Maricultura Catarinense – Setor cresce 16,7% em 2011

Mais uma vez a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI) surpreende o setor aquícola ao divulgar, em 18 de julho, as informações relativas à produção da maricultura catarinense referente ao ano que passou (2011). Pela primeira vez no Brasil vemos informações desta natureza sendo divulgadas com tamanha rapidez e precisão. A Panorama da AQÜICULTURA divulgou recentemente, na sua edição número 128, as estatísticas relativas à produção de 2010 e agora, sete meses depois, tem o prazer de apresentar novamente os dados de produção, desta vez relativos a 2011. Os números apresentados a seguir mostraram um crescimento espetacular da maricultura catarinense, fruto da organização e da vontade política de estimular a enorme vocação do Estado.


Segundo os dados divulgados pelos pesquisadores do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Cedap/Epagri), a produção total de moluscos (mexilhões, ostras e vieiras) comercializados em Santa Catarina em 2011 foi de 18.253,8 toneladas, e representou um aumento de 16,75% em relação a 2010 (Figura 1). Atuou diretamente na produção um contingente de 695 maricultores, representados por 28 associações municipais e uma estadual, uma cooperativa e duas federações, distribuídos em 12 municípios do litoral, compreendidos entre Palhoça e São Francisco do Sul.

Figura 1. Evolução da produção de moluscos comercializados em Santa Catarina entre 1990 e 2011 (t)
Figura 1. Evolução da produção de moluscos comercializados  em Santa Catarina entre 1990 e 2011 (t)

 

Mexilhões

A comercialização de mexilhões (Perna perna) na safra 2011 foi de 15.965t, um aumento de 16,35% em relação à safra 2010 (Figura 2). Atuou na produção um total de 599 mitilicultores concentrados, principalmente, nos municípios de Palhoça (213), Governador Celso Ramos (109) e Bombinhas (93).

Figura 2. Evolução da produção de mexilhões comercializados por Santa Catarina entre 1990 e 2011 (t)
Figura 2. Evolução da produção de mexilhões comercializados por Santa Catarina entre 1990 e 2011 (t)

Os municípios que mais contribuíram para a produção total do Estado foram Palhoça, com uma produção de 9.700t, representando um aumento de 24% em relação à safra 2010 (7.820t); Penha, com uma produção de 2.616t, representando um decréscimo de 3,82% (2.720t); Bombinhas, com uma produção de 1.493t, representando um aumento de 59,51% (936t); e Florianópolis, com uma produção de 802t, representando um aumento de 23,57% (649t) (Figura 3).

Figura 3. Produção de mexilhões comercializados, por município, em 2011 (t)
Figura 3. Produção de mexilhões comercializados, por município, em 2011 (t)
Ostras

A comercialização de ostras (Crassostrea gigas) na safra 2011 foi de 2.285t, representando um aumento de 19,75% em relação à safra 2010 (1.908t) (Figura 4).

Figura 4. Evolução da produção de ostras comercializadas por Santa Catarina entre 1991 e 2011 (t)
Figura 4. Evolução da produção de ostras comercializadas por Santa Catarina entre 1991 e 2011 (t)

O número total de produtores de ostras no Estado passou de 121, em 2010, para 127, em 2011. Esse aumento foi provocado pela falta do produto na safra anterior, reaquecendo o comércio de ostras em 2011.

Os municípios que mais contribuíram para a produção total do Estado foram Florianópolis, com uma produção de 1.747t, representando um aumento de 18,28% em relação à safra 2010 (1.477t); São José, com uma produção de 235t, representando um aumento de 86,51% (126t); Palhoça, com uma produção de 186t, representando um aumento de 3,33% (180t); Biguaçu, com uma produção de 13t, representando um decréscimo de 50% (13t); e Governador Celso Ramos, com uma produção de 15t, representando um decréscimo de 11,76% (17t) (Figura 5). Considerando que todos esses municípios fazem parte da Grande Florianópolis e localizam-se dentro das Baías Norte e Sul, equivale dizer que essas baías são responsáveis por 96,1% da produção estadual de ostras cultivadas. A comunidade do Ribeirão da Ilha, no município de Florianópolis, destaca-se como a maior produtora de ostra, com 1.411t, representando 61,75% da produção estadual, seguida pelas comunidades de Santo Antônio de Lisboa, Cacupé e Sambaqui, que, juntas, produzem 336t, representando 14,7% da produção estadual.

Figura 5. Produção de ostras comercializadas, por município, em 2011 (t)
Figura 5. Produção de ostras comercializadas, por município, em 2011 (t)
Vieiras

A comercialização de vieiras (Nodipecten nodosus) na safra 2011 foi de 3,8t, representando uma redução de 26,9% em relação à safra 2010 (5,2t) (Figura 6).

Figura 6. Evolução da produção de vieiras comercializadas por Santa Catarina entre 2006 e 2011 (t)
Figura 6. Evolução da produção de vieiras comercializadas por Santa Catarina entre 2006 e 2011 (t)


O município de Penha liderou a produção, com 3,4t, representando 65,4% da produção estadual, seguido por Florianópolis, com 34,6% (Figura 7). O principal fator limitante para a consolidação dessa atividade produtiva é a indisponibilidade de áreas aquícolas com condições ambientais adequadas para o cultivo da espécie.

Figura 7. Produção de vieiras comercializadas, por município, em 2011 (t)
Figura 7. Produção de vieiras comercializadas, por município, em 2011 (t)
Estimativa econômica

A estimativa econômica da comercialização de moluscos na concha foi feita levando em consideração os preços médios praticados em Santa Catarina para o comércio de moluscos inspecionados e não inspecionados: ostras = R$ 7,42; mexilhões = R$ 1,64, e vieiras = R$ 41,50 (ver Tabela). A conversão da quantidade de ostras de dúzias para toneladas tem como base de cálculo a relação uma dúzia = um quilograma, e a conversão da quantidade de vieiras de unidades para toneladas tem como base de cálculo uma vieira (tamanho médio estimado de 7cm) = 80 gramas.

Estimativa econômica da comercialização de moluscos na concha, inspecionados e não inspecionados, com base nos preços médios praticados diretamente pelo produtor (sem recompra), nos 12 municípios do litoral catarinense, em 2011
Estimativa econômica da comercialização de moluscos na concha, inspecionados e não inspecionados, com base nos preços médios praticados diretamente pelo produtor (sem recompra), nos 12 municípios do litoral catarinense, em 2011

O volume de produção de moluscos em 2011 proporcionou uma movimentação financeira bruta estimada em R$ 43.297.966,00 para o Estado.

Figura 8. Evolução da produção de camarões comercializados por Santa Catarina entre 2001 e 2011 (t)
Figura 8. Evolução da produção de camarões comercializados por Santa Catarina entre 2001 e 2011 (t)
Camarões

A produção estadual de camarões (Litopenaeus vannamei) cultivados atingiu, em 2011, um volume de 272,5t, representando um aumento de 76,6% em relação a 2010, (Figura 8). Atuou diretamente na produção um contingente de 18 produtores, com 56 pessoas envolvidas nas rotinas operacionais de 86 viveiros, que totalizaram 195,6 hectares. Entre os municípios produtores, São Francisco do Sul apresentou a maior produção, com um volume de 70t, representando 44,9% da produção total (Figura 9).

Figura 9. Produção comercializada de camarões, por município, em 2011 (t)
Figura 9. Produção comercializada de camarões, por município, em 2011 (t)

As informações de campo foram colhidas pelos extensionistas dos escritórios Municipais da Epagri e foram compiladas pelos pesquisadores Alex Alves dos Santos, André Luis Tortato Novaes, Fabiano Muller Silva, Robson Ventura de Souza e Sérgio Winckler da Costa, do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap/Epagri) http://www.epagri.sc.gov.br, e-mail: [email protected]