Notícias & Negócios – edição 33

FEIRÃO DE SÁBADO – A Feira do Peixe Vivo, que funciona aos sábados pela manhã em dois locais de Belém – PA é uma idéia que deu certo. Segundo Dolores Amorim, da Secretaria de Agricultura do Pará – SAGRI, a Feira de Santa Luzia no Umarizal e a de Batista Campos, abrem espaço para a comercialização sistemática de peixes criados em cativeiro ao trazer o produto direto das fazendas para pontos estratégicos de comercialização, eliminando o atravessador, baixando o custo e estimulando o consumo de peixes cultivados, que chegam ainda vivos a de Belém. Espécies como o tambaqui, pirapitinga, pacu e carpa são vendidas a R$ 2,50 o quilo, muito abaixo dos R$ 4,50 dos supermercados.

ALEVINOS INFORMATIZADOS – A informática, esta ciência maravilhosa que, através de computadores tem ajudado a desenvolver diversos segmentos da nossa economia, está também cada vez mais presente no setor da aqüicultura. O exemplo disso é a Aqüicultura Dal Bosco, de Toledo – PR, que já tem todo seu processo produtivo informatizado, desenvolvido pela empresa Luz Verde. O sistema engloba o controle de reprodutores, dosagem de hormônios, desova, incubação, larvicultura e alevinagem, além de permitir uma melhor organização de todos os pedidos e vendas realizadas.

YAKULT – Além da conhecida bebida láctea a base de lactobacilos, a Yakult, empresa japonesa que opera no Brasil desde 1966, também opera 20 ha de viveiros em cultivo semi-intensivo de camarões marinhos no balneário catarinense de Barra do Sul, a 50 km de Joinville – SC. Os camarões da espécie P. paulensis e P. schmitti, são vendidos no varejo pela loja que a empresa mantém na capital paulista e também são distribuídos vivos através de um processo de hibernação, aos restaurantes japoneses. Os camarões constituem um dos itens da estratégia da empresa para reduzir a dependência apenas da bebida láctea que agora passa a sofrer concorrência de produto semelhante desenvolvido pela Nestlé.

MOLUSKUS COM SIF – Após 5 anos de operação, a fazenda marinha da Moluskus Comércio e Representação de Frutos do Mar localizada na Praia do Sonho no município de Palhoça – SC, passa a comercializar seus mexilhões e ostras inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal – SIF. Segundo Ivan Taffarel Trois, proprietário da Moluskus, valeu o investimento de R$ 180 mil, gastos na construção das instalações de manejo e processamento que, desta forma, permitirá que seus produtos, agora diferenciados, sejam distribuídos e comercializados nos principais centros consumidores brasileiros.

ALIADO – José Roberto Borghetti, conhecido pelo seu trabalho junto a Superintendência de Meio Ambiente da Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu – PR, com trabalhos que vão desde a alimentação de pacus em gaiolas flutuantes até a construção de um canal de desova nas barragens da hidroelétrica, foi convidado pelo Ministro da Agricultura e Reforma Agrária José Eduardo de Andrade Vieira para assessorá-lo nos assuntos ligados a aqüicultura. Desta forma, os aqüicultores podem contar com um aliado experiente nas suas reivindicações junto ao MARA.

EM QUEDA – Parecia impossível, em outras épocas da economia brasileira, que preços, um dia, pudessem cair. Entretanto, no que se refere aos preços dos cistos de Artemia, isto é uma realidade. A libra (454 gramas) do produto, que até pouco tempo era comercializada a R$ 98,00, já pode ser encontrada a R$ 70,00 com nota fiscal, etc. Trata-se do reflexo da última safra e das estratégias de comercialização dos produtores estrangeiros, rapidamente absorvidas pelos importadores brasileiros. Resumindo: um alívio de 28,5% para muitos consumidores.

TREINAMENTO EMPRESARIAL – Foi promovido de 01 a 04 de janeiro pelo Grupo de Estudos de Camarão Marinho – GECMAR do LABOMAR da Universidade Federal do Ceará, um treinamento sobre “Técnicas e Procedimentos Empregados no Cultivo de Camarões Peneídeos”. Realizado em Cumbe no município de Aracati – CE teve seu público composto de pequenos empresários da carcinicultura marinha que atuam na região. Desta forma, os conhecimentos sobre o cultivo destes camarões deixaram de ser de propriedade exclusiva dos pesquisadores e técnicos e passaram a pertencer também àqueles que deles necessitam para ter sucesso nos seus empreendimentos. O treinamento foi ministrado por Alberto Jorge Pinto Nunes da Universidade Federal do Ceará e pelo pesquisador cubano Eduardo Diaz Granda da Universidade de Havana. Em junho próximo, o GECMAR promoverá um curso teórico e prático sobre maturação de camarões do gênero Penaeus em laboratório. Será ministrado pela coordenadora do GECMAR, Cristina Gesteira e Laída Ramos da Universidade de Havana. Os interessados poderão obter maiores informações pelo telefone (085) 261-8355.

BALANÇO POSITIVO – Os resultados da Capiatã Aqüicultura Comércio e Exportação Ltda., a maior fazenda brasileira de criação de camarões de água doce, comprovam que dedicação e bom gerenciamento são o segredo para o sucesso de qualquer empreendimento no Brasil, já que as condições ambientais são exageradamente generosas em nosso país. A Capiatã, no ano de 1995, em suas instalações no município de Coruripe em Alagoas, produziu, nada mais nada menos que 32,5 milhões de pós-larvas do camarão M. rosenbergii, num ano em que a empresa consumiu 100% de sua produção de PLs. Além disso, foram abatidas na planta de processamento , 214 toneladas de camarões,processados nas mais diferentes formas. Em 1996, a empresa volta a comercializar o excesso de sua produção de PLs e espera repetir o belo ano que passou.

AQUI CULTURA 1 – O Instituto Na-cional de Pesquisas da Amazônia – INPA, lança o livro Fishes of the Amazon and their Environment editado por Adalberto Luis Val e Vera Maria de Almeida Val, ambos da Coordenação de Pesquisas em Aqüicultura. O livro aborda a interação de peixes da Amazônia com o seu meio ambiente dirigindo o leitor desde a formação da bacia Amazônica, sua relação com a biodiversidade e variabilidade, até as estratégias adaptativas dos peixes para que pudessem enfrentar a heterogeneidade do meio ambiente amazônico. Relata também os ajustamentos respiratórios dos maiores grupos de peixes aos baixos níveis de oxigênio das águas amazônicas e discute as principais adaptações anatômicas, morfológicas, fisiológicas e bioquímicas dos peixes de respiração aérea e aquática. Para adquirí-lo, escreva para: Springer-Verlag, Postfach 311340, D- 10643 Berlim, Alemanha. Custa 198,00 marcos.

AQUI CULTURA 2 – Pronto para ser digerido pelo público, foi lançada e editada por Adalberto Luis Val e Alexandre Honczaryk, a obra “Criando Peixes na Amazônia”. Escrito por pesquisadores do INPA, Emater- AM e Embrapa, contém diversos aspectos da criação de peixes nas proximidades de Manaus. Dividido em onze capítulos, os temas do livro abordam a avaliação do status da criação de peixes no Amazonas, infra-estrutura básica para esta criação, qualidade do solo e água, espécies com potencial para cultivo e sua adaptação ao ambiente amazônico, alternativas para a alimentação dos peixes em cativeiro, consorciamento, reprodução, manejo, estocagem, despesca e tecnologia pós-colheita. Este livro pode ser adquirido junto ao Paiol da Cultura, localizado no Bosque da Ciência dentro do campus principal do INPA em Manaus. Ou através do seguinte endereço: INPA Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia, Caixa postal 478, Manaus – Amazonas, CEP 69083-000. Tel. (092) 643-3377. Preço: R$ 20,00.

AQUI CULTURA 3 – Os interessados na reprodução de peixes teleósteos marinhos e de água doce, já podem contar com a obra Biologia da Reprodução de Peixes Teleósteos: Teoria e Prática de Anna Emília Amato de Moraes Vazzoler, que apresenta o que há de mais recente nos conhecimentos sobre este tema. O livro, contendo 169 páginas em papel couché e 11 pranchas coloridas, acaba de ser editado pela SBI – Sociedade Brasileira de Ictiologia e contou com o apoio da Editora da UEM, Universidade Estadual de Maringá – PR, do NUPELIA/UEM e do CNPq. Para adquirí-lo basta enviar a solicitação, juntamente com cheque nominal de R$ 20,00, à Tesouraria da Sociedade Brasileira de Ictiologia – SBI aos cuidados de Suzana A. Sacardo, Rua Hélion Póvoa, 145/82, cep 04546-080, São Paulo – SP. O preço para não sócios é de R$ 25,00.

AQUI CULTURA 4 – Já considerado como o melhor trabalho já produzido no Brasil sobre ostreicultura, acaba de ser lançado pelo Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos (LCMM) da Universidade Federal de Santa Catarina, a obra intitulada “Cultivo de Ostras”. São 101 páginas ilustradas e de fácil compreensão, indispensáveis aos produtores e técnicos ligados a área. Ao preço de R$ 13,00, os pedidos podem ser feitos por carta, fone ou fax para: Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos, LCMM – UFSC, Caixa Postal 476, cep 88040-970, Florianópolis, SC. Tel. (048) 232-3279 e fax (048) 231-9653.

ABER – A ranicultura brasileira agora conta com mais uma associação, desta vez composta por sete empresários ranicultores. Trata-se da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Rãs – ABER, cuja presidência ficou a cargo de Rui Donizete Teixeira da empresa Rander Agroindústria Com. e Exp. Ltda., de Brasília – DF. Reuniões já foram mantidas com o setor fabricante de rações, obtendo de alguns o compromisso de investimento em linhas específicas para alimentação de rãs, bem como preços mais favoráveis para este insumo. Faz parte das metas da ABER trabalhar junto às outras associações já existentes, desenvolvendo pesquisas de mercado e publicidade institucional que serão veiculadas em televisão, revistas e jornais, de forma a divulgar bem o produto.

PARATI – Será inaugurado em março, no Condomínio Laranjeira, em Parati-RJ, o “Projeto Mexilhão Parati”. A Secretaria de Estado de Agricultura Abastecimento e Pesca do Rio de Janeiro, a FIPERJ, a Prefeitura Municipal de Parati, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente Agricultura e Pesca e o IBAMA, pretendem incrementar o cultivo de mexilhão na costa de Parati, com o qual o governo do Estado do Rio de Janeiro espera resgatar a cultura da pesca no local e, desta forma, trazer para a região benefícios sócio-econômicos. Com a utilização do long-lines e balsas, o projeto pretende, com custos relativamente baixos, ser a solução, a médio e a longo prazo, para a melhoria de vida da comunidade e para a regeneração das áreas degradadas. A costa de Parati, onde a pesca do camarão é uma das atividades econômicas mais tradicionais, também está sendo repovoada com o camarão branco Penaeus shimitti, espécie típica da área. As 100.000 pós-larvas destinadas para a fase inicial do projeto, foram trazidas do Laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina e pré-engordadas nos berçários da Estação de Aqüicultura da FIPERJ, em Guaratiba. Em 14 de março, serão lançadas no mar, na área do Saco do Mamanguá, próximas a recifes artificiais, onde se espera estarão protegidas da pesca e do arrasto.

QUALIDADE DAS ÁGUAS – Este tema, que até então tem recebido pouca atenção por parte dos criadores, foi motivo de discussões no último Congresso Brasileiro de Ictiologia realizado em Porto Alegre de 5 a 8 de fevereiro último. Mais de 180 pessoas fizeram parte da mesa redonda intitulada “Qualidade das águas para organismos aquáticos” e cerca de 50 pessoas participaram do primeiro encontro do “Grupo de estudos sobre qualidade das águas”. Segundo Helcias de Pádua, coordenador dos trabalhos, a importância do tema e a boa acolhida que vem recebendo, sugerem que as discussões que propõem alternativas para manejos regionais, sejam levadas à Câmara Setorial de Pesca e Aqüicultura, local onde o Grupo reivindica ter uma cadeira.

NO BALANÇO DAS OSTRAS – Segundo a publicação O Casqueiro do Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos da UFSC, de setembro a dezembro de 1995, foram produzidas nas novas instalações da Barra da Lagoa (ver Panorama da AQÜICULTURA, edição 30), 309 milhões de larvas “D” de Crassostrea gigas, 38,7 milhões de pedivéliger olhadas e 5,8 milhões de spats (sendo 4 milhões de spats livres, 1,2 milhões de spats fixados em conchas, 490 mil spats fixados em pratos plásticos e 120 mil fixados em outros substratos). Resultados excelentes para um laboratório que ainda nem chegou a amaciar seus motores.

RETROCESSO GERA ALERTA – Os maricultores catarinenses (mitilicultores e ostreicultores) estão extremamente aborrecidos com o Decreto Presidencial nº 1.695 de dezembro último que, segundo eles, representa um grande retrocesso, indo de encontro às conquistas obtidas nos últimos anos. De acordo com representantes desse setor, “o decreto esculhamba todo o trabalho já organizado em Santa Catarina”. Segundo o decreto, a utilização de águas públicas pertencentes a União (entenda-se concessão marinha), e a regularização das ocupações já existentes, deverão ser aprovadas pela SPU – Secretaria de Patrimônio da União, após consulta ao IBAMA, ao Ministério da Marinha e a outros ministérios eventualmente envolvidos. Esta situação se assemelha àquela onde, no final da década passada, os processos eram empurrados com a barriga pelos vários órgãos envolvidos nas concessões, gerando uma burocracia que dificultava e inibia o crescimento da atividade. Ostreiros e marisqueiros catarinenses estão sendo convocados para que, unidos, reivindiquem que as soluções encontradas por Santa Catarina sejam mantidas e, principalmente, reproduzidas em outros estados brasileiros.