Notícias & Negócios – Edição 10

ERRATA – A respeito da nota “US$ 100 mil para pesquisa em reservatório” publicada em nossa última edição, a pesquisadora Ema Magalhaes Leboute, responsável pelos projetos do Setor de Aquicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, pede para que se esclareça que o valor correto do financiamento recebido da FAPERGS foi Cr$ 50.000.000,00 (contrato firmado em janeiro de 1992) a ser liberado em quatro parcelas ao longo de dois anos.

ASSOCIAÇÃO PERNAMBUCANA DE AQÜICULTURA – Em reunião no último dia 29 de abril foi fundada a Associação Pernambucana de Aqüicultura que resultou da união de todos os segmentos – piscicultura, carcinicultura e peixes tropicais, da aqüicultura pernambucana. Assim todos priorizaram a integração como forma de alcançar o objetivo comum de praticar uma atividade comercial rentável e digna tal qual é praticada em várias partes do mundo. O presidente da associação, Ney Maranhão Filho e seu vice Pedro Cavalcanti, estão empenhados no recadastramento dos sócios e no ingresso de novos associados. Parabéns aos aqüicultores pernambucanos.

ENAR – Foi grande a participação de cientistas estrangeiros no 7º ENAR. Todos queriam ver o estado atual da ranicultura brasileira, considerada a mais avançada do mundo. Havia representantes dos seguintes países além do Brasil: México, Cuba, Uruguai, Chile e Espanha. Todos compareçeram com apresentação de trabalhos numa grande troca internacional de tecnologia. CUBA – A pesquisadora Mercedes Blanco apresentou vídeo do ranário Niña Bonita onde trabalha em Cuba. Foi possível ver em pleno funcionamento uma anfigranja de concepção genuinamente brasileira e muito elogiada em sua eficiência pelos cubanos que se mostraram satisfeitos com os resultados desta tecnologia desenvolvida em Viçosa. Cuba através da anfigranja pode voltar a conquistar o mercado internacional deste animal que até então era proveniente da caça das rãs na natureza. Aliás, a Rana catesbiana apesar de não ser nativa da ilha se tornou tão importante para Cuba que agora, ameaçada de extinção, será preservada através de um programa adequado por ter um papel relevante no equilíbrio dos ecossistemas que habita, sendo vista com bons olhos pelos agricultores que acreditam que ela contribui com a diminuição de insetos nocivos às plantações. No 7º ENAR foi firmado o primeiro convênio entre instituições de pesquisa do Brasil e Cuba.

MÉXICO – Alejandro Flores Nava, pesquisador Mexicano, em sua segunda visita ao Brasil, mostrou os excelentes resultados iniciais das pesquisas que vem realizando com girinos utilizando a recirculação de água em circuito fechado utilizando filtragem biológica. Segundo Nava, apesar do trabalho estar ainda em andamento, os resultados preliminares vêm mostrando uma excelente sobrevivência conseguindo diminuir radicalmente a mortalidade nesta fase.

ABETRA – No Encontro do Rio de Janeiro foi fundada a Academia Brasileira de Estudos Técnicos em Ranicultura – ABETRA, cuja presidência está nas mãos de Samuel Lopes Lima que tem como vice Dorival Fontanelo. Ocupando as diversas coordenadorias estão: Nabor Veiga, Sílvia C.R. Pereira Melo, Ricardo Albinati, Oswaldo Pinto Ribeiro Filho, Rui Donizete, Flávio Luiz de Souza Jr., Mario Roberto Chim Figueiredo, Helena Magalhães, Fátima Albinati, Noé Ribeiro e Ricardo Wirz entre outros. Como se vê o primeiro time da ranicultura brasileira.

QUEIMADOS – Um destaque do ENAR foi a apresentação da Dra. Mônica Piccolo do Pronto Socorro de Goiânia que usa a pele de rã no tratamento de vítimas de queimaduras com grande sucesso e vantagens sobre o tecido de outros animais já usados para esta finalidade.

DESENVOLVIMENTO – Durante o Encontro, na Câmara de Comercialização, um sinal curioso de desenvolvimento da atividade. Algumas ranários que já exportam rãs para os E.U.A., frente a competição no mercado externo dos animais provenientes da caça predatória praticada em países asiáticos, estão empenhados em deslanchar uma campanha denunciando a caça predatória (de alto risco para o ecossistema) e valorizando a qualidade superior da carne obtida através de criação em cativeiro. É sem dúvida um sinal de vigor da atividade.

8º ENAR – O próximo Encontro será em 1994 na Universidade Federal de Viçosa e acontecerá simultaneamente com o 1º Encontro Internacional, que aliás deveria ser o segundo, haja visto o número de estrangeiros que circulou pelos corredores do Rio Othon Palace Hotel neste 7º ENAR. ANAIS DO ENAR – Os anais do 7º ENAR estão sendo organizados e logo estarão a disposição dos interessados na ARERJ – Associação de Ranicultores do Estado do Rio de Janeiro.

CENTRAL DE VENDAS DA ARERJ – Já está em funcionamento a primeira central de vendas de rãs do Rio de Janeiro. Os 46 produtores do Estado do Rio de Janeiro já podem entregar parte da sua produção através de cotas a Central. Para facilitar o atendimento à população carioca, os pedidos acima de 6 kg podem ser entregues em casa. A central fica na Rua Santa Luiza 193-A, Bairro Maracanã, tel 021-284-7130.

SUCESSO DOS NATIVOS – Tambaquis, piramutabas, tucunarés, surubins e pescadas – alguns podem ser chamados de catfish brasileiro, são exportados em milhares de toneladas anuais para o mercado norte-americano. A piramutaba alcança US$ 4,80 o kg e o tambaqui, que entre nós é comercializado em média a US$ 4,00/kg, alcança naquele mercado US$ 17,60. Este mercado está sendo abocanhado no momento pela indústria pesqueira instalada e está pronto para ser servido pela indústria da aqüicultura.

PLANEJAMENTO JÁ – O inverno brasileiro está próximo. Em algumas regiões ele nem é sentido mas em outras, muitos hectares de viveiros são despescados e entram em manutenção esperando agosto chegar. A partir daí os povoamentos se sucedem. E são muitos no mesmo período. São pós-larvas de camarões da Malásia, são pós-larvas e alevinos de peixes, ou até mesmo os dois para um policultivo. É oportuno lembrar: não deixem para fazer os pedidos aos seus fornecedores na última hora. Eles também precisam de um planejamento para melhor atender a todos. Desta forma o risco de não ser atendido e o fantasma de um povoamento com atraso, típico da aqüicultura brasileira, estará afastado. O planejamento parece ser uma das carências nacionais. Nutra-se dele. CEPTA – Nos 10 anos que passou na Amazônia, o pesquisador Roberto Huet conviveu de perto com o pirarucu – Arapaima gigas e estudou seus parâmetros sanguíneos sob condições de cultivo intensivo. Agora no CEPTA, em Pirassununga, Roberto continuará com os estudos, desta vez com as espécies nativas pesquisadas naquela instituição.