Jaboticabal reúne o setor produtivo ávido por novidades e parcerias

Aproximadamente 350 pessoas, a maior parte produtores, vindos de diversos estados brasileiros, participaram do IX Curso e Workshop de Sanidade em Piscicultura e da I FENAPIS – Feira Nacional da Piscicultura, realizado no Centro de Convenções da Unesp/FCAV, em Jaboticabal, SP entre os dias 13 e 15 de julho. O tema escolhido para esse ano foi “Novas tecnologias na produção de peixes: oportunidades de incrementar a atividade com excelência e seguridade”. Na abertura o público recebeu as boas-vindas da professora Irani Grassiotto, Coordenadora do Centro de Aquicultura da Unesp – Caunesp, uma das mais tradicionais instituições da aquicultura brasileira, responsável pela formação de muitos profissionais que hoje estão à frente das principais empresas de insumos do setor.


Ao abrir suas portas para o setor produtivo para a realização de um evento desta natureza, o Caunesp segue cumprindo com o seu papel de se aproximar ainda mais do setor produtivo para atender adequadamente as suas necessidades, direcionando melhor as suas pesquisas. Como nos anos anteriores, o evento foi organizado pela Profa. Fabiana Pilarski, do CAUNESP e Daniela Nomura Varandas, da Trouw Nutrition, uma das empresas apoiadoras do evento.

O Diretor do Instituto de Pesca de São Paulo, Luiz Marques da Silva Ayroza, representou o Secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim na solenidade de abertura do evento. Ayroza mostrou o porquê que é peça chave nas negociações envolvendo o setor produtivo e o governo do Estado de São Paulo. Sua gestão tem sido no sentido de aproximar o setor produtivo das demais instituições responsáveis pela regularização e licenciamento da piscicultura para que sejam atendidas as demandas do setor produtivo no sentido de licenciar e regularizar as pisciculturas. Ayroza informou que o governador Geraldo Alckmin prorrogou por mais quatro meses o Decreto do licenciamento das pisciculturas.

Francisco Medeiros, Secretário Executivo da Peixe-BR falou da importância da organização setorial para o mercado aquícola, e apresentou as principais demandas setoriais que a Associação Brasileira da Piscicultura está lidando no momento, com destaque para o licenciamento ambiental. Medeiros relatou um estudo encomendado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso, interessada em saber de todos os passos para licenciar uma piscicultura. Apesar do Estado do Mato Grosso ter uma legislação mais simplificada que São Paulo, foi constatado que são necessários 13 passos para se legalizar uma criação de peixes no estado. Por curiosidade, o mesmo estudo foi realizado para saber o que é preciso para licenciar a venda de dinamite. A surpresa veio ao se constatar que são necessários apenas quatro passos para licenciar um depósito para guarda e comercialização do explosivo. É mais simples, o tempo que se gasta é muito menor e é muito mais barato.

O Secretário Executivo da Peixe-BR também falou da impossibilidade do crédito, por conta da falta do licenciamento. Sobre isso, informou a todos que os recursos que o BNDES destinou este ano para financiar investimentos e custeio do setor aquícola, praticamente não foram utilizados. Por conta disso, a partir de setembro, os recursos da aquicultura serão redirecionados para financiar outros setores produtivos. Entra ano e sai ano e a produção de pescado brasileira segue sendo totalmente financiada com recursos do próprio bolso do produtor. Segundo Medeiros, é de se lamentar o que está acontecendo já que as condições oferecidas pelo BNDES são muito favoráveis. A partir de R$ 3 milhões, por exemplo, a solicitação do financiamento é protocolada diretamente na sede do banco, no Rio de Janeiro, sem que haja a necessidade de um banco intermediário. E a análise é bastante simplificada e rápida.

Sobre as pesquisas, Medeiros falou do esforço que a Peixe-BR vem fazendo para que os editais de financiamento de pesquisa lançados pelas agências fomentadoras sejam também direcionados para financiar a pesquisa aplicada. O objetivo é obter respostas mais imediatas para os problemas do dia a dia do setor. Na prática a Peixe-BR já se reuniu com as principais instituições, entre elas CNPq, Capes e Embrapa, e solicitou o empenho e o compromisso para que os próximos editais tenham recursos carimbados exclusivamente para uso em pesquisa aplicada. A Associação alega que grande parte dos equipamentos e insumos hoje utilizados foram “inventados” nos quintais das pisciculturas, e muitos deles deixam a desejar e carecem de melhorias de projeto e performance.

O Secretário Executivo da Peixe-BR também falou a respeito da Frente Parlamentar de Aquicultura e Pesca da Câmara dos Deputados, que tem na presidência o deputado Cleber Verde, presidente do PRB do Maranhão. A Peixe-BR entende que hoje essa frente só cuida da pesca, em razão do setor aquícola, em momento nenhum, ter se mobilizado nesse sentido, com exceção das lideranças da carcinicultura no Nordeste, com suas demandas bem específicas. A Peixe-BR entende que os piscicultores de cada estado devem encaminhar suas demandas por meio de políticos locais, que então farão o encaminhamento por meio da Frente Parlamentar.

A professora Maria Célia Portella apresentou o trabalho que vem desenvolvendo com a ajuda dos seus alunos da pós-graduação do Caunesp. Seus estudos mostram uma relação direta da temperatura da incubação dos ovos e da qualidade da alimentação inicial das larvas, na formação das fibras musculares. Para entender melhor seus estudos, Maria Célia explicou como se dá a hiperplasia, um processo fisiológico que cria as fibras musculares e que só ocorre nas fases de larva e juvenil, e o processo de hipertrofia, que ocorre no indivíduo adulto, quando a musculatura existente aumenta de volume. Portanto, quanto maior o número de feixes de fibras musculares formadas no período inicial de vida, maior será o crescimento muscular dos peixes, o que refletirá diretamente no peso final e na qualidade do filé. No estudo apresentado, larvas de tambaquis foram alimentadas de diferentes formas, desde o jejum (controle) até alimentos vivos de qualidade. Os juvenis provenientes de todos os tratamentos foram engordados até a idade do abate e, ao longo de toda a engorda o número de fibras musculares foi criteriosamente contado para avaliar as diferenças entre os lotes. Os resultados mostraram uma correlação direta da qualidade da alimentação (e também da temperatura) com um maior número de fibras e num volume muscular mais consistente. Os resultados sugerem que o produtor deve exigir do seu fornecedor de alevinos uma boa qualidade nutricional e boas práticas de manejo durante a larvicultura.

Ricardo Neukirchner da Aquabel mostrou a trajetória de sucesso da sua empresa até os dias atuais quando 75% da Aquabel foi adquirida pela Aquagen, empresa norueguesa líder na genética de salmão. Desde sempre Neukirchner apostou no melhoramento genético como forma de obter produtividade e uniformidade nas despescas, razão pela qual a Aquabel foi a primeira empresa brasileira e investir em matrizes melhoradas.

A evolução do cultivo em tanques-rede foi o tema abordado por João Scorvo Filho, pesquisador da APTA de Monte Alegre do Sul, SP. Scorvo contou como se deu a introdução dos tanques-rede de pequeno volume no Brasil, os primeiros modelos utilizados com sucesso pelos produtores brasileiros, inspirados nas experiências da American Soybean Association no cultivo de peixes na China. A introdução desses tanques de pequeno volume revolucionou definitivamente a tilapicultura brasileira e, com o passar do tempo, assistimos os volumes aumentarem, as escalas se multiplicarem até chegar os tanques de grande volume, como os utilizados pela salmonicultura em diversos países, que podem ser vistos mais frequentemente nas nossas represas.

Renato Morandi, da Geneseas, apresentou palestra sobre o manejo dos juvenis em viveiros escavados e a importância dessa fase na disponibilidade deste importante insumo para o bom planejamento de um empreendimento de médio e grande porte.

A engorda de tilápia em sistema fechado foi o tema abordado por Gustavo Bozano. O tema é pertinente diante da tendência de recrudescimento das restrições ambientais atuais e das dificuldades que aumentam para acessar água de boa qualidade. Essas, segundo Bozano, foram as mesmas restrições que levaram piscicultores de outros países a adotarem os sistemas fechados com recirculação de água (RAS na sigla em inglês). Na sua apresentação, Bozano detalhou as principais fases de tratamento da água e toda a engrenagem que faz com que esse sistema, sucesso em outros países, seja também adotado num futuro quem sabe não tão distante, pelos piscicultores brasileiros.

As instituições que representam a piscicultura brasileira, presentes ao encontro, aproveitaram o evento para uma reunião, mediada por André Camargo. Representantes do Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Rondônia e Goiás apresentaram os detalhes da situação do licenciamento ambiental em seus estados, o que mostrou claramente que o as coisas não vão bem entre o setor produtivo e os órgãos licenciadores estaduais, com a exceção do Paraná e Rondônia, onde o poder público estadual vem atendendo de forma mais eficiente às demandas dos piscicultores. Ficou ainda mais claro que é preciso uma mudança urgente nesse quadro, sob pena de haver um retrocesso na produção atual por conta do afastamento dos produtores, fato já observado em alguns municípios. Os participantes elaboram uma carta (reproduzida a seguir), encaminhada pela Peixe-BR ao Ministro Blairo Maggi, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), contendo as medidas emergenciais que precisam ser tomadas.

 


Jaboticabal, SP, 15 de julho de 2016
Senhor Ministro,

A PEIXE BR, é a entidade representativa da cadeia produtiva da piscicultura no Brasil, incluindo os produtores de peixes, de alevinos, frigoríficos, fábrica de ração, indústria de equipamentos e medicamentos. Em encontro ocorrido nos dia 13 a 15 de julho de 2016 em Jaboticabal durante a Feira Nacional da Piscicultura, as instituições representativas da piscicultura brasileira reuniram-se para discutir o momento atual de nossa atividade, agravada pela crise política instalada com a extinção do MPA e não estruturação do setor dentro do MAPA. Neste encontro foi elaborado o documento abaixo com as demandas Emergenciais do setor:

PESCA E AQUICULTURA
Sugerimos a imediata separação do setor de pesca do MAPA e encaminhamento a outro ministério que tenha um maior perfil de assistência as demandas deste setor. Em função do volume das demandas sociais que a pesca apresenta, sobrecarrega o MAPA em detrimento ao setor que produz, a aquicultura.

NOMEAÇÃO DO SECRETÁRIO
Sugerimos a imediata nomeação do secretário, um profissional comprometido com o setor produtivo, para que o segmento possa dar prosseguimento as suas atividades de forma legal. Hoje estão paralisados importantes projetos do setor por falta de um responsável legal no MAPA.

ÁGUAS DA UNIÃO
– Criação de uma “força tarefa” para a finalização dos milhares de processos que tramitam há vários anos.
– Celeridade nas análises e liberação de áreas aquícolas da União.
– Editar novo decreto de cessão que exclua o Ibama e transfira o processo de solicitação de outorga diretamente do solicitante para a ANA.
– Implantação de um outro modelo de gestão do processo que otimize o processo, inteligência digital.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL
– Atuar junto aos governos estaduais para aumentar a celeridade e simplificação dos processos de licenciamento ambiental para piscicultura
– Implantação do sistema auto declaratório eletrônico.

Eduardo Marchesi Amorim
Presidente da PeixeBR

 

A I FENAPIS – Feira Nacional da Piscicultura, que reuniu 30 empresas apresentando seus produtos e serviços, foi montada ao ar livre, o que permitiu a exposição de máquinas e equipamentos de grande porte. A TREVISAN levou seus aeradores e alimentadores automáticos permitindo que seus clientes pudessem conhecer de perto o funcionamento e as vantagens dos produtos. Os participantes também puderam conhecer de perto as selecionadoras de peixes e alevinos, bem como filetadoras de pequeno porte e a máquina para remover a pele dos filés, um sucesso de público atraído na hora da demonstração. A PREVET, empresa comprometida com programas sanitários em piscicultura e monitoramento da produção apresentou no seu estande um equipamento de inclusão de aditivos nutricionais e medicamentos na ração para peixes a partir de 1 mm.

Dentre as empresas participantes
da FENAPIS 2016 estavam:

Trouw Nutrition (NUTRECO)
MSD Saúde Animal
Prevet Sanidade Aquícola
Dognani Equipamentos
Ammco Pharma – Suiaves
Ceresco
Agroinova
Escama Forte
Piscicultura Toca da Tilápia
Revista Panorama da AQÜICULTURA
Associação Peixe BR
Revista Sea Food Brasil
Biomin
Rodrigo Hirose Piscicultura
Associação Peixe SP
Arenales Homeopatia
Biorigin
Piscicultura Portal do Sol
Imeve
Aquabel
Alltech
Fisher
Piscicultura Peixe Vivo
Spring Genetics
Fish Vet Group
FAI
Homeopatia Brasil
Piscicultura Aquaporto
Aquamérica Genética Superior
Phibro
Trevisan Equipamentos
Induscava Aeradores
Max Telas
Alambrados Top
Branco Máquinas
Weemac
Ag Metal
Grupo Colpani
Sansuy
Bio Fishe´S
Intaba