MPA Lança Boletim Estatístico da Pesca e da Aquicultura com os dados de 2010


EstatisticaFoto1O Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA acaba de publicar o “Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura – Brasil 2010”, contendo as informações do desempenho da aquicultura e da pesca em 2010 e está disponível na íntegra em PDF no endereço www.mpa.gov.br. No documento são disponibilizadas informações sobre a estatística pesqueira nacional do ano de 2010, incluindo a pesca extrativa e continental e a produção aquícola marinha e continental. Além disso, também são apresentadas informações sobre a estrutura dos pescadores no Brasil, balança comercial do pescado, bem como o consumo de pescado per capita aparente no Brasil. Nesta edição a Panorama da AQÜICULTURA publica as informações contidas no capítulo dedicado a produção aquícola nacional.

Panorama geral da aquicultura no Brasil

Em 2010, a produção aquícola nacional foi de 479.399 t (Tabela 1), representando um incremento de 15,3% em relação à produção de 2009. Comparando-se a produção atual com o montante produzido em 2008 (365.366 t), fica evidente o crescimento do setor no país, com um incremento de 31,2% na produção durante o triênio 2008-2010. Seguindo o padrão observado nos anos anteriores, a maior parcela da produção aquícola é oriunda da aquicultura continental, na qual se destaca a piscicultura continental que representou 82,3% da produção total nacional. A produção aquícola de origem marinha, por sua vez, apesar de ter sofrido uma redução de sua participação na produção aquícola total nacional em relação aos anos anteriores (22,8% em 2008 contra 17,7% em 2010), vem se recuperando após uma queda da produção verificada de 2008 para 2009.

Tabela 1. Produção total, continental e marinha da aquicultura no Brasil entre 2008 e 2010
Tabela 1. Produção total, continental e marinha da aquicultura no Brasil entre 2008 e 2010
Produção da aquicultura marinha

Entre 2008 e 2010, a aquicultura marinha apresentou um decréscimo de 5,1% relativo à sua participação na produção aquícola total nacional, contudo, no mesmo período a produção aumentou em 1.700,3 toneladas (Figura 1). Em 2010, a produção aquícola marinha nacional foi de 85.058 t, sendo o maior valor registrado nos últimos seis anos (Tabela 1 e Figura 1), indicando uma recuperação da produção após as perdas ocorridas em 2009 devido às oscilações de fatores climáticos que influenciaram a produtividade das áreas de carcinicultura da Região Nordeste.

Figura 1. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha entre 2008 e 2010
Figura 1. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha entre 2008 e 2010
Produção da aquicultura marinha por Regiões e Unidades da Federação

Comparando-se a produção aquícola marinha por região, o Nordeste continua sendo o maior produtor de pescado desta categoria (79,2% do total produzido) em 2010, assim como foi observado nos dois anos anteriores. Em seguida, concentram-se as regiões Sul, Sudeste e Norte, as quais somadas representam 20,8% do total produzido pela aquicultura marinha (Tabela 2).
A análise da produção por Unidade da Federação para o ano de 2010 demonstrou que o Rio Grande do Norte continua sendo o maior pólo produtor do Brasil, com 28.649,7 t, seguido pelos estados, do Ceará com 21.219,8 t e Santa Catarina com 15.636,2 t (Tabela 2 e Figura 2). Entre os 16 estados produtores de pescado de origem aquícola marinha, apenas Sergipe, Paraná, Alagoas e o Rio Grande do Sul apresentaram baixas na produção em 2010 em relação a 2009. Por outro lado, os 12 estados remanescentes apresentaram incrementos em sua produção em relação ao ano anterior, destacando-se os estados da Paraíba, Piauí, Maranhão e Santa Catarina, com 29,9%, 20,6%, 20,1% e 17,7% de acréscimo, respectivamente (Tabela 2 e Figura 2).

Tabela 2. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha entre 2008 e 2010 por Regiões e Unidades da Federação
Tabela 2. Produção de pescado (t) da aquicultura  marinha entre 2008 e 2010 por Regiões e Unidades da Federação
Figura 2. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha por Unidades da Federação
Figura 2. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha por Unidades da Federação
Produção da aquicultura marinha por espécie

Atualmente a produção aquícola marinha brasileira pode ser dividida basicamente em dois tipos: a malacocultura, que se refere à produção de moluscos e; a carcinicultura, que se refere à produção de camarões marinhos. Desses, a carcinicultura, que concentra a maior parte da produção nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, foi responsável por cerca de 80% do total produzido da aquicultura marinha entre 2008 e 2010. A malacocultura, que possui a maior parte da produção oriunda do Estado de Santa Catarina, é baseada no cultivo de três espécies: o mexilhão, a ostra e a vieira. Em 2010, apenas a produção oriunda da mitilicultura apresentou um incremento, passando de 11.067 t em 2009 para 13.723 t em 2010, o que representou um acréscimo 24% na produção neste período. Em contrapartida, a produção de ostras e vieiras sofreu baixas em 2010, destacando-se a vieira que apresentou um decréscimo de 62,9% entre 2009 e 2010 (Tabela 3).

Tabela 3. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha por espécie
Tabela 3. Produção de pescado (t) da aquicultura marinha por espécie
Produção da aquicultura continental

A produção aquícola nacional de origem continental aumentou de forma significativa no triênio 2008-2010, resultado de um incremento de aproximadamente 40% durante este período. Na transição de 2009 para 2010, embora tenha sido menos acentuado, o crescimento da produção também foi verificado, registrando-se um incremento de 16,9%, quando a produção passou de 337.353 t em 2009 para 394.340 t (Figura 3). O crescimento da produção desta modalidade pode ser atrelado ao desenvolvimento do setor, que por sua vez, se deu pela ampliação de políticas públicas que facilitaram o acesso aos programas governamentais existentes, tais como o Plano Mais Pesca e Aquicultura desenvolvido pelo MPA.

Figura 3. Produção de pescado (t) da aquicultura continental entre 2008 e 2010
Figura 3. Produção de pescado (t) da aquicultura continental entre 2008 e 2010
Produção da aquicultura continental por Regiões e Unidades da Federação

Em 2010, a Região Sul foi novamente a que assinalou a maior produção de pescado do país, com 133.425,1 t, respondendo por 33,8% da produção nacional desta modalidade. As regiões nordeste, sudeste, centro-oeste e norte, vieram logo em seguida nesta mesma ordem, registrando-se 78.578,5t, 70.915,2t, 69.840,1t e 41.481,1t, respectivamente (Tabela 4). A análise da produção nacional de pescado por Unidade da Federação para o ano de 2010 demonstrou que o Estado do Rio Grande do Sul continua sendo o maior pólo produtor de pescado do Brasil, com 55.066,4 t, seguido pelos estados, de São Paulo com 45.084,4 t e o Ceará com 38.090,9t (Figura 4 e Tabela 4). De uma maneira geral, todos os estados brasileiros apresentaram um incremento na produção de origem aquícola continental de 2009 para 2010. Nesse sentido, destaca-se o Rio de Janeiro que apresentou um incremento de 53% em sua produção (Figura 4 e Tabela 4).

 Figura 4. Produção de pescado (t) da aquicultura continental por Unidade da Federeção
Figura 4. Produção de pescado (t) da aquicultura continental por Unidade da Federeção
Tabela 4. Produções da aquicultura continental entre 2008 e 2010 por Regiões e Unidades da Federação
Tabela 4. Produções da aquicultura continental entre 2008 e 2010 por Regiões e Unidades da Federação
Produção da aquicultura continental por espécie

A Tabela 5 apresenta a produção aquícola continental discriminada por espécie entre 2008 e 2010. Em 2010, seguindo o padrão dos anos anteriores, a tilápia e a carpa foram as espécies mais cultivadas, as quais somadas representaram 63,4% da produção nacional de pescado desta modalidade. Contudo, também merecem destaque a produção de tambaqui, tambacu e pacu, que juntas representaram 24,6% da produção.

Tabela 5. Produção de pescado (t) da aquicultura continental por espécie
Tabela 5. Produção de pescado (t) da aquicultura continental por espécie