Notícias da Carcinicultura

Com a finalidade de suprir as necessidades internas da empresa e do processo de parceria integrada, o grupo Compescal inaugurou no dia 25 de abril, em Aracati-CE, a sua segunda Unidade Industrial de Pescado, com capacidade para processar 75 toneladas de camarões/dia. A solenidade de inauguração contou com a presença do governador Lúcio Alcântara e de representantes da Espanha, França, Estados Unidos e Japão, os principais países compradores do produto da empresa, que nasceu em Aracati há 20 anos, mas que atua, hoje, também na Bahia, Minas Gerais e Pará. A Compescal é fruto do trabalho visionário do agricultor e pescador, hoje empresário Expedito Ferreira da Costa, que apostando em tecnologia, tem sido responsável por cerca de 12% das exportações brasileiras. Para chegar a esse patamar, montou o mais moderno laboratório da América do Sul, que equipado com tecnologia de última geração e profissionais especializados produz 150 milhões de pós-larvas por mês, abastecendo não só a própria demanda como também criadores de todo o Brasil. Somente esta nova fábrica, gera 600 empregos diretos e cerca de 100 indiretos, sendo uma mão-de-obra na maioria formada por mulheres, o que assegura mais uma fonte de renda para famílias aracatienses. A carcinicultura, carro-chefe da produção, possibilita a exportação dos camarões para mercados da Europa, Ásia e América do Norte. No dia seguinte à inauguração, as novas instalações receberam a visita do Secretário Nacional da Pesca e Aqüicultura, José Fritsch, que reconheceu que falta organização das categorias, prometendo implantar uma política de incentivo ao setor, principalmente com abertura de linhas de crédito e melhor acesso aos bancos pelos pequenos produtores. A empresa já dispunha de uma unidade de processamento na cidade de Fortim que chega a beneficiar até 15 toneladas/dia.

Nas suas novas instalações a Compescal optou por utilizar equipamentos 100% nacionais adquiridos da Brusinox Indústria e Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda. (www.brusinox.com.br). Com a capacidade de processar 75 toneladas de camarões por dia, foram adquiridas duas linhas completas para descabeçamento; três linhas completas de classificadores; uma linha para congelamento I.Q.F. com glaciador (glaciamento contínuo); uma linha para higienização de pessoal; lavadora de caixas plásticas vindas das fazendas; e, uma linha para separar resíduos com transportadores helicoidais. Segundo Ambrósio Leonel Bacca, diretor da Brusinox, a empresa hoje é detentora de tecnologia compatível com as melhores encontradas no mercado mundial, razão pelo qual está se preparando para exportar seus equipamentos.

É grande a preocupação dos carcinicultores que andam, há tempos, com as contas justas demais. Vivem um momento especialmente delicado de preços baixos no mercado internacional, onde o quilo do camarão de 80/100 peças/kg está ao redor de US$ 3,20, um dos mais baixos da história. Ao mesmo tempo em que o real se desvalorizou, os carcinicultores assistiram impotentes o quilo da ração atingir os R$ 2,26, e o milheiro das pós-larvas alcançar os R$ 8,85. Com a queda do dólar em até 24%, porém, os produtores assistiram a ração baixar o preço em apenas 5%, uma redução igual ao último aumento. Para driblar esta situação, o carcinicultor e especialista Enox Maia sugere aos colegas considerarem a possibilidade de trabalhar com os camarões em densidades mais baixas, em cultivos trifásicos, com berçários, intermediários e engorda (ver artigo publicado na Panorama da AQÜICULTURA, edição 75), de forma a reduzir o consumo de ração e ao mesmo tempo conservar os mesmos índices de produtividade, através do incremento do número de ciclos anuais.

Segundo o ABCC (www.abccam.com.br), em 2002, 680 unidades de produção de camarão estavam em funcionamento no Brasil, somando 11.016 hectares de viveiros. Deste total 513 (75,4%) possuíam menos de 10 hectares, e juntos somavam 2.043 hectares, ou 18.5% da área alagada. Já os médios produtores (que possuem de 10 a 50 hectares), somam 130 unidades (19,12%), e juntos possuem 2.851 hectares de viveiros, ou 25,8% do total alagado. Os grandes produtores (mais de 50 hectares) são ao todo 37 empreendimentos (5,44%) que juntos somam 6.112 hectares, ou 55,48% do total alagado para o cultivo do camarão Litopenaeus vannamei.

Ainda segundo a ABCC, 96,5% das 60.128 toneladas de camarões produzidas no Brasil no ano passado foram engordados nos viveiros nordestinos, 3% nos viveiros da Região Sul, 0,4% na Região Sudeste e 0,1% na Região Norte do país.

As águas de março que caíram no sul do Rio Grande do Norte, trouxeram significativos impactos ambientais sobre a atividade no Estado. Segundo relato do carcinicultor Alexandre Wainberg nos municípios de Baía Formosa, Canguaretama, Goianinha, Tibau do Sul, Arês, Georgino Avelino e Nísia Floresta, vários viveiros foram arrombados devido a cheia, que neste ano se somou a maré de lua. Os estragos foram grandes, para a alegria dos pescadores locais.

O Maranhão é, possivelmente, o Estado com o maior potencial de cultivo de camarões no Brasil com mais de 150 mil hectares aptos ao cultivo, embora tenha somente modestos 200 hectares de viveiros hoje em operação, conforme reporta o engenheiro de pesca Alexandre Godinho de Oliveira. Para impulsionar a atividade o governo do Estado criou a Agência de Desenvolvimento da Pesca e Aqüicultura – ADEPAQ visando ordenar o setor e alavancar a produção. Ubirajara Timn e Aldemir de Castro Barros, fazem parte da equipe de consultores contratados para efetuar a estruturação da Agência.

Como prevenção à introdução do vírus de Taura e outras doenças será considerado ilegal cultivar Litopenaeus vannamei na Malásia após o dia primeiro de junho de 2003. A notícia não deixa de trazer também um alívio para produtores de vários países, incluindo o Brasil.

O Jornal do Comércio do dia 25 de abril, no folheto ComuniCampus, publicou uma pesquisa do Vice Reitor em exercício da UFPE, Professor Yony Sampaio, sobre a importância social do camarão cultivado. No artigo, intitulado “Cultura de camarão é fonte recorde de geração de emprego”, o professor Sampaio levantou que a atividade gera 1,89 empregos diretos por hectare e 3,75 empregos/ha se forem considerados os diretos e indiretos. Outra informação relevante sobre esse exército de trabalhadores, é que cerca de 90% deles têm apenas educação elementar. Segundo o Vice Reitor da UFPE, o camarão cultivado é a atividade agropecuária que mais gera a absorção de mão-de-obra, evidenciando-se a importância sócio-econômica da atividade. Em tempo: a fruticultura gera 2,14 empregos diretos e indiretos por hectare.

O Departamento de Fisiologia da UFRN está estudando o comportamento alimentar do Litopenaeus vannamei. Segundo Cibele Pontes, foi concluído, até agora, o estudo da distribuição de freqüências comportamentais ao longo do dia, e também o comportamento dos camarões frente à ração ofertada em bandejas pela manhã, à tarde, no início e final da noite. Esses dados estão sendo estatisticamente tratados e espera-se ter resultados a divulgar em junho. Uma das etapas posteriores da pesquisa será a utilização de diversas salinidades, freqüências alimentares e densidades populacionais, de forma a poder fornecer respostas para a questão da alimentação do ponto de vista do comportamento do animal.

As carciniculturas localizadas no estuário do Rio Curimataú estão recebendo ações de modernização tecnológica do Projeto de Desenvolvimento da Aqüicultura do Rio Grande do Norte. O trabalho está sendo feito por uma equipe multidisciplinar, incluindo engenheiros agrônomos, engenheiros de pesca, biólogos, técnicos e especialistas em aqüicultura. Existem cerca de 35 unidades de carcinicultura no trecho que vai do município de Canguaretama, passando por Baía Formosa, até Vila Flor. Destes, apenas os micro e pequenos empreendimentos serão beneficiados pelo projeto. Inicialmente as unidades terão que obter o licenciamento dos órgãos de defesa, controle e fiscalização do meio ambiente e, posteriormente, receberão ações de capacitação, implantação de unidades de tratamento de efluentes, programas de qualidade e bio-segurança, entre outros. A expectativa das instituições que farão o trabalho é legalizar 100 empresas num prazo de seis meses. Segundo o gestor do Programa Sebrae de Aqüicultura, Jonas Melquíades, com o licenciamento o produtor ficará apto a explorar a atividade racionalmente, sem correr o risco de ser multado ou ter sua atividade embargada. Melquíades lembra que o importador de camarão prefere o produto oriundo de unidades de produção licenciadas. De acordo com a legislação vigente, até o final deste ano, toda e qualquer unidade de produção aqüícola deverá estar legalizada perante as instituições de defesa, controle e fiscalização do meio ambiente. Os aqüicultores que não tiverem licença correrão o risco de serem impedidos de atuar na atividade.