Novos rumos da aqüicultura apontam para produção de medicamentos

A aqüicultura no mundo vem há anos se destacando, principalmente em virtude da aplicação de técnicas de cultivo visando a produção de alimentação humana e produtos químicos para a indústria, como os cultivos de macroalgas para a produção do agar e da agarose. No entanto, a aqüicultura marinha oferece também um enorme potencial para a produção de organismos utilizados para o desenvolvimento de medicamentos. Várias esponjas, ascídias e anêmonas vêm sendo estudadas, para a determinação do potencial para a produção de drogas e outras substâncias de utilização na medicina.

Atualmente, o maior problema para o desenvolvimento de medicamentos que utilizam substâncias químicas provenientes de organismos marinhos, é a obtenção desses organismos em quantidades suficientes. Esse obstáculo é a razão pela qual o desenvolvimento de drogas provenientes de organismos marinhos ainda não alcançou o seu grande potencial, principalmente quando comparado com os trabalhos com compostos derivados de plantas e micróbios terrestres.

Com o objetivo de viabilizar a utilização de técnicas aqüícolas para a produção de organismos que sirvam como fontes marinhas para a obtenção de substâncias de uso medicinal, inúmeras pesquisas já vêm sendo desenvolvidas. Para quem estiver interessado no tema, a edição de dezembro de 2004 da revista Global Aquaculture Advocate, apresenta uma série de artigos que discutem, entre outras coisas, a dificuldade na obtenção das fontes marinhas dessas substâncias; a possibilidade de cultivo de espécies de esponjas (Axinella corrugata) e ascídias de mangue (Ecteinascidia turbinata) que possuem metabólitos biologicamente ativos e com propriedades anti-tumorais, bem como o futuro da aqüicultura comercial voltada para a produção desses organismos.