Notícias & Negócios Online- edição 95

De: Curva de Rio
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Assunto: Permanganato de Potássio
Alguém tem informações sobre a eficácia de banhos de permanganato de potássio ou banhos de sal para controle de ectoparasitos em jundiás? Tenho identificado em peixes desde 150 a 600gr, ou seja, animais adultos. Ictio sempre aparece, mas não em quantidades muito grandes, mas na região das nadadeiras e região ventral próxima ao poro genital ocorrem feridas avermelhadas e conseqüente morte. Notamos que fatores estressantes como variação brusca de temperatura (28°C para 23°C em 3 ou 4 dias) ocasionam o aparecimento de tais enfermidades. Um detalhe importante é que estamos trabalhando em um grande açude (boa qualidade da água), mas os peixes estão sendo criados em tanques rede. Caso alguém tenha mais informações ou protocolos de utilização e possa ajudar ficarei grato.

De: André Bravo
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Assunto: Re: Permanganato de Potássio
É possível envolver os seus tanques-rede com uma tela plástica para delimitar o volume e impedir trocas de água durante 30 minutos? Se for, sugiro que experimente o formol comercial (a 37%) em banho de 30 minutos e concentrações de 100 a 200ml/m3. Teste antes com alguns peixes, para validar a sua tolerância ao formol (controle a condição das brânquias antes e depois do tratamento, procure sinais de hiperplasia) e a eficácia de remoção de parasitas (número de parasitas por arco branquial antes e depois do tratamento, ou número de parasitas por região do corpo afetada). Não tendo qualquer experiência com esta sua espécie, posso afirmar que o formol é normalmente bem tolerado pela maioria dos animais e 100% eficaz na remoção de ectoparasitos em águas frias e temperadas. Atenção: se armazenado à luz o formol cria um precipitado branco muito tóxico para os peixes! Se este precipitado estiver presente na sua embalagem é imperativo separá-lo (filtrando/coando) e impedir que entre em contacto com os animais. Espero ter ajudado.

De: Tarciso Lopes
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Assunto: Substâncias Fitoterapêuticas em aqüicultura
Peço a orientação para o seguinte tema: é de conhecimento de todos que o uso de substâncias fitoterapêuticas é uma prática comum, e até hoje ainda muito utilizada por algumas comunidades indígenas do Alto Xingu. Essa prática consiste na utilização de determinados cipós que intoxicam e atordoam os peixes, e assim tornando-os presas mais fáceis. Cipó Timbó – Serjania fuscifolia (Sapindaceae); Cipó Tingui – Mascagnia sepium. Gostaria de saber se algum dos colaboradores da Lista tem algum trabalho voltado para essa área. Estou fazendo alguns ensaios utilizando ervas de uso comum do herbário brasileiro, sem grandes pretensões ou algum resultado conclusivo. Em especial o uso da “Terminalia catappa L.” vulgarmente conhecida como amendoeira de praia.

De: Ricardo Tsukamoto
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Assunto: Re: Substâncias Fitoterapêu ticas em aqüicultura
Várias plantas ou seu extrato são usados pelas populações nativas do Brasil e outros países para matar peixes.  Em geral, o princípio ativo destas  plantas é a substância rotenona (dos cipós dos gêneros Lonchocarpus e Derris) ou as saponinas – um sabão natural  que ocorre em várias plantas, como por exemplo, as que você mencionou. Tais substâncias impedem a respiração do peixe (por mecanismos distintos), fazendo com que o peixe sufocado venha à superfície, onde fica se debatendo e é capturado a mão. O Brasil proíbe o uso de tais substâncias, bem como de explosivos, na pesca em rios e lagos naturais, pois matam indistintamente a população de peixes, podendo inclusive levar à extinção de espécies que só ocorrem naquele local. Tais substâncias permanecem ativas na água durante vários dias após a aplicação, fazendo com que a aplicação num ponto do rio provoque a destruição da fauna de peixes por até dezenas de kms rio abaixo, à medida que esta água tóxica vai descendo o rio no seu percurso natural. Como estas substâncias são usadas externamente ao peixe, não há risco para a saúde de consumir peixe pescado desta forma. Já o peixe pescado por esta via geralmente morre, mesmo que colocado imediatamente em água limpa. No cultivo de camarão marinho, a saponina é usada comercialmente nos viveiros para matar os peixes (competidores e predadores) sem afetar o camarão. Para isso se usa a torta da semente de chá, um subproduto da extração do óleo da semente de chá na Ásia, que contém alta concentração de saponina. Devemos sempre lembrar que as plantas se defendem dos animais que poderiam consumi-las através da produção de substâncias tóxicas. A commodity mundial soja é um bom exemplo – tem numerosas toxinas. Já um exemplo muito próximo de nós – brasileiros – é a nossa nativa mandioca, que tem concentração elevada de cianeto (= cianureto), a mesma substância usada na câmara de gás para execução de criminosos. A ingestão da mandioca cultivada para farinha em todo o nosso país leva à morte. Mas nunca prestamos atenção nisso, pois comemos a sua farinha, após a toxina ter sido extraída por água no processo de fabricação. E o que acontece com aquela água contendo alto teor de cianeto? Em grande parte dos casos, cai no rio ou riacho mais próximo envenenando-o. Com isso, o processamento de um vegetal (mandioca) provoca o mesmo problema ambiental da extração do ouro por cianeto (que gera clamor mundial), mas  a quantidade de cianeto lançado na natureza é muito maior no caso da mandioca. E ninguém liga, por que é natural. Em conclusão, o fato de alguma coisa ter origem “natural” não significa que é inócua à saúde. Toxina ingerida é toxina ativa no corpo, não importa a origem. A dificuldade está em que a maioria dos produtos naturais ainda não foram estudados o suficiente. Por exemlo, a rotenona é usada há décadas no mundo para aplicações como “inseticida natural” em jardinagem e horti-frutis, mas agora se descobriu que ela pode estimular, em laboratório, a doença neurológica de Parkinson (veja informações no site:www.pan-uk.org/pestnews/Actives/rotenone.htm ). Já a planta que você está testando – o Chapeú-de-Sol – é usado no mundo inteiro sem problemas. Eu como, desde jovem, a nóz que fica no centro da semente, crua ou tostada, sem sentir nada estranho.  Ou talvez eu não perceba mais…(brincadeira)

De: Ismael
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Assunto: Fixação de proteínas
Boa tarde, é possível realizar a fixação de proteínas em um ingrediente para que sejam evitadas maiores perdas nutricionais em um processo de elaboração de rações, como a desidratação? Sou leigo no assunto e agradeço qualquer colaboração, inclusive indicação de literatura.

De: Márcia Regina Stech
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Assunto: Fixação de proteínas
Ismael, há um livro do Valdomiro C. Sgarbieri chamado “Proteínas em alimentos protéicos” que pode ser indicado para todos que gostariam de entender a função das proteínas e como processá-las.

De: Ricardo Tsukamoto
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Assunto: Re: Fixação de proteínas
Caro Ismael, a desidratação da ração não provoca perda de proteína, a não ser que você esteja torrando a ração, até degradar a molécula de proteína. Em situação normal isso não ocorre. Já algumas vitaminas podem ser degradadas em parte pelo calor da desidratação. A solução tradicional para isso é adicionar uma quantidade maior de premix vitamínico-mineral para compensar essa perda. No ato de alimentar o peixe, vários nutrientes, como proteínas e vitaminas, são lixiviados (lavados) da ração quando ela fica dentro d´água durante mais que alguns minutos. Porém, isso normalmente não ocorre, pois a ração deve ser lançada no viveiro de modo a ser ingerida imediatamente pelo peixe, e jamais sobrar no fundo para o peixe “comer depois”. Além disso, as atuais rações comerciais para peixes são produzidas pelo processo de extrusão – que gelatiniza o amido pelo calor e cria uma camada protetora no pellet da ração, além de torná-lo flutuante, mais facilmente visto e ingerido rapidamente pelo peixe. Já em criação de camarão, a ração deve ficar imersa durante várias horas até os camarões virem comer. Para evitar a perda de nutrientes desta ração, os fabricantes adicionam agentes ligantes especiais e caros, como alginato, amido pré-gelatinizado e outros.

De: Carlos
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Assunto: Estresse animal
Sabemos que diversos fatores são estressantes aos animais de cultivo. Em peixes isso é muito visível, visto que estes são extremamente sensíveis a fatores como transporte, manejos diversos, sistema de cultivo (tanques-rede), mudança de temperatura, etc. Gostaria de me aprofundar um pouco mais nesse tema, alguém teria material ou sugestão de literatura específica sobre o assunto?

De: Newton Castagnolli
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Assunto: Re: Estresse animal
Prezado Carlos, no livro “Tópicos Especiais em “Piscicultura de Água Doce Tropical Intensiva”, editado pelo José Eurico P. Cyrino e colegas, o seu capítulo VI (Práticas de manejo e estresse dos peixes em piscicultura – pp 171 a 194) de autoria dos Professores Elizabeth C. Urbinatti e Paulo C. F. Carneiro, apresenta uma boa contribuição nessa área. Você pode encontrar esse livro, pelo mesmo preço (R$ 55,00 mais as despesas postais), tanto com o João Batista, na AQUABIO ([email protected]) ou comigo mesmo na Castagnolli Aqüicultura ([email protected]). Esse livro, com mais de 530 páginas apresenta ainda uma excelente contribuição em diversos outros temas da piscicultura interior.

De: Robilson Antonio Weber
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Assunto: Re: Estresse animal
Esses livros são indicados ao seu interesse: “Fish stress and health aquaculture” – (ed) Iwama, G. K. – Cambridge University Press (1977); “Biological indicatores of stress in fish” – (ed) Adams, S. M. – American fisheries Scociety (1990) e “Stress and Fish – (ed) Pickering, A.D. – Academic Press (1981)”.De: Ricardo Tsukamoto
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Assunto: Re: Estresse animal
Uma excelente e ampla literatura sobre estresse em peixes, incluindo muitas espécies brasileiras, está acessível pela internet nos anais online do simpósio internacional “Estresse em Peixes: Consequêcias para o Desempenho”, realizado em Manaus em 2004. Ali há desde o básico até muitos trabalhos sobre tilápia nilótica, além de pacú, matrinchã, peixe-rei, betta, e outros. É só clicar sobre o título do trabalho, que se pode baixá-lo na íntegra e de graça. A única dificuldade é que, por ter sido um  congresso internacional, todos os trabalhos estão em inglês. O website é o seguinte:
www-heb.pac.dfo-mpo.gc.ca/congress/2004/Stress/Stress.htm

De: Ricardo B. Borges
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Assunto: Solicitação de Ouvidoria 
Prezados Colegas Aqüicultores, encaminho mensagem enviada à Ouvidoria da ANEEL, pois a mesma informou à Concessionária do Paraná, a COPEL, de que a atividade aqüicultura não se enquadra como rural, mas à Classe Comercial, Serviços e Outras Atividades, o que anularia o desconto. Mais detalhes no texto abaixo. Isto me preocupa, pois valeria para todos os aqüicultores do país, e o ofício com esta informação é de 12 de abril. “Prezados Senhores, recebemos cópia do Ofício nº. 266/2006-SRC/ANEEL, enviado para a COPEL, informando que a atividade aqüicultura pertence à Classe Comercial, Serviços e Outras Atividades, e que a classe Rural destina-se especificamente para atividades relacionadas à agropecuária. No entanto, estranhamos esta afirmação, visto que o Artigo 2º da Resolução da mesma ANEEL, de nº 207, de 9 de janeiro de 2006, inclui a aqüicultura como atividade rural, portanto, concedendo o desconto previsto. Entendemos que se a afirmação do supra citado ofício for a prevalente, tornará nula a resolução 207. Grato pela atenção.”

De: Francisco Costa
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Assunto: Solicitação de Ouvidoria
Caro Ricardo: isso nada mais é do que uma manobra da concessionária local, pois a ela não compete enquadrar uma determinada atividade. Aqui no Ceará tudo está ocorrendo dentro da Lei e o valor da energia cai para um terço dos valores antigos.

De: José Maria
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Assunto: Tanque escavado
Recentemente fiz uma despesca em meus tanques (escavados) e percebi que tive uma péssima conversão alimentar (1,5 final). Gostaria de rever meu tratamento inicial do tanque bem como a adubação. Gostaria de maiores informações no trato inicial dos tanques (cal, calcáreo, adubação química e adubação orgânica), bem como adubação durante a engorda. Gostaria de melhorar a adubação de meus tanques visando um melhor aproveitamento de plancton, enfim. Atualmente, estou com juvenis de 70 gr em um tanque e irei preparar outros dois tanques para a transferência destes juvenis.

De: Álvaro Graef
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Assunto: Re: Tanque escavado
Não sei quem lhe induziu a acreditar que conversão de 1,5 é ruim. Nas condições atuais, e qualidade das rações, com toda certeza esta é uma conversão muito boa. Quanto a fazer e manipular adubação orgânica para ser mais eficiente o manejo e resultado existe uma publicação da Epagri que orienta para isto.

De: Luiz Marcelo Soeiro Pinheiro
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Assunto: Re: Tanque escavado
Caro José Maria, a adubação de viveiros sempre deverá ser feita mediante análise físico-química da água. Em certos casos a fase de engorda não necessita de adubação, já que os próprios peixes excretam muita matéria orgânica. Espero ter lhe ajudado…

De: Jim Chew
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Assunto: Idade de PL’s para povoamento 
Tenho escutado posições diferentes a respeito da melhor idade para o povoamento de PL’s de P.vannamei em viveiros de engorda. Alguns falam de PL8 outros PL10.

De: Durwood M. Dugger
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Assunto: Idade de PL’s para povoamento 
As brânquias das Pl’s, a osmoregulação e habilidades imuno não específicas, podem não estar ainda desenvolvidas antes de PL12. Fora isso, o estresse, durante o transporte, manejo e aclimatação em geral, é geralmente minimizado usando PL’s mais “velhas”, assumindo que elas tenham sido bem alimentadas e mantidas em condições adequadas durante a larvicultura. Com um pouco de experiência pode-se observar visualmente as condições de atividade das PL’s que devem lhe dizer sobre a saúde dos animais, antes de você efetuar a compra. No caso de você não estar indo na larvicultura, deve buscar os laboratórios de grande reputação a respeito da alta qualidade das PL’s comercializadas.

De: Morteza Heraji
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Assunto: Idade de PL’s para povoamento 
Um dos fatores mais importantes no transporte de larvas é como transportar. Normalmente, para longas distâncias (mais de 5 ou 6 horas) PL’s de menor idade são melhores, e as PL’s de mais idade apresentam maiores índices de mortalidade durante o transporte. No entanto, para curtas distâncias, transportar PL’s com mais idade irá trazer vantagens de ganhar tempo de engorda. Por conta da idade, as PL’s normalmente são mais fortes e melhor alimentadas nas larviculturas.

De: Alec Forbes
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Para: shrimp [email protected]
Assunto: Idade de PL’s para povoamento 
Na minha experiência de décadas, tenho observado que PL14 é a idade ideal para mover seus “bebês” das larviculturas para a engorda. As PL’s mais jovens são muito frágeis para sobreviver nos viveiros de engorda, enquanto que com PL’s mais velhas, não se consegue uniformidade no tamanho nos viveiros de engorda e acaba–se tendo camarões de diferentes tamanhos. Não se deve pensar somente no transporte, mas nos resultados finais nos viveiros de engorda. Tenho transportado PL’s de camarão por todo o mundo, algumas vezes em viagens de 30 horas, com pouco ou nenhum problema com PL14.

De: Benlin2115
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Assunto: Substituição do metabissulfito
Alguém tem informações à respeito de produtos, se possível naturais, que sejam capazes de inibir a melanose nos camarões e que possa ser diferente do metabissulfito?

De: M.Chandrasekar – “aqua”
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Assunto: Substituição do metabissulfito
Tente os seguintes produtos: Hasenosa HA-5502 Fresker; Pluscolor Fish 3425; Melacide SC-20; Xyrex Prawnfresh; Everfresh; Aquabon SD e Ácido Cítrico.

De Hervé Lucien-Brun
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Assunto: Substituição do metabissulfito
Hoje em dia o único produto eficiente e autorizado para uso, é o metabissulfito de sódio. Inúmeros experimentos foram realizados com outros produtos, porém, com resultados não muito bons. No entanto, é importante saber qual o mercado final dos seus produtos. Se você comercializa camarão congelado e é o próprio consumidor que irá preparar para o seu consumo direto, alguns dos produtos alternativos podem ser suficientes. Porém, se você irá vender para alguém que irá descongelar o produto para ser posteriormente comercializado como semi-preparado (cozido e resfriado), realmente só o metabissulfito adequadamente aplicado é suficientemente afetivo.