Notícias & Negócios – edição 78

EM MAR ABERTO – O Programa Paraná 12 Meses, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná colheu com sucesso as primeiras oito toneladas do cultivo experimental de vieiras e mexilhões realizado em mar aberto, a uma milha de distância do litoral. O projeto, operacionalizado em novembro do ano passado, tem o objetivo de aumentar a renda das famílias que sobrevivem da pesca, dando a elas a possibilidade de trocar o processo extrativista pelo cultivo de organismos marinhos, ao mesmo tempo em que procura viabilizar condições de maricultura sustentável, que não comprometa o meio ambiente. Os estudos foram feitos pelo Centro de Estudos da Pesca, da Universidade Federal do Paraná, em parceria com o Instituto Ecoplan, instituições públicas, Marinha e associação de pescadores. Esta é a primeira experiência feita no Brasil com o cultivo de organismos marinhos em mar aberto. Os pesquisadores acreditam que o mar aberto oferece condições mais favoráveis para o desenvolvimento dos organismos e, segundo a responsável pela linha de estudos e projetos do Programa Paraná 12 Meses, Viviane Rosseto, três novas áreas de cultivo estão previstas para entrar em operação, ainda este ano, em Pontal – PR. Para o biólogo Germinal Pocá, do Instituto Ecoplan, a intenção do projeto é viabilizar uma alternativa de renda para os pescadores que não têm como competir com a pesca industrial. A maricultura, diz Pocá, tem sido tratada como uma alternativa técnica e econômica ao atendimento da demanda comercial e a preservação dos estoques naturais dos recursos pesqueiros não só no Brasil, mas em todo o mundo.

TARIFA ESPECIAL – Notícia divulgada no site www.carcinicultor.com.br dá conta de que a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) e o gerente regional do Nordeste de Aqüicultura e Pesca, Francisco Nabuco, reuniram-se com o secretário de energia do Ministério das Minas e Energia, Ronald Shuck, para solicitar a extensão do benefício da tarifa especial de energia elétrica para os aqüicultores. A tarifa especial para o consumo de energia elétrica utilizada exclusivamente em atividades de irrigação em áreas rurais, foi concedida em 1992, através da portaria no 105 do antigo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), do Ministério da Infra-Estrutura (MINFRA). Para a região Nordeste, a tarifa rural tem um desconto de 90% no consumo de energia utilizada entre 21:30 e 6 horas. A idéia é que os produtores aqüícolas passem a usufruir da tarifa diferenciada, a partir das mesmas regras da portaria destinadas aos irrigantes. Segundo Fátima Bezerra, esse benefício pode se estender aos aqüicultores, já que a produção desta atividade, em especial a carcinicultura (produção de camarão), depende do consumo de energia elétrica para oxigenação da água utilizada em maior intensidade à noite, quando baixa o nível do oxigênio nos viveiros.

PROCESSADORES – Um encontro de processadores de tilápia está marcado para o dia 25 de outubro em Londrina no Paraná. A iniciativa é de Roberto Floriani, da Agroindustrial Floriani Ltda, situada no município de Ilhota, em Santa Catarina. Segundo ele, existem ao redor de 18 empresas no Brasil que processam tilápias com inspeção federal (SIF) e estadual (SIE) e, neste encontro, pretende-se discutir, e possivelmente criar, uma entidade que associe as empresas processadoras de tilápias no Brasil com o objetivo único de fomentar o consumo do peixe no mercado interno. Segundo Floriani ([email protected]) a idéia tem tudo para dar certo e só depende agora das deliberações da reunião de Londrina.

DELÍCIA – As possibilidades do uso da tilápia na confecção de produtos parecem não se esgotar e têm estimulado novas parcerias envolvendo os tilapicultores. O produto da foto, ainda um protótipo, é fruto de uma parceria que envolve um grupo de produtores da região noroeste do Estado de São Paulo e uma tradicional indústria do Rio de Janeiro. Se depender das partes envolvidas, as tilápias em conservas serão oferecidas em breve aos consumidores com diversos temperos, entre eles o de pimenta e de alcaparras. A Panorama da Aqüicultura provou e adorou.

ABRAT REIVINDICA – A Associação Brasileira de Truticultores (ABRAT), através do seu secretário Wilson London, encaminhou ao gerente da Região Sudeste da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Ilton dos Santos Luiz, importantes propostas ao Grupo de Trabalho Interministerial que revisará a legislação do setor aqüícola. Entre elas destaca-se a alteração da tabela de cobrança estabelecida pela Instrução Normativa no 8, de 28/09/2000, que passou a taxar qualquer piscicultura intensiva, independente do tamanho da área inundada para produção, no valor de R$ 278,00, enquanto anteriormente as pisciculturas até 2 ha de área eram isentas de taxa, bastando apenas renovar seu registro anualmente. Segundo a ABRAT, os valores elevados de taxas somente desestimulam a legalização dos pequenos produtores. No mesmo documento, foi solicitado que o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e serviços de Inspeção Sanitária Estaduais assinem convênios que possibilitem a comercialização de trutas com carimbo do SIE entre estados limítrofes, em especial RJ, SP e MG. A ABRAT propõe ainda que sejam identificados nas legislações municipais, estaduais e federais os pontos incoerentes, incompatíveis, inadequados ou inexistentes com relação à legislação federal, no que diz respeito à atividade da truticultura, para que seja possível fazer alterações ou adequações nos instrumentos legais vigentes conflitantes.

COLESTEROL – Embora o camarão seja um produto de consumo popular da dieta americana, muitas pessoas o evitam pelo seu alto conteúdo de colesterol. Uma pesquisa realizada por um grupo de seis cientistas da Universidade de Miami-EUA, porém, revela que o consumo regular do camarão melhora a relação do colesterol total para o HDL (colesterol bom) e HDL para LDL (colesterol ruim). O resultado da pesquisa foi publicado na revista American Society for Clinical Nutrition. O estudo teve como objetivo testar o efeito ocasionado pela adição de colesterol do camarão a uma dieta baixa em gorduras, nas lipoproteínas do plasma sanguíneo de pessoas com lipídios normais. Foi comparado também o efeito de uma quantidade igual de colesterol ingerida, proveniente de camarão ou de ovos. A pesquisa americana demonstrou que o consumo do camarão contribui para reduzir, significativamente, as concentrações de triglicerídeos. Segundo os cientistas, uma dieta diária contendo 300g de camarão (que proporciona 590 mg de colesterol permissível/dia), aumentou em 7,1% o colesterol LDL, e em 12,1% o colesterol HDL, quando comparada a uma dieta baixa em gordura (que proporciona 107 mg de colesterol permissível/dia). A dieta de camarão, entretanto, não piorou a relação do colesterol total para o HDL nem a relação do HDL para o LDL. Além disso, o consumo do camarão diminuiu as concentrações de triglicerídeos em 13,0%. Da mesma forma, o consumo de peixes gordurosos, como a sardinha e o atum, é mais recomendável do que o de qualquer outra carne gorda. Além dos peixes conterem ácidos graxos, que protegem o organismo contra a arteriosclerose, os peixes gordos são mais ricos em vitaminas A e D, e têm em média, entre 8% e 15% de gordura. As outras carnes gordas possuem entre 20% e 30% de gordura.

COMISSÃO – Foi criada no dia 9 de julho passado, a Comissão Nacional da Carcinicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Itamar Rocha (leia-se ABCC), assume a presidência da comissão, cuja função é defender os interesses do setor junto ao governo, possibilitando melhor acesso no mercado internacional. Através da comissão, os empresários da carcinicultura encaminharam ao governo um pedido de liberação de R$ 30 milhões para financiar projetos de agregação de valor do setor, já que 80% da produção de camarão em cativeiro são exportados sem valor agregado. A idéia dos empresários é a de oferecer no mercado externo dez produtos beneficiados, e alegam que, com o beneficiamento, haverá uma maior geração de emprego. Os carcinicultores esperam também criar um selo de qualidade para aumentar a rentabilidade do setor.

OPORTUNIDADE – O Projeto Pacu está em expansão e, por isso, está selecionando representantes em todo Brasil para venda de seus produtos. Este representante, pessoa jurídica ou física, deverá estar ligado de alguma maneira ao ramo de aqüicultura, seja como representante de rações para peixes, equipamentos para aqüicultura, lojas de produtos agropecuários, técnicos que trabalham com extensão em aqüicultura, etc. Os interessados devem entrar em contato com a empresa através do e-mail [email protected]

ALZHEIMER – De acordo com uma pesquisa conduzida por sete anos nos Estados Unidos, uma alimentação baseada em peixe e nozes, rica em ácidos graxos poliinsaturados, reduz o risco de uma pessoa desenvolver o mal de Alzheimer. O estudo publicado na revista “The Archives of Neurology” relata o levantamento feito com 825 enfermeiros, onde 131 deles apresentaram a doença degenerativa. Segundo a pesquisadora Martha Clare Morris, do Centro Médico St. Luke, de Chicago, aqueles que comeram peixe pelo menos uma vez por semana correram um risco 60% menor de desenvolverem a doença. Para Morris, os ácidos graxos protegem as membranas dos neurônios dos efeitos causados pelo mal.

EMATER/PR – Mais de 100 piscicultores paranaenses estiveram presentes ao XV Reencontro de Piscicultores da Região Metropolitana, para debaterem a comercialização de seus produtos, considerada o maior entrave para o desenvolvimento da atividade na região. Como solução para o problema conseguiram que fosse disponibilizado para a Cooperativa dos Piscicultores do Paraná – Coopispar, um boxe na Ceasa de Curitiba, onde serão vendidos peixes vivos, eviscerados, filetados (resfriados, congelados e rotulados) e alevinos.

TARTARUGAS – O IBAMA criou em Goiânia o Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia (Cenaqua), para proteger e incentivar a criação da tartaruga-da-amazônia Podocmenis expansa, tão predada por causa de sua carne. O Cenaqua protege uma centena de áreas de reprodução, onde já nasceram 22 milhões de filhotes. Desses, 10% são reservados para criadores comerciais, que preservam 10% da produção como reprodutores. Todas as 96 fazendas de criação estão localizadas no Norte e Centro-Oeste, pois a condição indispensável para o sucesso da criação é a temperatura quase constante entre 25 e 35 graus. Os filhotes são entregues aos produtores com 20 gramas e podem ser abatidos quando o casco chega a 30 centímetros, com 1,5 e 3,5 quilos. A tartaruga-da-amazônia alimenta-se de ração para peixe, precisa cálcio suplementar, engorda 1 quilo por ano, e é possível criar até cinco tartarugas por metro quadrado de tanque. O quilo da sua carne vale 15 vezes mais que a carne de vaca e também são vendidos, para a França, subprodutos como ovos e óleo, usados na indústria de perfumes e cosméticos, bem como a carapaça, matéria-prima para prendedores de cabelo e artesanato. A criação da tartaruga, porém, só está autorizada nos estados brasileiros nos quais ela ocorre na natureza. O setor que autoriza a criação é o Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios.

MESTRADO – As inscrições para o Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aqüicultura (PPG-RPAq) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estarão abertas no período de 01 a 30 de setembro de 2003. O mestrado foi criado em setembro/2000, através da Resolução no. 336/2000 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRPE, tendo sido recomendado pela CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior, com o conceito 3, em novembro/2001. O PPG-RPAq é composto pela área de concentração em Aqüicultura e Recursos Pesqueiros. Mais informações com a Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aqüicultura – PPG-RPAq/ Departamento de Pesca/UFRPE , fones: (81) 3302-1515 e (81) 3302-1500, email: [email protected] – www.ufrpe.br/prpqp

PEIXE VIVO – Anote em sua agenda o telefone da Piscicultura Peixe Vivo, de Mato Grosso do Sul. Na publicidade da empresa em nossa última edição o número do telefone foi publicado errado. O telefone correto é (67) 342-1595.

IMPULSO – O Estado do Tocantins ganhou a sua primeira unidade de abate de peixes com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O Frigorífico de Pescado Tamborá, localizado em Almas, a 300 km de Palmas, tem capacidade para processar até cinco toneladas de pescado/dia, toda a demanda do estado. O frigorífico, que está à disposição de todos os piscicultores do estado, possibilita um ganho para os produtores que não têm registro de inspeção estadual ou municipal, e que agora, poderão comercializar dentro e fora do estado. Tambaquis, piaus, tambacus e outros peixes, sairão do frigorífico sem vísceras, conservados em gelo para que sejam vendidos como peixes frescos, mas a intenção é que, em breve, possam ser oferecidos também em postas, filés, hambúrgueres e enlatados.

FESTA DE FORMATURA – Sete cursos do ensino superior de Santa Catarina acabaram de receber o reconhecimento do Ministério da Educação e Cultura (MEC), entre eles o de Engenharia de Aqüicultura da UFSC. O curso foi criado em 1998 e a primeira turma ingressou em 1999. A duração do curso é de quatro anos e meio, e todo ano 60 novos alunos ingressam através do vestibular. Existem hoje cerca de 250 alunos cursando a Engenharia de Aqüicultura e, dos 30 alunos que ingressaram em 1999, 26 acabaram de se formar no último dia 30 de agosto com colação de grau e baile de formatura (foto) com a presença da prefeita de Florianópolis, Ângela Amin. Segundo o professor Luiz Vinatea, também escolhido como paraninfo da turma, o melhor de tudo é saber que todos os formando já estão empregados.

CANCELAMENTO – Apesar de constar do Calendário Aqüícola desta edição, o I Simpósio Brasileiro de Ranicultura e II Ciclo de palestras sobre Ranicultura do Instituto de Pesca tiveram que ser cancelados por questões financeiras. A comissão organizadora solicitou verba à diversas instituições que, infelizmente, alegaram entre outras pérolas, que a ranicultura não é uma linha prioritária no momento ou que apesar da programação incluir pesquisadores do Brasil inteiro, o encontro é muito regional. Diante das negativas de financiamento a pesquisadora Cláudia Maris Ferreira, coordenadora do encontro, não teve alternativa a não ser a de cancelar o evento programado para os dias 24, 25 e 26 de outubro.