O uso da tecnologia de cultivo em tanque-rede no Chile

Por: Carlos Wurmann* – Award Ltd.
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*em mensagem enviada do Chile para a Lista de Discussão Panorama-L


Os tanques-rede (balsas-jaula em espanhol), são a base da indústria de cultivo de peixes no Chile, onde são principalmente usados em zonas geográficas relativamente protegidas dos ventos. São feitas de metal e polietileno de alta densidade (HDPE), e possibilitam a produção que hoje beira as 500.000 toneladas anuais.

Em geral as estruturas metálicas são de 20 x 20m ou 25 x 25m, com 12 a 15m de profundidade de rede. As unidades de HDPE são quase sempre circulares, e têm diâmetros que chegam até 30 metros, com profundidades de rede de 20-25m. Esta tecnologia tem evoluído tanto, que já são oferecidas no mercado algumas unidades de 50m de diâmetro, verdadeiros gigantes marinhos. Atualmente, o cultivo chileno já começa inicia um paulatino movimento na direção de zonas mais expostas as ondas e aos ventos, a medida que estão sendo desenvolvidos e testados em escala comercial os tanques-rede submersíveis, que podem ser operados até mesmo em condições oceânicas muito difíceis.

Com esta tecnologia é possível obter custos de produção bastante baixos para o salmão, a truta em água do mar, e juvenis de salmão e truta em água doce (lagos). Sem dúvida, o uso de tanques-rede destas dimensões (em algumas ocasiões uma só unidade pode chegar a ter mais de 150 toneladas de peixes) impõe uma série de requisitos aos cultivos, para que sejam usados eficientemente. Entre outras coisas, impõem requisitos engenhosos e operacionais, tais como: saber como fixar as estruturas nos fundos; como desenhar e construir as unidades para que a corrente não as deformem e mantenham uma geometria relativamente constante; como lidar com predadores aquáticos e voadores; como evitar escapes frente à rupturas nas redes; como evitar a corrosão; como fazer manutenção nestas estruturas flutuantes; como trocar redes de grandes dimensões e peso; como diminuir os efeitos ambientais indesejáveis; como combater as incrustações; como despescar eficientemente, etc.

Sob o ponto de vista operacional, também é um desafio evitar o estresse resultante do manejo (classificações por tamanho, vacinação, e outros tratamentos profiláticos), o que significa que se deve contar com juvenis uniformes e com potencial genético similar, para evitar ao máximo sua manipulação uma vez colocados dentro dos tanques-rede.

No Chile, já podem ser vistos centros de cultivo com sistemas de produção em tanques-rede muito mecanizados, que podem produzir de 2.500 a 3.000 toneladas anuais, ou por ciclo de salmão ou truta em um mesmo lugar, com o trabalho de somente uns sete técnicos altamente qualificados, algo inimaginável há 10 anos atrás. Com esta tecnologia, em alguns locais é possível produzir até 6.000 toneladas por ciclo.

Pessoalmente, acredito bastante neste sistema de produção e acho que o Brasil ainda não deu uma atenção suficiente aos estudos necessários para se trabalhar com grandes tanques-rede, tanto no que diz respeito aos aspectos de engenharia, como nos aspectos operacionais ou ligados ao manejo adequado para a engorda de juvenis. Por isso, e pensando no futuro, me parece muito importante que se destinem fundos para estas pesquisas, sobretudo, para que técnicos e cientistas brasileiros viajem a outros países e conheçam em primeira mão a experiência com estas tecnologias. Sua aplicação no Brasil provavelmente trará bons resultados tanto em água doce quanto em água do mar.