Lançamentos Editoriais #Ed. 187


Sofia 2022 – O estado da pesca e da aquicultura em 2022

Acaba de ser lançado pela FAO o SOFIA 2022 (do inglês The State of World Fisheries and Aquaculture). A publicação é disponibilizada a cada dois anos (nos anos pares) e é a mais completa compilação dos dados referentes a produção mundial de pescado, tanto da pesca como da aquicultura. O SOFIA, no entanto, traz os números da produção referente a dois anos anteriores, assim o SOFIA 2022 apresenta os dados da produção de pescado de 2020.

A versão que acaba de sair mostra que a produção aquícola global manteve sua tendência de crescimento em 2020, em meio à disseminação mundial da pandemia de COVID-19, embora com diferenças entre regiões e entre os países produtores de cada região. 

Em 2020 a produção total da aquicultura foi de 87,5 milhões de toneladas de peixes, crustáceos e moluscos para consumo humano; 35,1 milhões de toneladas de algas para uso alimentar e não alimentar; e, 700 toneladas de conchas e pérolas para uso ornamental, somando 122,6 milhões de toneladas em peso vivo cujo valor, a preços do portão da fazenda, foi de US$ 281,5 bilhões, representando um aumento de US$ 6,7 bilhões comparado com o valor de 2019. Curiosamente, a produção aquícola mundial de espécies animais cresceu 2,7% em 2020 em comparação com 2019, e essa foi a taxa de crescimento anual mais baixa dos últimos 40 anos.

O SOFIA 2020 traz os detalhes da produção de diversos países, e mostra os números surpreendentes da produção da China, que lidera com larga vantagem a produção de todas as espécies animais e vegetais.

Entre tantas informações, o SOFIA 2022 apresenta também o consumo global anual per capita de alimentos aquáticos, que cresceu  absurdamente nos últimos anos. Segundo a FAO o consumo per capita médio cresceu de 9,9 kg na década de 1960 para: 11,4 kg na década de 1970, 12,5 kg na década de 1980, 14,4 kg na década de 1990, 17,0 kg na década de 2000 e 19,6 kg na década de 2010, com recorde de 20,5 kg em 2019. Entretanto, as estimativas preliminares apontam para um consumo menor (20,2 kg) em 2020 devido uma contração da procura, seguida de um ligeiro aumento previsto para 2021. Por continentes, a Ásia teve o maior consumo de alimentos aquáticos com 24,5 kg per capita, seguido da Oceania  23,1 kg, depois Europa (21,4 kg), Américas (14,5 kg) e África (10,1 kg). No mapa apresentado pela FAO o Brasil está entre os países com média de consumo per capita entre 5-10 kg.

O SOFIA 2022 é uma leitura que agradará a todos que gostam de acompanhar de perto as mudanças no cenário mundial de produção e consumo de pescado, e pode ser baixado gratuitamente no endereço https://www.fao.org/3/cc0461en/cc0461en.pdf 


Influência da salinização da água sobre a vida útil de Artemia salina e seu efeito no desempenho de larvas de pirarucu (Arapaima gigas)

A Embrapa lançou, em abril último, a Circular Técnica nº 84 que traz os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi a criação de um protocolo para que o plâncton utilizado na alimentação de larvas do pirarucu (Arapaima gigas), pudesse ser substituído por náuplios da artemia (Artemia salina), um microcrustáceo cujos cistos podem ser facilmente adquiridos no mercado. Além de eclodirem com facilidade, os náuplios são extremamente nutritivos, resistentes e muito atrativos para larvas de peixes. No entanto, por serem animais de ambiente salgado, morrem em poucas horas quando colocados na água doce, ambiente em que tradicionalmente é feita a larvicultura do pirarucu.

A publicação Influência da salinização da água sobre a vida útil de Artemia salina e seu efeito no desempenho de larvas de pirarucu (Arapaima gigas), descreve um protocolo onde a água é salinizada o suficiente para aumentar o tempo de vida dos náuplios de artemia, sem que esse aumento da salinidade comprometa a sobrevivência das larvas de pirarucu nos estágios iniciais de desenvolvimento. A adição do Cloreto de Sódio (NaCl) prolonga a vida dos náuplios em até 36 horas, mantendo-os ativos, permitindo o aumento da alimentação dos peixes e reduzindo os problemas de qualidade da água relacionados à mortalidade desses náuplios se ficassem em água doce.

A publicação traz ainda a técnica que permite a eclosão dos cistos, e detalha a metodologia utilizada na pesquisa, que permitiu conhecer a salinidade ideal para ambos, microcrustáceos e larvas de peixes.

A equipe de pesquisadores que elaborou a Circular Técnica nº 84 foi composta por Jony K. Dairiki, Embrapa Amazônia Ocidental; Thyssia B. de Araújo Silva, Instituto Federal do Amazonas (Ifam); Claudia Maíza F. Epifânio, Universidade Nilton Lins/Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa); Ligia Uribe Gonçalves, Inpa; Francisco de Matos Dantas, bolsista do Inpa; e, Thayssa L. Pinto da Rocha, bolsista Embrapa. A circular pode ser obtida no endereço https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1142831/1/CircTec84.pdf


Produção de alimentos aquapônicos em pequena escala – Cultivo integral de peixes e plantas

O documento técnico disponibilizado pela FAO aos interessados em construir um sistema de aquaponia em pequena escala descreve todos os componentes de uma unidade aquapônica. Segundo os autores, o artigo técnico destina-se não só às pessoas que trabalham como extensionistas agrícolas, aquicultores, organizações não governamentais, cooperativas e empresas, mas a todos os interessados no tema.

A publicação dividida em nove capítulos e nove apêndices destaca o conhecimento atual sobre esses sistemas aquapônicos e, a partir de uma breve introdução à aquaponia são abordados temas como os parâmetros de qualidade da água, quando são descritas as faixas de tolerância para cada organismo, os cinco parâmetros de qualidade da água mais importantes (oxigênio, pH, temperatura, nitrogênio total e dureza da água); bactérias em unidades de aquaponia; plantas em sistemas aquapônicos; peixes em aquaponia. Os autores também descrevem fontes de água para unidades de aquaponia (chuva, aquífero, córrego ou municipal, filtrada), manipulação de pH e teste de água.

Os autores oferecem ao leitor um projeto de uma unidade de aquaponia que inclui os critérios para a seleção de locais para a implementação de sistemas aquapônicos, a estabilidade do terreno, exposição ao vento, chuva e neve, exposição ao sol e sombra, serviços municipais, estufas e estruturas de sombra. São abordados ainda os componentes essenciais de uma unidade de aquaponia, tanques de peixes, filtragem (mecânica e biológica), componentes hidropônicos, movimento da água, aeração, tanque de depósito e muito mais. Além disso, os interessados na atividade verão orientações sobre gestão e resolução de problemas em sistemas aquapônicos, tema de particular importância para os produtores que gerenciam sistemas aquapônicos porque apresenta cálculos e proporções de componentes, novos sistemas aquapônicos e gerenciamento inicial e práticas de gerenciamento para plantas.

Fruto da experiência prática dos autores com esses sistemas de aquaponia comercial “Produção de alimentos aquapônicos em pequena escala – Cultivo integral de peixes e plantas” traz informações sobre hidroponia e cultivo sem solo e aquicultura, além de também apresentar uma breve história da tecnologia moderna de aquaponia.

A publicação se completa com nove apêndices que apresentam outros tópicos importantes: diretrizes para a produção de 12 plantas comuns em aquaponia; controle de pragas e doenças de plantas; controle de pragas e doenças de peixes; cálculo da quantidade de amônia e substratos de biofiltração para uma unidade aquapônica; fazendo ração caseira para peixes; principais considerações antes de montar um sistema aquapônico; análise de custo-benefício de unidades aquapônicas de pequena escala; guia passo a passo para construir sistemas aquapônicos em pequena escala e um livreto de referência rápida de aquaponia.

O Documento Técnico de Pesca e Aquicultura da FAO pode ser baixado no endereço https://www.fao.org/3/i4021es/i4021es.pdf