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CABOGE – Uma das grandes preocupações dos técnicos da área de meio ambiente do setor elétrico nacional, é a presença do mexilhão dourado Limnoperna fortunei, por sua alta disseminação e incrustação em tubos, bombas, sistema de refrigeração, tubulações de água, câmara de comportas de serviços de tomada d’água, filtros, etc. Trata-se de uma espécie de molusco de água doce originário do sudeste asiático (Coréia e China) e sua introdução teria ocorrido através da água de lastro de navios. Além dele, outra espécie, o Corbicula fluminea, também originário da Ásia, está presente nos reservatórios do submédio do rio São Francisco onde foi observada pela primeira vez em outubro de 2002, quando da paralisação de uma das máquinas geradoras de energia do Complexo Hidro Elétrico de Paulo Afonso. Na busca de soluções para o problema gerado por essas espécies invasoras, os pesquisadores da Estação de Piscicultura de Paulo Afonso estão se dedicando ao cultivo do caboge (ou mandi armado), Franciscodoras marmoratus, uma espécie de peixe nativa do rio São Francisco. Acreditam que, por ser uma espécie malacófoga, possa ser usado com vantagens no combate a esses moluscos invasores, com a vantagem de ser também um peixe muito apreciado para consumo.

SEBRAE – Aconteceu no final de outubro, em Cabo Frio – RJ, o II Seminário Estadual de Maricultura, promovido pelo SEBRAE/RJ, que vem desenvolvendo um grande esforço para incluir a maricultura, principalmente o cultivo de moluscos, como uma das boas opções para os pescadores artesanais, já que eles padecem com os problemas crônicos relacionados à atividade extrativista a que se dedicam. Ficou claro, porém, nos debates e nas intervenções dos representantes dos pescadores durante o evento, que essa tarefa será ainda muito árdua. A ajuda que pleiteiam inclui, além do treinamento para o manejo de cultivo que já vem recebendo, todo o equipamento (espinheis, etc.) necessário ao trabalho. Ao contrário da região de Angra dos Reis, em toda a Região dos Lagos o cultivo de moluscos encontra dificuldades para se desenvolver, apesar do grande potencial. Em recente período pré-eleitoral, recursos provenientes de emendas parlamentares a fundo perdido já foram parar por lá, com o propósito de desenvolver a atividade e, ao que parece, nenhum resultado positivo virá dessa experiência, a não ser a certeza de que “ensinar a cultivar funciona mais que dar o peixe”. Parece que deu a hora de mudar a estratégia de extensão em toda a região, sob pena da atividade cair no descrédito e a população começar a reclamar das estruturas improdutivas boiando desnecessariamente.

MERENDA ESCOLAR 1 – A Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, através do Programa Paraná 12 Meses, irá implantar junto a Prefeitura Municipal de Mal. Candido Rondon e a indústria de processamento de pescados Peixe Bom Vital, uma experiência inédita denominada “Alternativa de Aproveitamento de Subprodutos de Pescados”, que visa o aproveitamento da polpa de peixes na merenda escolar de 3.900 alunos da rede municipal. O projeto estimulou a Peixe Bom Vital a investir em uma despolpadeira, por ser o maquinário necessário para o aproveitamento da carne da carcaça, resultante da filetagem da tilápia. A expectativa é de que o volume seja de uma tonelada de polpa por mês. Cartilhas educativas voltadas para a educação alimentar serão confeccionadas pelo governo do estado e um treinamento será feito junto às 100 merendeiras do município, para que possam melhor utilizar a polpa na alimentação das crianças. A idéia foi bem recebida pela Aquimar, a associação de produtores do município e atraiu também outros parceiros como a Itaipu Binacional e o CEFET de Medianeira, interessados no pescado enlatado e na sopa congelada feita da cabeça do peixe, para atuar no Projeto Fome Zero.

MERENDA ESCOLAR 2 – Segundo a Agência Nacional, Chapecó será uma das primeiras cidades catarinenses a adotar a carne de peixe na merenda escolar. Um convênio firmado entre a prefeitura e a Secretaria Nacional da Aqüicultura e Pesca, prevê a compra da produção pesqueira de agricultores familiares e de pequenos frigoríficos que produzem a polpa de peixe, principal ingrediente usado em sopas e outros pratos. A meta da Secretaria da Educação é incluir o peixe no cardápio da merenda de todas as escolas municipais até 2004. O convênio, assinado pelo prefeito Pedro Uczai (PT) e o ministro José Fritsch, objetiva, além da melhoria da qualidade da alimentação dos estudantes, um incentivo à produção de pescados no Oeste. Recursos federais, via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) serão canalizados para os pescadores artesanais que necessitam de assistência técnica para industrializar e comercializar a produção.

RANICULTURA – Após ter sido cancelada, como informamos na última edição, foi novamente confirmada para os dias 21, 22 e 23 de novembro a realização do I Simpósio Brasileiro de Ranicultura e o II Ciclo de Palestras sobre Ranicultura do Instituto de Pesca, no Auditório do Instituto de Pesca de São Paulo. O mesmo evento, realizado no ano passado, foi de altíssimo nível o que faz com que sejam excelentes as expectativas para o evento deste ano, sendo, portanto, uma grande oportunidade para que os interessados atualizem suas informações sobre a ranicultura. A taxa de inscrição é de R$ 80,00. O depósito pode ser feito no Banco Bradesco, em favor de: Fundepag, agência 3394-4, conta corrente 707-2. Após ter sido feita a inscrição, o comprovante de depósito junto ao nome completo, endereço e telefone deverão ser enviados para o fax: (11) 3871-7568, a/c do Simpósio Ranicultura.

BOLSA – O IFS – International Foundation for Science, uma ONG sueca que apóia pesquisadores de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, está oferecendo bolsas ao redor de US$12.000 anuais para cientistas que trabalhem com o manejo, uso e conservação de recursos biológicos, incluindo a aqüicultura. É preciso ser um cientista de um país em desenvolvimento; possuir mestrado ou graduação equivalente; ter menos que 40 anos; estar trabalhando em uma universidade ou instituição de pesquisa do seu país (espera-se que esta instituição provenha salários e facilidades básicas para a pesquisa) e, atue numa das aéreas de pesquisa apoiada pelo IFS. Segundo Jack Littlepage do Programa BMLP, o IFS apóia tradicionalmente projetos de aqüicultura que tenha bons propósitos O prazo para solicitação de bolsa este ano encerra-se no dia 31 de dezembro e, para mais informações, consultar http://www.ifs.se

DISPUTA ACIRRADA – O aumento da produção de camarão de cultivo no Brasil tem preocupado os produtores tailandeses, já que podem perder a sua atual participação no mercado dos Estados Unidos. No ano passado os EUA aumentaram suas importações do Brasil em 81%, fazendo com que a Tailândia sofresse uma queda de vendas de 15%. O diretor da Associação de Produtores e Exportadores de Camarão da Tailândia, Somsak Paneetatayasai, declarou que a indústria não poderia suportar o alto potencial dos novos competidores e que tanto o governo como os criadores deveriam trabalhar muito para melhorar a qualidade do produto tailandês.

FLUORESCENTES – Criadores taiwaneses do peixe Night Pearl (Pérola Noturna) se tornaram alvo de ambientalistas europeus que alegam que o peixe verde fluorescente de cinco centímetros pode ser uma ameaça para o ecossistema. Os ambientalistas afirmam que o Night Pearl está sendo exportado para vários países, sem que se conheça o impacto que o peixe transgênico pode causar ao meio ambiente. O peixe recebeu um gene de medusa para que adquirisse um brilho verde quando colocado em ambientes sem luz. A empresa responsável afirma que seus peixes transgênicos são estéreis, portanto, seguros para o meio ambiente. Alegam também que o fato do gene introduzido proceder de um organismo marinho natural transforma o Night Pearl em mera proteína, inócuo tanto para os demais organismos marinhos quanto para as pessoas. Além do Pérola Noturna a empresa taiwanesa já lançou outro peixe transgênico, um zebra púrpura obtido a partir de um gene de corais e planeja produzir outros peixes fluorescentes de cores como vermelho, roxo e azul. Cada peixe custa cerca de US$ 15, enquanto um peixe normal da mesma espécie custa US$ 0,51.

FREQÜÊNCIA CARDÍACA – Um novo estudo sobre o consumo de peixes foi desenvolvido por pesquisadores da França e da Irlanda com o objetivo de avaliar a relação entre a ingestão de peixes e a freqüência cardíaca. Entre 1991 e 1993 foram analisados 9.758 homens com idades entre 50 e 59 anos que não eram portadores de doença coronária. A freqüência cardíaca e os fatores de risco para doença coronária foram comparados entre o consumo de peixes em menos de 1 vez por semana; uma vez por semana; duas vezes por semana e, mais de duas vezes por semana. Nos resultados obtidos, os triglicerídeos, a pressão arterial sistólica e a pressão arterial diastólica eram menores entre os que consumiam mais peixes, quando comparados aos homens que consumiam menos peixes; os níveis do HDL colesterol (conhecido como “bom colesterol”) eram maiores entre os consumidores de peixes. A freqüência cardíaca permaneceu mais lenta entre consumidores de peixes do que entre os não-consumidores. Como a freqüência cardíaca mais elevada está relacionada diretamente com o risco de morte súbita, esta associação conclui que é menor o risco de morte súbita entre consumidores de peixe.

ESTÍMULO – Mais um estudo vem estimular o consumo de peixes. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade da Califórnia constatou que o ácido siálico, um carboidrato aminado que faz parte de muco e glicoproteínas das células das carnes de carneiro, porco e gado, provoca efeitos perniciosos no organismo humano. Essa substância, porém, não ocorre na carne de peixe, frango, ovos ou em verduras.Segundo a pesquisa, a molécula do ácido siálico das carnes vermelhas é diferente da existente no ser humano e pode ter efeito alergênico ou indutor de alergia. Uma grande parte das doenças degenerativas é desencadeada por mecanismo imunológico, portanto, uma maior exposição a substâncias alergênicas ao longo da vida pode nos predispor a tais enfermidades.

ESTAGNADA – A imprensa pernambucana noticiou que as restrições da legislação ambiental e a falta de novas áreas propícias à carcinicultura, estão fazendo com que empresas pernambucanas procurem outros estados como Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte, para expandir seus cultivos, freando a expansão da atividade no Estado. Produtores do Estado e especialistas em carcinicultura são unânimes em afirmar que as restrições ambientais têm peso maior sobre a falta de espaço útil para a atividade. Essa limitação legal começou em 1997, com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que proíbe atividades comerciais que afetem mananciais d’água em 220 km da costa pernambucana. A APA possui 413,5 mil hectares entre o Rio Formoso, no Estado, e o Rio Meirim, em Alagoas. Este ano o volume anual de exportação do camarão pernambucano deve permanecer o mesmo, enquanto outros estados expandirão suas vendas. Até o ano passado, Pernambuco era responsável por 11,3% da produção nacional.

NOTÍCIA TRISTE – Faleceu em acidente automobilístico, Édison José de Paula, professor da USP e maior autoridade brasileira em cultivo de algas e no processamento de carragenanas. Na Panorama da AQÜICULTURA ele havia publicado um artigo sobre o cultivo experimental da alga Kappaphycus alvarezii, originária das Filipinas, por ele introduzida no Brasil para que pudesse ser pesquisada e possivelmente cultivada. Édison José de Paula voltava de seu sítio em Monte-Mor-SP (sua terra natal), quando foi atingido de frente por um carro conduzido por bandidos fugindo da polícia. Faleceu preso nas ferragens, no apogeu da carreira e com numerosos projetos em curso. Na opinião de seus amigos, além de excelente cientista acadêmico, a sua origem rural fazia com que tivesse um imenso interesse na aplicação prática dos conhecimentos gerados. O Brasil acaba de perder quem estava alavancando o cultivo de algas de forma tecnificada e realista. Sua morte foi um choque para todos que o conheciam, pois Édson tinha um astral sempre elevado, brincalhão, e era um amigo de todos que dele se aproximavam.

FUTUROS PROCESSADORES – A Escola de Pesca Estadual Ascânio de Faria, em São Gonçalo – RJ pretende formar até o final de 2006, nada mais, nada menos que 8 mil alunos. A escola da FIPERJ – Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro, que funciona em parceria com a Fundação de Apoio à Escola Técnica oferece cursos gratuitos em dois turnos e conta com aulas de Mecânica Naval, Culinária e Processamento do Pescado. A aula de Processamento do Pescado tem como objetivo ensinar como agregar valor ao pescado, mostrando boas práticas de manipulação, além da conservação do pescado através da salga, defumação e baixas temperaturas. Os alunos produzem hambúrgueres, salsichas, lingüiças de peixe, entre outros itens.

PELE DE PEIXE – Sandálias femininas com pele de peixe estão sendo produzidas por um pequeno empresário amazonense. Aidson Ponciano já fazia, há seis anos, sandálias de couro sintético e juta quando aprendeu com Jorge Rabelo, pesquisador do INPA-Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a técnica de usar a pele de pescado. Passou, então, a desenvolver modelos elaborados com pele de pescada e tambaqui que vieram agregar valor às sandálias, que são compradas principalmente por turistas, que pagam cerca de R$ 130,00 o par. O negócio cuja produção é de 150 pares por mês, envolve seis pessoas na confecção e venda dos produtos. Os retalhos das peles estão sendo estudados para que sejam aproveitados na confecção de carteiras e porta-cartões de visita. O Sebrae está auxiliando o empresário, que têm participado de capacitações para aperfeiçoar o acabamento dos produtos e investir na comercialização.

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DESPOLPADORA – A High Tech Equipamentos Industriais Ltda., empresa localizada em Chapecó-SC, além de ser líder absoluta na fabricação de Máquinas Desossadoras para aves, com mais de 140 máquinas instaladas, está fabricando também, máquinas despolpadoras para peixes, com o objetivo de se fazer o aproveitamento da carcaça do peixe (espinhaço), após a retirada do filé. Com este novo equipamento obtém-se uma polpa totalmente isenta de espinhas, e dependendo do tipo de peixe utilizado e peso da carcaça, chega-se a um rendimento de separação acima de 75%, o que viabiliza muito o seu aproveitamento. O resultado final é um produto da mais alta qualidade, e com poder nutritivo muito bom, ideal para produtos à base de peixe, como hambúrgueres, empanados, lingüiças, salsichas, surimis, etc.. A High Tech desenvolveu a despolpadora para peixes depois de dois anos de pesquisas e investimentos, e oferece no mercado dois modelos de máquinas; a HT 250, com capacidade de 250 kg/h de alimentação de matéria-prima, e a HT 500, com capacidade horária de 500 kg/h. Os interessados em saber mais informações a respeito destes equipamentos, podem entrar em contato com a High Tech, através do site: www.hightech.ind.br

PISCICULTURA INFORMATIZADA – No dia 17 de outubro foi realizado na UNIOESTE – Campus de Toledo/PR, a solenidade de entrega de 200 cópias do software Beta – Programa para Gerenciamento de Aqüiculturas, a serem distribuídas ao setor aquícola. O Beta é resultado de um convênio firmado entre o Curso de Engenharia de Pesca e o IAP/CPAA – Instituto Ambiental do Paraná/Centro de Pesquisa em Aqüicultura Ambiental. A idéia do sistema é ser uma ferramenta gerencial para os pequenos piscicultores paranaenses, como forma de otimizar e racionalizar seu processo produtivo. O software pode ser utilizado por técnicos, professores, pesquisadores, estudantes e instituições de crédito, de acordo com as particularidades técnicas e econômicas de cada região. O usuário cadastra investimentos, despesas e operações financeiras, além dos viveiros e cultivos. O Beta então, emite relatórios sobre os desempenhos técnicos como sobrevivência, ganho de peso, densidade, produtividade e conversão alimentar. Além disso, o programa permite estabelecer análises econômicas e também o relatório fluxo de caixa (entradas e saídas financeiras). Com essas informações é possível verificar se o empreendimento está sendo viável de forma a possibilitar agilidade e segurança na tomada de decisões. Mais informações sobre o Beta podem ser obtidas com o GERPEL – Grupo de Pesquisas em Recursos Pesqueiros e Limnologia, pelo email: [email protected] ou fone (45) 252 3535 ramal 261.

CEARÁ 1 – Foi realizada no dia 6 de outubro na sede do Sebrae-CE, uma reunião da ACEAq – Associação Cearense de Aqüicultores, junto a produtores de tilápia, com o objetivo de organizar o seguimento da aqüicultura e criar a COOPEIXE-Cooperativa dos Piscicultores do Ceará Ltda, com a perspectiva da exportação do filé de tilápia já a partir de 2004. A reunião contou com a presença de representantes do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil, técnicos do Sebrae-CE, o Presidente do Sindicato dos Artesãos, o Presidente da CELPEX – Indústria do Pescado, o Presidente da OCEC – Sindicato e Organização das Cooperativas do Ceará, o Diretor da Vikouro e de José Nilton Kury, representante da empresa mineira Fruto do Rio, que já exporta filés de tilápia para o mercado americano.

CEARÁ 2 – Eudes Medeiros Paulino, presidente da ACEAq – Associação Cearense de Aqüicultura, em correspondência para a redação da Panorama da AQÜICULTURA, informa que estão trabalhando para dar um basta na entrada das tilápias “engordadas com caldo de esgoto do baixo Tietê”, no Estado do Ceará. A ACEAq já se reuniu com os órgãos dos governos municipal, estadual e federal (DFA) – conjuntamente – onde exigiu o cumprimento da legislação existente, bem como outras medidas que haviam conseguido junto ao governo anterior (acondicionamento do pescado eviscerado como manda a legislação e, barreiras fiscal e sanitária) que, no final do ano passado deram bastante resultado. Informou também que fizeram chegar às mãos do governador do estado, Lúcio Alcântara, a edição da Panorama da AQÜICULTURA com a denúncia do problema, o que fez com que a reunião com o Governador fosse convocada num breve espaço de tempo. Eudes Paulino informa ainda que em Fortaleza não chega somente dois caminhões por semana carregados com tilápia (40 t), mas sim de 100 a 120 toneladas por semana, o que tem afetado muito o mercado local e levado muitos produtores a desistirem da atividade. Como conseqüência, diz, temos menos empregos e renda no campo, além dos problemas de saúde que estes peixes sem qualidade podem causar a população. Segundo a ACEAq verificou, em visita ao Mercado do Carlito Pamplona, local onde se comercializa 90% da tilápia no estado, a profissionalização dos transportadores de tilápias de origem duvidosa chegou a um nível tão elevado que estão chegando em Fortaleza com nota fiscal, guia de trânsito exigido pela DFA e SIF. Entretanto, na oportunidade, foi detectado que o produto não chega acondicionado como manda a legislação, ou seja, em caixa de isopor devidamente lacrada. Até o momento, diz Paulino, não há iniciativas para apreender a mercadoria como manda a lei. Desta forma, já solicitaram às secretarias encarregadas da fiscalização,que apreendam o produto quando transportado irregularmente (transporte em caixas plásticas a granel). Na Secretaria da Fazenda, a ACEAq pediu a alteração da pauta fiscal de R$ 2,80 para R$ 4,00 onde é gerado o ICMS na entrada do produto. Eudes Paulino acredita que, desta forma, será possível inibir em grande parte a importação de tilápias sem qualidade no Estado.

NOVA FÁBRICA – Apostando no crescimento do mercado da carcinicultura brasileira, a Socil Guyo-marc’H está fazendo investimentos em sua nova unidade de produção de alimentos para camarões. Segundo Fábio Torretta, Diretor de Marketing da empresa, a nova unidade inicia suas operações já em novembro deste ano, após um investimento superior a um milhão de reais, na antiga unidade, que terá sua capacidade de produção ampliada em 40%. Além da ampliação da fábrica, a Socyl investirá em um novo processo de fabricação diferenciado e exclusivo no Brasil, já utilizado pelo Grupo Evialis na Europa e Ásia, que traz como benefícios uma maior estabilidade, palatabilidade e conversão alimentar, significando mais peso com menos alimento, menor poluição e melhor qualidade de água. O grupo francês Evialis é especializado em nutrição e saúde animal e um dos maiores produtores de ração em todo o mundo. É a líder do mercado francês e atua em mais de 50 países. Sua produção está na casa das 6 milhões de toneladas anuais.

PROJETO GENOMA – O CNPq vai liberar recursos no valor de R$ 400 mil, e, posteriormente, de mais R$ 300 mil para o desenvolvimento do Projeto Genoma do Camarão. A pesquisa tem como objetivo aumentar a competitividade do setor produtivo do camarão brasileiro que, fundamentado em informações genéticas poderá produzir com mais eficiência um produto de melhor qualidade alimentar, e um animal com melhores ganhos de crescimento e maior resistência a doenças. O projeto coordenado pelo Prof. Pedro Manoel Galetti Junior, do departamento de Genética e Evolução, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vai estudar o Litopenaeus vannamei, principal espécie cultivada no Brasil, mas poderá também servir como modelo para investigações do genoma de espécies nativas de camarão. O estudo visa seqüenciar 300 mil ESTs, ou Expressed Sequence Tags. O tamanho do genoma do grupo ao qual pertence o L. vannamei é de 2 bilhões de pares de bases, o que equivale a dois terços do genoma humano. As pesquisas serão desenvolvidas em uma rede de laboratórios especializados em genética e bioinformática de várias instituições brasileiras das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste.

ESTÍMULO À PESQUISA – O interesse no melhoramento genético de camarão por parte de empresas privadas, tem induzido à conclusão por parte da Embrapa, que é preciso investir em pesquisa para que haja também o incremento do setor. Por conta disso, o chefe da Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Geraldo Eugênio, ressaltou que já começaram as iniciativas sobre esta questão, já que na previsão da SEAP, os investimentos na carcinicultura deverão triplicar em dez anos. Segundo José Fritsch, a SEAP – Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca espera que esta previsão seja considerada estratégica pela Embrapa, de maneira que a empresa venha a assumir na aqüicultura o papel que já desempenha na agricultura e pecuária, abrindo concursos para incrementar os estudos de espécies nativas do camarão. Atualmente a Embrapa conta com apenas 13 pesquisadores atuando no setor.

EPAGRI – Com o objetivo de promover ações que gerem tecnologias sustentáveis em aqüicultura e pesca, foi criado pela Epagri de Santa Catarina, o Centro e Desenvolvimento em Aqüicultura e Pesca – CEDAP. O novo centro instalado em Florianópolis é chefiado pelo oceanógrafo Sérgio Winckler da Costa e tem como missão assessorar o governo na execução das ações de pertinentes a atividade e em consonância com a Epagri. Dentre as ações estão previstas a coordenação das atividades relacionadas com a assistência técnica e extensão junto aos produtores rurais e pescadores em todo o território catarinense e a assessoria nas ações das Secretarias Regionais de Governo. A criação do Centro de Desenvolvimento em Aqüicultura e Pesca é um passo importante para o fortalecimento, ampliação e consolidação dos trabalhos desenvolvidos pela Epagri.

TILAPICULTURA BAIANA – Um projeto para o desenvolvimento da cadeia produtiva da tilápia, receberá recursos no total de R$ 870 mil vindos da Seagri- Secretaria da Agricultura, por meio da Bahia Pesca e do Sebrae, que serão voltados para estudos e análise de desempenho, qualificação e conscientização de integrantes em todos os seus segmentos. A formalização da parceria foi realizada na sede da Bahia Pesca, em Salvador. A tilapicultura baiana que já conta com mais de cem produtores comerciais e de pequenos portes, tem ciclo de apenas seis meses. Depois de processado, o filé da tilápia está sendo comercializado entre R$ 14,00 a R$ 22,00. Já o peixe inteiro é vendido entre R$ 4,50 a R$ 6,50. A tilápia baiana abastece o mercado interno e é exportada, principalmente para os Estados Unidos. A expectativa da parceria segundo declarou o presidente da Bahia Pesca, Max Stern, é que haja uma maior regularidade de oferta e melhoria da matéria-prima, já que com os estudos, pretende-se promover o aumento da produtividade, melhoria da produção e elevação de renda para as regiões atendidas. Os municípios que serão beneficiados são Barra, Camacã, Ipiaú, Ibirataia, Itapetinga, Ilhéus, Jequié, Paulo Afonso, Senhor do Bonfim, Sobradinho, Santo Antônio de Jesus, Teixeira de Freitas e Valença.

INAUGURAÇÃO – Com a presença do ministro José Fritsch, a empresa Mar & Terra inaugurou em Itaporã, no Mato Grosso do Sul, em final de setembro, o mais avançado frigorífico para o abate de peixes do País. Com capacidade para processar oito toneladas de peixe por dia, o empreendimento vai gerar cerca de 70 novos empregos diretos e outros 250 indiretos para a pequena cidade de 15 mil habitantes. Segundo o diretor-técnico João Campos, o frigorífico vai trabalhar somente com espécies nativas, em especial com peixes do Pantanal, como o pintado, pacu, piauçu, matrinxã e piracanjuba, que serão engordados em 16 viveiros da fazenda Mar & Terra e depois comercializados principalmente para as grandes redes de supermercados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Todo o processo de abate dos peixes será controlado pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal) e a comercialização dos peixes virá acompanhada de uma campanha de responsabilidade ecológica e preservação ambiental. A Mar & Terra é controlada pela Axial Participações, uma empresa de São Paulo que investe em projetos de desenvolvimento sustentável e que tem, por princípio, só utilizar peixes oriundos de pisciculturas.