Notícias e Negócios – Edição 06

7° ENAR – o 7° Encontro Nacional de Ranicultores – 7° ENAR – promovido pela Associação de Ranicultores do Estado do Rio de Janeiro – ARERJ -, será no Rio de Janeiro, de 6 a 9 de abril de 1992. Com a devida antecedência, os organizadores informam que os temas a serem abordados serão: nutrição, melhoramento genético, produção, manejo, instalações, sanidade, sistemas de criação, tecnologias de processamento e mercado. Em paralelo, serão realizados cursos, exposição de produtores, concurso de pequenos inventos (para incentivo à criatividade do produtor) e festival gastronômico. Para os interessados em enviar trabalhos, a organização do 7° ENAR informa que uma comissão analisará os mesmos e os autores dos cinco melhores trabalhos terão inscrição, passagem e hospedagem gratuitas.

GAIOLAS EM ITAIPU – Sob orientação do Departamento de Meio Ambiente Aquático da ltaipu Binacional estão sendo realizadas pesquisas com a criação do pacu, dourado, armado e piracanjuba, espécies nativas da região. O cultivo é feito em tanques-rede, de até 18 m3, com densidades de 50 a 75 quilos de peixes por m3. Atualmente, no Município de São Miguel do Iguaçu já existem criadores com até 300 m3 de engorda.

NOVO COMANDO – A Mar Doce do Nordeste entra pra valer no mercado de piscicultura, à frente Modesto Guedes.

PACAMÃ – O Lophiosilurus alexendrii, ou pacamã, está sendo estudado com grande interesse na Estação de Piscicultura de Três Marias, pela equipe do Dr. Yoshimi Sato. É um peixe de corpo achatado; carnívoro, pouco voraz e acima de tudo delicioso. Seus ovos são grandes e adesivos, sendo possível a retirada da massa de ovos para incubação e alevinagem. Esta parece ser a mais recente espécie nativa descoberta com grande potencial para piscicultura.

TROCA-TROCA – A Fazenda Cahlarão, em Jaboatão – PE, mudou de mãos e de nome chamando-se agora Fazenda Cristalino, de propriedade da Aquilim Ltda.

Leia-se Odilon Araujo e Luiz Otávio da Cunha – com 8 ha de berçários e engorda. Os novos proprietários pretendem estimular o policultivo com camarões de água doce e carpas. Faz parte dos planos da Aquilim a produção de alevinos de carpas chinesas e tambaqui.

NOVA ASSOCIAÇÃO – Acaba de ser criada a Assoc. Sul Matogrossensse de Criadores de Organismos Aquáticos ASMAQ. O Estado atualmente possui cerca de mil produtores que cultivam principalmente as espécies: pacu, curimbatá, piabuçu, tambaqui e carpas. A Associação deseja contactar indústrias interessadas em processamento de pescados e informa que existe linha de crédito para financiar frigoríficos para produtos da piscicultura. O presidente da entidade, Jaime A. Brun, pede que os contatos com a ASMAQ sejam feito através de correspondência para a Av. Américo Carlos Costa, 320 – Parque de Exposições Laucídio Coelho – Jardim América – Campo Grande – MS – 79720

AQÜICULTURA CAPIXABA I – Pesquisa feita pela Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária – EM CAPA – mostra que são exatos 102 criadores de camarão de água doce em todo o Estado, com área média de 1 ha para cada produtor. O apoio do Programa de Desenvolvimento da Carcinicultura no ES com o camarão M. rosenbergii “, elaborado pelo BANDESI EM CAPA, está voltado para financiamento de projetos com este camarão. Para melhor nortear a atividade, a EM CAPA analisa os dados coletados no “Projeto Diagnóstico do Cultivo de Camarão M. rosenbergii no ES”. Como se sabe, o Estado possui a segunda maior fazenda de criação do Brasil, um exemplo de trabalho racional bem executado, e pretende, a curto prazo, mostrar no mercado o seu potencial produtivo.

AQÜICULTURA CAPIXABA II – O Brasil estará presente a um dos mais importantes eventos divulgadores de novas tecnologias e manejos. Patrocinado pelo governo belga, será apresentado no próximo “Larvi 91″, pelo biólogo Miguel Boos da EMCAPA, o trabalho’ ‘Considerations about prawn culture activity at Espírito Santo State Brasil – after implanting of agovernmental hatchery”. A comunidade dos carcinicultores deseja o sucesso de Boos em Ghent e espera o seu retorno com as mais recentes informações técnicas que poderão, eventualmente, aumentar ainda mais a performance das larviculturas brasileiras.

PATOLOGIA – A Associação Brasileira de Patologia de Organismos Aquáticos ABRAPOA – acaba de lançar seu Boletim e exorta em editorial a. necessidade de intercâmbio de informações. Parabéns, esta é a grande sacada. Para contato com eles escreva para Rua Francisco Matarazzo, 455 – cep 05001 – São Paulo-SP. O presidente é o Agar Alexandrino de Perez. O próximo 11 ENBRAPOA – Encontro Brasileiro de Patologia de Organismos Aquáticos, será em Pirassununga, de 15 a 17 de outubro. O contato é com José F. Ribeiro Amato, na UFRRJ pela Caixa Postal 74.512 – cep 23851 – Seropédica – RJ.

CODEVASF, CÂMARA SETORIAL, IBAMA, CIRM E BLÁ, BLÁ, BLÁ – Alguns setores da aqüicultura brasileira ainda insistem em dar brilho às suas reuniões convidando ilustres (e velhos) funcionários (públicos) destas e de outras instituições. É aguardado o momento em que o empresariado aqüícola caia na real. É ou não é, afinal, a livre iniciativa que se deseja. Ninguém suporta mais o velho blá, blá, blá destes senhores. Ou será que isto dá certo e ninguém vê?

ABCC – A Associação Brasileira de Criadores de Camarão – ABCC – quer conhecer os carcinicultores brasileiros. Para isso, deseja contactá-los e agregá-los ao seu projeto atual de crescimento e troca de informações úteis ao desenvolvimento da carcinicultura. Não está brincando e divulga pelo correio, para os que quiserem, suas diretrizes e solicita adesão imediata dos produtores. Os interessados devem escrever para Robert Krasnow, seu ativo presidente, solicitando informações e ficha de inscrição. O endereço é Rua Flávio Maroja, 39 – cep 58023 – João Pessoa – PB.

PISCICULTURA FLUMINENSE – Mario Porto, ex-responsável pelo projeto de piscicultura da Sendas Agropecuária, vem apostando cada vez mais no mercado de peixe vivo. Porto acaba de ampliar suas instalações na Piscicultura do Estreito, aumentando em 1/3 sua área de engorda e colocou em funcionamento sua larvicultura.

CRIAÇÃO DO CLARIAS DESENVOLVE NA ÁFRICA DO SUL – O bagre africano (Clarias/azera e C. batrachus) tem ganho popularidade como espécie alternativa para cultivo. Nativo da África, esse peixe já encontrou adeptos em vários países. Sua grande resistência a altas densidades de estocagem e a sua capacidade de viver em ambientes pobres em oxigênio faz com que seja, a principio, um peixe interessante para a aqüicultura. Na África do Sul já são 25 produtores desse bagre nativo, cuja colheita está em tomo de 700 a 1000 t/ano, representando 14% da produção aqüícola do país. Na última estação, os 11 laboratórios sul-africanos produziram 4 milhões de alevinos. O Clarias é bem conhecido como um peixe agressivo, capaz de provocar severos danos às populações nativas. Sua criação na África do Sul está restrita às bacias hidrográficas de onde é nativo. Aos piscicultores brasileiros é bom lembrar que, apesar do Clarias já ser encontrado em várias pisciculturas, muito cuidado deve ser tomado para que a espécie se mantenha restrita aos viveiros. Cabe às autoridades, técnicos e produtores se posicionarem, usando o bom senso, com relação à introdução dessa e de outras espécies exóticas nos ecossistemas nativos.

GENÉTICA – Os mecanismos genéticos dos peixes tropicais estão sendo estudados na UNESP. As pesquisas estão voltadas para a identificação de populações de peixes sob o ponto de vista genético, eletroforese e estudos cromossômicos, produção de linhagens puras pela ginogênese, produção de poliplóides, estudos de trangênicos e híbridos. O coordenador da pós-graduação da UNESP, Dr. Fausto Foresti, é responsável pelo programa de pesquisas.

CULTIVO DE MEXILHÃO AVANÇA MAIS RÁPIDO QUE A PESQUISA – A pesquisa não está acompanhando a produção. Em recente encontro de aqüicultura realizado em Santos, cientistas ligados ao cultivo do mexilhão, informaram que o número de criadores avança rapidamente sendo, por exemplo, mais de 70 em apenas duas áreas estudadas em SC. No Norte do litoral paulista e no Sul do RJ, muitos criadores vêm instalando suas criações antes mesmo de obterem o registro de aqüicultor profissional, expedido pelo IBAMA. Segundo Julio Cesar Avellar, oceanógrafo responsável pelo projeto Martim Pescador, presente ao encontro, os pesquisadores precisam dinamizarem-se para auxiliarem, de fato, os produtores. Estes desenvolvem, por conta própria, as tecnologias que deveriam ser repassadas pelas instituições de pesquisa e extensão em aqüicultura. O crescimento da mitilicultura pode ser explicado pelo mercado muito receptivo. Segundo a bióloga Anne Carvalhaes, que elabora tese de mestrado sobre mitilicultura, em 1989 a extração nacional de moluscos bivalves foi de 37 mil t, sendo 10 mil de sururus, 8,7 mil de ostras e apenas 4 mil de mexilhões. O Rio de Janeiro foi o líder na extração de mexilhões com 3 mil t, seguido de São Paulo e Santa Catarina com 350 te 300 t, respectivamente

EDIÇÕES CESP – A equipe do Dr. Carlos Eduardo Capellini Torloni da CESP informa que, além do trabalho divulgado em nossa última edição, acaba de ser editado o artigo’, “Análise quantitativa e econômica numa criação de pacu ‘, Piaraclus mesopolamicus” ( Holmberg, 1887) em propriedade rural no Vale da Ribeira, Estado de São Paulo”. Dr. Torloni informa que este trabalho, com detalhes de manejo e avaliação econômica, está gratuitamente à’ disposição dos aquacultores, bastando somente que seja solicitado ao Departamento de Meio Ambiente e Recursos Naturais da CESP, à Rua Bela Cintra, 881 – 8° andar, 01415 – São Paulo – SP.

USP – O Laboratório de Patologia de Crustáceos da USP encontra-se em funcionamento sendo assim o primeiro laboratório de diagnóstico de doenças em camarões no País. Os interessados pelos serviços (histopatologia e microbiologia) devem entrar em contato com o Dr. Sérgio Luiz de Siqueira Bueno para obter informações sobre os procedimentos que devem ser tomados antes de encaminhar o material para exame. Os contatos poderão ser feitos pelo tel. (011) 813-6944, ramais 2513 e 2575 ou ainda pelo fax. (011) 815-4277. O endereço para o envio do material é: Laboratório de Patologia de Crustáceos, Dep. de Zoologia, Inst. de Biociências, Univ. de São Paulo. Caixa Postal 20.520, 01498 – São Paulo – SP.

“LATO SENSU”- Terá início dia 16 de setembro o Curso de Especialização em Aqüicultura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A Professora Sathyabama Chel1appa, coordenadora do Curso informa que o mesmo possui nível de Pós Graduação’ “Lato sensu” e está voltado para as áreas de: algologia, carcinicultura, malacologia e piscicultura. O telefone do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN é (084)221-3611.