NOTÍCIAS & NEGÓCIOS – edição 137

AOS PÉS DO PÃO DE AÇÚCAR – A cidade do Rio de Janeiro se prepara para receber entre os dias 16 e 18 de setembro a Conferência Mundial da Tilápia, evento organizado pela INFOPESCA, junto a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Esta Conferência tem como objetivo continuar com o trabalho realizado em Kuala Lumpur, em 2010, em evento organizado pela INFOFISH. A Conferência contará com a presença de analistas de mercado com grande experiência e representantes do setor produtivo e comercial, que apresentarão os principais aspectos e desenvolvimentos recentes do mercado mundial da tilápia. A Conferência Mundial da Tilápia será realizada, no auditório da Escola de Guerra Naval que se encontra localizada no bairro da Urca, ao lado da estação do bondinho que leva ao Pão de Açúcar. Confira a programação e outras informações importantes da Conferência Mundial da Tilápia nas páginas 66 e contracapa desta edição.

BIORIGIN DOBRARÁ CAPACIDADE PRODUTIVA – A Biorigin, multinacional brasileira que atua na produção de ingredientes naturais para alimentação humana e nutrição animal, dará início ao plano de expansão de sua unidade localizada na cidade de Quatá – SP, com o objetivo de dobrar sua capacidade produtiva. Com investimentos na ordem de U$120 milhões, o projeto contemplará as áreas de fermentação, cultura pura, autólise e secagem. A empresa pretende apresentar os primeiros resultados no aumento da capacidade produtiva já em 2014. De acordo com o diretor geral da empresa Mário Steinmetz “este investimento proporcionará à Biorigin a continuação do seu processo de crescimento sustentável nos mercados de ingredientes alimentícios e nutrição animal, possibilitando também continuar inovando em produtos e serviços, assim como tem feito nos últimos 10 anos.” A iniciativa de expansão foi estimulada pelas perspectivas positivas do mercado, bem como pelas tendências ligadas a saúde e bem-estar, o que leva a uma busca cada vez maior por ingredientes naturais. “Além disso, temos um modelo produtivo que possibilita a rastreabilidade dos ingredientes produzidos e utilizamos fontes de energia renováveis o que vai ao encontro das exigências por mais sustentabilidade na produção”, finaliza Mário. A Biorigin é uma unidade de negócios da Zilor, grupo que atua a mais de 65 anos no mercado sucroalcooleiro.

CURSOS E TREINAMENTOS – Empresários, produtores, técnicos, estudantes, professores e pesquisadores poderão, à distância, aprofundar seus conhecimentos sobre piscicultura. A Acqua Imagem (www.acquaimagem.com.br) empresa que reúne uma equipe multidisciplinar com ampla experiência na aquicultura, conta com um campus de treinamento virtual no qual oferece palestras sobre os mais diversos temas relacionados à piscicultura, bem como cursos online compostos por vídeo-aulas em que os alunos recebem apostilas impressas contendo os assuntos abordados. A Acqua Imagem oferece ainda, desde 1999, treinamentos presenciais personalizados, indicados para associações de produtores, funcionários de pisciculturas, agentes de extensão e assistência técnica, vendedores e representantes comerciais.

CONGRESSO ESPÉCIES NATIVAS – O IV Congresso Brasileiro de Aquicultura de Espécies Nativas, evento que é promovido pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio), acontecerá no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém (PA), de 21 a 23 de novembro deste ano. A organização do congresso espera atrair à capital paraense cerca de 800 participantes e empresas relacionadas ao setor. O evento acontece pela primeira vez na Região Norte e pretende reunir trabalhos sobre peixes e outras espécies aquáticas, e também incluir pesquisas e iniciativas que envolvam a criação de camarões, ostras, jacarés, rãs, quelônios e algas. A exigência, no entanto, é que todos esses organismos que vivem em contato com a água sejam nativos do território brasileiro, explica a presidente da comissão organizadora do congresso, a pesquisadora Alexandra Regina Bentes de Sousa. Mais informações no site www.aquicultura2013.com.br

PARQUES AQUÍCOLAS EM GO e RJ – O Ministério da Pesca e Aquicultura- MPA lançou no Diário Oficial dos Estados de Goiás e do Rio de Janeiro, no dia 28 de junho, um edital para licitar uma área de 23 hectares de lâmina d’agua de reservatórios de hidrelétricas e ambientes marinhos em domínio da União para a produção de pescado em cativeiro. Essas áreas têm capacidade para produzir mais de 3 mil toneladas de pescados por ano. Serão licitadas quatro áreas no Estado de Goiás, com capacidade total para produzir 2 mil toneladas de pescado. As áreas estão nos reservatórios das hidrelétricas de Itumbiara, São Simão e Serra da Mesa. Além de Goiás, o MPA também vai licitar quatro áreas marinhas no Rio de Janeiro, localizadas na Lagoa de Saquarema, Praia do Apara (Mangaratiba) e Enseada de Palmas (Ilha Grande). A estimativa é que essas áreas sejam capazes de produzir outras mil toneladas de pescado, entre peixes, algas, mexilhões, ostras e vieiras. Por ser tratar de uma cessão onerosa com vigência de 20 anos, vencerá a licitação quem oferecer o maior lance pela área. As propostas devem ser enviadas até 9 de agosto. A licitação acontecerá em 12 de agosto e os vencedores da concorrência terão seis meses para concluir o sistema de sinalização náutica da área cedida e iniciar a implementação do projeto. Mais informações sobre as exigências técnicas e jurídicas para a habilitação das propostas podem ser obtidas no aviso da licitação, no site do MPA www.mpa.gov.br/index.php/legislacaompa/editais/2013

PARQUES AQUÍCOLAS NO RN – O MPA lançou no dia 4 de julho, em Natal, o programa Parques Aquícolas Marinhos, a exemplo do já implantado no Estado de Santa Catarina. A ideia é implantar ainda este ano dez parques para cultivo de peixes marinhos e algas no estado. Os parques serão implantados nos municípios de Galinhos, Baía Formosa, São Miguel do Gostoso, Porto do Mangue, Rio do Fogo e Touros. O Rio Grande do Norte está entre os dez maiores estados produtores de pescado do país, e só conta com um parque aquícola na barragem de Umari, em Upanema. Os novos parques aquícolas potiguares aguardam ainda um parecer técnico da Marinha e da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) para serem licenciados e licitados.

PARQUES AQUÍCOLAS NO CE – O MPA pretende implantar no Estado do Ceará, ainda este ano, 43 parques aquícolas distribuídos em cinco municípios: Itapipoca, São Gonçalo do Amarante, Icapuí, Amontada e Trairi. O município de Icapuí terá a maior área de cobertura (16 mil ha), divididos em oito parques marinhos, sendo 4,7 mil hectares destinados exclusivamente para a alga Gracilária. O município de São Gonçalo do Amarante terá sete parques com 1,8 mil ha. Itapipoca, por sua vez, terá a maior quantidade de parques aquícolas do Ceará – dez no total – em uma área de 6,4 mil ha. Amontada e Trairi terão, respectivamente, 11,2 mil ha e 12,5 mil ha, com nove parques cada um. Os parques juntos ocuparão 35 mil hectares para cultivo de peixe e 10 mil hectares para algas. Dentre as espécies de peixes, os previstos são beijupirá e cioba. A produção aquícola estimada pelo MPA no estado é de 12 toneladas/ hectare em um ciclo com durabilidade de um ano.

CONBEP 2013 – O XVIII Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca ocorrerá na cidade de Paulo Afonso, na Bahia, de 20 a 24 de outubro, com o tema: “Responsabilidade socioeconômica e ambiental para o desenvolvimento da pesca e aquicultura”. Os organizadores esperam que os engenheiros de pesca brasileiros, estudantes de nível técnico de áreas afins, profissionais, professores e empresários não percam a oportunidade de participar do evento, que contará com minicursos, palestras, mesas-redondas e conferências. Saiba mais sobre esse importante evento na página www.conbep.uneb.br

AGORA É OFICIAL – No próximo dia 14 de dezembro será comemorado, pela primeira vez de forma oficial, o Dia Nacional do Engenheiro de Pesca. A presidente Dilma, reconhecendo a importância da profissão, sancionou no dia 5 de junho a lei de nº 12.820. A data lembra a colação de grau da primeira turma de engenheiros de pesca no Brasil, em 1974, em Pernambuco. O Brasil possui 22 cursos de engenharia de pesca em: Pernambuco, Bahia, Pará, Amazonas, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo. Em breve contará com mais dois: Paraíba e outro no Paraná.

SEBRAE NO NORDESTE – Já está em andamento o Projeto Estruturante Aquinordeste, criado pelo Sebrae para fortalecer as cadeias produtivas da aquicultura na Região Nordeste, de olho na competitividade e sustentabilidade. Cerca de 3000 produtores de tilápia, tambaqui e ostra deverão ser beneficiados. Segundo Newman Costa, Coordenadora de Aquicultura do Sebrae Nacional, o projeto está identificando as melhores tecnologias que possam ser implementadas num período de três anos, capazes de trazer inovação para o pequeno produtor. Segundo, a gestora de projetos do Sebrae Sergipe, Maria Lucia Alves, o Aquinordeste vai preencher uma lacuna na área tecnológica que faltava ao empreendedor da Região Nordeste. “O empresário que chegar a qualquer Sebrae da região querendo investir na área de aquicultura, seja na produção de tilápia, tambaqui ou ostra, em breve vai encontrar um pacote pronto contemplando a gestão, manejo, modelo e a questão ambiental. O modelo que iremos trabalhar será em cima de pacotes tecnológicos. A proposta é trabalhar o lado empresarial para proporcionar rendas superiores às atividades agropecuárias tradicionais”, disse Maria Lucia Alves. Consultores e órgãos envolvidos no projeto já realizaram reuniões de trabalho em sete estados nordestinos. Em cada estado já estão sendo apresentados o passo a passo para o levantamento dos procedimentos e os custos de regularização do licenciamento ambiental, outorga de recursos hídricos e cessão de área.

SEBRAE NO LICENCIAMENTO – O Sebrae realizou no dia 19 de junho, um encontro na sua sede em Teresina, para discutir estratégias para licenciamento ambiental dos empreendimentos aquícolas nos nove estados do Nordeste. O objetivo se deve ao entendimento do Sebrae, de que sem a regularização aquícola os produtores têm as suas atividades prejudicadas, principalmente no que se refere à comercialização dos produtos, enquanto que os criadores que atuam na legalidade têm facilidade de acesso ao crédito e financiamentos, podendo aumentar a escala de produção, além de incluir novas tecnologias de cultivo.

DEPOIS DA ARGENTINA É A VEZ DO EQUADOR – O Vice-Ministro do Comércio Exterior e Integração Econômica do Equador, Francisco Rivadeneira, afirmou que seu país compra do Brasil tecnologia e máquinas, e que as exportações para o Brasil são baseadas em matérias-prima. Segundo ele, autoridades de Quito estão se dedicando a avançar em um acordo para que o camarão equatoriano possa entrar no mercado brasileiro, entre outros produtos, como peixes congelados e bananeiras. A Câmara Nacional de Aquicultura (CNA) do Equador, por meio do seu presidente, José Antonio Camposano, confirmou que o país irá apresentar a sua posição à Organização Mundial do Comércio (OMC), diante da barreira sanitária imposta pelo Brasil ao camarão equatoriano. Em tom de crítica, o presidente da CNA comentou o fato das “autoridades brasileiras demorarem mais de 24 meses para fazer uma Análise de Risco de Importação, fato que tem impedido a entrada do produto equatoriano em um mercado de quase 200 milhões de habitantes e com uma produção local deficitária, o que gera uma alta nos preços aos consumidores”. A CNA, o Ministério das Relações Exteriores e o Vice Ministério de Aquicultura do Equador, estão trabalhando juntos para fortalecer a posição do país, insistindo na entrada do camarão equatoriano no mercado brasileiro. “De acordo com a normativa da OMC, assim como as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), não há justificativa suficiente para a aplicação desta medida, o que evidencia um bloqueio comercial”, afirmou José Antonio Camposano. Na sua opinião, o Brasil tem aplicado a normativa de forma errada, ignorando os regulamentos sobre sanidade aquícola que regem o comércio desse tipo de produto. Certo do sucesso do seu pleito, Camposano completou “fizemos um trabalho técnico amparado no que diz o Código Aquático da OIE e no que estabelece o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, de modo que nossas autoridades têm a informação necessária para conseguir a abertura desse mercado”. Com aproximadamente 180 mil hectares de viveiros, em 2012 o Equador exportou 204.622 toneladas de camarão cultivado, no valor de US$ 1,133 bilhão.

ENQUANTO ISSO – Estima-se que a carcinicultura brasileira tenha produzido em 2012 aproximadamente 75 mil toneladas, e toda a produção foi destinada ao mercado nacional. Segundo representantes do setor, essa produção é compatível com a demanda. Entretanto, recentemente, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), após uma Análise de Risco de Importação, autorizou a entrada no país do camarão da espécie Pleoticus muelleri, originário da pesca extrativa Argentina, o que levou a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) a ingressar com ação civil pública para suspender a autorização, que foi julgada improcedente pelo juiz federal Márcio de França Moreira. A liminar impetrada pela ABCC alega que a vinda do camarão argentino para o país prejudicará os produtores nacionais, além de representar riscos de doença para as espécies nativas, que ficariam expostas à mancha branca. O MPA, no entanto, descarta qualquer possibilidade de contaminação. Já os produtores discordam e temem pelo futuro. Além dos riscos sanitários imediatos, alegam que uma vez abertas as porteiras, será muito difícil deter a entrada de camarão de origem desconhecida e pouco confiável, expondo a indústria brasileira do camarão cultivado a toda sorte de cepas de patógenos.

TECNOLOGIA PARA MONITORAR PARQUES AQUÍCOLAS – O Sistema Integrado de Monitoramento Ambiental (SIMA), a ser adotado a partir de julho no reservatório de Furnas, no sul de Minas Gerais, permitirá monitorar e avaliar impactos na criação de peixes em tanques-rede em reservatórios públicos, contribuindo para a realização das Boas Práticas de Manejo (BPM) e para a gestão produtiva e ambiental de parques aquícolas. O SIMA, desenvolvido com tecnologia nacional, poderá ser adotado em todos os parques aquícolas do Brasil. Furnas receberá uma sonda maior capaz de transmitir dados via satélite e cinco sondas menores, batizadas de SIMA Aquicultura. As sondas menores são capazes de registrar parâmetros da qualidade da água como PH, oxigênio dissolvido, temperatura em 15 profundidades, condutividade e turbidez. A maior, além destes parâmetros, verifica a radiação solar, a pressão atmosférica, a umidade relativa do ar e a direção e magnitude dos ventos. Elas serão imersas, a partir de plataformas flutuantes, nas águas dos parques aquícolas de Guapé 1 e 2, no município mineiro de Guapé. O projeto SIMA tem a colaboração de diversas instituições parceiras, como Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), Universidade de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Centro Universitário da Fundação de Ensino Otávio Bastos (UNIFEOB), Faculdade de Jaguariúna (FAJ), Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC), Universidades Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) e Instituto Brasileiro de Veterinária.