NOTÍCIAS & NEGÓCIOS – edição 138

AQUICULTURA DAS AMERICAS – Durante o encontro o Secretário Executivo da RAA, Felipe Matias, informou aos presentes sobre as atividades realizadas em 2012 e 2013. Matias é também o mediador entre os oradores do encontro, entre eles Alejandro Flores (Oficial Principal da Aquicultura e Pesca da FAO para a América Latina e Caribe); Raul Benitez (Representante Regional da FAO para a América Latina e Caribe); Pablo Galilea (Subsecretário de Pesca do Chile), e Marcelo Crivella (Ministro da Pesca e Aquicultura e presidente do Conselho de Ministros da RAA). A reunião contou ainda com a participação de funcionários da FAO. No último dia do encontro os conselheiros da RAA discutiram projetos estratégicos para o fortalecimento da organização para o biênio 2014-2015 e estabeleceram compromissos através de política pública nos países para desenvolver a Aquicultura de Recursos Limitados (AREL) como uma ferramenta de segurança alimentar no âmbito da agricultura familiar. Entre os países membros da RAA estão: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Nicarágua, Paraguai e Uruguai.

AQUICULTURA DAS AMERICAS I – Representantes de 18 países estiveram presentes na reunião da Rede de Aquicultura das Américas (RAA) ocorrida nos últimos dias de agosto, no Escritório Regional da FAO, em Santiago, Chile. Na ocasião também foi realizada a “Primeira Cimeira dos Ministros da Pesca da América Latina” que levou a Santiago 11 ministros e vice-ministros, incluindo o Ministro da Economia do Chile e a Ministra da Produção do Peru. A presidência do Conselho de Ministros da Rede de Aquicultura das Américas cabe ao ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil, entretanto, Marcelo Crivella não compareceu e nem se fez representar. Os países que enviaram seus ministros e/ou vice-ministros para a reunião do Conselho de Ministros da RAA foram: Chile, Peru, Paraguai, Costa Rica, Cuba, Panamá, Honduras, Nicarágua, Guiana Inglesa, San Vicent e México. Já nas reuniões técnicas, além dos países citados, participaram representantes do Uruguai, Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Guatemala.

CENTRO DE ALEVINAGEM – No dia 23 de agosto, o governador do Estado do Acre Tião Viana inaugurou o Centro de Reprodução de Alevinos, que integra a estrutura do Complexo Industrial do Peixe no estado. Além do laboratório de alevinagem, com capacidade para 10 milhões de alevinos, o que representa 20 mil toneladas de peixe ao ano e 127 tanques para matrizes, o Complexo Industrial do Peixe possui também uma fábrica de ração. O foco do projeto é a exportação de pescado produzido pelos piscicultores acreanos, porém, o frigorífico está ainda em fase de construção. O local será utilizado para produção de alevinos de peixes como pintado, pirarucu e tambaqui. O grande volume de produção garantirá alevinos mais baratos, principalmente para os produtores do Acre. Os investimentos na implantação do complexo são da ordem de R$ 60 milhões, caracterizando a Peixes da Amazônia, empresa que tem como sócios investidores privados e o governo do estado, como uma das maiores empresas de piscicultura do Brasil. Na cerimônia de inauguração o secretário executivo adjunto de Pesca e Aquicultura do Amazonas, Geraldo Bernardino foi homenageado num painel nas dependências do laboratório. Segundo o governador do Acre, Tião Viana, a homenagem se deve ao fato de Bernardino ter realizado, há 30 anos, as primeiras desovas de tambaqui no Estado, e também pelos relevantes serviços que prestou em todo território nacional.

TECNOLOGIA DE PONTA – Para garantir que o estado possa competir com qualidade no mercado nacional o governo do Acre investiu na experiência e na tecnologia de ponta da Trevisan Equipamentos Industriais, no laboratório de alevinagem do seu Complexo Industrial do Peixe. O laboratório entrou em funcionamento em caráter experimental em fevereiro passado, produzindo os primeiros 100 mil alevinos de surubim, mas a sua capacidade de produção é de 20 milhões de alevinos por ano das espécies surubim e pirarucu. “O Acre agora fará diferença no mercado brasileiro”, disse Nedyr Chiesa, da Trevisan, empresa pioneira no Brasil na fabricação de aeradores para a piscicultura.

NOVOS RUMOS – O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Eric Routledge declarou em entrevista ao programa Conexão Ciência, que o consumo de peixe no Brasil está aumentando, e que atualmente as famílias têm maior poder aquisitivo para comer mais pescado. Na entrevista Routledge afirmou que apesar de o Brasil não ter encarado a aquicultura de forma mais estratégica, nos últimos 10 e 20 anos o cenário mudou e a aquicultura está ganhando outro rumo. O programa Conexão Ciência é uma produção da Embrapa e da NBR que vai ao ar todas as terças-feiras, às 20h30, pela emissora do Governo Federal. O programa discute os principais assuntos sobre o desenvolvimento científico relacionado à pesquisa, meio ambiente e tecnologia. O programa pode ser visto no endereço http://www.embrapa.br/imprensa/na_tv/conexao-ciencia/

ESPÉCIES NATIVAS – A cidade de Belém do Pará receberá no período de 21 a 23 de novembro, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, o IV Congresso Brasileiro de Aquicultura de Espécies Nativas. O evento irá discutir e divulgar informações sobre reprodução, melhoramento genético e larvicultura; nutrição e alimentação, sanidade e bem estar; cultivo, produção, tecnologia e processamento. O congresso promovido pela Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio) contará com a presença de conferencistas nacionais e apresentação de trabalhos científicos das pesquisas realizadas por vários grupos de diferentes instituições nacionais e internacionais, propiciando a difusão de novas tecnologias e conhecimentos. As inscrições serão efetuadas SOMENTE via internet, no site do evento, até a data de 18 de Novembro de 2013. Após esta data as inscrições somente poderão ser efetuadas na secretaria local do Congresso. O participante receberá e-mails de confirmação de dados e de confirmação de pagamento após a devida comprovação deste. A secretaria do evento pode ser contatada através do telefone (91) 3259-4472 ou e-mail: [email protected]

PARÁ DAS OSTRAS – O Estado do Pará está implementando 16 parques aquícolas marinhos, que ocupam um total de 166 hectares de áreas da União destinadas à aquicultura. Localizados nos municípios de Salinópolis, Curuçá, São João da Ponta e São João de Pirabas, esses parques terão capacidade para aumentar, em mais de 25 vezes, a produção de ostra nativa no estado, que passará das atuais 280 toneladas anuais para aproximadamente sete mil toneladas. Com os novos parques serão criados cerca de 700 empregos diretos e indiretos, movimentando significativamente a economia do estado. Quatro parques de Salinóplis e São João da Ponta, que no total ocupam uma área de 10,8 hectares e onde serão produzidas cerca de 450 toneladas/ano de ostras, já possuem licença para funcionar de acordo com as normas ambientais do Pará. Os demais estão sendo analisados pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para o início do processo de licitação das áreas. Estes têm capacidade para produzir 6.585 toneladas/ano de ostras. No Pará, a aquicultura já é incentivada no reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, onde está localizada uma das oito maiores áreas aquícolas do Brasil – 243 mil hectares de área destinada à atividade aquícola – cuja produção pode alcançar 300 mil toneladas por ano.

OESTE DA BAHIA – O 1º Seminário de Aquicultura e Pesca do Oeste da Bahia, uma realização conjunta da União dos Municípios do Oeste da Bahia (Umob), Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri) e Bahia Pesca, será realizado nos dias 25 e 26 de setembro. O evento deverá ser dividido em duas partes: a teórica, ministrada na cidade de Luís Eduardo Magalhães, e a prática, na cidade de Barreiras. A Bahia Pesca que fomentará a atividades de aquicultura e pesca na região, estuda projetos que englobam produção e comercialização, já que os aquicultores não conseguem escoar a produção de forma adequada. O Oeste da Bahia possui uma área de produção de 140 hectares com produção anual de 700 toneladas, o que corresponde a 3200 kg/ha/ano. Com a implantação de duas unidades da Bahia Pesca na região, a intensão é ampliar a área de produção para mil hectares, alavancando a produção anual para 8 mil toneladas.

GELATINA DE PEIXE – Para aproveitar os recursos nutricionais e minimizar o desperdício do pescado amazônico, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) criaram uma gelatina com alto valor nutricional que poderá ser usada como suplemento proteico. Além da indústria alimentícia, o produto poderá ser utilizado também nas indústrias têxtil e farmacêutica onde, por exemplo, poderá ajudar na elaboração de cápsulas de medicamentos. A gelatina é produzida a partir da pele do peixe, mas outras partes do animal, como os ossos e a cabeça, já passaram por testes. A pesquisa trabalha com cinco espécies: tambaqui, aruanã, jaraqui, pirapitinga e aracu. Todos os peixes apresentaram bom rendimento. Os recursos do trabalho são da Fundação de Amparo à Pesquisa no Amazonas (Fapeam).

MAIS ÔMEGA 3 – O salmão criado em cativeiro pode ser ainda mais rico em ômega 3 que o peixe selvagem. Segundo o biomédico Roberto Carlos Burini, coordenador do Centro de Metabolismo e Nutrição da Faculdade de Medicina de Botucatu, em entrevista ao site Midia News, o ácido graxo poliinsaturado, essencial para a manutenção da saúde neurológica de humanos, é adquirido pelo salmão a partir da alimentação, seja nos plânctons das águas geladas dos mares do norte, ou na ração dada aos peixes criados em tanques-rede. Os animais não produzem gordura vegetal e o ômega 3 faz parte desse tipo de gordura. Qualquer peixe que for alimentado com ômega 3, depois de um tempo passará a ter esse ácido graxo em sua carne”, explica o biomédico, que complementou dizendo que, no caso do salmão criado em cativeiro, que é o mais consumido no Brasil, ele é alimentado com ração que contém ômega 3. É mito, portanto, acreditar que o salmão de cativeiro não tenha – ou tenha pouco – ômega 3 em relação ao peixe selvagem. Outro especialista também ouvido pelo Midia News, o nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), explicou que os produtores de salmão de cativeiro perdem em produção se não alimentarem o peixe com ômega 3, já que ele é essencial para o bom crescimento do animal. E ressalta que o salmão de cativeiro pode, inclusive, até ter mais ômega 3 do que o selvagem, já que se movimenta menos, podendo armazenar mais gordura. Sobre o corante astaxantina, o nutrólogo Roberto Navarro, garante que o carotenoide adicionado às rações, é um poderoso antioxidante, capaz de diminuir a incidência de câncer e proteger os olhos contra a degeneração macular [perda de visão]. Essas informações procedem e são bem vinda para contrapor a informações divulgadas em e-mails pela internet, que servem a causa dos pescadores de salmão selvagem, que há muito tentam denegrir o salmão cultivado para valorizar o seu produto capturado na natureza, como se isso fosse algo mais ecologicamente correto.

BIOFLOCOS NA FURG – A equipe de pesquisadores do Projeto Camarão Universidade Federal do Rio Grande (FURG), irá realizar nas suas instalações na cidade de Rio Grande (RS), de 26 a 28 de novembro mais uma edição do Curso Teórico-Prático: Cultivo de Camarões em Sistema de Bioflocos. O público alvo são produtores e empresários do ramo, que terão a oportunidade de conhecer sobre o histórico do sistema BFT, estruturas de cultivo – raceways e viveiros, manejo da qualidade de água, manejo de fertilização e alimentação, biossegurança e os aspectos econômicos envolvidos. Mais informações através do e-mail: [email protected]

GRUPO AMIGOS DO PIRARUCU – O I Encontro de Piscicultura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo foi realizado nos dias 23 e 24 de agosto no Auditório Franco Montoro, do Palácio 9 de julho, no Ibirapuera, São Paulo/SP. O evento foi uma realização da Comissão de Atividade Econômica da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, presidida pelo deputado estadual Hélio Nishimoto e contou com a coordenação do Grupo Amigos do Pirarucu (GAP-Brasil), presidido pelo Sr. Yasuyuki Hirasaki. Os participantes aprenderam com as experiências dos piscicultores paulistas de pirarucu Tatsuro Konoike, de Atibaia e Ricardo Suenaga, de Araçatuba. Ouviram também o superintendente da Pesca e Aquicultura de Alagoas, Edson Iutaca Maruta; a experiência do Tocantins com o diretor de Aquicultura da Ruraltins Alexandre Godinho Cruz; os avanços e novidades do trabalho com o pirarucu em Rondônia com o piscicultor Carlindo Pinto Filho e com Marcelo Castagnolli, da Sansuy. O evento teve o mérito de levar o tema da piscicultura para ser debatido dentro da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e contou com o apoio do MPA, do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura da Fiesp (Compesca), Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e da empresa Sansuy S.A.

OSTRAS INSPECIONADAS – A produção de ostras de Santa Catarina vai sofrer um controle mais rigoroso a partir de 2014. Por iniciativa dos próprios produtores, a partir do próximo ano todo molusco comercializado, tanto para outros estados como dentro do próprio Estado de Santa Catarina, passará por inspeção sanitária. Segundo o presidente da Cooperostras – Cooperativa de Produtores de Florianópolis, Henrique da Silva, a decisão foi tomada para que os moluscos conquistem novamente a credibilidade junto ao consumidor catarinense, responsável pelo consumo de 70% da produção. Em decorrência do acidente que causou o derramamento no mar do óleo cancerígeno ascarel, a comercialização não apenas ficou prejudicada por três meses, como também deixou o consumidor com muita desconfiança sobre a qualidade dos moluscos, o que fez as vendas despencarem, estando ainda longe da recuperação. A ideia é que o selo de inspeção ajude diretamente na recuperação do setor, agregando valor ao produto e acabando com a desconfiança do consumidor acerca da qualidade.

CESSÃO ONEROSA EM SÃO PAULO – Uma cerimônia realizada no dia 2 de agosto na capital paulista marcou o lançamento dos primeiros editais de licitação para a cessão onerosa de áreas de cultivo no mar e no interior do Estado de São Paulo. Presentes o ministro da Pesca e da Aquicultura, Marcelo Crivella, e as lideranças do setor ligadas ao Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp). A licitação é o formato encontrado pelo governo para legalizar e incentivar a produção de pescado nas águas de domínio da União. Os editais lançados estão no site do ministério na internet (www.mpa.gov.br). Em São Paulo, as áreas disponíveis somam pouco mais de 50 hectares e podem render mais de 14 mil toneladas de pescado por ano.  As áreas serão licitadas por valores mínimos entre R$ 204 e R$ 94,3 mil e o direito de uso é prorrogável por 20 anos. Segundo o MPA, a extensão pode até parecer pequena, mas é histórica para o setor, que conta com esses processos para legalizar a produção, obter crédito e fazer a criação de pescado crescer. Dados da Secretaria Nacional de Aquicultura do MPA indicam que se 0,5% dos espelhos d´água dos 200 principais reservatórios do país foram tomados por cultivos de pescados, a produção brasileira será multiplicada por 20. Ainda segundo o MPA, a atividade tem baixo custo de implantação e retorno rápido ao investidor. Um tanque-rede para a criação de tilápias, por exemplo, custa, em média, um salário mínimo e meio e rende até 5 mil quilos de peixe por ano. As áreas disponíveis para Licitação em São Paulo são: 0,077 hectare na Enseada do Mar Pequeno (ostra); 0,26 hectare no Reservatório da UHE de Chavantes (tilápia); 0,16 hectare no Reservatório da UHE de Porto Primavera I (tilápia); 0,19 hectare na Enseada de Ubatuba (mexilhão); 0,12 hectare no Reservatório da UHE de Paraibuna (tilápia); quatro áreas totalizando 14,1 hectare no Reservatório da UHE de Ilha Solteira (tilápia); 17,55 hectare no Reservatório da UHE de Jaguara (tilápia); 17,78 hectare no Reservatório da UHE de Rosana (tilápia); 0,58 hectare na Praia do Pulso (mexilhão) e, 0,67 hectares na Enseada do Mar Virado (mexilhão).