Notícias & Negócios Online – edição 53

De: Paulo de Mesquita Sampaio mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Clarias

Quem sabe onde foi para o bagre africano (Clarias)? Parecia um peixe tão bom, de crescimento rápido, bom rendimento industrial, que suporta altas densidades. Alguém sabe como está o mercado para esse peixe? E para o file ou postas?

De: Nelson Carvalho nl[email protected]>
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Re: Clarias

Aqui no Distrito Federal estamos processando o clarias e a tilápia com selo do SIF. Os produtores preferem trabalhar com o bagre e o mercado tem ótima aceitação. Estamos nos organizando para regularizar a produção e reduzir o custo do quilo produzido além de trazer modelos de cultivo comprovados. Não temos muita literatura a respeito do clarias e temos nos baseado na experiência de produtores com melhores resultados. A produção de alevinos é feita por vários produtores aqui da região.

De: Carlos A.Fernandes mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Re: Clarias

Com relação ao bagre africano, o mercado não aceita o produto vivo, tendo em vista o marketing negativo que ocorreu há alguns anos, tanto por parte do governo como por parte dos consumidores, digo, pescadores de pesque-pagues. Esse peixe possui ótimas qualificações para uma criação comercial, devido principalmente à sua rusticidade e boa conversão alimentar. Não sou nenhum defensor do clarias, mas este peixe seria (ou pode ser ainda) um dos itens que faltam para o solavanco inicial do processamento do pescado de água doce produzido em cativeiro, pois o custo de produção é relativamente baixo se comparado a outras espécies, podendo assim obter um produto com preços inferiores aos praticados pela indústria pesqueira e concorrer diretamente com outras mercadorias de proteína animal. O que deve ser observado é o modo como esse peixe deve ser processado. Abro aqui mais uma discussão sobre processamento: e o nosso curimbatá? Também não poderia entrar nesse espaço de mercado?

De: Rene C. de Castro mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Cuidados no inverno!

Recentemente ouvi algumas idéias de como proceder com a criação nesses dias frios que, principalmente aqui no sul de Minas, não são nada fáceis para os peixes. Fiquei intrigado com uma e gostaria de contar com as opiniões da lista: me aconselharam a suspender por completo o trato com ração para evitar que os peixes, normalmente mais no fundo do tanque devido a água mais “quente”, subissem até a superfície, de água mais fria, para apanhar a ração. Juntamente, deveria ser cortada ou diminuída a troca de água, para diminuir ao máximo as perdas de plâncton e a variação de temperatura da água. Será que é o mais correto a fazer? Será que tem sentido e objetivo esse procedimento? Apenas para registrar: na minha criação venho percebendo que os pacus já vêm “praticando” na íntegra isso de não sair do fundo do tanque pra nada, porém as tilápias ainda vêm se alimentando bem.

De: Silvio Romero Coelho mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Re: Cuidados no inverno!

Caro Rene, infelizmente, a idéia que lhe foi proposta vai contra um dos princípios básicos da física, onde “água mais fria” tem maior densidade que “água mais quente” e vai para o fundo! Não concordo em que a alimentação dos peixes seja “suspensa” integralmente. O que é necessário fazer é um maior/melhor monitoramento da temperatura da água, e observar quando ela atinge níveis mais altos (quentes) que permitam a alimentação dos animais. Observe seus peixes. Eles é que lhe mostrarão quando você poderá alimentá-los. As baixas temperaturas reduzem o metabolismo dos peixes, que por conseguinte reduzem a necessidade de energia, e portanto reduzem a busca e ingestão de alimentos. É comum também se ouvir que no inverno, os peixes deverão ser alimentados com uma ração que afunde. Eu discordo, pois se o peixe tem seu metabolismo reduzido, ele não vai comer mesmo! Ao oferecermos uma ração que afunda, na realidade estaremos aumentando nosso risco de deterioração do fundo mais rápido, pois fica difícil monitorar o alimento realmente consumido e as sobras. Existem vários outros fatores que devem ser considerados no inverno, além da redução da oferta/consumo de rações: observação da ocorrência ou não de estratificação da água; nível de trocas e renovações do volume de água do tanque; densidade populacional; nível de aeração mecânica; crescimento dos níveis de amônia; níveis de pH; uso de rações com maior percentual de vitamina C; não utilização de equipamentos de arrasto para amostragem; etc.

De: Sergio Tamassia < [email protected]>
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Re: Cuidados no inverno!

Adicionalmente ao colocado pelo Silvio sugiro considerar: a – em se tratando de uma piscicultura comercial, devemos ter em mente que é fundamental a escolha da espécie correta para o clima da região; b – se mantivermos o peixe durante o inverno, sem crescimento, o nosso custo unitário pode aumentar e tornar nosso em-preendimento não competitivo em relação a outros locais de produção; c – uma possível abordagem é programar o cultivo de tal forma que em épocas criticas não estejamos com as espécies sensíveis estocadas.

De: Rodolfo Sirol mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Re: Cuidados no inverno!

Acrescento apenas que você deve evitar sombreamentos nos tanques, como árvores ao redor e plantas aquáticas (tipo o aguapé). Com relação a renovação de água, é simples: caso na parte da tarde, a água que abastece o tanque estiver mais quente que este, ótimo, pode renovar, caso contrário, não renove! Exceção, se as condições de qualidade de água exigirem. Caso não seja necessário, evite o uso de aeradores, pois ao promoverem a oxigenação, também ocorrerá a perda de calor da água, caso o ar esteja mais frio (isso acorre principalmente à noite, período recomendado para o uso de aeradores). Finalizando, acredito que na próxima safra, você deveria optar por um peixe diferente (esqueça os peixes redondos, para as regiões com inverno mais rígido). Caso a tilápia continue alimentando-se durante o inverno, esse é um excelente sinal de que a temperatura não está assim tão ruim para ela, apesar de poder não ser lucrativo. Teste o piauçu, outros produtores do sul de Minas aprovaram.

De: Silvio Romero Coelho mailto:[email protected]
Para: Lista Panorama-L mailto:[email protected]
Assunto: Intercâmbio com a União Européia

Caros participantes da lista, fui convidado para participar de uma reunião denominada “Euro-Latin American Observatory for Aquaculture”, que aconteceu entre os dias 12 e 14 de junho, no Campus Agrário do Vairão, da Universidade do Porto, em Portugal. O encontro foi patrocinado pela Comissão Européia, e haviam participantes da Bélgica, Portugal, França, México e Brasil. Há cerca de dois anos, alguns pesquisadores portugueses identificaram junto aos órgãos que fomentam a aqüicultura na Comissão Européia um recurso que poderá financiar o intercâmbio técnico entre os países membros e a América Latina. Este intercâmbio deverá ser constituído de ações objetivas, resultantes dos contatos diretos entre os interessados e que possam resultar em algo concreto e factível. O programa é conhecido como Programa Alfa-Beta (Best European Transfer in Aquaculture with Latin America). Os recursos existentes são somente para custear viagens e estadias de técnicos latino-americanos para a Europa, ou vice-versa; desde que os contatos e detalhes tenham sido acordados previamente entre as partes. Por exemplo, suponhamos que existe um pesquisador brasileiro que está estudando a ação enzimática no trato digestivo do pirarucu e que ele conheceu um pesquisador francês que desenvolve uma técnica de isolamento de enzimas. Assim, depois que o técnico francês tenha aceitado receber o brasileiro para um treinamento no instituto em que ele trabalha, o brasileiro procura diretamente o agente gerenciador do programa Alfa-Beta, apresenta sua proposta, documentada com os acertos previamente feitos, que a viagem e estadia estariam sendo financiadas pela Comissão Européia. Portugal e Espanha deverão liderar este projeto, de modo a minimizar as barreiras decorrentes das diferenças que existem entre os latino-americanos e os outros membros da Comissão Européia. Mais detalhes podem ser encontrados na home-page do programa: www.icav.up.pt/alfa-beta. O gerente geral do projeto é o Dr. Luís M. Cunha e seu mail é [email protected]. A amplitude do projeto é grande, abrangendo qualquer aspecto científico-tecnológico em aqüicultura que possa estar ocorrendo na Europa e que seja identificado como relevante para nós. O programa contemplará inicialmente o México, Brasil e Chile, com a participação de entidades de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Irlanda e Noruega. O programa não contemplará viagens à congressos, nem a compra de equipamentos e aparelhos para laboratório.