Notícias e Negócios Internacionais – Edição 58

MALÁSIA – A exportação de tilápias vivas para Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Brunei se tornou mais barata a partir de agora. O MARDI – Malaysian Agricultural Research and Development Institute descobriu um novo meio de transporte para peixes vivos que, com o mínimo de água, permite a sobrevivência de tilápias durante um período de 24 horas. O método consiste em pré-condicionar os peixes a sobreviverem em temperatura baixa, que varia de 10 a 11 oC, antes de serem colocados em sacos com oxigênio e o um mínimo de água. Logo após, estes sacos são colocados em caixas de poliestireno e transportados por veículos climatizados. Segundo o Ministro da Agricultura da Malásia, esta forma de transporte vai ajudar a incrementar os lucros dos produtores por ser econômica e eficaz, além de garantir uma boa sobrevivência dos peixes.

CAMARÃO – A demanda de camarão na China foi muito grande durante o Ano Novo, porém a quantidade encontrada no mercado não foi o bastante para os consumidores. Já a importação de camarão no Japão voltou a crescer depois de dois anos de declínio. Contudo, ainda está bem abaixo da quantidade importada pelos EUA, que em 1999 bateu seu recorde de consumo de camarão. A razão desse problema que afetou não só o Japão como diversos países importadores da Europa, foi a desvalorização do Yen e do Euro comparado ao dólar. Porém, nos EUA há uma expectativa de queda nesta demanda para os próximos meses, após dois anos de consumo recorde, em função do esperado aumento dos preços, forçados pela oferta limitada de camarões no mercado internacional.

ICLARM – A sede do ICLARM – International Centre for Living Aquatic Resources Management, um dos principais centros mundiais de pesquisa de recursos aquáticos, foi transferida da cidade de Makati, nas Filipinas para Penang, na Malásia. Durante a cerimônia que formalizou a mudança, o Ministro da Agricultura da Malásia declarou que o estabelecimento deste centro no país ajudará no desenvolvimento do setor pesqueiro doméstico, e que, apesar de ser uma instituição auto-sustentável, o governo de seu país fará de tudo para assegurar que o centro continue funcionando com a mesma eficiência que vem funcionando desde a sua criação como centro de pesquisa em março de 77. O Banco Mundial de comprometeu a investir U$$ 2,5 milhões nas novas instalações da instituição.

USO DE EFLUENTES – A descarga de efluentes das fazendas de camarões já causaram prejuízos à própria indústria de cultivo em diversos países ao redor do mundo. Segundo um estudo realizado durante três anos por cientistas da CSIRO Marine Research da Austrália, a utilização de tanques de sedimentação para receber as águas antes de serem despejada nos estuários pode ser bastante efetiva na remoção dos nutrientes. Além disso, o policultivo nesses tanques utilizando peixes, moluscos e algas pode fazer com que os níveis de nitrogênio sejam reduzidos em pelo menos 75%, com o bônus extra das despescas. Os cientistas colheram uma tonelada da alga produtora de agar Gracilaria edullis em uma tanque de sedimentação de efluentes de 3.000 m2, cultivadas por um período de três meses. Segundo o Dr. Nigel Preston, líder do projeto, além da própria Austrália, em breve muitos países asiáticos já estarão utilizando esta tecnologia. A idéia é associar a carcinicultura australiana, que hoje já move U$ 12,8 milhões por ano, a práticas de preservação ambiental e com isso desfrutar de prestígio e preços diferenciados no mercado internacional.

BAGRE-DO-CANAL – Segundo dados fornecidos pelo U.S Bureau of Census e divulgados pela Aquaculture Magazine, as abatedouros do bagre-do-canal nos EUA processaram durante o mês de dezembro do ano passado um total de 21.900 toneladas, 11% a mais do que em dezembro de 98. A média do preço pago aos produtores foi de 71,6 centavos de dólar por libra (453 gramas). A quantidade de peixes já processados vendidos em dezembro foi de 10.160 toneladas, 6% a mais do que em dezembro de 98. As vendas de produtos frescos atingiu 3.930 toneladas e representou 39% do total das vendas. Quanto aos congelados, os peixes inteiros representaram 19%, enquanto os filés representaram 59%. O restante ficou por conta de empanados e demais produtos com valor agregado.

BANGKOK – A conferência Aqüicultura no Terceiro Milênio, realizada em Bangkok, na Tailândia, em fevereiro passado, contou com a participação de mais de 600 pessoas de cerca de 70 diferentes países, entre cientistas, industriais e órgãos governamentais e não-governamentais. No evento, comparado em importância somente a conferência realizada na cidade de Kyoto em 1976, foram debatidas diversas estratégias de mercado e cultivo para o melhor desenvolvimento da Aqüicultura no decorrer do terceiro milênio. Ao término do evento foi elaborada a “Declaração de Bangkok” com inúmeras recomendações para que os governos, setor privado e outras organizações implementem o quanto antes suas estratégias para o desenvolvimento do setor aqüícola dado ao rápido declínio da disponibilidade de pescados provenientes dos oceanos e das águas continentais e para tal, recomendam que sejam estimulados os vários sistemas de cultivo desde os realizados em viveiros construídos e m quintais até os cultivos industriais em larga escala.

CÓDIGO DE CONDUTA – Líderes tailandeses responsáveis pela maior indústria de cultivo de camarões do mundo assinaram um código de conduta para contra-atacar as acusações de práticas de danos ambientais e melhorar sua imagem no mercado internacional. A indústria tailandesa fatura anualmente mais de US$ 1 bilhão e 80% das fazendas são de pequeno porte, com menos de 1,6 hectares. Entretanto, a rápida expansão das fazendas de cultivo na Tailândia – de 45 para 72 mil hectares entre 1987 e 1993 – produziu impactos no ambiente costeiro e nas comunidades vizinhas, além de enfrentar problemas relacionados a doenças que resultaram em baixas produtividades. Através da declaração assinada em 14 de fevereiro deste ano, a indústria assume estar consciente dos problemas e se compromete a trabalhar ativamente para assegurar uma indústria sustentável para a Tailândia. O objetivo é produzir com qualidade e higiene de uma forma sustentável que promova benefícios ambientais, sociais e econômicos para as gerações presentes e futuras. Em tempo: os carcinicultores brasileiros já trabalham ativamente e muito em breve assinarão seu código de conduta.

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