Os Peixes Sul-Americanos

E o Brasil na Feira Internacional de Pesca de Ancona

Por: Marcelo Chammas – FISHTEC Consultores Associados


Ocorreu entre os dias 13 e 16 de maio na costa Adriática da Itália a 59a Edição da Feira Internacional da Pesca e a 18a Jornada de Maricultura de Ancona, eventos que merecem destaque no cenário Europeu por vir mantendo um público médio de 8.000 pessoas nos últimos anos.


Nessa última edição, além do sucesso de público, houve a participação de delegações de 27 países, inclusive o Brasil.

A Feira foi uma excelente oportunidade para se conhecer as novas tendências do mercado Europeu e as particularidades do mercado italiano.

Percas e trutas

A Itália apresenta um consumo per capta de pescado superior a 40 kg/ano, dos quais 50% são originários de outros países.

Nos dois últimos anos, os peixes mais vendidos nos supermercados (65% das vendas) têm sido principalmente duas espécies de água doce: a perca do Nilo, procedente do Lago Vitória na África, comercializada na forma de filés, e a truta, produzida em fazendas italianas e comercializada nas mais diferentes formas. O preço médio pago pelos grandes distribuidores pelos filés dessas duas espécies era R$ 4,00 e R$ 3,70, respectivamente. Cabe informar que a perca do Nilo não estava sendo comercializada havia mais de dois meses devido à contaminação pelo cólera do Lago Vitória.

O mercado italiano, apesar de muito tradicional, começa a verificar uma tendência de queda na comercialização de produtos frescos, que vem sendo substituídos pelos congelados, os quais tiveram um incremento de vendas da ordem de 30% no último ano. Outro fator que chamou a atenção foi a queda no preço dos peixes marinhos cultivados, notadamente os provenientes da Grécia. O sea bass estava sendo vendido fresco para os grandes atacadistas a preços SIF Itália entre US$ 2,80 e 3,20, contra os US$ 12,00 a 14,00 de dez anos atrás.

Degustação

Tendo em vista a perspectiva de redução das alíquotas de importação do Mercado Comum Europeu para produtos agropecuários tropicais a partir do final do ano, a organização da feira sugeriu a promoção de uma noite de degustação de peixes tropicais Sul-americanos. Este evento ocorreu na noite do dia 14 e contou com a participação de representantes de 23 delegações, além dos maiores distribuidores de pescado da Itália. Para o preparo dos pratos, os representantes brasileiros levaram ingredientes culinários e quase 100 kg de postas e filés das seguintes espécies comercializadas pela empresa mineira Saboral Alimentos Ltda.: piramutaba, dourada, surubim, traíra e tilápia (única das espécies não originária da América do Sul). Os peixes foram preparados segundo receitas italianas e brasileiras, três para cada pescado. Além dos peixes anteriormente citados, também foram preparados filés de peixe rei e pacus, provenientes de cultivos argentinos. Nessa ocasião, foi realizado um teste de degustação cujos resultados se encontram resumidos na tabela abaixo:

Para que as pessoas pudessem conhecer um pouco mais sobre as características dos peixes apresentados, amostras de peixes inteiros eviscerados foram descongeladas, e expostas juntamente com os pratos. Pudemos depreender que a presença de espinhas tipo mioceptos, em forma de Y, presentes na musculatura de alguns peixes tropicais, além da baixíssima aceitação de pescado de cor escura foram os grandes responsáveis pelas más notas obtidas pela traíra e pelo pacu.

O evento foi um sucesso geral não só pelo comparecimento maciço como pelas perspectivas de negócio e elogios recebidos. Vale destacar que o primeiro conteiner da Saboral com 600 kg de amostras, estará sendo embarcado via aérea para Itália ainda na primeira semana de julho. E, com a inauguração no início do segundo semestre de 1999 de sua planta de processamento de pescado cultivado, com capacidade inicial para 6.000 t/ano, a Saboral e a FISHTEC esperam poder abrir as portas do mercado europeu para a piscicultura brasileira.