NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE – edição133

De: Cristina Carvalho
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Assunto: O MPA e sua obsessão pelo bijupirá

O Ministério e o CNPq lançaram mais um edital voltado para a pesca e aquicultura. Editais voltados para a aquicultura são sempre um estímulo para o desenvolvimento de tecnologias, entretanto é muito triste saber que o Ministério continua “obcecado” pelo bijupirá. Ainda não aprendeu, apesar de tantos erros cometidos nos últimos anos, que com o tamanho do litoral do nosso Brasil, com a crise do camarão (viveiros desocupados), investir tudo numa única espécie de peixe marinho não é uma boa idéia! O único exemplar de peixe marinho citado no edital como prioritário foi o bijupirá. Citando o edital: “seguintes espécies como prioritárias: Tambaqui (C. macropomum); Pirarucu (A. gigas); Camarão do pacífico (L. vannamei); Bijupirá (R. canadum); Cachara (P. reticulatum); Pacu (P. mesopotamicus); Jundiá (Rhamdia quelen), Tilápia (Oreochromis niloticus) e moluscos bivalves cultivados em escala comercial”. Depois cita: “Ainda poderão ser consideradas as seguintes espécies: Robalo Flecha (Centropomus undecimalis); Garoupa (Família Serranidae); Ariacó/vermelhos (Família Lutjanidae), Camarão amazônico (Macrobrachium amazonicum), macroalgas (Kappaphycus alvarezii, Gracilaria sp.e Hypnea sp.), além das citadas no item (h). – ornamentais. O ministério não tem noção da diversidade de espécies marinhas e estuarinas no Brasil? Não tem noção da dimensão do nosso litoral? Não tem idéia da produção de peixes marinhos no mundo? Da variedade de espécies marinhas? De que as espécies criadas pelo mundo nem sempre apresentam a maior taxa de crescimento? Existem ciclos de produção de 2 a 3 anos e isso não inviabiliza a produção (por exemplo o linguado na Espanha). A maioria dos peixes marinhos tem um tempo de produção maior, que é compensado pelo valor comercial. A partir do momento que você tem um ciclo atrás do outro você sempre vai ter peixe no tamanho do abate. É questão de visão, investimento e paciência! Crescimento acelerado não é a única característica para qualificar uma espécie para a aquicultura. Acho que todo mundo sabe disso só o ministério que não. Outras características importantes são: aceitação de mercado, valor comercial, rusticidade da espécie, facilidade de confinamento, densidades de estocagem, possibilidade de policultivo, possibilidade de criação em viveiros de terra, entre outras. A maior vantagem do bijupirá no Brasil é o seu crescimento, e somente em regiões quentes, criação de preferência no mar. Não é tolerante a baixas temperaturas, é acometido com facilidade por diferentes patógenos e  tem uma exigência nutricional que as rações nacionais não suprem. E aí!? Como fica a resistência a doenças, o  mercado, ocupação de viveiros de camarão desativados? O mundo inteiro produz peixes marinhos com diferentes características (não só crescimento!) Só o Brasil ainda continua com a mentalidade de que se o ciclo de produção de uma determinada espécie não for igual ao do camarão ou da tilápia não serve! Isso é pensar pequeno demais! Diante de editais como este acredito que cada vez mais a piscicultura marinha no Brasil tem menos chance de um dia se tornar uma atividade bem sucedida.

De: Rafael Camacho
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Assunto: Re: O MPA e sua obsessão pelo bijupirá

Por que a produção do Cobia (bijupirá) não deu certo no Brasil?

De: Cristina Carvalho
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Assunto: Re: O MPA e sua obsessão pelo bijupirá

Do meu ponto de vista foi porque inverteram tudo. Já começaram investindo na produção comercial sem ter desenvolvido no Brasil tecnologia própria para o cultivo do bijupirá. Por exemplo, rações adequadas para engorda ou até mesmo avaliação sobre o mercado. Trouxeram o pacote tecnológico de fora, implantaram, investiram milhões, aí vieram problemas como rações adequadas para a engorda, problemas de doenças e acredite se quiser mercado para comprar o que era produzido. Na minha opinião: os melhores resultados de engorda foram com rejeito de pesca ou sardinha; o que foi produzido no NE não teve escoamento; a engorda em viveiros de terra não deu muito certo porque os peixes tiveram muitos problemas com patógenos; a engorda no mar, no início teve problemas com licenças e legislação e depois de sinalização; uma das vantagens do bijupira é o rápido crescimento, para isso a engorda dele precisa ser feita em águas quentes. Engorda em lugares onde a água do mar fica abaixo dos 22°C, o peixe come mal e em 7 meses  cresce em média 100g. Não tenho nada contra o bijupirá, eu trabalho com ele, mas as características da espécie limitam sua produção a lugares específicos e o Brasil é grande demais para colocar toda a energia em uma única espécie.

De: Eric Routledge
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Assunto: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Por favor, divulguem e vejam a Chamada CNPq/MPA – N º 42/2012 que o MPA lançou junto com CNPq. A presente chamada tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e inovação do país, nas áreas de Pesca e Aquicultura.

De: André Muniz
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Quero agradecê-lo por nos ter enviado esta chamada e mais uma vez externar minha insatisfação quanto ao rol de espécies enfocadas. A crítica não é a você, que por boa vontade e entusiasmo nos enviou o link, mas ao pessoal que o elaborou. Existem diversas espécies exóticas, peixes, crustáceos e moluscos e mais uma vez nenhum anfíbio! Que implicância, não é? Será que é tão difícil assim auxiliar o fortalecimento da cadeia ranícola? Estamos passando mais uma vez por um momento positivo, com crescimento e, inclusive, exportações, mas não há boa vontade em auxiliar o setor! Estão investindo em espécies novas e esquecendo aquelas que precisam de fôlego para melhorar! O Brasil não é um País de Todos? Fica aqui meu protesto. Não aceito isso!

De: Cristina Carvalho
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Apoio o teu protesto! O Brasil é grande demais para limitar os editais a determinadas espécies. O Brasil tem muito potencial, só precisa de oportunidade. Como eu disse em outro email, acho que seria interessante nos próximos editais o MPA continuar apoiando a pesca, aquicultura, processamento, patologias… sem especificar a espécie que deve ser trabalhada. Deixando a critério do pesquisador (proponente). O pesquisador teria que justificar no projeto porque o investimento deve ser com tal espécie, seja anfíbio,  peixe, crustáceo, réptil, molusco, algas. Dessa forma todos terão chance de ter apoio para as pesquisas e o MPA terá chance de ter conhecimento de quais espécies vem sendo estudas em diferentes regiões e qual o potencial dessa espécie para a ciência, economia e para a sociedade.

De: Álvaro Graeff
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Mais uma vez a visão míope de quem propõe espécies a serem pesquisadas não olha para qual espécie devem ser destinados os recursos. Mais uma vez os Ciprinideos ficaram de fora com importância fundamental para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mesmo com dados superestimados pelos gaúchos a carpa é e será por muito tempo um peixe produzido pela piscicultura colonial regional onde dependem exclusivamente de sistemas de produção menos sofisticados para produzirem, consumirem e venderem. Se vierem dizer que não há necessidade de pesquisa, verifique nas fontes de resultados de pesquisas internacionais qual ainda é o peixe mais pesquisado do mundo. “As carpas já foram não são mais, mas voltarão a ser quando necessitar de um peixe cosmopolita para serem industrializadas como nuggets, fishburgers, polpas etc.”. Não é e nunca será um peixe de consumo através de filés e outros cortes nobres, mas é de importância fundamental para dar suporte econômico aos frigoríficos que vivem do filé das tilápias.

De: Cristina Carvalho
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Álvaro, concordo com o seu e-mail e adorei a expressão “visão míope de quem propõe espécies a serem pesquisadas”. Eu sugeri em outros e-mails que o MPA poderia lançar editais para pesca e aquicultura, mas sem especificar a espécie. Deixando assim que o proponente (pesquisador) decidisse qual espécie trabalhar e justificasse no projeto o porquê da espécie. Assim o MPA teria chance de conhecer as diferentes espécies com potencial para aquicultura por esse Brasil a fora.

De: Moisés Quadros
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Concordo com a estratégia adotada pelo MPA. É que é preciso fechar pacotes tecnológicos para as espécies estudadas. Se cada pesquisador trabalhar com uma espécie diferente (são muitas as espécies nativas com potencial) talvez nós não cheguemos ao nível de informações, para cada uma delas, suficiente para realmente alavancar sua produção, como foi feito com a tilápia. O recurso é limitado e as demandas são muitas. Se não focarmos em determinadas espécies, o dinheiro será pulverizado e não teremos informações para fechar o pacote tecnológico para nenhuma delas. Para que os resultados das pesquisas se transformem em uma inovação, eles têm que apresentar uma solução completa ao problema proposto e isso, geralmente, não acontece em um único trabalho. É como se ao invés de construir uma casa, dividíssemos o dinheiro para levantar uma única parede de cada casa, ficando todos desabrigados. Quanto à priorização de determinadas espécies em detrimento de outras, isso é que se pode discutir.

De: Cristina Carvalho
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Você tem ideia de quantos milhões foram investidos só no bijupirá nos últimos cinco anos? Se juntar todo o dinheiro que foi investido no bijupirá não dá metade do que foi investido em outras espécies de peixes marinhos. Isso não é justo e pelos resultados até hoje, também não é uma boa estratégia. Isso se a gente falar só do peixe marinho. Porque ainda tem os peixes de água doce, crustáceos, moluscos… Deu uma olhada na lista de espécies prioritárias do ultimo edital? Ou do penúltimo? Você acha que a distribuição de verbas e a chance é a mesma para todos? O senhor tem noção da importância do caranguejo na Bahia? Importância econômica e social. Ou do crescimento da ranicultura no Brasil? Ou então de espécies marinhas que foram estudas na década de 80 e 90 e por causa da falta de investimento as pesquisas ficaram de lado (tainha, linguado, etc.). O Brasil é grande demais para investir numa só espécie. Você acha que vai ser possível criar o bijupirá no Brasil inteiro? Ele não é criado em água fria, não vai bem em viveiro de camarão. Então, o que fazer com os hectares abandonados por causa da mancha branca do camarão? Se houvesse investimento em outras espécies esses viveiros poderiam ser utilizados ao invés de serem depreciados. Justamente pelo fato do recurso ser pouco e o Brasil grande demais não é justo apostar tudo em uma ou outra espécie. Não seria mais interessante ter dividido esses milhões para outras espécies que também são importantes para aquicultura? Por isso a ideia do proponente dizer por que determinada espécie é importante. Cada um em seu estado, no seu centro de pesquisa, sabe o que é importante pra região. Aí o MPA avaliaria a espécie, o motivo, a importância e diria se o projeto deve ou não ser aprovado.

De: Dijaci Araújo
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Precisamos nos organizar de uma forma que possamos identificar as prioridades e oferecer alternativas/modelos regionais aos programas financiados pelo governo federal. A regionalização é a saída. Temos vários exemplos de “produtos” que são pesquisados/desenvolvidos nacionalmente, quando não reúnem as mesmas condições para serem explorados. Discordo apenas na questão do proponente defender a importância. Isso pulveriza demais como falou o Moisés e complica o estabelecimento de critérios para seleção. Sugiro o site do Western Regional Aquaculture Center. O manual (Manual of operations) disponibilizado traz pontos interessantes mostrando as possibilidades para se regionalizar, identificar prioridades locais. O procedimento de seleção é bem construído e evita direcionamentos mesmo dentro de uma região. Exemplo, a opção por um problema específico será considerado como opção caso interesse para pelo menos dois estados de uma região e assim vai.

De: Moisés Quadros
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Cristina eu tenho sim noção da situação da aquicultura e pesca no Brasil. Entendo a sua paixão e indignação quanto às espécies elegidas. Essa discussão é antiga e sempre acalorada, mas concordo com o Dijaci. Como mencionei anteriormente, a priorização de determinadas espécies e não de outras pode ser discutida, inclusive com propostas regionalizadas, mas não se pode pulverizar os recursos e acabar não criando nenhuma tecnologia que traga realmente inovação para o setor. E você, tem noção de quanto custa para transformar ideias em inovação? São apenas 10 milhões para três linhas temáticas, 23 linhas de pesquisa e aproximadamente 26 espécies só para aquicultura. Inclusive a pesca do caranguejo foi contemplada no edital. Sem falar que quando falamos de peixe ornamental, estamos falando de dezenas de espécies. Além de ter um corpo técnico composto por especialistas em diversas áreas da aquicultura e pesca, o MPA tem ouvido pesquisadores e entidades dos diversos setores da área. Uma prova disso é a inclusão de espécies ornamentais no edital, uma reivindicação antiga desse setor, além do pirarucu, jundiá, M. amazonicum e outras que não haviam sido contempladas no AQUABRASIL, que por sinal tratava somente de quatro espécies. Eu acredito que seria muito positivo para o setor se alcançássemos o desenvolvimento tecnológico completo para toda a cadeia de produção de pelo menos uma espécie nativa. Não estou dizendo que deveríamos trabalhar com uma única espécie, mas acho que esse tipo de resultado efetivo  traria maior credibilidade e abriria as portas para as demais espécies.

De: Newton Castagnolli
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Assunto: Re: Chamada MPA /CNPq 42/2012

Enquanto não se organizarem os trabalhos de equipe para os diferentes grupos de pescado, com destaque para os peixes redondos, bagres, tilápia, o camarão marinho e também o pirarucu, fica difícil a busca e implantação de novas tecnologias que possam levar à implantação dessas cadeias produtivas em economia de escala! E a aquicultura no Brasil começar a trilhar os caminhos de uma nova era!