NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE – edição118

De: J. Casaca
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Assunto: Pangasius

O panga está influenciando o comércio de peixes aqui no Oeste de Santa Catarina. Muitos produtores de tilápia estão perdendo mercado para o panga. O preço do panga no varejo está entre R$ 8,50 a 12,00 comparados com o preço do filé de tilápia entre R$ 13,00 a 21,00. Cabe lembrar que hoje a tilápia é a espécie mais criada na região, representando em torno de 50% do total. Mas os donos de restaurantes compram o panga diretamente do distribuidor a um preço em torno de R$ 6,50 – 7,50/kg, preparam como filé frito e o colocam no bufê. Muitos dizem que é filé de tilápia. Resultado: os restaurantes estão deixando de comprar o filé de tilápia. Por aqui a impressão do consumidor em relação ao filé de panga é diferente ao relatado aqui na Lista Panorama-L. A maioria tem aprovado o filé de panga. Esta é uma oportunidade para os estudiosos do comportamento dos consumidores.

De: Francisco Leão
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Assunto: Re: Pangasius

Em relação à tilápia cuidado para não comparar peixes grandes (1 kg) de cultivo intensivo com peixes pequenos (400g) de pesca de captura. São duas coisas bem diferentes, embora, nem sempre o consumidor perceba/reconheça a diferença. Aqui em São Paulo o filé varia de R$ 21,00 (supermercados de classe A e B) a R$ 8,00 (o filezinho pequeno vendido quase que de forma clandestina). O peixe inteiro pode ser encontrado a R$ 8,00 o kg na peixaria, que, por sua vez compra do CEASA a R$ 4,50.

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Re: Pangasius

Estimado Casaca, neste limão azedo vejo uma oportunidade única de fazer uma bela limonada. Usando o artifício de que se o consumidor gosta do panga, por que não experimentar nossos nativos de couro? E, neste raciocínio, nós daqui do Sul temos no jundiá (Rhamdia quelen) um belo peixe, que se produzido em escala, pode competir em qualidade e preço. Como? Vamos desenvolver tecnologias, pois se os outros conseguiram por que não podemos?

De: Guilherme Accorsi
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Assunto: Re: Pangasius

Prezados, experimentei o filé de panga aqui em Florianópolis e a minha opinião é que o filé é gorduroso e sem muito gosto. O filé de tilápia, em termos de qualidade, é muito melhor do que o de panga. Por essa razão acredito que a perda de mercado da tilápia seja apenas temporária. Hoje está se perdendo mercado, pois é um produto “novo” no Brasil. Com o passar do tempo o próprio consumidor vai voltar a dar preferência à tilápia, acredito.

De: Bruno Graziano da Silva Turini
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Assunto: Re: Pangasius

Prezados, acredito que para todo peixe exista um mercado, mesmo que específico. Trabalho atualmente com peixes nativos amazônicos (surubim, pintado da Amazônia e tambaqui) e com espécies exóticas (tilápia). Atualmente passamos a adquirir também o pangasius. A indústria brasileira de pescado ainda sofre com a escassez de matéria prima de qualidade e de baixo custo. O pangasius, por possuir excelentes características sensoriais (carne branca, leve, saborosa e sem a presença de espinhas e off-flavor), surge como alternativa, podendo ser utilizado na formulação de produtos a base de peixe (hamburger, fish bits, cripy fish, tirinhas, etc.). É claro que sou defensor de um comércio justo, sem fraudes econômicas. E também concordo com a preocupação de muitos, quando o assunto diz respeito às condições de trabalho no Vietnã, à falta de inocuidade e às BPFs. Entretanto, não vejo motivo para tanta preocupação. Prefiro acreditar que esta seja uma oportunidade de diversificação de nossos produtos. Existe espaço para todos!

De: Central do Peixe
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Assunto: Re: Pangasius

Concordo integralmente com o Álvaro, temos muitas alternativas e a presença do panga nesse momento nos obriga a procurar estas alternativas. Alguns anos atrás, mas precisamente antes de 2006, nos lutávamos em Mato Grosso para poder criar tilápia, pois éramos proibidos por lei. Quando conseguimos aprovar a lei 8464 que permitia a criação de tilápia, continuamos sem criar tilápia, pois descobrimos que os resultados financeiros eram melhores com os nativos do que com tilápia, foi necessário um problema para descobrirmos uma alternativa. Pode ser este o momento de olharmos para os nossos peixes.

De: Ricardo B. Borges
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Assunto: Re: Pangasius

O preço do panga poderá baixar ainda mais quando as grandes redes de supermercado descobrirem que podem comprar diretamente dos exportadores, com embalagem própria (private label), tirando as indústrias importadoras atuais do circuito. Aliás, o mesmo Vietnã está com um bruta incentivo para fazer o mesmo com o cultivo da tilápia.

De: Jefferson de Alexandre Pessoa
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Assunto: Re: Pangasius

Comprei filés de panga e achei extremamente gordo (gorduroso), não sei se é apenas comigo, mas peixe muito gordo me causa repugnância. Apesar da gordura encontrada acredito que o peixe tenha um bom sabor (quando magro). Com relação a aparência, o filé é muito bonito.

De: Mab Aquicultura
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Assunto: Re: Pangasius

Uma constatação pra quem trabalha com comercialização de pescado aqui no Brasil: aqui se compra e vende tudo! Ou melhor, se tem mercado pra “quase” tudo. Um exemplo é o próprio panga que dizem terem visto num estado que “não os agradaram”. Muito provavelmente, vocês devem ter visto uma das várias possibilidades de produto que esse peixe pode ser comercializado, ou seja, um filé de panga amarelo e com barriga (classificam como “untrimmed”). Esse é um tipo de produto mais barato e bom para mercados e consumidores pouco exigentes, que são uma grande “fatia” dos brasileiros que visitam e compram pescado nas peixarias e supermercados, locais onde mais se compra pescado por aqui. Com o mesmo peixe também é possível atender um mercado muito mais exigente, através de um filé de panga branco, sem espinhas, sem pele, sem barriga, toalete perfeito e embalado a vácuo. Esse produto, lógico, tem preço muito superior e pode ser utilizado para pratos especiais em hotéis, restaurantes e/ou lojas especializadas de catering, etc.. Alguém duvida que não temos mercado para os dois produtos acima descritos? Alguém duvida que o mesmo possa ser feito com alguns tipos de pescado que encontramos por aqui, como é o caso dos nossos jundiás? Essa adaptação já vem sendo feita em alguns tipos de pescado. Pra resumir, o que quero dizer é que existe mercado por aqui para as inúmeras opções de produto e para inúmeras formas de apresentação e qualidades de pescado. O consumidor é quem decide! E olha que ele tem decidido por todos. Apesar do critério “qualidade” ainda não ser algo compreendido plenamente pelos consumidores, isso facilita o consumo de “qualquer coisa”. Produtos bem elaborados ou produtos com quase nenhuma preparação ou agregação de valor. Não importa. Podemos concluir que no Brasil, se come pescado de “quase” todo jeito (independente de sua qualidade). E não é só por aqui que acontece isso! Apesar do comércio mundial de pescado ser absurdamente maior do que várias carnes, precisamos conhecer ainda muito a nossa “casa” e os costumes de seus ocupantes. E desfrutar de tudo isso com bons lucros!

De: Cristiano Gomes
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Assunto: Re: Pangasius

Tive o prazer de adquirir uma boa quantidade de filé de panga, e concordo em parte no que você relata. Realmente é um filé de ótima apresentação com toillet “quase” perfeito e o que mais incrementa sua qualidade visual são suas características sensoriais, comprovando um tipo de congelamento rápido e eficiente. Em contrapartida é um filé muito esbranquiçado, com uma ventrecha quase inexistente. Em relação às formas de apresentação, o mesmo não disponibiliza opcões para cortes variados, já que o seu lombo não apresenta uma espessura tão satisfatória para tal procedimento. E no que se refere a “off-flavor” concordo plenamente com os outros colegas, filé sem gosto não dando para fazer qualquer comparação com a tilápia ou até mesmo outros filés populares como o de piramutaba. Testes que fiz com a carne dele moída, apresentam uma grande quantidade de gordura, durante a lavagem e separação, muito acima da tilápia, mapará, por exemplo, é como se fosse uma pasta branca não solúvel em água. Mas como você falou, “tem preço”. Enfim, esse filé de panga tem duas vantagens, o preço e o glaciamento, quase inexistente.