Notícias & Negócios Online – Edição 59

De: Wagner Intelizano
Para: Lista Panorama-L
Assunto: Piratado?

Prezados correspondentes, tenho adquirido ultimamente peixes jovens em lojas de aquariofilia para estudar sua anatomia. Como seria bem mais caro para mim coletá-los na natureza, a compra no varejo resolve o problema. No momento estou dando enfoque aos nossos grandes siluriformes como o pintado, cachara e pirapara. Eu os mantenho em pequenos tanques para crescerem até uns 40 cm, e daí processo-os através de técnicas anatômicas variadas. Pois bem, recentemente deparei-me com um lote de peixes de pintados com características de pirarara, ou vice-versa, não sei ao certo! Demorei para notar os detalhes compartilhados dos espécimes, e ao indagar o vendedor, ele não conseguiu informar a origem da compra. Desconfiei que poderiam ser híbridos. Daí surgiram minhas dúvidas. Este fato de ser comercializado peixes híbridos é comum, ou seja, existem produtores oferecendo tal tipo de peixe? Há oficialidade de tal prática? É correto fazer tais “experiências” e vender o produto? De antemão não tenho opinião a respeito e na verdade não tenho interesse no assunto em si, mas gostaria de estar prevenido para não estudar piratados em detrimento das espécies naturais. Obrigado.


De: José Eurico Possebon Cyrino
Para: Lista Panorama-L
Assunto: Re: Piratado?

Wagner, esta não dá prá deixar passar. É isso aí mesmo. Alguns produtores de alevinos estão produzindo a tal de “cachapira”, um “híbrido” entre cachara e pirarara. O pior de tudo: distribuindo impunemente. Tudo isto sem saber, sequer, o mapa genético das populações originais. A não ser que se prove, concretamente, que a tal cachapira é um híbrido verdadeiro (realmente estéril), isto é um perigo sério à conservação e biodiversidade das populações selvagens ancestrais das duas espécies. Este mesmo erro foi cometido quando se começou a produzir o tambacu – tambaqui x pacu, peixe que se revelou nem 8, nem 80 (tampouco 88). O que “dá nos nervos” é constatar que nosso órgãos de fiscalização ambiental, tão cientes de suas “responsabilidades” em relação à concessão da tal de licença ambiental, que tanto tem prejudicado nosso produtores e limitado a expansão da nossa piscicultura, fazem vista grossa a uma barbaridade destas. Este sim, é um real crime ecológico. Zico


De: Alvaro Graeff
Para: Lista Panorama-L
Assunato: Re: Piratado?

Colegas, concordo com o Zico. E tem muito mais: estão cruzando catfish com jundiás nativos, carpa cabeça grande com carpa prateada e fico me perguntando para que isto se já temos enormes dificuldades para definir para nossas condições de pais continental pacotes tecnológicos para os puros.


De: Francisco Medeiros
Para: Lista Panorama-L
Assunato: Re: Piratado?

Eu como técnico e piscicultor, me surpreendi há 2 anos (98), quando fui fazer uma transferência de pintado (comprei com 13 cm e estava fazendo uma mudança de tanque e eles estavam com 18cm) e noite a presença de (pintados, cacharas e outro bichos que tinha lista e pinta). Liguei para o fornecedor e este disse que era impossível tal coisa. No próximo ano 99, mudei de fornecedor, e o problema continuou, vendi ha 30 dias esses peixes, sem saber do que se tratava (pintado, cachara ou sei lá), novamente em contato com o departamento técnico falaram que isso não era possível, que iriam retornar. Claro que não ligaram. O problema realmente existe, as autoridades em meio ambiente devem saber disso, pois quando vão inspecionar uma piscicultura da pra notar a diferença. Eu como produtor preciso pelo menos saber qual o beneficio para mim com esse peixe? Com a palavra os produtores de alevinos de pintado.


De: Jomar Carvalho Filho
Para: [email protected]
Assunto: 17 alfa metiltestosterona

Prezado Sr. K. C. Pang, os tilapicultores no Brasil utilizam para a reversão sexual o 17 alfa metiltestosterona. O Sr. Poderia dar mais informações sobre o 11 beta hydroxyandrostenedione? Eu gostaria de saber também porque este hormônio é menos impactante para o meio ambiente.


De: K.C.Pang
Para: [email protected]
Assunto: Re: 17 alfa metiltestosterona

A razão para que o hormônio 11 beta-hydroxyandrostenedione seja menos impactante é pode estar na sua origem natural, ao contrário do 17 alfa metiltestosterona que é sintetizado. Pessoalmente eu prefiro usar hormônios naturais que são mais rapidamente degradados.


De: J.F. Baroiller
Para: [email protected]
Assunto: Re: 17 alfa metiltestosterona

O 17 alfa metiltestosterona é sintetizado adicionando um grupo metil à molécula da testosterona. A testosterona é um andrógeno natural, presente em todos os vertebrados. Todavia, se degrada muito facilmente daí não ser muito eficiente na masculinização. Ao adicionar o grupo metil nesta molécula aumenta-se a sua meia-vida: o 17 alfa metiltestosterona é mais difícil de ser degradado que a testosterona e estará presente mais tempo no peixe. Essa é a razão para que esta molécula artificial seja mais eficiente na masculinização que a testosterona. Já o 11 beta-hydroxyandrostenedione, parece estar envolvido no processo natural da diferenciação testicular além se ser mais eficiente na masculinizaçãon (muito similar ou mais eficiente que o 17 alfa metil testosterona) Com relação ao preço dos esteróides, vai depender do mercado. No início da reversão sexual o 17 alfa era muito caro e com o uso o preço diminuiu muito. O 11 beta ainda não é utilizado por muita gente e é um hormônio muito específico de peixes. Se muita gente viesse a utilizar este hormônio natural, o seu preço seria similar ao 17 alfa.30