NOTÍCIAS & NEGÓCIOS ON-LINE – edição153

Participe da Lista de  Discussão Panorama-L Inscreva-se no site  www.panoramadaaquicultura.com.br


De: Thales Moraes
[email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Panga Brasil

Sei que a lista não é canal de publicidade e vendas, mas venho por meio desta anunciar a disponibilidade de peixes adultos “Pangasius hypophthalmus”, ou seja, “Panga Brasil”. Lotes ideais para matrizes e outros para comercialização alimentícia, por sinal de excelente qualidade. Sei que a lista abrange os principais envolvidos da aquicultura aqui no Brasil. Mais uma vez desculpe a todos pela publicidade, porém, foi a forma mais fácil de chegar aos interessados em estudar o Panga Brasil.

Lembrando aos produtores que a espécie é exótica e a regularização do empreendimento, que não é nada fácil, ficará mais complicada. Situação que provavelmente deixará mais produtores na “clandestinidade”, não ajudando em nada o setor, mas isso é só uma opinião particular. Fernanda Távora[email protected]

Parabéns pela intervenção. Concordo com a tua colocação. O setor não pode correr tamanho risco. Temos tantas espécies nativas que precisam ser pesquisadas e por isso não devemos perder o foco. Fábio Castelo Branco [email protected]

Eu acredito que a legislação não faça diferença entre a tilápia e o panga produzido no Brasil. Segundo a legislação, onde a tilápia pode o panga também pode. Gilcler A. de Souza [email protected]

Creio que não, a não ser que o panga esteja previsto na Portaria Ibama 145-N, de 1998, que trata da introdução de espécies, e se não me engano, ainda vigente. Ricardo B. Borges
[email protected]

A dificuldade para se obter Licença Ambiental para criação de peixes é enorme, pelo menos aqui no Distrito Federal. Esta dificuldade aumenta muito quando a licença pretendida se refere à tilápia. Criação de panga, no DF, nem pensar. E não tem nada de engraçado: no caso da tilápia, é trágico. Quanto ao panga, se alguém, em qualquer Unidade da Federação, conseguir Licença Ambiental, peço encarecidamente que divulgue o fato nesta lista, para conhecimento geral. Mesmo as pessoas que estão criando o “Panga Brasil” e anunciando a venda, não devem ter Licença para isso. Até onde se sabe, tal atividade é clandestina. O Thales, por exemplo, que anunciou a venda de pangas adultos, poderia esclarecer onde é a criação e se ele tem a licença. Léo Grisi [email protected]

Sem entrar no mérito do pode ou não pode e do seria bom se pudesse ou não, gostaria de ouvir a manifestação de produtores de ornamentais, pois o Panga é criado para o aquarismo há muitos anos no Brasil e nunca se falou nada… ou não? Andre Muniz [email protected]

Minha manifestação foi no sentido de orientar que não existe regulamentação para a espécie ou pelo menos desconheço. Concordo com todos os colegas em relação às espécies nativas. Não conseguimos fazer (em alguns Estados) que as OEMAS aceitassem a tilápia e já estamos querendo trabalhar com panga para fins de abate? Eu acho demais! Fernanda Távora [email protected]

Já faz algum tempo que o produtor Thales faz propaganda do seu panga, mas não diz se tem licença ambiental e nem se teve autorização do IBAMA para importar e trabalhar com esse peixe. Nada contra, desejo sucesso em sua atividade. Apenas gostaria que nos mostrasse como conseguiu isso, para que os colegas piscicultores saibam como fazer para trazer outras espécies de valor comercial com pacote tecnológico desenvolvido. Nada contra peixes nativos, mas a piscicultura é uma atividade para gerar lucro! Instituições de pesquisa e academia podem cumprir essa tarefa de demonstrar a viabilidade econômica de espécies nativas, empresário não pode investir tempo e dinheiro em espécies que não sabe se darão retorno. Ainda há o fato de que o IBAMA também não facilita a criação de espécies aloctones. Uma ocasião tive o maior trabalho para enviar 40 alevinos de pirarucu de Fortaleza para Recife. Era para pesquisa, imagine trazer alevinos de surubim, matrinxã, tambaqui por via aérea para o Ceará. O DNOCS teve que apelar ao governador para que o IBAMA liberasse alevinos chitralada importados da Tailândia alguns anos atrás. E é um órgão do governo! Thales, ajude os outros produtores e diga como é o caminho para isso. Se não quiser falar por causa da concorrência que pode aumentar, entenderei. Ricardo Campos [email protected]

A tilápia já está estabelecida em várias bacias hidrográficas. O panga será mais uma espécie exótica com potencial de impacto no ambiente. Creio que não devemos “impactar ainda mais o que já está impactado”! Só porque há espécies exóticas em nossos rios, não precisamos introduzir novas. Ainda porque, não exploramos nossas espécies nativas com potencial produtivo. Jean Schuller [email protected]

Enquanto nós estamos preocupados em debater quais espécies podem ou não serem cultivadas aqui no Brasil, a cada minuto que perdemos discutindo esse tema chega uns 20 conteineres de panga, salmão, merluza etc. Precisamos ter foco claro que temos que ter responsabilidade com o que estamos produzindo e como produzir com segurança ambiental. Ninguém consegue barrar a entrada de espécies exóticas, pois qualquer um que vá a uma loja de aquariofilia encontra o que desejar e ainda sai com nota fiscal de qualquer espécie. Estamos perdendo a guerra pra nós mesmos. Precisamos produzir cada vez mais em menos espaço e com menor custo, só assim vamos ser competitivos O setor tem que remar para a mesma direção. Aqui em SP estamos em uma forte batalha com o órgão de meio ambiente para produzir exóticas e o setor produtivo está empenhado em ordenar essa produção com regramento justo e aplicável à realidade do produtor. Se formos pensar em agropecuária sem as espécies exóticas, o que seria desse país onde quem segura a balança comercial e o PIB é a agropecuária? O que seria do Brasil sem a soja, sem o nelore e sem a tilápia? Temos que debater espécie com alto potencial zootécnico e rentável, pois ninguém trabalha para não ganhar nada. O setor produtivo, o qual eu represento quer produzir qualquer espécie e com as regras cabíveis respeitando o meio ambiente. Nada contra os nativos. Não entendam mal minha colocação. Emerson Esteves 
[email protected]

Emerson, essa é a lógica. Mas a essa altura está cheio de viveiros Brasil afora com Pangasius. Edson Falcão [email protected]

Concordo com todas as colocações feitas. Mas há um pormenor a cumprir: a legislação ambiental. Claro que se pode descumprir a legislação e criar panga, por exemplo. Mas não acho que é por aí. Precisamos mudar esta mentalidade. Não há vantagem em trabalhar na clandestinidade, exceto para os que gostam de levar vantagem em tudo. Não será assim que o Brasil se tornará um grande produtor e/ou exportador de pescado. Creio que o caminho a seguir implica em: a) exigir agilidade e simplicidade para a concessão das Licenças Ambientais. A maneira como os órgãos ambientais tratam o criador é inaceitável. O custo é exagerado; a burocracia, intolerável. A solução passa por entendimento político com o governador, em cada Unidade da Federação, e é ele quem nomeia o presidente do órgão. Estas nomeações atendem a interesses políticos e a pressões de ambientalistas. Já passou da hora de se atacar esta questão com efetividade. b) revisão nas regras para a concessão das Licenças. Algumas destas regras são estúpidas, para dizer o mínimo. Outras são simplesmente ignoradas pelos órgãos ambientais, especialmente se facilitarem o processo de concessão. Seria necessária a união dos criadores para exercer a pressão. Infelizmente, no Distrito Federal, esta união não existe. Alguns poucos criadores, mais idealistas, tentam trabalhar em prol do setor. Isto é claramente insuficiente. Mas o comentário que “a essa altura tá cheio de viveiros Brasil a fora com Pangasius” sugere que a ilegalidade ou a clandestinidade seja o caminho mais adequado. Não concordo. Isto apenas vai dificultar a vida de quem quer corrigir o setor e trabalhar dentro de uma regulamentação razoável. Léo Grisi [email protected]

Concordo que aquicultura tem que ser rentável, não tem sentido investir e não ter retorno ou então quase empatar. Mas esse ganho deve ser com responsabilidade. Não acredito que lojas de aquariofilia estejam suprindo o mercado para desenvolvimento do panga para fins de abate. Se o panga for o caminho para nos tornar competitivos, vamos lá avaliar a espécie. Mas repito, com responsabilidade! Até hoje vejo nas minhas andanças, produtores que descartam peixes (tilápia) que não atingiram o peso ideal nos corpos hídricos. É preciso tratar os iguais como iguais e o os desiguais como desiguais. Não dá para comparar nelore com panga e soja com tilápia. Não entendam errado, só acho que essa lista com toda a importância e capilaridade que possui, não devia ter sido usada para incentivar algo não regulamentado. Fernanda Távora [email protected]

É claro que as lojas de aquariofilia não vão suprir a demanda de alevinos de qualquer espécie, o que eu quis dizer é que através delas entram qualquer espécie exótica e quem quiser pode adquirir um plantel de reprodutores para iniciar a produção com muita facilidade. Outro ponto que você também não compreendeu é que não estou comparando nelore e nem soja com nada. Estou apenas afirmando que são espécies exóticas que foram introduzidas no Brasil e que hoje nos tornou o maior produtor de soja e carne bovina do mundo. Volto a dizer que não sou contra nativos e nem a favor de exóticas. Eu sou a favor de produzir com regramento adequado a cada espécie e não a proibição. Precisamos ser competitivos perante o mundo. No ano passado importamos mais de 1 bilhão de dólares em pescado, enquanto isso o Vietnã, que é um país menor que o estado de São Paulo, exportou mais de 6 bilhões de dólares. Se realmente o Brasil com todo potencial que tem, quer ser um grande produtor de pescado, tem que mudar muita coisa. Emerson Esteves [email protected]

As palavras do Emerson procedem e indicam que algo está errado nesta questão brasileira. Nenhum país do mundo está tratando a questão da biodiversidade como nós, preocupados com as espécies exóticas cultivadas inventando potencial invasor para as mesmas, e abandonando a biodiversidade nativa que sucumbe frente à poluição crescente e outras razões antrópicas. Há uma grande articulação nacional que tenta impor, sem base técnica, que o exótico cultivado é pernicioso e, apoiados em uma tabelinha de pontos feita na escrivaninha, se propõem a saber mais do que décadas e até século de conhecimentos reais e práticos. Acusam todos os peixes exóticos de invasores potenciais, incluem os nativos e ainda cobram do governo por isso. A que ponto chegamos, não é? Na sequência ainda querem proibir cultivos, para solucionar uns problemas de prejuízos sócio ambientais inexistentes, e acabam causando grandes prejuízos sócio econômicos e ambientais reais. Onde está a academia, os pesquisadores, o conhecimento, o profissionalismo? A aquicultura está crescendo e exportando com as exóticas. A biodiversidade, os produtores e pescadores vão bem, sem terrorismo nem ignorância técnica e ambiental. Pesquisem o que está acontecendo na questão da biodiversidade em outros países e comparem com o Brasil, que está preocupado em criar uma lista equivocada de espécies invasoras cultivadas, dizendo-se cobrado a cumprir a meta da convenção de AICHI para 2020. Dá para acreditar? Cultivo peixes nativos e exóticos a mais de 20 anos, e pesquiso esta questão há anos também. Dá pena de ver tanta ignorância de conhecimento dos agentes desta falácia, a arbitrariedade no processo, o prejuízo sócio econômico e até ambiental, e a nossa agropecuária e aquicultura sendo envolvida por este falso ambientalismo. Teríamos que ter os pesquisadores, as disciplinas, o profissionalismo e as instituições de pesquisa se contrapondo a ignorância desta loucura, mas infelizmente nossa academia tem sido omissa e conivente em casos que aqui em São Paulo já estamos registrando. Flavio F. Lindenberg[email protected]

Com o devido respeito às posições diferentes, também vou me posicionar. Sou duplamente exótica. Vim da Península Ibérica. Além dos nativos (os indígenas) quem desta lista, não o é? Entendo que independentemente dos argumentos contrários aos chamados “exóticos” terem fundamentação técnica ou não, e neste ponto concordo totalmente com o Flavio (na minha modestíssima opinião são pressupostos carentes de estudos), a questão é muito maior que simplesmente uma posição a favor ou contra. Trata-se de produção de alimentos para o mundo. Como todos sabem, o Brasil tem condições de ser um dos maiores produtores de pescado cultivado do mundo, nativo ou exótico, e gerar milhões de postos de trabalho, emprego e renda. No princípio a Terra era o nada. Mas, nos bilhões de anos seguintes, a evolução do planeta foi marcada por uma série de eventos que continuam ocorrendo, e as espécies que melhor se adequaram são as que estão por aqui hoje em dia e serão as que estarão habitando o planeta no futuro. Um dos exemplos de adaptação que vejo todos os dias na minha região e cada vez mais sendo encontrado nas bacias hidrográficas brasileiras é o mexilhão dourado. No entanto, não vejo nenhum ambientalista oferecer algum plano concreto contra esta praga que está assolando nossas águas, totalmente adaptado. Se posicionam contra algumas espécies exóticas, que na minha visão, podem, sim, com normas e regras, serem produzidos no nosso país para gerar alimentos, empregos e renda. Mas no dia a dia vejo ataques quase insanos, pouco ou quase nada fundamentados, contra as espécies exóticas que têm baixo custo de produção e que podem chegar às mesas dos brasileiros com preços menos proibitivos, aumentando o consumo per capita de pescado, que ainda é muito pequeno no Brasil. Uma proteína mais nobre que pode, inclusive, contribuir com o aumento da capacidade cognitiva da população. Marilsa Patrício Fernandes[email protected]

O que acontece com um exótico sem seu predador natural em liberdade? Pergunte aos agricultores da região sul onde o Javali está solto. Tem situações que não se pode plantar milho porque o bicho não deixa. Sabe o que é 100.000 javalis soltos em seu município? Sabe quanto custa o javali e o mexilhão dourado soltos? Perguntem ao Consórcio Itaipu. Não sou contra os exóticos, pois minha área de atuação é os ciprinídeos, mas devemos pensar com a cabeça e não com o bolso. Alvaro Graeff [email protected]

Concordo e gostaria também de acrescentar o seguinte: 1- O panga não produz e nunca produziu os lucros esperados nem no Vietnam, ou na vizinha Colômbia, onde é ilegalmente cultivado e “vendido sem cabeça”; 2- Houve no passado muito interesse pela possibilidade de se produzir 250, 300 ou até 400 toneladas por hectare, porém, se o custo de produção for superior ao preço de venda, como tem sido o caso, então muito peixe por metro quadrado significa muito prejuízo por metro quadrado. É o que tem acontecido no Vietnam; 3- Trabalhei há cerca de 10 anos em projetos de tilápias e camarões no Vietnam e escutava dos produtores de panga muitas queixas e prejuízos com créditos governamentais que se arrastavam por mais de uma década (o governo financiava parte dos prejuízos para gerar dólares de exportações); 4- Entre 2000 e 2004 foi a explosão do panga no Vietnam quando a produção passou de 300 mil toneladas para 2 milhões e trezentas mil toneladas. Ia passar da tilápia em uma década, mas não foi o que aconteceu, o crescimento começou a diminuir e hoje praticamente não há mais crescimento da atividade, ao contrário, já se fala em retração; a carcinicultura já passou o panga em 2012 e segue em firme crescimento, como é o caso da tilápia. Nesse ritmo, o salmão também deve passar o panga no ano que vem se é que já não passou. Sergio Zimmermann [email protected]

Acho que o problema aqui não é querer produzir panga. E sim, como ele consegue autorização para importar alevinos para plantel de reprodutores e/ou para engorda. Temos a tilápia no Brasil desde a década de 50 do século passado e temos Estados em que não é permitida sua criação. Temos Estados e IBAMA que dificultam a entrada de peixes nativos de outra região. Temos produtores, universidades, instituições de pesquisa que não conseguem trazer alevinos de tilápia do exterior para formação de plantel e pesquisas. Como ele consegue trazer o panga? Porque ele só fica soltando essas notas de propaganda e não diz se é regularizado? Ricardo Campos [email protected]

Diminuiu a entrada do Panga no Brasil porque o dólar esteve forte em 2015 em todo o mundo e o real muito baixo. Outro ponto importante foi o banimento das importações de produtos do Vietnam (final de 2014 início de 2015), que durou cerca de 4 meses. Esta proibição foi feita nos meses que mais se ingressa pescados no Brasil, entre dezembro e fevereiro, para abastecer a quaresma. As exportações mundiais de panga caíram muito em 2015, pois muitos países importadores estavam/estão passando por momentos econômicos complicados. O Vietnam ainda é e continuará sendo por alguns anos, o maior e melhor produtor de panga do mundo, porém como eles aumentaram muito suas produções (fazendas) e indústrias de processamento e a demanda mundial despencou, eles ficaram com um custo fixo imobilizado muito alto, por isso no segundo semestre de 2015 e início de 2016 eles venderam o peixe sem praticamente ganhar nada ou até mesmo perdendo dinheiro, para manter a “roda girando”. O que está acontecendo no Vietnam no momento é: as grandes empresas comprando as médias e pequenas, e diminuindo os players produtores. Creio que há muito ainda que se escutar de produção de panga no Vietnã. Todos passam por momentos ruins pois sofrem as consequências do mercado, porém com as economias melhorando o setor se recupera, com novos players e novas estratégias. Rafael Bueno de Alvarenga Camacho
[email protected]