Lançamentos Editoriais – Edição 179

O mercado de peixes da piscicultura no Brasil: estudo do segmento de supermercados

Um estudo coordenado pela Embrapa acaba de ser lançado e revela um perfil do consumidor brasileiro que adquire peixes no principal canal de varejo do país, que são os supermercados. A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), ouviu mais de 1.350 pessoas de cinco capitais, sendo uma em cada região geográfica. O foco do estudo foram os consumidores que estavam em frente às peixarias dos supermercados, espalhados por diferentes bairros para que, dessa maneira, fosse alcançada uma boa representatividade em termos de públicos e de classes sociais.

A escolha das capitais para cada região se baseou em critérios socioeconômicos. Manaus se destacou por ser a cidade com maior expressão urbana, financeira e industrial da Região Norte, com uma população de mais de 2,1 milhões de habitantes; Recife por ser a cidade nordestina com maiores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Produto Interno Bruto (PIB); Curitiba por ser o município mais populoso da Região Sul, e um dos principais centros econômicos da região; Brasília, a terceira cidade mais populosa do Brasil, contando com quase 3 milhões de habitantes e alta representatividade para toda a Região Centro-Oeste e, São Paulo, principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul, com uma população de mais de 12,1 milhões de habitantes.

Os consumidores dessas capitais responderam a questionário que envolvia diversos aspectos, como a frequência de consumo de peixes, a origem do produto (água doce ou água salgada) e a identificação de espécies. Segundo os autores, a pesquisa identificou aspectos importantes como, por exemplo, a preferência dos consumidores pelo produto fresco e pelo filé e cortes. A pesquisa identificou também a consolidação da tilápia como um produto bem conhecido pelos consumidores de todas as regiões do país, sendo o principal produto da piscicultura nacional.

A pesquisa revelou também que, de maneira geral, os produtos da pesca extrativa gozam de uma melhor reputação junto aos consumidores em detrimento daqueles da piscicultura. Neste sentido, fica evidente a necessidade de melhor comunicar as qualidades do peixe de cultivo junto aos consumidores, de modo a informá-los quanto às vantagens desses produtos.

No que se refere aos gastos com a compra do pescado, a pesquisa identificou que, em média, os consumidores gastam R$ 158,00 por mês com peixes, sendo que São Paulo e Brasília apresentaram os maiores gastos mensais, com R$ 289,00 e R$ 193,00, respectivamente. Quando perguntados sobre qual o principal local de compra de peixe, 61% dos entrevistados afirmaram que o supermercado é a principal escolha, seguida por peixarias (15%) e feiras a céu aberto (11%).

 Os autores entendem que “este estudo constitui um ponto de partida para a realização de outras pesquisas abordando outras realidades e outros canais de venda, de forma a permitir ao setor produtivo construir uma sólida inteligência mercadológica, a exemplo do que já ocorre em outras cadeias de proteína animal. 

A publicação possui 40 páginas e pode ser baixada na íntegra no endereço https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/215540/1/CNPASA-2020-bpd25.pdf

A publicação é de autoria de: Manoel Xavier Pedroza Filho; Roberto Manolio Valladão Flores; Hainnan Souza Rocha; Haroldo José Torres da Silva; Daniel Yokoyama Sonoda; Vitor Bispo de Carvalho; Lucas de Oliveira; Fernanda Latanze Mendes Rodrigues