O mexilhão dourado nos tanques-rede das pisciculturas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste

A criação de peixes em tanques-rede em águas públicas tem sido apontada como importante alternativa para o crescimento da produção de pescado no Brasil. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) tem estimulado o investimento neste segmento por meio da disponibilização de linhas de crédito e estudos para a demarcação de Parques Aquícolas nos reservatórios de propriedade da União. Apesar do crescimento da atividade, nos últimos anos, a infestação do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) nas pisciculturas em tanques-rede das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, mais particularmente nas bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, tem promovido impactos ambientais e econômicos que desestimulam a implantação de novos empreendimentos. Segundo os produtores do Vale do Paranapanema, em São Paulo, a invasão desse molusco na piscicultura aumenta os custos de produção em cerca de 15%. Este artigo resume o comportamento do mexilhão dourado e apresenta recomendações de manejo para a redução da infestação desta espécie.

Por:
Marcia D. Oliveira1
[email protected]
Daercy M. R. Ayroza2
[email protected]
Daniela Castellani3
[email protected]
Mônica de C.S. Campos4
[email protected]
Maria Cristina Dreher Mansur 5
[email protected]

1Embrapa Pantanal, Corumbá-MS.
2 Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios
APTA, Polo Regional Médio Paranapanema, Assis – SP.
3 Centro Avançado do Pescado Continental
APTA, Instituto de Pesca, Votuporanga- SP.
4 Centro de Inovação e Tecnologia SENAI/FIEMG
Campus CETEC-CITSF. Belo Horizonte – MG
5 Lótica Pesquisa Desenvolvimento e
Consultoria Ambiental-Porto Alegre – RS


O mexilhão dourado é uma espécie exótica proveniente do sudeste asiático, trazida para a América do Sul, provavelmente, na água de lastro dos navios. O molusco alcançou o estuário do rio da Prata, na Argentina, onde se desenvolveu e se disseminou através dos rios Paraguai, Paraná e Uruguai e respectivos tributários, seguindo a rota da navegação nas hidrovias Paraguai-Paraná e Tietê-Paraná. A área de ocorrência atual no Brasil é mostrada na Figura 1, com ocorrência restrita à bacia do Prata, nos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, e tributários desses rios. Os dados de ocorrência foram obtidos da literatura disponível e em registros ainda não publicados da Dra. Cristina Dreher Mansur e sua equipe.

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Biologia e disseminação do mexilhão dourado no Brasil

Durante a reprodução o mexilhão dourado libera seus gametas na água e, após a fecundação, uma larva livre se desenvolve, passando por vários estágios de crescimento. Após o período de 13 a 15 dias, dependendo da temperatura da água (Cataldo et al. 2005), e já com concha, adere a um substrato rígido por meio de uma estrutura de fixação chamada bisso. Uma vez fixo, o jovem molusco cresce em torno de 2,5 mm ao mês nos estágios iniciais, chegando a 5 – 6 mm em até 4 meses. É importante salientar que indivíduos maiores que 5 mm podem ser considerados aptos a reproduzir. A taxa de crescimento e a reprodução do L. fortunei variam com as condições do ambiente, principalmente com a temperatura da água. Seu tempo de vida é curto, em média 3,2 anos, quando a concha pode alcançar 3,6cm de comprimento. A reprodução do mexilhão dourado ocorre predominantemente nos meses mais quentes, entre setembro e março, com alta densidade de larvas em alguns momentos. Estas e outras informações da biologia de L. fortunei encontram-se detalhadas em Darrigran e Damborenea (2006) e Mansur et al. (2012).

Figura 1. Os símbolos vermelhos indicam áreas de ocorrência conhecida do mexilhão dourado no Brasil (Fonte: Márcia D. Oliveira)
Figura 1. Os símbolos vermelhos indicam áreas de ocorrência conhecida do mexilhão dourado no Brasil (Fonte: Márcia D. Oliveira)

O mexilhão dourado nas pisciculturas em tanques-rede

Nas áreas com piscicultura em tanques-rede o mexilhão dourado encontra substrato abundante para sua fixação e, provavelmente, maior disponibilidade de alimentos, em consequência do aumento da produtividade primária decorrente da carga orgânica liberada nessas áreas. Estudos de Costa et al. (2012) no Parque Aquícola instalado no rio Adelaide, reservatório de Salto Caxias, apontaram a existência de uma maior densidade de mexilhões nos tanques-rede que continham peixes, comparados aos tanques-rede sem peixes. Segundo os pesquisadores, essa maior densidade pode ter ocorrido em função da maior disponibilidade de alimento, decorrente de arraçoamento dos peixes. Foi observado também que os mexilhões presentes nos tanques com peixes eram de menor tamanho em relação aqueles dos tanques sem peixes, provavelmente pela competição por espaço.

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Nas pisciculturas, em pouco mais de um mês, os mexilhões fixados nas telas crescem e, junto com a matéria orgânica, aceleram a colmatação (fouling), reduzindo as trocas de água com o ambiente externo, o que implica na redução da oxigenação e da eliminação de resíduos nas estruturas de criação (Figura 2).

Figura 2. Incrustação do mexilhão dourado na tela do tanque-rede, neste caso com predominância de indivíduos maiores que 5mm (Foto: Márcia D. Oliveira)
Figura 2. Incrustação do mexilhão dourado na tela do tanque-rede, neste caso com predominância de indivíduos maiores que 5mm (Foto: Márcia D. Oliveira)

Como a produtividade dos tanques-rede está relacionada às trocas de água no seu interior, o desenvolvimento dos peixes é prejudicado, podendo, em situações extremas, resultar na mortalidade desses animais.

Além de impedir as trocas de água, as bordas das conchas podem provocar cortes e lesões nos peixes, aumentando a necessidade de cuidados durante os manejos da piscicultura. Alguns produtores relatam que o mexilhão se desenvolve mais nas laterais do que no fundo do tanque, o que aumenta as chances de lesões.

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A presença do L. fortunei tem sido relatada em tanques-rede construídos com telas de diferentes materiais (arame, arame galvanizado coberto por PVC e aço inox). Alguns produtores afirmam que a fixação é menor e a colmatação mais lenta das telas fabricadas em inox e que a redução no número de limpezas ao ano compensa o maior custo dos tanques-rede fabricados com este material. A menor fixação nestas telas, provavelmente está associada a menor superfície de contato, comparativamente aquelas revestidas por PVC, mas a limpeza dos tanques-rede, ainda predomina como principal fator de redução desta invasão. O mexilhão também adere às demais estruturas rígidas da piscicultura tais como boias, onde cresce até o tamanho máximo, pois nessas estruturas não há limpeza regular (Figura 3).

Figura 3. Mexilhão dourado aderido aos flutuadores do tanque-rede (Foto: Márcia D. Oliveira)
Figura 3. Mexilhão dourado aderido aos flutuadores do tanque-rede (Foto: Márcia D. Oliveira)

Nas áreas de grande infestação observa-se acúmulo de conchas no fundo e na margem do lago, próximas a área de produção (Figura 4). Os animais mortos próximos à piscicultura provocam cheiro desagradável.

Figura 4. Conchas do mexilhão dourado na margem do reservatório, próxima à criação de peixes (Foto: Márcia D. Oliveira)
Figura 4. Conchas do mexilhão dourado na margem do reservatório, próxima à criação de peixes (Foto: Márcia D. Oliveira)

A Figura 5 dá uma ideia da grande quantidade de conchas retiradas da piscicultura durante a limpeza dos tanques. Se trituradas adequadamente, essas conchas podem ser aproveitadas para correção do pH do solo, pois são ricas em carbonato de cálcio. Faltam, porém, estudos para determinar a eficiência, a quantidade e a melhor forma de uso deste material.

Figura 5. Conchas de mexilhão dourado acumuladas no local de limpeza dos tanques-rede (Foto: Luiz Ayroza)
Figura 5. Conchas de mexilhão dourado acumuladas no local de limpeza dos tanques-rede (Foto: Luiz Ayroza)

Limpeza dos Tanques-rede

A infestação do L. fortunei nas pisciculturas acarreta a necessidade de limpezas frequentes, que, de maneira geral, são realizadas utilizando-se lavadoras de alta pressão. Este procedimento aumenta o custo com mão de obra, energia elétrica, investimento em equipamentos e, algumas vezes, na construção de estruturas e local em terra para onde os tanques-rede são deslocados para a realização deste manejo (Figura 6). De acordo com os piscicultores são necessários de 2 a 5 funcionários para a realização da limpeza e retirada do mexilhão. Dependendo do tamanho da piscicultura e da intensidade da infestação, é estimado um tempo de até 4 horas para limpeza de cada tanque-rede. O uso da lavadora de alta pressão aumenta o consumo de energia, impactando economicamente a atividade. Também, segundo os piscicultores, pode ocorrer entupimento da bomba da lavadora.

Figura 6. Limpeza dos tanques-rede fora do reservatório para a retirada dos mexilhões (Foto: Luiz Ayroza)
Figura 6. Limpeza dos tanques-rede fora do reservatório para a retirada dos mexilhões (Foto: Luiz Ayroza)

A retirada frequente do tanque-rede da água para a limpeza compromete sua vida útil, sendo comum o rompimento das estruturas de fixação das telas, conforme relatado pelos piscicultores. Além dos danos, sob condição de infestação intensa, o tanque-rede pode até afundar devido ao seu peso excessivo.

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Entretanto, em geral, as pisciculturas estão localizadas em áreas onde é difícil a retirada dos tanques-rede para a limpeza em terra, razão pela qual na maioria das vezes o manejo de limpeza é feito no próprio local de cultivo. Nestes casos, os tanques-rede são içados por meio de guincho e, com o uso da lavadora de alta de pressão, procede-se à retirada do mexilhão (Figura 7). Apesar dessa ser a forma mais fácil de limpeza, é importante ressaltar que a retirada do mexilhão dourado não deve ser feita no próprio ambiente, pois os indivíduos que permanecerem vivos podem continuar a se reproduzir. Além disso, os indivíduos mortos contribuem para o acúmulo de conchas no fundo do lago e o aumento de matéria orgânica, o que pode prejudicar a qualidade da água no local de criação.

Figura 7. Limpeza do tanque-rede no local da criação utilizando lavadora de alta pressão (Foto: Márcia D. Oliveira)
Figura 7. Limpeza do tanque-rede no local da criação utilizando lavadora de alta pressão (Foto: Márcia D. Oliveira)

Para as pisciculturas que não têm condições de realizar a limpeza dos tanques-rede fora do local da produção, sugere-se, quando possível, colocar uma tela embaixo do tanque durante a lavagem, possibilitando a retirada de parte dos moluscos do local de criação.

Alguns piscicultores que não possuem este tipo de lavadora deixam o mexilhão secar ao sol e batem na tela para derrubar os moluscos, o que pode reduzir ainda mais a vida útil do tanque-rede.

A limpeza dos tanques-rede, de modo geral, é realizada depois da despesca ou a intervalos que variam de 2 a 4 meses. Observa-se que, quanto menor o intervalo entre as limpezas, menor é a incrustação nas telas e, quanto maior o intervalo, maior é o tamanho das conchas e a quantidade de mexilhões, o que dificulta a limpeza, aumenta os danos às estruturas de criação e os riscos de afundamento dos tanques-rede. No entanto, o maior número de limpezas implica no aumento de custo da produção.

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Embora não se saiba a taxa de crescimento exata dos moluscos nas diferentes condições ambientais, a literatura indica um crescimento ao redor de 2,5 mm ao mês, nos primeiros meses de vida. Isso corrobora as informações dos piscicultores de que os tanques que ficam na água por 2 a 3 meses alojam indivíduos com tamanhos superiores a 5 mm, portanto já necessitando de limpeza. Sendo assim, muitos piscicultores adotam a limpeza aos 2 – 3 meses, combinando com atividades de despesca. Outros, porém, chegam a deixar o tanque na água por 3 a 4 meses porque consideram que não vale a pena estressar o peixe em tempo tão curto. O período em que o tanque permanece na água sem ser limpo é um fator importante, mas difícil de generalizar, pois cada piscicultura tem seu próprio manejo de acordo com suas necessidades e tipo de cultivo, entre outros fatores.

Reprodução

A limpeza dos tanques para manter as telas livres, além de ser importante no manejo da piscicultura, quando feita em intervalos mais curtos pode também evitar a reprodução dos moluscos, já que ao atingem 5,5 mm são considerados aptos a reprodução (Darrigran et al., 2003). Portanto, a limpeza evita a reprodução dos jovens e contribui para diminuir a densidade.

A temperatura da água influencia o período de reprodução e o crescimento da concha, ambos favorecidos pelas temperaturas mais altas. Embora os produtores tenham relatado alta infestação no verão, como é esperado, outros produtores relataram fechamento das telas nos meses de inverno. A infestação observada em junho e julho deve ser proveniente dos indivíduos nascidos no final do verão, março e abril, que quando atingem 5 ou 6 mm começam a dificultar as trocas de água com o ambiente externo.

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Alguns produtores também relataram que em outubro e novembro, quando se espera alta densidade, a densidade de adultos nos tanques é mais baixa e não colmata tanto a malha do tanque. Isso provavelmente se dá porque a reprodução é menor nos meses de junho e julho. Indivíduos nascidos em setembro, início da reprodução, causarão danos no tanque de dezembro em diante. Estudos são necessários para um melhor entendimento da atividade reprodutiva de L. fortunei em áreas de piscicultura, o que pode ajudar no manejo.

Entre os indivíduos pequenos é comum se observar alguns bem maiores, resultantes de translocamento. Isto porque o mexilhão pode se soltar de uma superfície e se fixar em outra localizada próxima, principalmente nos estágios mais jovens, os quais podem flutuar e se manter na coluna d’água até encontrar um substrato próximo. No caso dos tanques-rede o translocamento é facilitado devido à proximidade dos mesmos.

Conter o avanço

A falta de informações sobre o padrão de comportamento desta espécie nas pisciculturas e de disponibilização de tecnologias e recomendações de manejo para a redução da infestação com base técnica e científica leva os produtores a buscarem suas próprias soluções, muitas vezes copiando o modelo utilizado pelo vizinho.

As informações disponíveis sobre a atividade reprodutiva desta espécie foram obtidas a partir de estudos realizados em lagos e rios do sudeste asiático e da América do Sul (Darrigram & Damborenea, 2006 e Mansur etl al. 2012), mas nenhuma em áreas de piscicultura. Estudos sobre a atividade reprodutiva nas áreas de piscicultura, incluindo tamanho reprodutivo, época de reprodução e sazonalidade podem subsidiar ações para a redução desta infestação nestas áreas. Da mesma forma, estudos de genética e biologia molecular podem contribuir com tecnologias para o controle desta espécie.

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Também devem ser estimuladas pesquisas para o desenvolvimento de materiais para a fabricação das telas que desfavoreçam a fixação do mexilhão dourado, mas sem toxicidade para a biota aquática, e de equipamentos para limpeza que podem ajudar a minimizar esta infestação.

O uso de sistemas manuais ou automatizados baseados na escovação das telas poderia reduzir a frequência, o tempo de limpeza e o desgaste das estruturas de criação, reduzindo os custos. Atualmente, na região do Noroeste Paulista, está sendo testado um tanque-rede auto-limpante (limpeza mecânica), projeto o qual tem como parceiros a Fisher, APTA e FAPESP.

Alguns produtos químicos têm sido utilizados para matar indivíduos adultos, pois tais produtos atacam as partes moles dos moluscos, e pode ser que ataquem também o bisso, pois facilitam o desprendimento da concha, e consequentemente a limpeza. Também são utilizados bactericidas para esterilização das telas antes de retornar o tanque para a água de forma a evitar ou retardar o crescimento de bactérias e do biofilme, o que pode retardar também a fixação do mexilhão. No entanto, esses produtos podem causar modificações indesejáveis no ambiente e no peixe para consumo. Portanto, além da eficiência na redução do mexilhão dourado, esses produtos precisam ter sua segurança ambiental testada e estarem regulamentados para uso. Tanto os produtos químicos como o recobrimento das telas devem ser testados antes em laboratório e nunca diretamente na produção, para evitar danos ao meio ambiente e a produção.

A piscicultura em tanques-rede atrai também outras espécies de peixes da fauna presentes no reservatório, que poderiam se alimentar do mexilhão dourado, tanto adultos quanto larvas. Há na literatura registro de pelo menos 32 espécies de peixes com a presença do mexilhão no trato digestivo. Losch et al. (2009) verificaram a presença do mexilhão dourado no trato digestivo de pacus e jundiás criados em tanques-rede no reservatório de Itaipu, e o mesmo não foi observado em curimbatás. Esses autores sugerem que as espécies predadoras do mexilhão podem ser utilizadas como forma de reduzir essa infestação, sendo uma alternativa de controle a ser estudada.

Outra questão é a carência de estudos sobre a possibilidade de transmissão de doenças para os peixes e para o homem pelo L. fortunei. Existem estudos no Japão mostrando que o mexilhão pode ser hospedeiro de vetores de doenças de peixes. Por outro lado, não existem registros na literatura ou relatos sobre a possibilidade de ocorrência de dermatites ou reações alérgicas pela manipulação de quantidades massivas de mexilhões pelo homem.

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Além das soluções tecnológicas para minimizar os impactos ambientais e econômicos nas áreas já infestadas, são necessários planos de contenção da espécie pelo menos em áreas de interface entre bacias hidrográficas consideradas de maior potencial de invasão. Produtores de peixes na bacia do rio São Francisco, por exemplo, área ainda livre do mexilhão dourado, precisam ficar atentos à entrada do mexilhão dourado nesta bacia, porque assim como a maioria das águas brasileiras suas águas são propícias ao desenvolvimento de L. fortunei.

Durante visita às pisciculturas observamos que existem outras espécies de moluscos exóticos invasores dos gêneros Corbicula e Melanoides, os quais são mais difíceis de serem notados pelos piscicultores, pois são espécies de fundo, mas apresentam densidades altas e provocam alterações ambientais semelhantes ao mexilhão dourado. Estudos sobre os efeitos das espécies de moluscos exóticos em longo prazo também devem ser objeto de investigações futuras.

Gostaríamos de ressaltar também a necessidade de maior interação entre as instituições de pesquisa, de meio ambiente, de extensão e os produtores na busca de soluções tecnológicas para esta infestação que vem prejudicando tanto o meio ambiente como a produção do pescado na Bacia do Prata.

FAPESP aprova projeto de estudo do mexilhão dourado na piscicultura

Recentemente, no dia 16 de outubro, foi aprovado pela FAPESP o projeto “Padrões ambientais associados ao desenvolvimento do mexilhão dourado, Limnoperna fortunei, em áreas com piscicultura em tanques-rede”, que será desenvolvido no reservatório Canoas II, rio Paranapanema, divisa entre os estados de São Paulo e Paraná. O projeto, que visa fornecer informações para subsídio à prevenção, controle e mitigação dos impactos negativos desta infestação nas pisciculturas, será coordenado pela pesquisadora Dra. Daercy M M Rezende Ayroza, da APTA, com a participação, além do Polo Regional do Médio Paranapanema, da Embrapa Pantanal, do Centro de Isótopos Estáveis Ambientais da Unesp de Botucatu, do Núcleo de Pesquisa em Ficologia, do Instituto Botânico, da Unidade Laboratorial de Referência em Limnologia do Instituto de Pesca e do Departamento de Ciências Exatas da Unesp de Jaboticabal.


Leitura recomendada

– Cataldo, D., Boltovskoy, D. Hermosa, J.L., Canzi, C.Temperature-dependent rates of larval development in Limnoperna fortunei (bivalvia: mytilidae). J. moll. stud. 71: 41–46. 2005.
– Costa, J. M., Manske, C., Signor, A. A., Luchesi J. D., Feiden, A. , Boscolo, W. Incrustação de mexilhão dourado Limnoperna fortunei em tanques-rede. Cultivando o Saber. 5(2):37-46. 2012.
– Darrigran, G., Damborenea C., Penchaszdeh P., Taraborelli, C. Reproductive stabilization of Limnoperna fortunei (Bivalvia Mytilidae) after ten years of invasion in the Americas. Journal of Shellfish Research. 22(1): 141-146. 2003.
Darrigran, G.; Damborenea, C. (eds.). Bio-invasión del mejillón dorado en el continente americano. Universidade Nacional de La Plata, La Plata. 2006. 226p.
– Lösch, J.A., Boscolo, W.R., Feiden, A., Lorenz, E.K., Bittencourt, F. Presença de mexilhão dourado no trato gastrointestinal de três espécies nativas de peixes cultivadas em tanquesrede no reservatório de Itaipu. Anais do I Seminário Internacional de Ciência, Tecnologia e Ambiente, 2009. 2009. UNIOESTE, Cascavel, Paraná.
– Mansur, M.C.D., Santos, C.P., Pereira, D., Paz, I.C.P., Zurita, M.L. L, Rodriguez, M.T. R., Nehrke M. V., Bergonci, P.E. A. (eds). Moluscos límnicos invasores no Brasil. Biologia, prevenção, controle, Redes Editora, Porto Alegre. 2012. 411 pg.