Intensificam os Estudos sobre o Pirarucu

Pesquisadores do CEPTA/IBAMA – Centro Nacional de Pesquisas de Peixes Tropicais, de Pirassununga, SP, em conjunto com pesquisadores da USP – São Paulo, UNESP – Botucatu, IBAMA/GOIÁS e Escritório do IBAMA em São Miguel do Araguaia, estão intensificando os estudos sobre a criação do pirarucu, um dos maiores e mais valorizados peixes da Bacia Amazônica. Este projeto conta com a parceria da Associação dos Pecuaristas do Vale do Araguaia.

Prevê-se que o término do projeto aconteça no ano 2005, quando deverá ser criado o Centro Nacional de Referência de Pirarucu. A primeira fase de execução do projeto constou na identificação de propriedades. Foram eleitas quatro propriedades pelo IBAMA/GO e CEPTA, por meio de reuniões e visitas, sendo que todas se encontram localizadas no município de São Miguel do Araguaia. Dentre os critérios para a seleção, levou-se em consideração o bom estado de conservação da propriedade, bem como a obediência às normas legais e possibilidade de virem a servir como modelo de gerenciamento ambiental.

A captura de alevinos fez parte da segunda fase do projeto, tendo sido capturados 528 exemplares, que foram condicionados a comer ração. A terceira fase foi a de estocagem desses alevinos em viveiros de 1000 m2, para verificação de seu comportamento, incidências de enfermidades e crescimento com a utilização de ração.

O pirarucu está entre os principais representantes da ictiofauna da bacia amazônica que, geograficamente, tem as bacias dos rios Araguaia e Tocantins como afluentes. Conhecido como “bacalhau brasileiro”, pertence à família Osteoglossidae possuindo uma carne de excelente sabor, principalmente quando submetida ao processo seco-salgada.

Segundo o pesquisador do Cepta, Paulo Ceccarelli, apesar da piscicultura de peixes carnívoros não ser muito aconselhável devido ao baixo rendimento em função de cadeias alimentares, a do pirarucu torna-se muito promissora, levando-se em conta sua extraordinária capacidade de desenvolvimento, podendo alcançar 10 kg em um ano. Aliado a isto, observa-se a sua grande rusticidade em ambiente tropical, e a boa qualidade de sua carne, cujo rendimento médio é de 57%. Para incrementar o lucro, complementa Ceccarelli, pode-se ainda aproveitar seus subprodutos de valor comercial, como é o caso do couro que, depois de curtido, é utilizado como matéria prima para vestuário e acessórios, a exemplo de bolsas, cintos, pulseiras, etc, representando 10% de seu peso. Além disso, as escamas e a língua podem também ser utilizadas para a confecção de artesanato. A carne do pirarucu possui ainda um alto teor de proteínas, superior às do salmão, sardinha e carne bovina, mesmo quando submetidas ao processo seco-salgado.

Para evitar que piscicultores menos avisados se empolguem e saiam cegamente investindo na criação do pirarucu, o pesquisador Paulo Ceccarelli ressalta que, mesmo com todo o potencial da espécie e, até mesmo apesar de pesquisas estarem sendo desenvolvidas, não existe tecnologia inteiramente dominada disponível para a criação do pirarucu, lembrando que o sucesso obtido até o momento foi no sistema extensivo, no consórcio com espécies forrageiras.

Segundo o pesquisador, o projeto de criação de pirarucu em cativeiro também permitirá um desenvolvimento social para as comunidades ribeirinhas, por meio da realização de cursos de criação de peixes e conservação dos estoques naturais. Neste aspecto, gerará uma nova fonte de renda às famílias dos trabalhadores. Paralelamente, será feito um trabalho de educação ambiental, no sentido de conscientizar a população da importância da preservação dos recursos naturais existentes, evitando assim a extinção deste que é o maior peixe de escamas do Brasil, complementa o Ceccarelli.