NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE – edição126

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Tilápia X Salmão

Estive hoje em um supermercado e lá tinha peixes de mar e de água doce. Entre eles o filé de tilápia a R$ 22,80/kg e salmão a R$ 22,25/kg. Fiquei pensativo para decidir qual levar. Mas o assunto que me leva a escrever é a surpresa da origem do salmão: da China! Sempre pensei que o salmão vendido aqui era do Chile. Será que estou tão desinformado?

De: Andre de Pauli
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Assunto: Re: Tilápia X Salmão

Tenho acompanhado e realmente está entrando muito salmão chinês, principalmente em filés. Na crise de abastecimento por conta da ISA, os importadores começaram a trazer, e pelo jeito gostaram, pois para os clientes que não exigem origem, coloração, etc. e querem somente preço baixo, este produto serve.

De: Silvano Garcia
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Assunto: Re: Tilápia X Salmão

Ontem tive esta surpresa de encontrar salmão da China nas gôndolas de supermercados aqui em Balneário Camboriú, encontrei também tilápia, mais cara que o salmão, vinda da Região Centro Oeste do Brasil.

De: Zé Maria
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Assunto: Re: Tilápia X Salmão

Esse salmão vem da China, mas é adquirido da Rússia, de origem da pesca extrativa. O preço FOB está em torno de US 7,8 – 9,0/kg (filé) dependendo do tamanho.

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Camarão de água doce

Pode o camarão de água doce Macrobrachium rosenbergii, também conhecido como camarão da Malásia, fechar todo ciclo em liberdade, em nossos rios?

De: André Pellanda de Souza
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Assunto: Re: Camarão de água doce

Se o camarão tiver acesso à região estuarina do rio ele pode sim, fechar seu ciclo de vida nos rios com acesso ao mar. Não realizei nenhuma pesquisa para chegar a essa conclusão, mas o que me levou a crer nisso é que há rios aqui no Espírito Santo em que o camarão da Malásia se estabeleceu, servindo, inclusive, de grande fonte de renda para pescadores, como o Rio Doce, por exemplo.

De: Marcelo Catharin
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Assunto: Re: Camarão de água doce

No Rio Cricaré, em S. Mateus, também no Espírito Santo, o camarão da Malásia, da mesma forma que no Rio Doce, em Linhares, se estabeleceu por ter acesso à região estuarina do rio, fechando seu ciclo reprodutivo. Não há estudos sobre o seu impacto ambiental no Rio Cricaré, porém os pescadores não reclamaram. Pelo contrário, a maior fatia de suas rendas é originada da captura do camarão da Malásia.

De: Maurí­cio Emerenciano
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Assunto: Re: Camarão de água doce

O M. rosenbergii necessita de salinidade entre 12-16ppt no seu ciclo larvário. Em larviculturas continentais da espécie a solução é trazer água do mar ou produzir artificialmente a mesma. Existe uma grande discussão em torno do M. amazonicum, que, no Mato Grosso do Sul fecha todo o seu ciclo em água doce. Enquanto que no Norte do país (região do Pará), necessita de água salobra para a fase de larvicultura. Não estou atualizado, mas havia uma discussão se eram ou não a mesma espécie.

De: Fábio Sussel
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Assunto: Re: Camarão de água doce

Concordo com as informações. Realmente o camarão da Malásia precisa desta água salobra para completar seu ciclo larval, enquanto o camarão da Amazônia vem conseguindo se reproduzir em água doce. Os últimos artigos que eu li consideram o camarão existente aqui do rio Paranapanema como M. amazonicum mesmo, ou seja, o mesmo da Amazônia. Mas o que eu tenho constatado é que este camarão do rio Paranapanema possui tamanho inferior ao “original” da Amazônia. Enquanto os “originais” atingem 13–15 g, os do rio chegam a 5 g. Portanto, acho válido um estudo taxonômico mais detalhado. Mesmo sendo menores, é impressionante a biomassa deste camarão no rio. Não somente no Paranapanema, mas também no Grande, no Tietê e no Paranazão. O que pra mim é fantástico! São animais bentônicos com uma grande capacidade de aproveitar alimentos que espécies nativas do rio não aproveitariam, como, por exemplo, o perifíton existente nos “talos” de capim que ficam na margem do rio. Enquanto larvas servem de alimento para todas as espécies do rio, depois de pós-larva, juvenil e adulto, servem de alimento para inúmeras espécies (tucunaré, corvina, traíra, piaus, lambaris, carás, pacu, aves aquáticas e etc…). Gostei muito da informação a respeito da pesca extrativa do gigante da Malásia no Espírito Santo. Possíveis implicações ecológicas são pressupostas. Aumento do recurso pesqueiro e, consequentemente aumento de renda da população ribeirinha, são um fato. Enquanto possíveis implicações ecológicas não são devidamente comprovadas, devemos considerar a subsistência do ser humano. Meio ambiente acima de tudo, pois dependemos diretamente dele, mas sem alardes falsos e sem drama desnecessário.

De: Francisco das Chagas de Medeiros
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Assunto: PCH

Algumas empresas proprietárias de PCH (pequenas centrais hidrelétricas) estão criando dificuldades para ocupação dos lagos para produção de peixes, alegando que os resíduos orgânicos podem danificar os equipamentos. Aqui em Mato Grosso temos PCH com mais de dois anos de produção sem nenhum tipo de problema. O que temos de concreto sobre este assunto?

De: Felipe Matias
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Assunto: Re: PCH

As concessionárias de energia têm concessão para o uso da água para geração de energia. Mas a água no Brasil tem usos múltiplos e um deles é a aquicultura. Com relação a isso o MPA efetiva concessões para águas de domínio da União para fins de aquicultura, depois de percorrer alguns órgãos (IBAMA, ANA, Marinha, OEMA e SPU), de acordo com o Decreto 4895/2003. Para águas estaduais, cada estado deve (ria) ter suas próprias regras.

De: Francisco das Chagas de Medeiros
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Assunto: Re: PCH

Nestes casos as águas são estaduais e o problema é com a concessionária, o órgão ambiental não tem nenhuma restrição.

De: Felipe Matias
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Assunto: Re: PCH

Sugiro então, uma conversa dos produtores da AquaMat e outros interessados com os representantes do governo do estado. Estivemos em reunião com o governador do MT, juntamente com sua equipe e ele se mostrou amplamente favorável ao desenvolvimento da aquicultura neste estado. Acho que vocês terão sucesso e se precisarem de ajuda nesta interlocução, podem contar conosco.

De: Luiz Henrique Vilaça
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Assunto: Re: PCH

Mesmo tratando-se de águas estaduais, onde não existe legislação para cessão específica para aquicultura, como nas de domínio da União, as concessionárias de energia são como todas as outras atividades cessionárias, isto é, usuários de um bem público. Do mesmo modo que todos os demais usos, as geradoras de energia possuem licenciamento ambiental e outorga, sejam estas estaduais ou federais. Todos os estados possuem órgãos gestores de recursos hídricos, responsáveis pela outorga e órgãos estaduais de meio ambiente, responsáveis pelo licenciamento. Sabemos que todo reservatório possui uma atividade preponderante, ou seja, aquela para a qual o reservatório foi constituído, ou uma atividade mais nobre que, nesse caso, trata-se do abastecimento humano e da dessedentação animal, estando as outras atividades (usos múltiplos) respeitando e não impondo limites às atividades preponderantes e mais nobres. Não há qualquer impedimento em seu desenvolvimento, seja em águas da União ou águas estaduais obviamente, desde que submetidas às legislações ambientais e de recursos hídricos. Trocando em miúdos, se a atividade for licenciada e possuir outorga a concessionária não pode impedir sua instalação e desenvolvimento. Mas sabemos que grandes empresas têm influência e podem barrar atividades menores. Um caminho de negociação com as concessionárias é a responsabilidade social que as mesmas têm com as comunidades no entorno dos reservatórios, onde estas são obrigadas a investir no desenvolvimento de ações de geração de emprego e renda como compensação pelos danos causados na formação dos reservatórios. Temos diversos exemplos de empresas tomando iniciativas no que se refere a aquicultura como agente transformador da realidade social das comunidades ribeirinhas.

De: Andre Muniz Afonso
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Assunto: Mercado do Panga

Eu não tinha provado o panga até uns dias atrás, quando o comprei para fazer um jantar para amigos e ele não decepcionou. Ficou muito bom. Comprei num mercado de Palotina, Oeste do Paraná, o panga vendido pela Leardini. A embalagem com 1 quilo de panga estava custando R$ 13,00. Já a embalagem de 400 gramas do filé de tilápia estava custando R$ 11,00.

De: Francisco das Chagas de Medeiros
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Se já importamos as melhores linhagens de tilápia (exótico) para termos competitividade no mercado internacional, principalmente o americano, por que não importarmos as melhores linhagens de panga para irmos novamente para o mercado internacional? Afinal, somos o maior produtor de bovino do mundo (exótico),
somos o segundo maior produtor de soja do mundo (exótico),
e somos o maior exportador de frango do mundo (exótico). Negócio é negócio.

De: Rafael Bueno de Alvarenga Camacho
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Potencial é o que não falta, só falta o mesmo interesse político-econômico que tivemos quando iniciamos as atividades de produção de bovino, aves e soja. Se no boi, frango e soja somos competitivos, na aquicultura com certeza também seremos, só falta o interesse. Nunca é tarde pra profissionalizar o setor!

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Isto seria ótimo se não estivéssemos proibidos pela legislação de importar peixes exóticos.

De: Gilmar Nunes
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Lamentável que ainda existam pessoas que só pensam em dinheiro (dinheiro é bom, mas a que preço?). São por causa dessas pessoas que ainda não entraram no século XXI, e seus discursos mais que equivocados, e que ainda estão no período do vale-tudo pela sobrevivência, o que temos hoje no Brasil: Mata Atlântica devastada, Floresta Amazônica em passos largos para sua total destruição, sobrepesca em várias espécies e algumas já ameaçadas de extinção, destruição da camada de ozônio e por aí vai. Negócio é negócio… e vamos nessa pessoal! Todos por poucos e poucos por eles mesmos.

De: Antonio Pádua
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Não sei se produzir o panga por aqui seria a melhor solução. Seriam necessários estudos, adaptações e recursos que poderiam ser investidos em peixes nativos com grande potencial.

De: Flavio F Lindenberg
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Prezados, parabenizo a discussão. A realidade é esta, temos nas nossas espécies nativas muitas qualidades sendo descobertas, seus nichos de mercado sendo abertos e suas vantagens se impondo. São as mais apoiadas pelo governo e isso é normal. É bom, pois vão ganhando produtividade e espaço no mercado. Porém, a maior parte da nossa aquicultura se faz com o cultivo de exóticas, e por uma simples razão: qualidades zootécnicas. Em zootecnia a escolha de uma espécie não se faz por paixão ou nacionalismo, a não ser que haja subsídios (não é o nosso caso). Paixões a parte, como dizem os mineiros “graçadeus” que importamos no passado várias espécies exóticas como o vannamei e o rosenbergii na carcinicultura, as tilápias, o clarias e as carpas na piscicultura, a gigas na ostreicultura, e até o Perna perna na mitilicultura (Martin Afonso introduziu, rsrsr). Muitos outros exóticos também vieram, mas não deram resultados e estão por aí em banho-maria. É muito bom que estas realidades venham à tona, como a resolução de apoio às exóticas, a importância dos híbridos de espécies nativas, a pesca de exóticas auxiliando comunidades, e esta real e concreta necessidade de importar e cultivar espécies que se destacam lá fora em todos os ramos da aquicultura. Não se pode parar no tempo, desde que se respeitem os cuidados e precauções necessárias e previstas por lei. Parabéns às nativas que se cultivam e parabéns às exóticas que se cultivam. O mercado é amplo, nacional e global, e a produção também precisa ser. Se não, engessamos o mercado e abrimos as fronteiras. Temos que fazer o mesmo com a produção. O Vietnam escolheu uma espécie e em 20 anos exporta para 180 países. Nossas espécies nativas também são avaliadas lá fora a décadas. O importante é não ”apaixonar” a discussão do ponto de vista ambiental, sem o xenofobismo compulsivo de achar que exótico come criancinhas e desmata a Amazônia. Está na hora de amadurecermos e acordarmos nestas questões. Sem poesia, aquicultura é atividade econômica, tem que dar lucro e gerar desenvolvimento sustentado para nosso país e nosso povo.

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Re: Mercado do Panga

Não sou zootecnista para poder falar com conhecimento e profundidade. Mas, o que seria da nossa avicultura, suinocultura e bovinocultura se não pudéssemos importar e multiplicar todo e qualquer material promissor geneticamente e econômico? Hoje somos o que somos na avicultura, suinocultura e bovinocultura por decisão certa e no momento certo quando se foi à Índia buscar o nelore, à Dinamarca buscar as raças suínas e aos EUA, as avós das aves. Lembro quando fiz a faculdade que se terminava um frango com 53 dias, um suíno com 180 dias. Hoje se faz o frango com 35 dias e suíno com 130 dias. Como aconteceu nestas atividades, teremos que fazer acontecer na aquicultura, com o compromisso de sermos rápidos. Se não, teremos que importar da China o tucunaré melhorado, que já existe. Ciência não espera. Não sendo extremista, como alguns que profetizavam que no futuro teríamos somente duas castas na informática: os que sabem utilizar e os que pagam aos que sabem utilizar. De que lado nós queremos estar na aquicultura?