Liderança do Equador traz bons exemplos para o Brasil

Segundo o Banco Central do Equador, a indústria camaroneira este ano amargará uma queda de 30% em suas exportações se compararmos com 1992. Segundo o relatório anual Guia del Sector Camaroneiro 93/94, em 1992 a carcinicultura equatoriana apresentou um extraordinário desempenho com 115.151 t produzidas que totalizaram US$ 526 milhões em exportações, significando um aumento de 7% em relação a 1991, além de gerar 210.000 empregos diretos que hoje representam 6% da força econômicamente ativa daquele país.

Mas, reagindo às dificuldades produtivas enfrentadas em 1993, o setor se mobilizou para se fortalecer. Foi criado junto ao Congresso Nacional equatoriano, com direito a voto na câmara dos deputados, a Câmara Nacional de Aquacultura que, além do camarão, passará a estimular cultivo de moluscos e peixes marinhos como o linguado, a seriola entre outros.

CRESCIMENTO

A pesca extrativa de camarão no Equador em 1976 foi de 7.682 t enquanto a produção de viveiros foi de 1.318 t. A despeito do expressivo desmatamento dos manguezais, aliado a impressionante cifra de captura de pós-larvas selvagens, observou-se que em 1992, o desempenho da pesca extrativa foi de 12.795 t, ou seja, 67% superior ao ano de 1976, enquanto a produção de camarão de viveiros representou 115.151 t, correspondendo a um aumento de 8.736% no mesmo período, provenientes de 1.567 fazendas que somam hoje 133.336 ha. Dessa área, 63% são terrenos altos e 37% são terrenos baixos, correspondendo principalmente a áreas de mangues e apicuns.

O número de laboratórios de larvicultura no Equador chega a 343 unidades e apesar das dificuldades, ainda são capturadas de 12 a 18 bilhões de pós-larvas selvagens na natureza/ano.

A indústria camaroneira equatoriana conta com o apoio de 26 fábricas de rações e 95 indústrias de processamento e beneficiamento da produção de camarão.

TERRAS BRASILIS

Esses números merecem reflexão, pois o Brasil tem todos os predicados para seguir o exemplo do Equador, com a vantagem de não cometer os erros cometidos naquele país. Falta sobretudo vontade política (hoje sob suspeita em nosso país) e disposição do setor privado para superar as dificuldades inerentes a toda atividade pioneira.

Mas, curiosamente, essa falta de disposição não parece existir para alguns grupos da Espanha, Argentina, Equador e Taiwan que tem feito de tudo para se estabelecer como produtores no Brasil e enfrentam sérias dificuldades para isso.

Um exemplo é o grupo Sibra International Corporation, de Taiwan, que há cerca de dois anos vem tentando adquirir terras para implantação de um grande projeto de camarão e tem esbarrado em problemas que vão desde a intransigência especulativa da maioria dos proprietários até a legislação ambiental brasileira. O grupo recentemente demonstrou ao Govêrno do Estado da Paraíba a intenção de implantar 6.000 ha de cultivos em áreas adjacentes ao estuário do Rio Paraíba. Nessas terras deverá ser implantado um grande complexo camaroneiro com todos os elementos para uma operacionalização racional que, segundo estimativas do grupo, deverá exigir um investimento que chegará a US$ 200 milhões, com desembolso previsto para dois anos.