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De: Alexandre Alter Wainberg
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Assunto: WSSV
Na última reunião do cluster do camarão, em Natal-RN, tive notícias de uma nova erupção de WSSV em SC. Alguém sabe de alguma providência no sentido de garantir pl’s certificadas WSSV free no Brasil? Houve erupção de Taura na Venezuela e foram importados camarões SPR dos EUA para tentar reverter a situação. Lá também era proibido importar crustáceos como medida preventiva. Os animais estão em quarentena e deverão começar a produzir em poucos dias para testes nas fazendas que estão secas por três meses. Existe alguma instalação de quarentena no Brasil, certificada pelo MAPA, que possa nos salvar em caso de necessidade de importação de linhagens WSSV free?

De: Jorge Nicolau
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Assunto: Re: WSSV

Caro Alexandre, tenho escutado alguma coisa a respeito da disseminação da doença por outras fazendas, além das já infectadas. Diante da complexidade e diversidade de opiniões existentes em nossa atividade, a Aquanorte optou por vender desde o mês de março de 2005, todas as suas pós-larvas com análise PCR / WSSV, feitas pelo Labomar, além de manter o mesmo controle para todos os lotes de reprodutores em maturação, monitorando ainda os que venham a entrar em produção, ainda na quarentena.

De: Alexandre Alter Wainberg
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Assunto: Re: WSSV

Jorge, parabéns pela sua iniciativa, que infelizmente é solitária. Na minha opinião, já que o setor não se auto-regulamenta, o MAPA deveria obrigar todos a copiar seu exemplo. É um absurdo que os clientes dos laboratórios sejam obrigados a adquirir pl’s sem nenhuma biossegurança. As pl’s têm que ser livres de WSSV, IHHNV, NHP, Taura, etc.. Isto certamente vai refletir no preço das pl’s e tirar do mercado aqueles laboratórios que não tem condições de se adequar. O setor como um todo é bem mais importante que as empresas individuais.

De: Moacelio V Silva Filho
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Assunto: Mancha branca

Gostaria de saber se existe alguma observação desta virose em populações silvestres de camarão.

De: Jorge Nicolau
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Assunto: Re: Mancha branca

Nos países onde o vírus WSSV atingiu os cultivos, observa-se a presença deste nas populações nativas, porém, sem que haja registro de impacto, vide os volumes da pesca de captura que se mantêm constantes, quando não são maiores. Por ser uma doença típica de estresse, e se considerarmos as condições e concentrações em que estes animais vivem nos oceanos, fica mais fácil de entender.

De: Elder Barroso
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Assunto: Gosto em camarão 

Gostaria de retirar o gosto de terra em camarão, causado por cianofíceas. Existe outra forma que não seja a renovação de água?

De: Francisco Costa
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Assunto: Re: Gosto em camarão 

Acho que não existe milagre. Se teu viveiro tem cianofíceas em excesso e se os teus camarões estão com problema de off-flavor, a solução mais econômica é o calcário agrícola (100-150 kg/ha), seguido de forte drenagem (20-30%), reabastecimento e repetir o processo por mais dois dias, alimentando bem os camarões.

De: Maristela
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Assunto: Re: Gosto em camarão

Não seria mais correto monitorar a água para controlar os nutrientes e, desta forma, a floração das cianobactérias? Assim será menos impactante e diminuirá a probabilidade de novas florações, mantendo o camarão mais saudável.

De: Francisco Leão
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Assunto: Cultivo de jundiá

Alguém tem experiência de Jundiá em tanque-rede? Será que vai bem? O Jundiá toleraria bem o manejo no frio? Se algum dos colegas tiver as respostas, por favor comente.

De: Gilberto Cielo
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Assunto: Re: Cultivo de jundiá

Seu interesse em cultivo de jundiá em tanque-rede é oportuno. Este peixe nativo nasceu na piscicultura inicialmente para repovoamento de barragens na forma de alevino. A boa aceitação pelo mercado consumidor, a docilidade e a produção em altas densidades deste peixe, despertaram o interesse dos produtores para o cultivo em larga escala. Soma-se a isso, a proibição aqui no Rio Grande do Sul, pelo órgão ambiental, do cultivo e comercialização de catfish e clárias. Desenvolvi experimentos práticos de cultivo de jundiá branco e cinza em tanques-rede chegando à densidades de até 90 jundiás/m³, para abate com 850 gramas. Atualmente é muito empregado em policultivo de carpas, com densidades baixas, 1 peixe/10m².

De: Paulo Sérgio Ramão
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Assunto: Procedimento HACCP, o que é isso?

Iniciei-me recentemente na criação de tilápias Supreme. Recebi uma proposta de venda para exportação, entretanto, o comprador perguntou se minha produção segue os procedimentos HACCP. Logicamente, que neófito que sou, não sei o que vem a ser isso. Consulto, então, os colegas de lista.

De: Larissa Karsten
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Subject: Re: Procedimento HACCP, o que é isso?

O sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – HACCP (da sigla em inglês para Hazard Analysis Critical Control Points) é um sistema preventivo que busca a produção de alimentos inócuos. Ele está embasado na aplicação de princípios técnicos e científicos na produção e manejo dos alimentos desde o campo até a mesa do consumidor. Os princípios do HACCP são aplicáveis a todas as fases da produção de alimentos, incluindo a agricultura básica, a pecuária, a industrialização e manipulação dos alimentos, os serviços de alimentação coletiva, os sistemas de distribuição e manejo e a utilização do alimento pelo consumidor. O conceito básico destacado pelo HACCP é a prevenção e não a inspeção do produto terminado. Os agricultores e pecuaristas, as pessoas encarregadas do manejo e distribuição e o consumidor, devem possuir toda a informação necessária sobre o alimento e os procedimentos relacionados com o mesmo, pois somente assim poderão identificar o lugar onde a contaminação pode ocorrer, e a maneira pela qual seria possível evitá-la. Se o “onde” e o “como” são conhecidos, a prevenção torna-se simples e óbvia, e a inspeção e as análises laboratoriais passam a ser supérfluos. O objetivo é, além da elaboração do alimento de maneira segura, comprovar, através de documentação técnica apropriada, que o produto foi elaborado com segurança. O “onde” e o “como” são representados pelas letras HA (Análise de Perigos) da sigla HACCP. As provas de controle da fabricação dos alimentos recaem nas letras CCP (Pontos Críticos de Controle). Partindo-se desse conceito, HACCP é nada mais que a aplicação metódica e sistemática da ciência e tecnologia para planejar, controlar e documentar a produção segura de alimentos. Uma definição prática de HACCP deve destacar que este conceito cobre todo tipo de fatores de risco ou perigos potenciais à inocuidade dos alimentos (biológicos, químicos e físicos) sejam os que ocorrem de forma natural no alimento, no ambiente ou sejam decorrentes de erros no processo de fabricação. Enquanto os perigos químicos são os mais temidos pelos consumidores (agrotóxicos) e os perigos físicos os mais comumente identificados (pêlos, fragmentos de osso ou de metal, material estranho), os perigos biológicos são os mais sérios, do ponto de vista de saúde pública. Por esta razão, ainda que o sistema HACCP trate dos três tipos de perigo, os perigos biológicos devem ser abordados em maior detalhe. Por exemplo, um pedaço de metal (perigo físico) em um alimento pode provocar uma lesão bucal ou um dente quebrado em um consumidor, ao passo que a contaminação de um lote de leite pasteurizado com Salmonela, pode afetar a centenas ou milhares de consumidores.

De: Alisson Matos de Albuquerque
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Subject: Re: Procedimento HACCP, o que é isso?

HACCP nada mais é que um método descritivo de todas as etapas que você tem na sua produção. A sua descrição deve-se levar em conta os riscos que o teu produto sofre em cada etapa, dessa forma analisando esse risco (químico, físico e biológico). Você terá que explicar esse risco, mostrar como faz para controlá-lo, qual o nível desse risco (baixo, médio ou alto), quem vai monitorar o risco e uma medida corretiva caso o risco um dia se torne real e passe a ser um fato na sua produção. O HACCP para quem já trabalha com ele é um excelente mecanismo para manter a qualidade na sua empresa. Antes de implantar o HACCP conhecido no Brasil como APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de controle), você tem que implantar as normas de BPF (Boas Práticas de Fabricação) que são a base da estrutura do HACCP. As BPF são normas de controle de oito pontos, são eles: 1 Higiene das instalações, equipamentos móveis e utensílios; 2 Controle da água; 3 Higiene e saúde dos operários; 4 Manejo de resíduos; 5 Manutenção preventiva e calibração de equipamentos; 6 Controle de pragas; 7 Seleção de matéria prima; 8 Recal. Vale ressaltar que essas normas são para HACCP em indústrias. Para fazendas temos as Boas Práticas Aqüícolas  as quais o Ministério da Agricultura está começando a querer implantar, tendo em vista que alguns importadores de camarão estão exigindo um documento que comprove toda rastreabilidade do produto o qual ele está comprando.

De: Jorge Luiz Vieira Cotan
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Assunto: Fecundação

Possuo um pequeno (didático) laboratório de reprodução de tilápias onde faço a retirada dos ovos da boca das fêmeas para incubação artificial e posterior indução de sexo. Ocorre que tenho observado muitos ovos não fecundados (brancos). Quais as possíveis causas deste problema?

De: Sergio Tamassia
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Assunto: Re: Fecundação

Talvez no artigo A Simple Self-Contained Incubator for Cichlid Eggs, de George B. Brooks, Jr., você consiga achar algumas informações ou pistas para o seu problema. De uma maneira genérica, a não fecundação de ovos ou mortalidade destes podem estar relacionadas ou ser conseqüência de vários fatores de ocorrência individual ou simultânea, e são: a) qualidade nutricional das matrizes. Existem casos conhecidos para as carpas comuns, chinesas e catfish; b) qualidade do esperma; c) choques (térmicos, químicos, físicos); d) temperatura elevada no início do desenvolvimento embrionário induz desagregação da mórula; e) embolia gasosa, e f) carga bacteriana elevada.

De: Alexandre Rodrigues
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Assunto: Tilápia Gift/processamento de couro 

O Brasil poderia utilizar para o melhoramento genético de tilápia tailandesa, às tilápias “carecas”. Acredito que se elas não possuem a barbatana dorsal, o couro seria menos danificado e mais filé poderia ser retirado. O Brasil topou por acaso com essa mutação e creio que deveríamos dar crédito a esse peixe, que seria excelente no cultivo exclusivo de abate.

De: Eduardo Turra
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Assunto: Re: Tilápia Gift/processamento couro 

Informações devem ser obtidas para a escolha da espécie ou linhagem a ser trabalhada geneticamente. Por exemplo: o desempenho da variedade sem nadadeira dorsal é melhor do que as variedades de nilótica com nadadeira? A nadadeira é importante para o equilíbrio e natação do peixe. A falta dela não determina maior gasto energético e, por isso, menor desempenho em ganho de peso? A população inicial de peixes carecas foi grande o suficiente para manter uma boa variabilidade genética? Geralmente, populações provenientes de mutações não o são. Uma base populacional pequena determina uma variedade que avançará pouco a partir de um trabalho de seleção e aumentará a consanguinidade rapidamente.

De: Alvaro Graeff
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Assunto: Re: Tilápia Gift/processamento couro 

A tilápia Gift suporta temperaturas abaixo de 13 graus, na água, por mais de 72 horas? Em caso contrário não podemos afirmar que pode ser criada em todo território nacional. Aí está o desafio do melhoramento genético para tornar a tilápia economicamente recomendável para criação nos estados sulinos e a necessidade dela ser biologicamente rentável em temperaturas abaixo dos 13 graus. Existem outros peixes que são recomendados para estas condições.

De: Sergio Tamassia
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Assunto: Re: Tilápia Gift (couro)

No site www.worldfishcenter.org/reshigh01_3.htm podem ser encontradas algumas informações adicionais sobre a Tilápia Gift.

De: Carlos Alberto S. Suleiman
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Assunto: Cloranfenicol

Gostaria de saber sobre a quemicitina na ração com hormônio.

De: Alvaro Graeff
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Assunto: Re: Cloranfenicol

Desconheço legislação pertinente ao uso de produtos quimioterápicos na aqüicultura no Brasil. Mas pensando que os peixes poderão ser exportados, devemos evitar o uso de medicamentos que tenham princípios ativos proibidos no países importadores. Os proibidos nos EUA e na Europa são: cloranfenicol, dimetrazole, ipronidazole, metronidazole, outros nitroimidazoles, furazolidone, nitrofurzone. As fluoroquinolonas e glucopeptideos somente são proibidos nos EUA.

De: Ricardo Tsukamoto
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Assunto: Re: cloranfenicol

Usar quemicetina em aqüicultura comercial é uma temeridade, já que o princípio ativo dela é o cloranfenicol. Esta substância é um bom bacteriostático geral, mas pode gerar anemia aplásica em seres humanos, não raro levando à morte. O uso médico do cloranfenicol foi proibido em todo o mundo, sendo usado apenas em casos especiais e sem outras alternativas. A maior parte das proibições de importação de produtos pesqueiros vem da constatação de resíduos mínimos de cloranfenicol, o que provoca a sua imediata devolução ou incineração. O camarão produzido em certos países foi banido da Europa e dos EUA por esta razão. Não há qualquer necessidade de usar esse ou qualquer outro agente bactericida na ração para reversão sexual. Todos os agentes biocidas causam estresse no peixe, o que pode, como conseqüência, facilitar a instalação de doenças por agentes oportunistas. Algumas pessoas podem desenvolver anemia aplásica só pelo contato manual com o cloranfenicol, e depois não há retorno.  Portanto, cuidado com esta substância.