NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE – edição114

De: Esmar Júnior 
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Assunto: Dúvidas/Ictio
Bom dia a todos. Poderiam me esclarecer uma dúvida quanto ao tratamento a que posso recorrer para a doença dos pontos brancos (Ichthyophthirius multifiliis) em meus japoneses e carpas? Qual seria o melhor tratamento: formol, verde malaquita ou sal e qual as dosagens? Devo esterilizar o ambiente todo ou só os animais infectados? Desde já agradeço.


De: Paola P. de Oliveira Camargo
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Bom dia, o produto registrado no MAPA para utilização em tratamentos tanto para Ictio quanto para outros ectoparasitos em peixes é o Masoten da Bayer.Temos um manual de procedimentos para a utilização de tal produto. No caso de Ictio, recomenda-se a aplicação do produto a cada 3 dias, com 3 aplicações.


De: Felipe Ribeiro
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Caro Esmar, se os animais estiverem em um sistema de pouco volume e temperatura passível de controle, uma excelente alternativa para diminuir o Ictio, sem uso de qualquer medicamento, é manter a temperatura da água acima de 32ºC por dois a três dias. Praticamente qualquer protozoário parasita de peixes não sobrevive a essas temperaturas. Se for possível realizar esse manejo, fique atento a sinais de doenças bacterianas, pois elas são favorecidas pela temperatura alta. Por fim, verifique as condições em que você está mantendo seus animais, pois invariavelmente o aparecimento de enfermidades está relacionado a condições inadequadas de manutenção e manejo, como por exemplo água de má qualidade e mudança brusca de temperatura. Uma curiosidade: apesar de ser uma “doença” de fácil controle, o Ictio está entre os parasitas que mais matam peixes ornamentais, especialmente em condições pós-produção, ou seja, em atacadistas, lojas e aquários e tanques de hobbistas.


De: Alvaro Graeff
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Estimados Esmar e Felipe, na criação de jundiás (Rhamdia quelen) o Ictio é peça fundamental para ser eficiente, ou não, em produção de alevinos. Até teria a coragem de afirmar, não sou especialista nisto, que é o maior problema em termos de produtividade e sobrevivência. Os insumos necessários para combater ou controlar ainda são caros, não justificando seu uso.


De: Tiago Moraes
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Meus caros, o tratamento mais eficaz é através de banhos terapêuticos em tanques para tal finalidade. Dependendo da intensidade da infestação, banhos com sal de cozinha 3g/L durante 24 horas costumam resolver. Em caso de infestações mais severas, banhos com 50g/L de sal de cozinha podem ser usados, mas não ultrapassando 20 minutos. Banhos com formalina, usando 1 ml de formalina comercial para cada 4 litros de água, podem ser uma alternativa. O banho deve ser repetido por 3 vezes com intervalo de 3 dias. Porém, muito cuidado! Façam o teste com um pequeno número de animais para adaptar as dosagens, pois elas variam de acordo com a espécie e o estágio de desenvolvimento.


De: Álvaro Graeff
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Estimado Tiago, trabalhando em cima dos números que propôs, veja: 3 g/L num tanque de alevinagem de 150.000 litros = 450 quilos torna-se inviável técnica e financeiramente. 50 g/L num tanque de alevinagem de 150.000 litros = 7.500 quilos, idem. 1 ml de formalina para cada 4 litros em um tanque de 150.000 litros = 37,5 litros é inviável técnica e financeiramente. Por isto eu reafirmo que ainda é difícil fazer tratamentos curativos. O que devemos e podemos fazer é a prevenção, apesar de ser difícil.


De: Tiago Moraes
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Caro Álvaro, concordo plenamente que a prevenção é a medida mais viável do ponto de vista econômico e ambiental. Porém, muitas vezes não temos o total controle sobre a qualidade do ambiente e os “invasores” acometem nossas culturas. Certamente aplicar as dosagens recomendadas em tanques com grandes volumes é inviável e por esse motivo frisei: o tratamento mais eficaz é através de banhos terapêuticos em tanques para tal finalidade. Ou seja, tanques específicos com volumes menores.


De: Leopoldo Barreto 
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Assunto: Re: Dúvidas/Ictio
Esmar, o sistema só necessita ser esterilizado se a doença for crônica, ou seja, afete todos os animais do aquário/tanque. O Ictio é recorrente em diversos sistemas, o que se deve atentar é para a questão da boa manutenção da qualidade da água associada à boa alimentação, o que torna o animal “resistente” ao possível ataque de doenças oportunistas. Seguem recomendações específicas para kinguios e carpas: pH 7,0 – 7,4 (pH ácido concorre para o aparecimento de doenças em kinguios); amônia (próximo a 0,0); boa oxigenação (devido ao porte dos kinguios e carpas, esses consomem bastante oxigênio); temperatura abaixo dos 28ºC (kinguios e carpas são peixes de águas temperadas); alimentação balanceada (sem excesso de proteína, com vegetal e carboidrato). Essas são algumas sugestões para a boa manutenção e possível cura, sem retorno do Ictio e outras doenças.


De: Elmo Vieira Rodrigues 
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Assunto: Engorda tilápias fêmeas
Olá pessoal, sou zootecnista, produtor de tilápias e tenho interesse em algum trabalho sobre engorda de fêmeas de tilápia. Realizei alguns experimentos com engorda de tilápias fêmeas e obtive resultados satisfatórios. Gostaria de debater sobre o assunto.


De: Ricardo Y. Tsukamoto
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Assunto: Re: Engorda tilápias fêmeas
Prezado Elmo, há muitos anos, tive a oportunidade de participar de trabalhos na Ásia, onde se constatou que a fêmea de tilápia nilótica tem potencial de crescimento superior ao do macho. Porém, como a fêmea tipicamente desova uma vez por mês e fica sem comer durante o período de incubação (bucal) dos ovos, ela acaba acumulando menos peso por investir mais na reprodução. Já quando a fêmea é castrada geneticamente, o seu potencial de crescimento é plenamente aproveitado e ela, então, cresce mais que o macho. A castração genética é alcançada pela produção de lotes triplóides de tilápia, tal como se faz com truta (veja artigo sobre uso da triploidia em truta no Brasil na edição 113 da Panorama da AQÜICULTURA). Além disso, em contraste à agressividade dos machos, a tilápia fêmea é dócil, o que mantém baixo o estresse competitivo e homogeneíza o crescimento de toda a população.


De: Elias de Souza Souza
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Assunto: Re: Engorda tilápias fêmeas
Caro Ricardo, o que aconteceria com fêmeas (normais, não sendo triplóides) criadas em tanques sem a presença de machos; elas fariam o mesmo processo de desova e ficariam sem comer, atrasando o crescimento?


De: Ricardo Y. Tsukamoto
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Assunto: Re: Engorda tilápias fêmeas
Elias, essa pode ser uma estratégia interessante. No sul do Japão, havia uma criação comercial de tilápia nilótica em tanque de concreto, em que a alta densidade, de 40 kg/m3, era mantida para inibir a reprodução e obter maior taxa de crescimento. Possivelmente, fatores como alta densidade e falta de substrato para postura possam vir a inibir o desenvolvimento gonadal. É um bom tema para pesquisa e tese.

De: Elias de Souza Souza
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Assunto: Re: Engorda tilápias fêmeas
Olá, Ricardo, muito obrigado pela resposta; perguntei sobre isso porque tive informação de um trabalho realizado na Bahia, em Paulo Afonso, em que alevinos produzidos através de retrocruzamento macho f-1 (nilótica x zanzibar) com fêmea nilótica foram criados em tanque-rede e os ovários das fêmeas com idade de 6 meses ficaram atrofiados e imaturos. Foi sugerido que a fêmea canalizou a energia para o seu crescimento e não para o desenvolvimento gonadal. Já essas mesmas fêmeas, criadas em tanque escavado, produzem normalmente.


De: Ricardo Y. Tsukamoto
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Assunto: Re: Engorda tilápias fêmeas
Prezado Elias, o gargalo para o crescimento da tilápia está em que o organismo da fêmea diplóide está programado para formar ovos maduros, em um ciclo aproximadamente mensal, com base contínua. Sem a presença de machos, os ovos gerados acabam sendo perdidos depois de atingir o estágio maduro. Desta forma, o corpo da fêmea investe “em reprodução” quase todos os nutrientes e energia que obteve da alimentação. Em um animal selvagem, na natureza, tal investimento maximizaria a perpetuação da espécie. Entretanto, em um cultivo que objetiva a produção de biomassa, isso significaria desperdiçar mensalmente quase tudo o que o peixe conseguiu acumular. Por isso, considero que, sem machos presentes, a taxa de crescimento da população de tilápias fêmeas diplóides poderia até aumentar um pouco, pela menor pressão competitiva. No entanto, a maior parte do recurso que foi obtido da alimentação continua a ser jogado fora nas fêmeas diplóides.