Notícias & Negócios Online – edição 67

De : Flávio Fonseca
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Assunto: Curso de Graduação
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), através do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DEOLI) criou desde o início do ano o curso de Ciências Aquáticas. Este curso possui uma duração de quatro anos: um módulo básico de 2 anos e nos 2 restantes o aluno poderá optar pelas disciplinas específicas em uma das duas habilitações: Gestão de recursos hídricos e Aquicultura. O ingresso é anual e ocorre no segundo semestre (sendo o vestibular realizado no primeiro).Os interessados devem entrar em contato com o DEOLI pelo fone (98) 217-8561. O site da UFMA : www.ufma.br

De: Pisc. AQUABEL
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Assunto: Tilápia (Nilótica) Tailandesa / Vaca Holandesa X Rusticidade
É comum escutarmos que a tilápia tailandesa é mais sensível ao transporte. Realmente isto pode acontecer, mas é importante esclarecer que isto somente ocorre com animais portadores de alguma deficiência nutritiva/alimentar ou estresse de manejo. Peixes bem alimentados e saudáveis não apresentam nenhum problema de mortalidade nos viveiros ou no transporte, e sim suportam ainda mais os cultivos super-intensivos de alta densidade (raceway e gaiolas). É comum também escutarmos uma comparação entre a tilápia tailandesa e a vaca holandesa. Mas o que elas tem em comum? Tanto a tilápia tailandesa quanto a vaca holandesa são animais melhorados geneticamente, para a produção de carne (37% de rendimento de filé) na tilápia e para produção de leite (50 litros de leite/dia) na vaca. Portanto, perderam em prol dessa produção, um pouco de sua rusticidade, sendo mais exigentes em ambiente, alimentação, temperatura e manejo; se algum destes itens estiver muito longe do ideal, estes dois animais sofrerão mais e mais rápido que as linhagens rústicas que não objetivam produção. Porém, em ambos os casos os benefícios de produção são tantos, que ao se falar de vaca leiteira o primeiro nome que se vem na mente é a holandesa e ao se falar de tilápia com velocidade de crescimento e rendimento de filé pensamos em tailandesa! Esta é a conclusão que foi obtida após uma exaustiva reunião, exclusiva sobre este assunto, em Toledo-PR, no último dia 13 de setembro, com representantes da Secretária da Agricultura – PR, frigoríficos, fabricantes de ração, transportadores e engordadores de peixe, produtores de alevinos além de todos os técnicos em piscicultura da EMATER – PR.

Wagner Camis
Para: [email protected]
Assunto: Tratamento
Quando da transferência .de juvenis de tilápia para os tanques-rede, os mesmos passaram a ter problemas, e mediante análise optou-se pela aplicação de sal + cobre. Como devo fazer tal aplicação? A represa que os mesmos estão instalados tem 50 hectares. As dosagens normalmente recomendadas são para m 3 e com possibilidade de interromper o fluxo.

Alvaro Graeff [email protected]
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Assunto: Re: Tratamento
Caro Wagner, tivemos o problema parecido em nossos experimentos com tanque rede. Na base da improvisação e acertos, conseguimos ótimos resultados comprando uma lona preta plástica (muito barato) e fizemos um tanque rede com dimensões um pouco maior que o original e apelidamos de enfermaria. Pois bem; quando precisamos tratar um tanque-rede especifico vestimos ele com a nossa enfermaria e tratamos. Não tem contato com o meio exterior, a dose é em função da cubagem da enfermaria, passado o período de utilização, remove-se. Acho que esta é uma forma possível de se usar.

Alexandre A. Wainberg
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Assunto: Comércio de Peixe
Tenho acompanhado as discussões sobre os problemas no comércio de pescado cultivado. No mundo de hoje, quem determina o preço de venda de um produto é o consumidor. A pergunta principal seria: quanto estaria o consumidor disposto a pagar pelo filé de tilápia colocado no supermercado, ao lado de sua casa? A partir daí vem o calculo do resto. É como dividir uma pizza, onde todos os custos e lucros da cadeia são fatias. O fato é que o filé corresponde a 1/3 do peixe o que significa que o preço de venda da tilápia viva industrializada é de R$2,40, dividindo o preço Frigopeixe (R$ 7,30 o quilo) por 3. Ainda tem o custo do processamento, embalagem, impostos, fretes, etc. Duvido que tudo saia por menos de R$1,50. Então o peixe só pode ser comprado do produtor por R$0,90? Fazendo a conta ao contrário, a ração custando R$0,75/kg corresponde a R$1,12/quilo de peixe + R$ 0,18/quilo com alevinos= R$1,30. Na carcinicultura, larvas e ração correspondem a cerca de 70% dos custos diretos. Na tilápia deve ser parecido. Então o custo de produção seria R$1,30 / 70% = R$ 1,86? Em Fortaleza existe um certo comércio de tilápia grande fresca (>800g) de açudes e cultivo por R$2,20 a 2,50. No entanto, vários produtores estão mudando para o camarão vannamei, o que demonstra que o negócio da tilápia não está muito atrativo por aqui também. Se a produção aumentar, com certeza o preço vai cair. No ponto que estamos, não acredito na eficiência de custos do cultivo intensivo em gaiolas. Vamos ver também o resultado econômico da iniciativa do Grupo MPE. Parece um beco sem saída. Será que o cultivo semi intensivo em viveiros de terra com fertilização e ração barata (talvez farelos), com tilápia de uma boa linhagem poderá ter um custo inferior a R$1,00? Se não der, também não vai dar para ganhar dinheiro com esta modalidade. Como carcinicultor fico preocupado, pois a única alternativa rápida para as fazendas de camarão no caso do white spot é a conversão para um cultivo semi intensivo de tilápia. Recentemente a Primar fez uma experiência com a Aqua Malta e rações Supra, com orientação do Hilton Oshima, que demosntrou a viabilidade fisiológica de engordar tilápia chitralada e vermelha em gaiolas na água salgada. O experimento foi efetuado dentro do canal de abastecimento e a salinidade chegou a 38 ppt. Na próxima etapa tentaremos integrar a tilápia como organismo secundário ao camarão em regime de policultivo. Existem evidências da existência de uma sinergia positiva entre os 2 organismos em policultivo, o que poderia trazer benefícios sanitários para ambas espécies. No meu ponto de vista, tal como o camarão, teremos que exportar. Nos anos recentes, importação de tilápias pelos EUA cresceu significativamente em termos percentuais, mas não chega a US$100 milhões, enquanto camarão é de US$3 bilhões. O mercado americano ainda está sendo formado. Com a queda da economia não devemos esperar o mesmo ritmo de crescimento, se houver. Para exportar teremos arrancar um naco do mercado com um produto de qualidade e, pelo menos inicialmente, por um preço inferior ao praticado pelos tradicionais fornecedores da América do Sul. No nordeste, as processadoras de camarão têm alguma ociosidade devido aos períodos de mudança da casca do camarão (quando não se deve pescar) e poderiam processar a tilápia a um custo reduzido pois o custo fixo seria mais eficiente. A principal vantagem seria um escoamento certo para produção e cada um que se ajuste para produzir ao custo compatível.