NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE | edição140

De: Flavio Lindenberg
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Ignorância ambiental infiltrada em SP
Enviado em 10/11/2013 

Prezados Colegas, notadamente os Produtores e Pesquisadores Paulistas,
Após um ano de trabalho do Grupo Técnico GT –SMA-SAA-SS, é lamentável que São Paulo com todo um staff de técnicos e pesquisadores da UNESP, USP, INSTITUTO DE PESCA, CATI, etc., não os tenha consultado e tenha feito um relatório oficial com pouquíssimos técnicos não especializados em piscicultura ou ictiologia, sem uma revisão bibliográfica condizente, sem levantamentos necessários, ignorando estudos e críticas apresentados pela iniciativa privada, APACLA – Associação Paulista do Setor Produtivo do Clarias, Câmara Setorial, SAA e COMPESCA, e assim queira concluir sobre o risco ambiental das espécies aquáticas e o seu uso na aquicultura. Produziram um Sumário Executivo sobre o Clarias para subsidiar o CONSEMA a deliberar se a espécie é invasora, e se deve ou não ser cultivada. Sequer conseguiram chegar razoavelmente a sua distribuição geográfica, a biologia, hábito alimentar, etc. Não apresentaram o histórico de invasão, nem avaliaram a real importância socioeconômica. Partiram de uma tabela comprada de análise de risco, onde na metodologia tudo vira invasor, até a galinha e o boi, no teste, viraram invasores. Fizeram um “trabalho de 2º grau” para justificar o risco obtido, e querem agora com ele induzir o Governo a restringir cultivos e rotular a espécie de invasora, o que é incompatível com a atividade econômica, e contraria a legislação federal e estadual. Os Secretários de Estado estão sendo induzidos a crer nestes riscos apresentados e, nestes trabalhos, e a aprovar projetos e normas. Temos que orientá-los a submeter estes trabalhos aos técnicos e pesquisadores especializados do estado, e não deixar prosperar este processo recheado de ignorância científica, e descumprimento à legislação. O Clarias tem uma facilidade maior de escape num transbordamento, enxurrada etc., e defendemos e orientamos seu cultivo somente com tecnologia de contenção, e não só para o Clarias, mas para todos os cultivos, até de uma espécie autóctone. O escape é uma interferência ambiental, mesmo se ínfimo deve ser evitado. Defendemos o controle de escape mesmo sem o risco de invasão, pois técnica e cientificamente demonstramos que a espécie não deve ser assim considerada e seu cultivo deve ser respeitado. Assim devemos normatizar na direção de produzir com segurança e certificação ambiental, não impondo em taxação, restrições, rotulagens prejudiciais e impeditivas, e proibições. A engenharia e tecnologia existem e devemos usá-las para produzir com a segurança necessária. Nenhuma espécie exótica aquática cultivada no país tem real histórico de invasão e prejuízos amplos à sociedade, como o exemplo clássico do mexilhão dourado, e não devem assim ser tratadas como iguais ou semelhantes. Este trabalho coordenado pela Coordenadoria de Biodiversidade CBRN-SMA–SP, precisa ser revisto e este primeiro relatório sobre peixe não deve seguir agora em 21/11, conforme agenda, como um documento a orientar o Governo. Enquanto, não se concluir com isenção e profundidade científica, não se pode deliberar e normatizar sobre o uso e risco de uma espécie. Também não parece correto a égide de que o Instituto de Pesca/Apta referende o documento, só por ter o Instituto representante no grupo. Tenho a certeza de que muitos pesquisadores especializados, se consultados, teriam posicionamento notório, isento e com conhecimento científico. Se o GT mal estudou este peixe, mal estudarão o tucunaré, carpas, tilápia, pacu, híbridos, etc., já rotulados de risco muito alto. Sei que nosso Excelentíssimo Governador Dr. Geraldo Alckmin, com seu perfil técnico e legal, não está a par desta incongruência, mas temos que alertá-lo e aos nossos respectivos legisladores, para que o Governo não seja prejudicado. Sem a participação efetiva dos produtores e pesquisadores do Estado, especializados em piscicultura e ictiologia, o produto em questão não será racional, nem legítimo, nem bom socioambientalmente. – Flavio Figueiredo Lindenberg, Zootecnisa, Associação Paulista do Setor Produtivo do Clarias (APACLA).
PS – A quem desejar, enviaremos estudos sobre a questão das espécies exóticas de peixe cultivadas em SP, e a questão atual a respeito, pelo e-mail [email protected].

De: Flavio Lindenberg
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Ignorância ambiental infiltrada em SP
Enviado em 19/12/2013

Marcados pela ignorância (falta de conhecimento) e terrorismo ambiental, encerra o ano o Grupo de Estudo de espécies Exóticas Aquáticas, coordenado pelo Instituto de Pesca de São Paulo. Deixo claro que critico a direção e não a Instituição, direção que atua contra a produção, os rios e os reservatórios, articulando com um lado obscuro do meio ambiente infiltrado na SAA e SMA. Digo, afirmo e encaminho a quem desejar, tudo baseado em bibliografias pífias e interpretações errôneas propositalmente. Conseguiram assim enviar ao CONSEMA o Sumário Executivo do Clarias, por exemplo. Criticar o meio ambiente por fora, é só um teatro que não cola mais para quem deveria se antepor. Por dentro apoia de fato, em desrespeito aos empreendedores rurais de qualquer tamanho, articulam normativas e ações travestidas de verdadeiras ações de coibir a aquicultura paulista. O notório saber dos ilustres ictiologistas do passado, que direcionavam a verdade científica, deu lugar a esta palhaçada que aí está. Contrataram um instituto Horus, que ganha para apresentar uma tabela inadequada, e ainda a preenchem errando em quase todas as suas questões. Assim classificam de alto risco praticamente todas as espécies mais cultivadas em SP, e a direção do Instituto de Pesca sem se antepor, faz coro, articula e conchava contra a produção, nestas ações nocivas de infiltrados no Governo, neste projeto descabido contra as exóticas. Tanto absurdo técnico científico que partindo de um Instituto de Pesquisas dá a impressão de que não é real. De certo o Governador não tem noção da ação destes “técnicos” que sequer sabem a diferença de um carnívoro para um onívoro, ou da reprodução dos peixes, nem do que está ocorrendo em nossos rios, e vêm achacando a aquicultura Paulista. Precisamos de união da produção pelo direito e dever de produzir e preservar, pois também a degradação dos rios, reservatórios e estuários, só faz crescer, sem ser pela aquicultura e sob as ações inertes destes “ambientalistas”, com propostas que só oneram o Estado e atrapalham quem quer produzir. A articulação deste grupo vai além da ignorância, e desse terrorismo, pois até ações obscuras de produção de muitos trabalhos fraudulentos pode-se perceber. Deve haver muito mais por traz deste processo, que podemos imaginar. A onipotência e impunidade deste GT de exóticas assustam, contrariam as normas, leis, ciência, não respondem ofícios nem críticas, e vão avançando, sem que ninguém os enquadre. Parece até que só um MP fará este cancro parar. 2014 vem aí e temos que desde já cobrar as ações reais pela Aquicultura, e participar dos futuros compromissos. Saudações,

De: Maria Aparecida Guimarães Ribeiro
[email protected]
Para: Jomar Carvalho Filho
[email protected]
Assunto: Nota de Esclarecimento – Clarias

Senhor Editor Chefe da Panorama da AQÜICULTURA,
Em virtude de manifestações ocorridas na Lista de Discussão Panorama-L, de vossa publicação Panorama da AQÜICULTURA e com a anuência dos nossos superiores das diversas pastas, solicito a publicação da Nota de Esclarecimento enviada pelo GT-EEPI. Certa de sua lisura na condução da mesma, atenciosamente, Maria Aparecida Guimarães Ribeiro, ATD – IP/SAA.
NOTA DE ESCLARECIMENTO:
Em 15/10/12 foi criado por uma Resolução Conjunta SMA-SAA-SS-01 (Secretaria do Meio Ambiente, Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Secretaria da Saúde), a pedido do CONSEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente), o Grupo de Técnico para avaliar o grau de risco de espécies exóticas com potencial de bioinvasão, visando seu controle e monitoramento no Estado de São Paulo. Este GT é conhecido como GT-EEPI e é coordenado pela “Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais – CBRN”, que pertence a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Isto ocorreu porque o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre Diversidade Biológica, que determina aos países participantes a adoção de medidas preventivas e de controle de espécies exóticas invasoras.
No início de 2013 os integrantes do GT-EEPI (40 membros das três secretarias estaduais, a princípio) dividiram-se em subgrupos analisando espécies com potencial de bioinvasão, integrantes da Flora, Fauna e de Animais Aquáticos no Estado de São Paulo. Para que os estudos seguissem um mesmo padrão entre os subgrupos, a coordenação, de comum acordo com os participantes, instituiu um instrumento chamado de Sumário Executivo. Este instrumento leva em consideração a validação de uma Análise de Risco Ambiental feita para a espécie e também sua importância econômica para o Estado de São Paulo. Ao subgrupo de Animais Aquáticos foi destinado o peixe Bagre Africano (Clarias gariepinus).
Durante os meses subsequentes foram analisados mais de 100 artigos relacionados ao Clarias e 5 pareceres sobre a espécie (APACLA Associação Paulista do Setor Produtivo do Clarias (2); Câmara Setorial do Pescado (1); COMPESCA/FIESP (1) e Universidade Estadual de Londrina (1)). O GT-EEPI também assistiu a duas palestras sobre o Clarias – uma realizada pela Moana Aquicultura e outra, por um especialista em Bioinvasão.
Após estudo deste material, iniciou-se um intenso debate entre os membros do subgrupo de Aquáticos, que não chegaram a um consenso sobre o teor do Sumário Executivo do Bagre Africano.
Através da intervenção da SAA, a coordenadoria da CBRN permitiu a participação de pessoas externas ao GT-EEPI na reunião ocorrida em 8/10/2013, onde estavam presentes, além dos seus integrantes, o Presidente da Câmara Setorial do Pescado, um representante da APACLA e a Diretoria do Instituto de Pesca. Na ocasião, a coordenadora do GT-EEPI ressaltou a necessidade de o Grupo, após um ano de trabalho, apresentar o relatório a ser enviado ao CONSEMA, mesmo que este apresentasse pontos sobre os quais não foi possível obter consenso.
Publicamente o subgrupo de aquáticos esclareceu que:
“Não foi possível obter o consenso até o momento sobre o conteúdo do Sumário Executivo do Bagre Africano (Clarias gariepinus)”. Porém, a Coordenadora do GT enfatizou ser possível que cada instituição deixasse registrada no Sumário Executivo sua posição, não sendo o consenso um requisito para a conclusão do Relatório.
Considerando as argumentações apresentadas pelos distintos atores deste processo, os pareceres, artigos científicos, teses e dissertações, documentos que compararam esta espécie com outras cultivadas no Brasil e as argumentações de que o Bagre africano é pouco expressivo no Estado de São Paulo, mesmo apresentando um bom potencial de exploração comercial, o subgrupo, ainda assim, não chegou a um consenso para consolidar o Sumário Executivo e apresentou dois cenários para a coordenação do GT-EEPI levar ao CONSEMA:
Situação 1:
Diante da sua baixa importância econômica e alto risco de bioinvasão, o cultivo, a manutenção e a comercialização da espécie deveria ser proibido no estado, sendo assegurado 5 anos para adequação dos atuais produtores, que deverão ser orientados a substituir a espécie por outra nativa, como por exemplo o Jundiá (Randia quelen).
Situação 2: Proposta do IP e dos representantes da SAA
Levando em consideração as declarações dos órgãos representativos do Setor Produtivo (COMPESCA, Câmara Setorial do Pescado – SAA, APACLA) a criação desta espécie poderia ocorrer no estado de São Paulo. Neste caso, para o cultivo e comércio da espécie, seria necessária a criação de um conjunto de normativas que impedissem a bioinvasão, conforme as sugestões apresentadas.
Ressaltamos que o GT-EEPI tem caráter exclusivamente consultivo e cumpre o objetivo de subsidiar as decisões que irão ser tomadas pelo CONSEMA. O Instituto de Pesca tem ciência de suas competências e responsabilidades e segue neste grupo para garantir que os interesses do setor produtivo sejam respeitados, à luz da ciência e do desenvolvimento sócio ambiental. Assina: Instituto de pesca.

De: Bruno Sant
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Hidropsia em tilápias

Alguém já identificou hidropsia em cultivo de tilápia? Essa doença é bastante comum em aquariofilia, gostaria de saber se alguns de vocês já observaram essa doença no campo.

De: Santiago Benites de Pádua
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

A hidropisia, ou também efusão celomática, é uma manifestação clínica um tanto comum de ser observada em tilápia em criação. A causa é multifatorial, mas na maioria das vezes identificamos como manifestação crônica das infecções bacterianas. O grupo das estreptococoses e aeromonioses causa comumente esta manifestação clínica (em casos crônicos), sendo o líquido incolor ou levemente esbranquiçado e amarelado em situações de estreptococoses, é muito fétido nas gastrenterites hemorrágicas.

De: Fernanda Távora
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

Alguém fez necropsia desses animais para avaliação dos órgãos internos? Qual era o peso destes animais ou fase de cultivo que se encontravam? Um grande número de animais apresentavam estes sintomas?

De: Santiago Benites de Pádua
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

Na necropsia, estes animais apresentaram acúmulo de líquido na cavidade celomática de coloração esbranquiçada, com aderências entre todas as vísceras, esplenomegalia (aumento do baço), pericardite supurativa com cardiomegalia (infecção purulenta e aumento do coração e membrana que envolve o órgão) e nefromegalia (aumento do rim). Na ocasião, foram realizados imprints de baço, rim e cérebro, sendo confirmada a presença de cocos gram + na análise in loco. Eram peixes entre 50 e 100g, que apresentaram mortalidade crônica durante período de aumento da temperatura. Nesta ocasião, não observamos mortalidade grande. Problemas mais agudos que proporcionam perdas maiores em curto espaço de tempo. No entanto, peixes que morrem cronicamente também causam importantes perdas ao fazer o fechamento do ciclo. É aquela perda que o produtor ignora no dia a dia por ser pequena, mas se torna representativa no final. Peixes com este sinal clínico indicam que a infecção está instalada no plantel, sendo necessários cuidados. Caso estes animais sejam submetidos a um desafio maior, outros animais podem desenvolver a doença de forma aguda e emergir um surto.

De: Rafael Pascoalino
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

Atualmente há no mercado vacinas para prevenção da doença? Qual densidade de cultivo foi verificada a mortalidade?

De: Santiago Benites de Pádua
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

No caso da estreptococose, existe sim uma vacina no Brasil, da empresa MSD. Para as demais bactérias, ainda não temos vacinas sendo comercializadas no Brasil.

De: Rafael Pascoalino
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

Tive informações de produtores do sul de MG que aplicam a vacina com intuito de uniformizar os lotes de peixes cridos em tanque-rede. Tal manejo reduz o número de repicagens ao longo do ciclo de produção. Não pude acompanhar a vacinação. Parece trabalhoso, mas pelo informado ao final do ciclo vale a pena financeiramente e talvez seja uma tendência para produções mais intensificadas.

De: Santiago Benites de Pádua
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Re: Hidropsia em tilápias

Nem afirmaria “talvez seja uma tendência” ao se referir às vacinações. Este procedimento de imunoprofilaxia é de fato eficiente, sendo a estratégia de eleição contra as bacterioses em qualquer espécie animal, inclusive para nós. A tomada de decisão em utilizar ou não este procedimento, entre inúmeras questões, está no impacto financeiro da doença na fazenda. Isso tudo será otimizado quando tivermos à disposição vacinas polivalentes que imunizem contra outras bacterioses. Ultimamente a Franciselose tem causado grandes perdas no período de temperaturas baixas, porém temos vacina para somente uma espécie de bactéria que de fato já é um grande avanço no controle da doença em questão. Outro ponto importante de salientar, é que as vacinas não fazem milagres. Os peixes para receberem este produto devem estar em condições adequadas de saúde para tal. Além disso, ao vacinar um plantel, não significa que se podem ignorar os demais cuidados com as doenças na fazenda.