Notícias & Negócios Internacionais – edição 52

Colaborou nesta seção o biólogo Moacir Apolinário


SALMONICULTURA – O Chile já alcança uma posição de destaque na salmonicultura mundial. É o segundo maior produtor mundial e goza de prestígio e bons preços nos mercados internacionais, apesar de ser uma indústria jovem com quase uma década de vida. No entanto, a salmonicultura chilena baseia-se na aclimatação das ovas importadas, já que a produção de ovas chilenas ainda não permite satisfazer a demanda local.Com a introdução recente de normas restritivas à importação de ovas (motivadas por razões sanitárias) a produção chilena, sendo dependente destes insumos, vem sofrendo um forte impacto. Contudo, os produtores chilenos estão partindo para soluções caseiras, como o incentivo a produção nacional de ovas de salmonídeos, como no caso do salmão “coho”, cuja produção de ovas já substitui, quase por completo, as ovas importadas.Com esta medidas, os salmonicultores chilenos estão preservando a produção nacional de contaminações e demais problemas sanitários, incentivando o desenvolvimento de tecnologia para produção de ovas locais e garantindo a manifestação de uma produção mais desenvolvida, mais competitiva e mais respeitada no mercado mundial. UNIÃO EUROPÉIA – A União Européia acaba de divulgar uma lista de países de onde produtos da indústria pesqueira e afins estão autorizados à serem importados. De acordo com a legislação do Conselho de Saúde e Veterinária da UN, 77 países foram divididos em duas categorias: os “totalmente saudáveis” e os da “pré-lista”. Os da “pré-lista” ainda não atingiram todas as exigências sanitárias para colocarem seus produtos no mercado europeu. O Brasil encontra-se na lista dos “totalmente saudáveis”.

TENDÊNCIAS GLOBAIS – Considerando uma lista de tendências de consumo e resultados de pesquisas em andamento, publicadas pela revista Seafood International, serão estas as principais espécies que dominarão o mercado aqüícola internacional em um futuro próximo: dourado (Coryphena hippurus), sendo cultivado experimentalmente na Flórida e Barbados; coquille de Saint Jacques (Pecten maximus, Chlamis opercularis), cultivado na Europa; linguado (Hippoglossus hippoglossus), em cultivos experimentais na Noruega; wolf fish (Anahichas minar), em cultivos experimentais na Noruega; abalones (Haliotis rufencens, Haliotis discus hannai), cultivados no Japão, EUA, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e México; red drum (Sciaenops ocellatus), cultivados na Martinica, EUA, e Panamá; camarão da Malásia (Macrobrachium rosenberguii), cultivados em diversos países tropicais; bacalhau (Gadus marhua), em cultivos experimentais na Noruega. Das espécies citadas, apenas o Macrobrachium rosenbergii é cultivado em escala comercial no Brasil.

OURIÇO DO MAR – Alguns países como o Chile e o México já investiram na tecnologia do cultivo de ouriços-do-mar e tornaram-se importantes exportadores dos produtos obtidos por suas gônadas, que são comercializadas no mercado internacional de três formas: congeladas em blocos de 100 gramas e embaladas em caixas de 10 kg; enlatadas (latas tipo RO 200) e embaladas em caixas com 48 latas e, desidratadas e salgadas em blocos de 500 gramas e embaladas em caixas de 12 kg. Os produtos alcançam valores de US$ 16,00 à US$ 21,00 por quilo, cujos principais mercados consumidores são o Japão (68%) e os Estados Unidos (29 %). No Brasil os estoques naturais de ouriços são apenas explorados junto às regiões costeiras, abastecendo um pequeno mercado interno composto basicamente de alguns restaurantes japoneses, em uma atividade nada sustentável.

EL NIÑO – Segundo pesquisadores mexicanos a captura de atum, sardinha e lula no Pacífico Leste sofreu uma redução de 19% em 1998 devido a influência do fenômeno El Niño. Ainda não se sabe se estes estoques estão se recuperando e se retornarão ao patamar de 570 mil toneladas ou se esta redução terá um efeito mais prolongado na população natural. Se esses 3 grupos pescados não forem cultivados, tenderão a acabar. Cabe lembrar que além de variações naturais de cada população existe uma crescente pressão de captura com o aumento da frota e das tecnologias pesqueiras.