Notícias & Negócios Online – edição 71

De: Alisson Sakai Okamoto [email protected] Para: [email protected] Assunto: Marcadores

Prezados integrantes da lista, gostaria de saber informações sobre como eu poderia fazer a marcação individual de 60 tilápias, que serão utilizadas em um experimento. Agradeço qualquer ajuda.

De: niloticus [email protected] Para: [email protected] Assunto: Re: Marcadores

Prezado Alisson, venho trabalhando com tilápias há algum tempo, e venho utilizando marcação com miçangas, que são costuradas com linhas, mais ou menos abaixo dos terceiros e quartos raios duros da nadadeira dorsal. Cada miçanga tem uma pontuação (você escolhe), por exemplo: a miçanga branca grande vale 10, enquanto a branca pequena vale 5, e a amarela grande vale 2. Aí é só ir colocando as peças para marcar o número que você quiser. As melhores linhas são as de kevlar, que são bem resistentes (temos peixes que estão marcados há mais de 1 ano!). Na minha experiência pessoal, não me dei bem com linhas sintéticas (apodrecem) e linhas de nylon (o nó se desfaz) além do fato de que as tilápias têm o péssimo hábito de puxar a marcação do companheiro(a). Outra alternativa é usar marcação cortando os raios duros da dorsal, se os peixes forem adultos. Os raios voltam a crescer, mas dá pra perceber os raios que foram regenerados, pois eles crescem defeituosos (tortos). Nesse caso, corte apenas a partir do terceiro raio, para melhor visualização da marcação. Se forem jovens, os raios recuperam muito rápido (pouco mais de 1 mês) e não dá para observar direito qual é o raio regenerado. Com esse tipo de marcação dá para marcar mais de 720 animais, considerando o fato que podem ser feitas combinações com os raios da nadadeira anal. Outra opção é marcar com fios de telefone (aqueles bem fininhos e coloridos) amarrados (torcidos) nos raios duros da dorsal. Daria para marcar com microtransponders ou tatuagem, mas eu não tenho experiência com nenhum desses marcadores. Se precisar de maiores detalhes das marcações descritas estou à disposição.

De: Francisco Leão [email protected] Para: [email protected] Assunto: Juvenis de Tilápia em tanque-rede

Prezados colegas, estou tentando a duras penas estabelecer uma piscicultura em tanque rede numa represa de 35 ha que está dentro de minha propriedade localizada no município de Igaratá – Vale do Paraíba – S.Paulo. Um dos problemas que tenho enfrentado é o de conseguir juvenís saudáveis e no tamanho adequado (60g a 70g) para a engorda. As informações que tenho recebido quanto ao cultivo de juvenis em tanque rede são contraditórias. Uns dizem que é possível esta produção, outros afirmam que os problemas de falta de elementos essenciais na ração completa inviabilizam esta prática.Gostaria de pedir a ajuda dos colegas e, se possível, visitar alguma piscicultura com este tipo de atividade.

De: Roberto de Araujo Menescal [email protected] Para: [email protected] Assunto: Re: Juvenis de Tilápia em tanque-rede

Sr. Leão, aqui no Nordeste temos tido várias experiências com tanque rede. Alguns produtores criam à partir de 3 a 5 gramas já em gaiola. Relatam sucesso mas a maioria pratica a recria em viveiros de terra até peso que varia de 25 a 50 gramas para então passar para gaiolas. Para nós aqui do Rio Grande do Norte, em particular, a dificuldade é que a cria em gaiolas à partir de 3 gramas tem apresentado grande índice de mortalidade. Reputamos à obstrução das malhas (muito pequenas) necessárias à contenção dos alevinos com esse peso inicial e daí a redução da circulação de água, queda da oxigenação, etc. Nossas águas são, em sua maioria, eutróficas tendendo à hipertróficas. Temos um grande tempo de residência de águas em nossos açudes, evaporação elevada, alta concentração de sais, etc. Os melhores sucessos têm ocorrido quando o criador realiza a recria até 50 gr em viveiros de terra. Nesse caso o tempo de cultivo é reduzido em cerca de 2 meses. Também obtemos uma maior padronização no tamanho. A diferença é que alevinos com até 5 gramas são transportados em sacos plásticos em veículos pequenos ou até em porta malas e os acima de 25 gramas necessitam de caixas de transporte em veículos maiores pois seus raios dorsais perfuram o saco. Recomendamos que a recria seja realizada nas proximidades dos tanques-rede para diminuir o custo do transporte. Estamos apresentando um Projeto de Desenvolvimento do Pólo Aqüícola de Açu, às margens do açude Armando Ribeiro Gonçalves, cuja capacidade é de 2.400.000 metros cúbicos e dispõe de cerca de 19.000 hectares de espelho d’água, dos quais estima-se que poderemos utilizar cerca de 190 hectares (+ ou – 1%) com cultivo de tanques-rede.A base desse Pólo é a construção de uma piscicultura para a produção de alevinos revertidos e a recria até alevinões (50 gr). Esperamos que apareçam interessados da iniciativa privada.

De: Jorge Cotan [email protected] Para: [email protected] Assunto: Constantes de salinidade

Prezados da lista, fui presenteado com um medidor de salinidade da marca TDSTestr 4TM que trabalha medindo de 0 a 19.90 mS ( ? ).Alguém poderia me dizer como posso transformar esta medida ( mS ) para mg/l ou me informar se existe alguma tabela de salinidade para peixes de aquário ou mesmo para peixes, de água doce, criados para consumo, nesta medida(mS)? Muito obrigado.

De: Ricardo Y. Tsukamoto [email protected] Para: [email protected] Assunto: Re: Constantes de salinidade

Prezado Jorge, o aparelho portátil TDSTestr mede a condutividade da água, a partir da qual pode ser inferida ou aproximada a salinidade. A relação entre condutividade e salinidade não é uma constante, variando em função dos íonsque compõem uma determinada água. Para água doce, a relação dos dois parâmetros varia, em geral, de 0,5 a 0,7, conforme a origem da água. Por isso, é comum que se adote o fator 0,6 ou 0,7 para a conversão. Isso significa que cada 1,0 mS/cm (mili-siemens por cm) na leitura do seu TDSTestr se traduz numa salinidade de 0,6 ou 0,7 g de sais/litro. Não há uma “salinidade” padrão para peixes de aquário ou de cultivo em água doce, porque o que importa são os vários íons que compõem esta água (cálcio, magnésio, sódio, bicarbonato,etc). Como exemplo, as águas de regiões calcáreas, como dos rios de Bonito, MS, têm alto teor de cálcio e magnésio, enquanto as águas de muitos açudes do Nordeste são mais ricas em sódio. Tal situação é diferente do mar, uma vez que a composição da água do mar é considerada “padrão”, ou seja, não muda praticamente nada ao redor do globo (exceto em lagos e mares fechados, como Araruama, Mar Morto, etc.). Assim, a água do mar “padrão” tem 35 g de sais por litro (= 35 partes por mil), numa proporção constante entre os íons. A água do mar é diluída nos estuários por água doce dos rios, que podem abaixar a salinidade até próximo da água doce, mas a proporção entre os íons permanece constante. O ser humano pode sentir um gosto “salobro” na água a partir de uma salinidade de 0,3 g de sal-de-cozinha (cloreto de sódio) por litro.Porém, não terá tal sensação se o sal presente for de cálcio ou magnésio (em geral, mais comum que o sódio em águas de superfície = rios e lagos). Os peixes ornamentais dos rios de águas prêtas da Amazônia (Rio Negro e outros), como o cardinal, o neon tetra, o discus, o acará bandeira e outros, habitam águas com condutividades tão baixas que são próximas da água destilada, além de serem bem ácidas. A salinidade nessas águas fica ao redor de 0,01 g de sais/litro. Muitos criadores daquelas espécies usam água deionizada para mantê-los em cativeiro. Já os peixes de cultivo originários de outros tipos de rios, como o curimbatá, dourado, cascudos, piaus, tambaqui, tucunaré, carpa, etc., não se importam muito com salinidades moderadas, ao redor de até cerca de 1,0 g/L. Certas espécies de tilápia toleram salinidades muito mais elevadas, podendo chegar a viver até na salinidade do mar. Por outro lado, certas espécies marinhas podem tolerar viver em água doce, como o robalo, a tainha e o linguado. A manjuba paulista permanece praticamente toda a vida no mar, mas migra para a água doce para desovar, tal como ocorre com os salmões. Assim, a salinidade ideal depende exclusivamente de cada espécie de peixe a ser mantida em cativeiro, e às vezes, de seu ciclo de vida.Um grande abraço.

De: Newton Rodrigues [email protected] Para: [email protected] Assunto: Vale do Itajaí

Prezados Colegas, outro dia, o professor Poli nos indicou uma associação de floricultores como referência de organização. Achei ótima a proposta, afinal, bons exemplos devem ser citados e recomendados. Porém, estive recentemente visitando os piscicultores de Agrolândia e Aurora, municípios de SC. Fiquei impressionado com a organização dos piscicultores desses municípios e a forma como poder público (Epagri) e, produtores juntos construíram um modelo de criação de peixes priorizando os recursos locais e a realidade dos produtores. A piscicultura, dessa forma, contribui efetivamente para o desenvolvimento rural. Parabéns ao Claudemir Schappo e Vitor Kniess, extensionistas da EPAGRI, e ao Sérgio Tamassia, pesquisador e extensionista do mesmo órgão. Fica a minha recomendação: conheçam a piscicultura que se pratica no Vale do Itajaí e a organização dos produtores.

De:Vitor Kniess [email protected] Para: [email protected] Assunto: Re: Vale do Itajaí

Caro Amigo Newton, grato pelas considerações aos trabalhos realizados por nós no Alto Vale do Itajaí. Apenas complemento que além de nós técnicos devemos registrar a grande contribuição e participação dos produtores em todo este processo. Aguardamos (Técnicos, lideranças e produtores) seus retornos para continuarmos os trabalhos propostos.Um abraço.