatar tilápias em Itaporã, MS

O setor produtivo comemorou em janeiro a notícia da implantação da primeira indústria frigorífica de pescados que irá produzir tilápia enlatada no Brasil. O anúncio foi feito pelo governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e pelo diretor executivo da Indústria de Pescado Frescomares, de Itajaí, Márcio Rabello. O empreendimento será construído em uma área de 73 hectares no município de Itaporã, um investimento total de R$ 20 milhões, com previsão de geração de 120 empregos por turno, com a expectativa de 3 turnos no auge da produção. 

Em entrevista ao Portal do Governo do MS, o Secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, disse que a instalação da indústria de tilápia enlatada consolida as ações do Governo para fomentar a piscicultura no MS. Lembrou que atualmente o estado é o maior exportador de tilápia e que a indústria em Itaporã, além de ser um empreendimento inédito no país, já é resultado da política de incentivos fiscais implantada pelo Governo por meio do Propeixe (Programa Estadual de Fortalecimento da Cadeia Produtiva do Peixe). Já Márcio Rabello, diretor executivo da Frescomares, afirmou que a receptividade e o diálogo transparente no município e no estado, assim como a política de incentivos fiscais, foi fundamental para a decisão de investir no MS. Em fevereiro do ano passado, a Frescomares inaugurou no Distrito Industrial de Mossoró – RN, uma unidade de processamento e congelamento de pescado, com a promessa de, posteriormente, trabalhar na produção e comercialização de enlatados de tilápia, panga e camarão.

A Frescomares não será a primeira empresa a enlatar tilápias no Brasil. Em 2003, o produtor Carlos Renato de Menezes, da Fazenda Barra do Sul, de Campos dos Goytacazes (RJ), procurou a fábrica de Conservas Rubi, em São Gonçalo (RJ), na tentativa de diversificar a comercialização da sua produção, cultivada em 30 hectares de viveiros escavados. Logo de cara os testes mostraram que a tilápia teria que ser filetada antes de ser colocada na lata, ao contrário da sardinha, que é enlatada inteira – sem cabeça, cauda e vísceras. As espinhas da tilápia, bem maiores que as da sardinha, não se desintegram adequadamente com o cozimento. A escolha recaiu sobre um filé, que deveria pesar entre 40 e 50 gramas, provenientes, portanto, de peixes pesando entre 250 e 300 gramas. Na ocasião, o desafio do piscicultor foi achar um manejo de engorda, cujos custos finais lhe assegurassem um lucro satisfatório e pudessem, indústria e fazenda, iniciar a operação. Em 2006 a Conservas Rubi passou a ser abastecida com tilápias criadas extensivamente, sendo alimentadas apenas na sua fase inicial. Após 5 meses de engorda eram depuradas e abatidas.

Na ocasião, o então diretor comercial da Rubi, Mario Purri, disse à Panorama da AQUICULTURA que a conserva da tilápia vinha para somar com outras linhas de produtos enlatados, e o fato de ser cultivada trazia a segurança da regularidade do abastecimento da matéria prima, diferentemente do peixe proveniente do extrativismo. A Rubi desenvolveu três opções de produtos com filés de tilápia: em óleo comestível, com alcaparras, e com pimenta. As latas com 130 gramas (drenado 83 gramas) eram vendidas a R$ 3,10, e vinham dentro de caixinhas de papelão sem destaque para a palavra “tilápia”, que aparecia timidamente escrita na embalagem.

A Conservas Rubi fechou em 2017, e quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre esse assunto, fica o convite para acessar o artigo da edição 95.