Influência das fases da Lua na Muda do Camarão

Por: Mozart Marinho-Jr.
Atlântico Maricultura
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Como acontece com outros crustáceos, os camarões sofrem mudas periódicas durante o seu crescimento. Mas a muda também pode estar associada a processos de regeneração e com o acasalamento. O corpo é revestido por uma carapaça rígida e articulada, que não consegue se expandir quando os animais têm que crescer. Assim, esta carapaça tem que ser frequentemente descartada. Esse processo é chamado de muda ou ecdise e, quanto mais jovens forem os camarões, maior sua frequência.

Camarões jovens chegam a mudar várias vezes na mesma semana, enquanto que indivíduos mais velhos podem chegar a passar mais de duas semanas sem que a muda ocorra. O processo de muda dura poucos minutos, e em dois dias a nova carapaça estará totalmente rígida. Esta nova carapaça, enquanto ainda mole, permite o crescimento, inicialmente, pela absorção de água. O endurecimento ocorre através da deposição de sais de cálcio, que são obtidos principalmente pela ingestão da antiga carapaça. O processo é exaustivo e deixa os animais mais vulneráveis, o que pode resultar em mortalidades.

No cultivo, a muda tem implicações no manejo. Pode haver redução no consumo de alimento nos dias imediatamente anteriores e posteriores à muda. Influi, também, sobre o cronograma de despescas, pois há sempre a necessidade de despescarmos quando o percentual de camarões em muda estiver abaixo do mínimo aceitável. Geralmente, valores inferiores a 5%.

Nos camarões, a muda é regulada por hormônios cuja liberação está associada ao fotoperíodo. O órgão X, responsável pela liberação destes hormônios localiza-se no pedúnculo ocular. Daí, acreditarmos que, como ocorre com vários outros ritmos biológicos, haja influência das fases da lua no processo. Este é um ponto bastante discutível e as opiniões são conflitantes.

Entre os criadores há relatos de que a maior incidência de camarão mole ocorre durante as marés de quadratura, isto é, quando a lua encontra-se em quarto crescente ou quarto minguante. Há, por outro lado, observações de muda em massa nos dias próximos (antes ou depois) tanto da lua cheia quanto da lua nova. Época das marés de sizîgia. E há, também, os que afirmam não encontrar qualquer correlação entre as fases da lua e a muda.

Por: Mozart Marinho-Jr. Atlântico Maricultura e-mail: momaju@gmail.com

Em um estudo realizado sobre os ritmos de crescimento do P. vannamei e do P. Schimitti por D. R. W. Griffith e J. M. Wigglesworth (Marine Biology 115, 295-199 (1993)), as conclusões foram que no Equador, o P. Vannamei criado a partir de Pls selvagens apresentava ritmos de crescimento semanal que coincidiam com a lua cheia e a lua nova. Já, esse mesmo camarão, levado para cultivo em viveiros na Colômbia, apresentava o mesmo crescimento cíclico, mas sem qualquer correlação com as fases lunares. Já o P. Schimitti não apresentou nenhum padrão cíclico de crescimento.
Analisamos algumas planilhas contendo dados relacionados a incidência de camarão mole com as fases da lua. São resultados de amostragens realizadas em diversos viveiros com o propósito de verificar se a textura dos camarões (P. vannamei) estava apropriada para despesca. Foram 80 observações de acordo com as principais fases da lua: cheia, quarto minguante, nova e quarto crescente. Após submeter os números a uma análise de variância (one way ANOVA), o resultado mostrou não haver diferença significante entre as médias, embora o percentual encontrado seja menor no quarto minguante e na lua nova como mostra o gráfico.

Podemos concluir que se a fase da lua fosse a única variável a influir na muda, o efeito seria o mesmo em qualquer localidade para a mesma espécie. A influência da lua ocorre de maneira indireta, ocasionando alterações na qualidade da água que variam de local para local, dependendo de como as grandes marés que ocorrem durante a lua cheia e lua nova venham a afetar cada estuário.